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Compor Uma Musica Custo Psiquico

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. O custo emocional para um compositor ao escrever uma letra de música pode variar significativamente, dependendo da natureza da composição e das experiências pessoais envolvidas. Escrever letras muitas vezes implica em expressar emoções, pensamentos profundos e experiências pessoais, o que pode ser emocionalmente desafiador. Para alguns compositores, o processo pode ser catártico e liberador, proporcionando uma saída para emoções reprimidas. No entanto, para outros, especialmente ao abordar temas sensíveis ou dolorosos, o custo emocional pode ser mais elevado, envolvendo confronto com memórias difíceis ou emoções intensas. A psicanálise sugeriria que o ato de compor músicas pode servir como um meio de lidar com conflitos internos e encontrar significado nas experiências pessoais. Assim, o custo emocional pode ser tanto desafiador quanto terapêutic...
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Entre o desejo e o ato: a inibição como destino — uma leitura psicanalítica do psicólogo capturado pelo trabalho alienante

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a condição de um psicólogo cuja prática clínica encontra-se reduzida ao mínimo enquanto sua vida laboral é dominada por um trabalho exaustivo em um supermercado. Apesar de elevado nível de consciência sobre sua situação — incluindo o reconhecimento da exploração institucional, da própria raiva e da estagnação — o sujeito permanece impossibilitado de realizar o ato de ruptura. Argumenta-se que o impasse não decorre de ignorância ou falta de motivação, mas de uma configuração estrutural marcada por inibição do ato, captura libidinal, ação superegóica e sustentação inconsciente da posição de impossibilidade. 1. Introdução O cenário em questão revela uma tensão clássica na clínica psicanalítica contemporânea: a dissociação entre  saber e agir . O sujeito em análise sustenta simultaneamente duas posições: no plano simbólico: “sou psicólogo” no plano real: exerce uma função laboral que consome sua energi...

Quando o desejo não desaparece, mas se retira: exaustão, renúncia e fantasia de salvação no “fiscal psicólogo”

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a posição subjetiva de um sujeito que, inserido em um contexto de trabalho repetitivo e percebido como esvaziante, relata exaustão, desistência e entrega a uma instância transcendente. Argumenta-se que não há extinção do desejo, mas sua retirada da ação, com deslocamento para a espera e para a fantasia de salvação. A partir de autores como Sigmund Freud e Jacques Lacan, discute-se o desinvestimento libidinal, a renúncia subjetiva e a persistência do desejo em formas deslocadas. 1. Introdução: da exaustão ao esvaziamento do agir A descrição do chamado “fiscal psicólogo” não se reduz a um quadro de cansaço ocupacional. Trata-se de uma experiência mais radical: a dificuldade de sustentar o desejo como operador da ação. O sujeito relata não apenas estar cansado, mas “não saber mais o que fazer”, acompanhado de um gesto de “lavar as mãos” frente à própria trajetória. Tal posição indica uma passagem da impli...

Funções que sustentam o fiscal-psicólogo: econômico, simbólico e psíquico

  Resumo Este artigo propõe uma leitura integrada da posição subjetiva do “fiscal-psicólogo” em contexto de trabalho precarizado, articulando três eixos de sustentação — econômico, simbólico e psíquico . A partir de contribuições da psicanálise (especialmente Sigmund Freud e Jacques Lacan), demonstra-se que a permanência no ambiente não se explica apenas por necessidade financeira, mas por uma função complexa de regulação subjetiva e inscrição simbólica . Argumenta-se que o risco clínico não reside simplesmente na permanência, mas na concentração dessas funções em um único dispositivo institucional , o que produz dependência estrutural e limita a mobilidade do sujeito. 1. Introdução No cenário contemporâneo de trabalho, especialmente em funções operacionais de alta exigência (como a de fiscal de caixa em supermercados), observa-se um fenômeno recorrente: sujeitos que, mesmo conscientes do desgaste físico e psíquico, mantêm-se vinculados à função . A leitura simplista ...

O Psicólogo que se inscreve todos os dias no ambiente de supermercado: precarização, neoliberalismo e evidências empíricas do sofrimento no trabalho brasileiro

  Resumo Este artigo aprofunda a análise da reinscrição subjetiva no trabalho articulando fundamentos da psicologia social, psicanálise e teorias contemporâneas do neoliberalismo com dados empíricos do mercado de trabalho brasileiro. A partir de um caso-tipo — um psicólogo atuando como fiscal de caixa — investiga-se como a permanência em um lugar de sofrimento é sustentada por dispositivos sociais, econômicos e subjetivos. Utilizam-se dados de rotatividade, informalidade e adoecimento psíquico para sustentar a análise. O referencial teórico inclui Christophe Dejours, Jacques Lacan, Byung-Chul Han e Pierre Dardot. Conclui-se que o sofrimento psíquico no trabalho contemporâneo é estrutural, intensificado pela precarização e pela internalização da lógica de desempenho. Palavras-chave: trabalho; subjetividade; burnout; precarização; neoliberalismo. 1. Introdução O mundo do trabalho no Brasil tem passado por transformações profundas, caracterizadas por flexibilização, aum...