Pular para o conteúdo principal

O Silêncio do Ego: Entre a Vontade de Deus e o Desejo de Libertação

 Ano 2025. Autor – Ayrton Junior Psicólogo

Introdução

Este livro nasceu de uma pergunta feita no silêncio da noite: “Até quando ficarei neste trabalho?”

A pergunta parece simples, mas contém o peso de um coração cansado.
Ela revela o conflito entre o desejo de mudança e o medo do desamparo.
O sujeito vive entre a fé e a dúvida, entre o querer sair e o não poder sair, entre a esperança de Deus e o medo da perda.

A psicanálise e a espiritualidade se encontram aqui, pois ambas falam da mesma coisa: a libertação não começa no mundo, mas na consciência.

Este livro é o retrato de uma alma dividida — e do Ego que, mesmo exausto, busca escutar o sagrado que fala dentro de si.


Sumário

1.      O Pedido da Noite

2.      O Ato Falho e o Silêncio do Inconsciente

3.      O Superego Religioso e a Censura da Fé

4.      O Ego e a Espera por Sinais

5.      O Medo como Mecanismo de Defesa

6.      A Associação Livre como Caminho para o Inconsciente

7.      A Descoberta do Insight

8.      A Angústia como Verdade Não Suportada

9.      O Ego Exausto e a Perda da Fé

10. A Data que Não Veio: A Vontade de Deus e o Ego Exausto

11. A Demissão Silenciosa: O Grito Calado do Ego sem Amparo

12. O Nome do Medo: O Desamparo e a Espera pelo Amparo

13. O Tempo da Libertação: Quando o Relógio se Une à Consciência

14. Conclusão Final

15. Referências Bibliográficas


Capítulo 1 — O Pedido da Noite

Antes de dormir, o sujeito pergunta:

“Até quando ficarei neste trabalho?”

Não é apenas uma pergunta sobre tempo, mas sobre resistência e fé.
O Ego, cansado, busca uma certeza. Quer saber quando o sofrimento acabará, mas teme o que virá depois.
Nessa pergunta, o inconsciente já responde silenciosamente:

“Até quando você não escutar a si mesmo.”


Capítulo 2 — O Ato Falho e o Silêncio do Inconsciente

Ao acordar, o sujeito não se lembra do sonho.
Esse esquecimento é um ato falho — uma defesa.
O inconsciente tentou falar, mas o Ego, com medo do que ouviria, silenciou a mensagem.
Freud ensina que o esquecimento é a forma mais sutil de repressão.
O Ego esquece o sonho, mas não apaga o desejo.


Capítulo 3 — O Superego Religioso e a Censura da Fé

O Superego, moldado pela crença, impõe:

“Você só poderá sair quando Deus permitir.”

Essa voz interior disfarça medo de culpa sob a roupagem da fé.
O sujeito, obediente, confunde obediência espiritual com paralisia emocional.
Mas o inconsciente não obedece a regras: ele fala através do sintoma.
E o sintoma grita: “Eu quero sair, mas não posso.”


Capítulo 4 — O Ego e a Espera por Sinais

O Ego espera sinais de Deus — um aviso, um sonho, uma palavra.
Mas o sinal que aguarda é o mesmo que ignora:

o próprio desejo de mudar.
Deus, na linguagem do inconsciente, fala pela inquietação, pela angústia, pelo impulso de liberdade.
Mas o medo espiritualizado chama isso de pecado.


Capítulo 5 — O Medo como Mecanismo de Defesa

O medo é o instrumento de controle do Superego.
Ele impede o Ego de agir e o convence de que o sofrimento é prudência.
O sujeito se protege da dor futura aceitando a dor presente.
Assim, o medo cumpre sua função: evitar o colapso, mas também impedir o renascimento.


Capítulo 6 — A Associação Livre como Caminho para o Inconsciente

O Ego descobre a associação livre.
Pela fala espontânea, ele percebe que pode acessar o inconsciente sem precisar dormir.
As palavras soltas revelam verdades que os sonhos esconderam.
Nesse ato, o sujeito se liberta um pouco mais da censura e percebe:

“Eu posso me escutar a qualquer hora.”


Capítulo 7 — A Descoberta do Insight

O insight é o instante em que o inconsciente se ilumina.
O sujeito compreende que o sinal de Deus não vem de fora, mas do despertar interno.
Ele começa a unir fé e psicanálise, entendendo que ambas buscam o mesmo:
o encontro com o próprio sentido.


