Resumo O presente artigo investiga o fenômeno da reinscrição subjetiva cotidiana no ambiente de trabalho, a partir do caso de um psicólogo que atua como fiscal de caixa em um supermercado. Analisa-se, sob a ótica da psicologia social e da psicanálise, o conflito entre identidade profissional e função exercida, destacando os processos de alienação, formação de falso self e captura no campo do Outro. A pesquisa, de natureza teórica, fundamenta-se em autores como Christophe Dejours, Jacques Lacan, Donald Winnicott e Erving Goffman. Conclui-se que a permanência no trabalho, mesmo após o desligamento emocional, está associada à necessidade de reconhecimento simbólico e sobrevivência material, configurando um estado de sofrimento psíquico silencioso. Palavras-chave: subjetividade; trabalho; alienação; falso self; psicologia social. 1. Introdução O trabalho, na contemporaneidade, ultrapassa sua função econômica, constituindo-se como um dos principais organizadores da iden...
O psicólogo compreende que não consegue sozinho sair da reinscrição cotidiana no ambiente de supermercado: limites subjetivos, sociais e estruturais da ruptura da compulsão à repetição
Resumo Este artigo analisa o reconhecimento, por parte do sujeito, de que não consegue romper sozinho o ciclo de reinscrição cotidiana no trabalho, mesmo diante de sofrimento psíquico e lucidez crítica. A partir de um caso-tipo — um psicólogo atuando em supermercado — articula-se a compulsão à repetição, a captura no campo do Outro e a racionalidade neoliberal, incorporando contribuições da psicanálise, psicologia social e sociologia do trabalho. Defende-se que a dificuldade de ruptura não é sinal de fragilidade individual, mas resultado de uma engrenagem que combina dependência material, necessidade de reconhecimento e adaptação subjetiva. Apresentam-se três exemplos práticos que ilustram os limites da ruptura isolada. Conclui-se que a saída exige mediações clínicas, sociais e institucionais. Palavras-chave: compulsão à repetição; trabalho; subjetividade; sofrimento psíquico; neoliberalismo. 1. Introdução O sujeito contemporâneo, inserido em contextos laborais pre...