Resumo Este artigo discute, a partir da psicanálise freudiana e lacaniana, a condição subjetiva de um sujeito inserido em um contexto institucional que não acolhe sua função desejada. Partindo da formulação “o sujeito está preso numa contingência de repetição defensiva de sobrevivência e gera exaustão”, analisa-se o circuito que articula precariedade material, apagamento institucional e compulsão à repetição. Propõe-se compreender o uso da psicologia como “mochila defensiva” como uma tentativa do ego de preservar a identidade diante da ameaça de destituição simbólica. Sustenta-se que a exaustão marca o limite dessa defesa e convoca um deslocamento do sujeito para além da repetição, por meio de atos mínimos de reinscrição do desejo em um campo real. Palavras-chave: psicanálise; repetição; instituição; exaustão; desejo; apagamento. 1. Introdução: contingência e sobrevivência institucional A inserção profissional em instituições marcadas por precariedade e lógica prod...
Resumo Este artigo investiga, a partir da psicanálise freudiana e lacaniana, o desamparo material como núcleo organizador da compulsão à repetição defensiva em contextos institucionais precarizados. Partindo da formulação “passar necessidade” como medo central do sujeito, discute-se como o ego se estrutura em torno da sobrevivência, transformando soluções contingentes em destinos repetitivos. A instituição aparece como espaço ambivalente: simultaneamente proteção econômica e apagamento simbólico. Sustenta-se que a exaustão psíquica emerge quando a defesa se torna armadura permanente, e que a elaboração possível não reside em rupturas heroicas, mas na construção gradual de um campo real mínimo para o desejo, sem abandono da prudência material. Palavras-chave: desamparo; compulsão à repetição; precariedade; instituição; desejo; exaustão. 1. Introdução: o Real da necessidade A experiência contemporânea do trabalho, marcada por precariedade e insegurança econômica, imp...