Resumo O presente artigo propõe uma leitura psicanalítica do esquecimento de um suplemento alimentar como ato falho, compreendendo-o não como simples distração, mas como formação do inconsciente. Sustenta-se que, em determinados contextos institucionais, o suplemento pode operar como tampão do mal-estar, permitindo ao sujeito suportar a repetição de uma função laboral que o reduz à performance e apaga sua dimensão desejante. Articula-se a teoria freudiana das parapraxias e da compulsão à repetição com a concepção lacaniana do Outro e do sintoma como linguagem. Além disso, mobilizam-se autores contemporâneos como Christian Dunker, Vladimir Safatle e Byung-Chul Han para pensar o trabalho no capitalismo tardio como dispositivo de exaustão subjetiva. O ato falho, nesse cenário, aparece como micro-ruptura, mensagem cifrada e possibilidade de deslocamento do sujeito em direção a outra inscrição simbólica. Palavras-chave: ato falho; trabalho; compulsão à repetição; Outro; instituiç...
A transferência institucional como espelho da transferência de vida que não acontece Resumo Este artigo analisa, a partir de uma leitura psicanalítica e institucional, a condição subjetiva de um trabalhador inserido no ambiente supermercadista que, mesmo após ser transferido de unidade, permanece preso ao mesmo impasse existencial. Argumenta-se que a transferência espacial não opera como transformação simbólica, pois o núcleo do sofrimento está na posição subjetiva ocupada dentro da instituição: ser função, tampão e sustentáculo de falhas organizacionais. A partir de Lacan, propõe-se que a verdadeira transferência é de discurso, e não de endereço. O supermercado aparece como cenário onde se dramatiza a divisão entre sobrevivência e vocação, colocando em cena a pergunta fundamental: permanecer como função ou tornar-se sujeito. Palavras-chave: psicanálise institucional; Lacan; transferência; sofrimento no trabalho; subjetividade. 1. Introdução: ele foi transfer...