Capítulo 8 — A Angústia como Verdade Não Suportada

A angústia é o corpo gritando o que o Ego cala.
Ela é o primeiro passo da libertação, porque mostra que algo dentro já mudou.
Fugir dela é adiar o amadurecimento.
Suportá-la é atravessar o deserto em direção à verdade.

“A angústia é a presença do desejo ainda não vivido.”


Capítulo 9 — O Ego Exausto e a Perda da Fé

O Ego perde energia e sente-se distante até de Deus.
A oração vira obrigação, a esperança se torna lembrança.
Mas Freud e Viktor Frankl diriam: a fé não morre — ela se recalca.
Quando o Ego se reergue, a fé retorna, agora mais madura e consciente.


Capítulo 10 — A Data que Não Veio: A Vontade de Deus e o Ego Exausto

O sujeito esperava um dia, um mês, um ano.
Mas Deus respondeu com silêncio.
A ausência de resposta foi a lição: não há data para o despertar.
Enquanto o Ego mede o tempo em dias, o inconsciente o mede em consciência.
A doença física surge como reflexo da repressão do desejo, pedindo escuta.

“O silêncio de Deus é o convite para o sujeito escutar a si mesmo.”


Capítulo 11 — A Demissão Silenciosa: O Grito Calado do Ego sem Amparo

Sem forças, o Ego permanece em demissão silenciosa.
Trabalha, mas o espírito já partiu.
O medo da pobreza, o medo de cair, o medo de não ser amparado o aprisionam.
Esse silêncio não é escolha — é mecanismo de sobrevivência.
Mas a vida que se cala morre aos poucos.

“Demissão silenciosa é a renúncia do desejo em nome da segurança.”


Capítulo 12 — O Nome do Medo: O Desamparo e a Espera pelo Amparo

O sujeito reconhece seu medo:

“Tenho medo de não ter amparo econômico nem uma contratação rápida.”

Essa nomeação é cura parcial — o medo nomeado perde parte de sua força.
Por trás do medo de falta está o medo infantil do desamparo.
O Ego teme que, sem o emprego, perderá o chão e até a proteção divina.
Mas o amadurecimento da fé o ensina:

“O amparo de Deus não é a ausência de queda, é a força para se levantar.”

O sujeito entende que a fé verdadeira não é a que espera um milagre,
mas a que anda mesmo sem saber o caminho.


Capítulo 13 — O Tempo da Libertação: Quando o Relógio se Une à Consciência

O sujeito compreende, enfim, que o tempo da libertação não é o do calendário, mas o da consciência.

O tempo do calendário pertence ao Ego racional — o tempo das promessas, dos prazos e das esperas.
O tempo da consciência pertence ao inconsciente — o tempo do insight, da aceitação, da verdade.

Enquanto o Ego espera o “dia certo” para mudar, a consciência sussurra:

“A mudança já começou dentro de você.”

O sujeito aprende que a libertação não acontece quando o relógio marca a hora,
mas quando o coração se alinha com o desejo e a fé.

A data da saída não está no futuro — está no instante em que o Ego deixa de ser escravo do medo.
A partir daí, o tempo externo e o interno se unem:
o relógio humano e o relógio divino marcam o mesmo compasso.

“O tempo de Deus é o tempo da consciência desperta.”


Conclusão Final

A pergunta “Até quando ficarei neste trabalho?” já não pede resposta.
O sujeito compreende que o tempo da saída é o tempo da coragem.
E que Deus, ao silenciar, o conduzia ao autoconhecimento.

O Ego, antes exausto e confuso, aprende que fé e consciência são uma só estrada:
crer é escutar o próprio desejo sem medo de ofender o divino.

“A libertação é um estado interno.
Quando o Ego desperta, o destino se move.”


 

Referências Bibliográficas

  • Freud, S. (1915). O Inconsciente.
  • Freud, S. (1923). O Ego e o Id.
  • Freud, S. (1926). Inibições, Sintomas e Ansiedade.
  • Winnicott, D. W. (1960). O Ambiente e os Processos de Maturação.
  • Lacan, J. (1953). Função e Campo da Fala e da Linguagem em Psicanálise.
  • Frankl, V. E. (1946). Em Busca de Sentido.
  • Kierkegaard, S. (1849). O Desespero Humano.
  • Dolto, F. (1984). O Inconsciente e a Fé.

