Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 Resumo Este artigo analisa, a partir da psicanálise freudiana e lacaniana, a posição do sujeito que ocupa a função de fiscal de caixa em um supermercado, destacando como essa função o inscreve no laço social prioritariamente como força de trabalho, produzindo apagamento da subjetividade. A partir de um percurso biográfico-profissional marcado por sucessivas tentativas de articular subjetividade e remuneração, evidencia-se uma compulsão à repetição que alterna posições de remuneração sem subjetividade e subjetividade sem remuneração. O adoecimento psicossomático surge como índice clínico do esgotamento dessa lógica. O texto propõe a noção de intervalo de separação simbólica como operador clínico para interromper a repetição e sustentar a travessia ética em direção a laços onde o sujeito possa existir em posição subjetiva, especialmente no campo da psicologia na interface com a lei. Palavras-chave: subjetiv...
Uma reflexão sobre trabalho, existência e alienação no contexto organizacional contemporâneo Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 Introdução "Por que eu ainda preciso estar aqui no supermercado trabalhando como fiscal de caixa para existir?" Esta pergunta, aparentemente simples, encapsula décadas de debate filosófico, sociológico e econômico sobre a relação entre trabalho, identidade e existência humana. A questão não se refere apenas à sobrevivência material, mas toca em dimensões mais profundas: o que significa existir em um sistema onde nossa presença física em determinado espaço organizacional parece ser a condição para nossa própria validação social e econômica? A Existência Condicionada ao Trabalho Assalariado Marx (1844/2010) já identificava no século XIX que, no sistema capitalista, o trabalhador "só se sente livremente ativo em suas funções animais - comer, beber e procriar (...) - enquanto em suas funções humanas se vê red...