Resumo Este artigo analisa, à luz da psicologia social e da psicanálise, o processo de “reinscrição subjetiva” cotidiana de um psicólogo que atua como fiscal de caixa em um supermercado. Discute-se como o sujeito, mesmo emocionalmente desligado, permanece capturado pelo campo do outro — entendido como o espaço simbólico das expectativas sociais, institucionais e dos clientes — reproduzindo um papel que já não sustenta sua identidade profissional. A partir de autores clássicos, investiga-se o esgotamento psíquico, a alienação e a dificuldade de ruptura desse ciclo. 1. Introdução: o trabalho como campo de inscrição subjetiva O ambiente de trabalho não é apenas um espaço de produção econômica, mas um campo de produção de subjetividade. Para Christophe Dejours (1992), o trabalho envolve investimento afetivo e mobilização psíquica constante. No caso em análise, o sujeito não apenas executa tarefas operacionais, mas precisa “se reinscrever” diariamente como alguém emocional...
O PSICÓLOGO QUE SE INSCREVE TODOS OS DIAS NO AMBIENTE DE SUPERMERCADO: PRECARIZAÇÃO, NEOLIBERALISMO E SOFRIMENTO PSÍQUICO NO TRABALHO CONTEMPORÂNEO
Resumo Este artigo analisa o fenômeno da reinscrição subjetiva cotidiana no trabalho, a partir de um caso-tipo de um psicólogo inserido em função operacional no varejo. O estudo articula psicologia social, psicanálise e teorias contemporâneas sobre neoliberalismo com dados empíricos do contexto brasileiro. Parte-se da hipótese de que a permanência em contextos de sofrimento psíquico não se reduz à dimensão individual, sendo sustentada por precarização estrutural e pela internalização da lógica de desempenho. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza teórica, baseada em revisão bibliográfica e análise interpretativa. O referencial inclui Christophe Dejours, Jacques Lacan, Byung-Chul Han e Pierre Dardot. Conclui-se que a reinscrição cotidiana no trabalho é efeito de uma racionalidade que transforma o sujeito em gestor de si, intensificando o sofrimento psíquico. Palavras-chave: trabalho; subjetividade; burnout; neoliberalismo; precarização. Abstract This artic...