 

Comentários

Postagens mais visitadas

Emprego Inferior Suas Consequências

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um sujeito ao estar quatro anos desempregado e para não ser despejado da casa se sujeita a trabalhar como operador de caixa de supermercado por não ter opção de escolher empregos por estar com 60 anos de idade. Assumir um trabalho como operador de caixa de supermercado, mesmo que seja uma escolha motivada pela necessidade financeira e pela falta de outras opções, pode ter diversas consequências psicológicas. Aqui estão alguns pontos importantes a serem considerados: Autoestima e Identidade: Para algumas pessoas, a transição para um emprego que está abaixo de suas habilidades ou expectativas profissionais pode afetar sua autoestima e senso de identidade. Elas podem se sentir subvalorizadas ou envergonhadas por estarem em uma posição considerada de menor prestígio. É importante lembrar, no entanto, que o valor de uma pessoa não está diretamente relacionad...

Auto Regular Emoções E Ajustar Comportamentos No Ambiente [...]

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo encoraja o leitor a fazer a própria observação, sobre sua conduta nos ambientes aos quais está inserido e considerar a baixa imunidade diante de situações estressantes, seja no trabalho, na família, no esporte, nas reuniões e outros. Você já deve saber que a relação entre pais e filhos tem grande influência em diversas esferas do desenvolvimento infantil, certo? Um hábito importante é a autorregulação na Educação Infantil que, apesar de ser promovido pela escola, também deve ser um ponto de atenção em casa. Por essa razão, é importante que os pais, ao lidar com as crianças, busquem incentivá-lo. Pois, a auto regulação é importante em vários ambientes, seja escolar, organizacional, esportivo, familiar e o que você pensar agora enquanto lê o artigo. Encontramos em diversos ambientes adultos que não possuem o mínimo de auto regulação nas emoções e nem tão pouco comportamentos ajustados para reações d...

Psicólogo Organizacional Supermercado Não-Escolha

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Vamos compreender o desejo do psicólogo através das abordagens psicanálise, psicologia social e psicologia organizacional. Em se tratando do ambiente o psicólogo tem medo e desejo ao mesmo tempo de atuar como psicólogo organizacional, pois se esquece que agora é uma figura de autoridade. E neste caso surge a reação de aproximação-afastamento, é quando sentimos atração e repulsa pelo mesmo objeto [Ser Psicólogo Organizacional] temos uma situação de aproximação-afastamento. Um exemplo seria o de um operador de caixa que é psicólogo num supermercado e tem o desejo inconsciente de atuar como psicólogo organizacional no supermercado [aproximação], mas o medo de mal interpretado pela supervisão através de punição [afastamento], porque no ato da contratação, ao lhe perguntar se tinha outra formação além de técnico em mecânica, omitiu dizendo que não; e por isso ...

REDE SOCIAL, O MERCADO DE FUTUROS HUMANOS

  Ano 2021. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leit@r a observar a manipulação das plataformas se utilizando das tecnologias através das redes sociais para manipular os usuários, onde neste mundo virtual o produto é o ser humano, ou seja, se você não paga o anuncio, você é o produto. Sabemos que no mundo físico temos diversos mercados, exemplo, agropecuária, avicultura, vestuários, automobilístico, imobiliários, financeiro, tecnologias, mercado de tráfico humanos e órgãos humanos e o que você conseguir pensar enquanto lê o artigo. As redes socias propagam a desinformação, o discurso de ódio, a polarização política, teorias da conspiração. Como esses problemas se intensificam nas redes sociais e como escapar das armadilhas? Graças às redes sociais e sua manipulação ideológica, as pessoas modificaram seu comportamento. O mais visível é a radicalização, a intolerância e a insuficiência que, sem perceber, são transmitidas nesses e...

Desorientação Espacial No ambiente Supermercado

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Excelente observação — e muito pertinente para uma análise pela psicologia social , pois o ambiente do supermercado é um espaço profundamente planejado para influenciar comportamentos de consumo , inclusive por meio da desorientação espacial que você descreve. Vamos detalhar o fenômeno passo a passo: 🧭 1. Desorientação espacial como estratégia de controle do comportamento Na psicologia social, entende-se que o comportamento humano é fortemente influenciado pelo ambiente físico e social . Quando os repositores mudam a disposição dos produtos, ocorre uma quebra do mapa cognitivo que o cliente havia construído. Mapa cognitivo é o termo usado por Tolman (1948) para descrever a representação mental que fazemos de um espaço conhecido. Quando o cliente vai ao supermercado regularmente, ele cria um mapa mental da locali...

