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O sujeito diz “não tem saída” quando não tem mais força para imaginar a saída

  Resumo Este artigo discute a formulação clínica segundo a qual o sujeito afirma “não tem saída” quando já não possui energia psíquica para imaginar possibilidades de deslocamento. Tal posição é compreendida como efeito do esgotamento libidinal, da repetição defensiva e do isolamento institucional prolongado. A partir da experiência de precariedade no trabalho, argumenta-se que o “campo real” não surge como revelação providencial do Outro, mas se constrói gradualmente por meio de práticas concretas: candidatura insistente, rede ativa, concursos e reinserção mínima. Sustenta-se que esperar um “campo desvelado” mantém o sujeito numa posição infantil de demanda ao Outro, enquanto a elaboração adulta exige construção borda por borda, rompendo a paralisia depressiva. Palavras-chave: repetição; desamparo; instituição; desejo; exaustão; trabalho. 1. Introdução: quando o sujeito perde a força de imaginar Há momentos em que o sujeito não diz “não tem saída” como descrição ob...
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Defesa Substitutiva: Autoconfiança Alcançada

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para observar a insegurança e o medo na sua vida ao se deparar com obstáculos, contrariedades e o princípio da realidade para alcançar seus objetivos. Como substituir a insegurança por confiança diante dos desafios da vida. Na abordagem psicanalítica, os mecanismos de defesa são estratégias mentais inconscientes que usamos para lidar com conflitos internos e proteger nosso ego. Um mecanismo de defesa substitutivo envolve substituir um sentimento ou estado de insegurança por algo mais positivo e fortalecedor, como a autoconfiança. Essa substituição pode ajudar a lidar com os desafios da vida de maneira mais eficaz. A psicanálise sugere que a insegurança pode surgir de conflitos não resolvidos ou de uma baixa autoestima enraizada em experiências passadas. Para desenvolver o mecanismo de defesa substitutivo da autoconfiança, é importante explorar e compreender as origens da ...

Analfabetismo Institucional: limites cognitivos, culturais e organizacionais na atuação das instituições

  Resumo O analfabetismo institucional refere-se à incapacidade de organizações e instituições compreenderem, processarem e responderem adequadamente às demandas sociais, humanas e contextuais que atravessam seu campo de atuação. Diferentemente do analfabetismo individual, esse fenômeno se manifesta em estruturas, normas, práticas e culturas organizacionais que operam de forma dissociada da realidade concreta dos sujeitos a quem deveriam servir. Este artigo tem como objetivo discutir o conceito de analfabetismo institucional, suas principais manifestações, impactos psicossociais e organizacionais, bem como suas implicações éticas e políticas, à luz de autores da psicologia social, da educação crítica e da sociologia das organizações. Palavras-chave: analfabetismo institucional; organizações; cultura institucional; políticas públicas; subjetividade. 1. Introdução Historicamente, o conceito de analfabetismo esteve associado à incapacidade individual de leitura e escrit...

O Supermercado Te Escolheu Como Força de Trabalho

  Resumo Este artigo analisa a distinção entre escolha institucional enquanto força de trabalho e reconhecimento subjetivo, a partir da experiência de um psicólogo que atua como fiscal de caixa em um supermercado. A reflexão demonstra como o risco psíquico não reside no trabalho em si, mas na transformação do trabalho em juiz da existência. Sustenta-se que aceitar o real econômico sem permitir que ele colonize a identidade é um ato clínico, ético e subjetivamente estruturante. 1. Introdução: quando o trabalho tenta dizer quem o sujeito é Em contextos de precarização, sobrevivência econômica e ausência de reconhecimento institucional, muitos sujeitos passam a confundir função laboral com valor existencial . Essa confusão não é acidental: ela é estruturalmente incentivada pelo discurso do mercado, que tende a reduzir o sujeito à sua produtividade (Han, 2017). O caso analisado refere-se a um psicólogo que, diante da impossibilidade concreta de inserção institucional, pe...