Pular para o conteúdo principal

Postagens

Postagens de artigos

Funções que sustentam o fiscal-psicólogo: econômico, simbólico e psíquico

  Resumo Este artigo propõe uma leitura integrada da posição subjetiva do “fiscal-psicólogo” em contexto de trabalho precarizado, articulando três eixos de sustentação — econômico, simbólico e psíquico . A partir de contribuições da psicanálise (especialmente Sigmund Freud e Jacques Lacan), demonstra-se que a permanência no ambiente não se explica apenas por necessidade financeira, mas por uma função complexa de regulação subjetiva e inscrição simbólica . Argumenta-se que o risco clínico não reside simplesmente na permanência, mas na concentração dessas funções em um único dispositivo institucional , o que produz dependência estrutural e limita a mobilidade do sujeito. 1. Introdução No cenário contemporâneo de trabalho, especialmente em funções operacionais de alta exigência (como a de fiscal de caixa em supermercados), observa-se um fenômeno recorrente: sujeitos que, mesmo conscientes do desgaste físico e psíquico, mantêm-se vinculados à função . A leitura simplista ...
Postagens recentes

O Psicólogo que se inscreve todos os dias no ambiente de supermercado: precarização, neoliberalismo e evidências empíricas do sofrimento no trabalho brasileiro

  Resumo Este artigo aprofunda a análise da reinscrição subjetiva no trabalho articulando fundamentos da psicologia social, psicanálise e teorias contemporâneas do neoliberalismo com dados empíricos do mercado de trabalho brasileiro. A partir de um caso-tipo — um psicólogo atuando como fiscal de caixa — investiga-se como a permanência em um lugar de sofrimento é sustentada por dispositivos sociais, econômicos e subjetivos. Utilizam-se dados de rotatividade, informalidade e adoecimento psíquico para sustentar a análise. O referencial teórico inclui Christophe Dejours, Jacques Lacan, Byung-Chul Han e Pierre Dardot. Conclui-se que o sofrimento psíquico no trabalho contemporâneo é estrutural, intensificado pela precarização e pela internalização da lógica de desempenho. Palavras-chave: trabalho; subjetividade; burnout; precarização; neoliberalismo. 1. Introdução O mundo do trabalho no Brasil tem passado por transformações profundas, caracterizadas por flexibilização, aum...

O Psicólogo que se inscreve todos os dias no ambiente de supermercado

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicologia social e da psicanálise, o processo de “reinscrição subjetiva” cotidiana de um psicólogo que atua como fiscal de caixa em um supermercado. Discute-se como o sujeito, mesmo emocionalmente desligado, permanece capturado pelo campo do outro — entendido como o espaço simbólico das expectativas sociais, institucionais e dos clientes — reproduzindo um papel que já não sustenta sua identidade profissional. A partir de autores clássicos, investiga-se o esgotamento psíquico, a alienação e a dificuldade de ruptura desse ciclo. 1. Introdução: o trabalho como campo de inscrição subjetiva O ambiente de trabalho não é apenas um espaço de produção econômica, mas um campo de produção de subjetividade. Para Christophe Dejours (1992), o trabalho envolve investimento afetivo e mobilização psíquica constante. No caso em análise, o sujeito não apenas executa tarefas operacionais, mas precisa “se reinscrever” diariamente como alguém emocional...

O PSICÓLOGO QUE SE INSCREVE TODOS OS DIAS NO AMBIENTE DE SUPERMERCADO: PRECARIZAÇÃO, NEOLIBERALISMO E SOFRIMENTO PSÍQUICO NO TRABALHO CONTEMPORÂNEO

  Resumo Este artigo analisa o fenômeno da reinscrição subjetiva cotidiana no trabalho, a partir de um caso-tipo de um psicólogo inserido em função operacional no varejo. O estudo articula psicologia social, psicanálise e teorias contemporâneas sobre neoliberalismo com dados empíricos do contexto brasileiro. Parte-se da hipótese de que a permanência em contextos de sofrimento psíquico não se reduz à dimensão individual, sendo sustentada por precarização estrutural e pela internalização da lógica de desempenho. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza teórica, baseada em revisão bibliográfica e análise interpretativa. O referencial inclui Christophe Dejours, Jacques Lacan, Byung-Chul Han e Pierre Dardot. Conclui-se que a reinscrição cotidiana no trabalho é efeito de uma racionalidade que transforma o sujeito em gestor de si, intensificando o sofrimento psíquico. Palavras-chave: trabalho; subjetividade; burnout; neoliberalismo; precarização. Abstract This artic...