No Varejo E Supermercado O Masoquismo Moral

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Agora vamos entender essa mesma situação pela abordagem da Psicologia Organizacional, de forma simples, como se você fosse um iniciante. 🧠 O que é Psicologia Organizacional? É o ramo da psicologia que estuda o comportamento humano no ambiente de trabalho, buscando melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e o desempenho da organização. Ela observa o ambiente, as relações entre as pessoas, os processos, os conflitos, o estresse, a motivação e propõe estratégias para promover bem-estar no trabalho. ❓ O que está acontecendo nas organizações varejistas de supermercado? Você percebeu algo muito comum nesse tipo de ambiente: Muitos colaboradores estão adoecidos (ansiosos, esgotados, com dores físicas, tristes, sem motivação); Mas, ao mesmo tempo, eles não aceitam a Psicologia como uma ferramenta útil e necessária para mudar essa realid...

Masoquismo Moral Varejo E Supermercado

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Masoquismo moral entre colaboradores e funcionários na organização varejistas de supermercado ao não aceitar a Psicologia como disciplina fundamental para promover a saúde mental no ambiente organizacional enquanto observar se colaboradores adoecidos pelo sistema. Vamos entender essa questão de forma simples, pela psicanálise, como se você estivesse começando agora a aprender sobre isso. 1. O que é masoquismo moral na psicanálise? Na psicanálise, masoquismo moral é quando a pessoa se coloca inconscientemente em situações de sofrimento, culpa ou punição, mesmo sem ter feito nada de errado. Ela acredita que merece sofrer por alguma razão moral ou inconsciente, como se o sofrimento fosse uma forma de pagar por algo ou de se sentir "boa" por estar suportando a dor. É um tipo de prazer inconsciente no sofrimento – não físico, mas emocional...

Fazer Mais Com Menos Teoria Minoria - Maioria

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Observo que o supermercado como não consegue manter o quadro de colaboradores acaba contribuindo para fazer mais com menos, ou seja usa a minoria de colaboradores para atingir os resultados sacrificando àqueles que está no sistema deles padrão. Vamos explicar isso passo a passo, de forma simples, pela psicologia organizacional , trazendo também a teoria de minoria e maioria de Kurt Lewin , como você pediu. 🔧 O que é “fazer mais com menos” na psicologia organizacional? Na prática organizacional, "fazer mais com menos" significa exigir mais produtividade , mais resultados , mais metas batidas , mas com menos recursos , menos tempo e menos pessoas trabalhando . Isso pode causar: Sobrecarga emocional e física dos poucos colaboradores que ficam. Estresse constante e aumento de doenças relacionadas ao trabalho (como burno...

O Psicólogo E O Mecanismo Defesa Fuga Da Realidade

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um sujeito que é psicólogo empreende esforços para empregar se em alguma instituição e alavancar a clínica, porém não obtém sucesso em nenhum dos campos empreendidos. Só restou empregado se em uma função de fiscal de caixa totalmente não homologado com seus valores para poder sustentar se e pagar suas contas. Descreva o mecanismo de defesa que o sujeito acionou inconsciente para lidar com a situação como se eu fosse um iniciado pela abordagem da psicanálise. Na situação descrita, o sujeito está lidando com uma realidade frustrante: não conseguiu emprego como psicólogo, que é uma área em que ele realmente deseja trabalhar e que está alinhado com seus valores. Para enfrentar essa situação, ele aciona alguns mecanismos de defesa deliberadamente. Vamos ver alguns dos principais: Racionalização : Esse mecanismo envolve uma situação com explicação que ...

Inveja Dos Colegas que Se Demitem Do Supermercado

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. um fiscal de caixa que trabalha numa equipe do supermercado ver os seus colegas pedindo a conta e isso gera nele uma uma insegurança gera nele uma inveja criativa que ele está totalmente insatisfeito também com o ambiente quer sair mais porém parece que existe um medo de que pensar que o leva a pensar que não vai conseguir então quando vê os colegas saindo isso fala Puxa vida quando será que eu vou sair desse ambiente aqui também me explique sobre a inveja que esse fiscal de caixa sente em relação aos seus colegas de trabalho e também o mecanismo de contratransferência que ele sente em relação a essa situação. Me explica e interpreta como se eu fosse um iniciante pela abordagem da psicanálise. Na psicanálise, a inveja criativa não é apenas um sentimento negativo, mas um impulso que pode levar ao crescimento. Vamos entender o que acontece com esse f...