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Não enxergar a saída agora não significa que ela não exista

  Significa que estou cansado demais para vê-la. Cansaço psíquico, esgotamento profissional e a suspensão da imaginação de futuro   Resumo Este artigo discute o esgotamento psíquico crônico em profissionais que sustentam múltiplas funções de sobrevivência, com foco em psicólogos submetidos à precarização do trabalho, endividamento e luto profissional recorrente. Defende-se que a incapacidade de “enxergar saídas” não deve ser interpretada como fracasso, resistência ou falta de desejo, mas como efeito direto do cansaço psíquico extremo, que compromete a função simbólica de antecipação de futuro. A partir de contribuições da psicanálise, da psicologia da saúde e da clínica do trabalho, propõe-se uma leitura ética do limite subjetivo e caminhos de cuidado que não violentem o corpo nem o psiquismo. Palavras-chave: esgotamento psíquico; luto profissional; clínica do trabalho; psicanálise; precarização. 1. Introdução: quando o futuro se torna invisível A frase que ...
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A mediação humana como condição de acesso ao trabalho institucional em Psicologia

  Resumo Este artigo discute o acesso ao trabalho institucional a partir da noção de campo fechado, sustentando que a entrada em instituições não ocorre prioritariamente por mérito individual, currículos ou processos formais de recrutamento, mas por mediações humanas que transmitem saberes práticos de circulação. A partir de contribuições da psicanálise, da sociologia do trabalho e da psicologia institucional, argumenta-se que a ausência dessa mediação produz vivências de exclusão, fracasso e luto profissional crônico, especialmente em psicólogos formados fora dos circuitos institucionais. Defende-se que a necessidade de um “outro que já está dentro” não representa dependência ou privilégio indevido, mas um funcionamento estrutural dos campos profissionais fechados. Palavras-chave: trabalho institucional; psicologia; mediação; campo profissional; psicanálise; sociologia do trabalho. 1. Introdução A dificuldade de acesso ao trabalho institucional é frequentemente vi...

Do não-saber estrutural ao insight: o que muda quando o psicólogo acessa a lógica do campo

  Resumo Este artigo analisa a experiência de um psicólogo que, durante anos, buscou inserção profissional por meios convencionais — sites de vagas, processos seletivos e lógica de RH — sem êxito, permanecendo em um ciclo de repetição e sofrimento psíquico. A partir de um insight intelectual e simbólico, o profissional passa a compreender que o impedimento não era pessoal, mas estrutural: o campo institucional opera por mediação, lembrança e autorização, e não por competição curricular. Discute-se o impacto desse acesso ao saber estrutural na percepção de si, do campo e do próprio luto profissional. 1. Introdução: quando o fracasso não é individual No discurso contemporâneo do trabalho, o insucesso profissional costuma ser atribuído à falta de competência, esforço ou adaptação. Essa lógica individualizante ignora que campos institucionais distintos operam segundo regras distintas , muitas vezes invisíveis a quem está fora deles (Bourdieu, 1996). O psicólogo em quest...

O psicólogo saiu da ignorância estrutural

  quando o fracasso deixa de ser pessoal e passa a ser compreendido como efeito de campo   Resumo Este artigo discute a noção de ignorância estrutural aplicada à trajetória de psicólogos em transição profissional que buscam inserção institucional sem acesso aos códigos tácitos do campo. Argumenta-se que a repetida frustração na busca por trabalho não decorre de falha individual, mas da ausência de mediação simbólica e informacional própria de campos profissionais fechados. A partir de referenciais da Psicanálise, da Sociologia do Trabalho e da Psicologia da Saúde, analisa-se como a nomeação dessa ignorância produz efeitos clínicos relevantes: desalienação, interrupção da compulsão à repetição e reorganização do luto profissional. Palavras-chave: ignorância estrutural; campo institucional; luto profissional; compulsão à repetição; psicólogos. 1. Introdução Psicólogos formados majoritariamente na lógica clínica liberal frequentemente enfrentam impasses prolon...

Psicologia Lugar Marginal - Sacrificial

  Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208]   Resumo Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre a condição contemporânea do psicólogo que, impossibilitado de sustentar-se economicamente por meio da prática psicológica, passa a exercer outra atividade laboral considerada simples ou periférica, relegando a psicologia à condição de “bico/ e ou lugar marginal”. Tal deslocamento não se reduz a uma questão econômica, mas incide diretamente sobre a posição subjetiva do profissional, seu desejo e sua relação com o reconhecimento social e simbólico. A partir de referenciais da psicanálise e da sociologia do trabalho, analisa-se como a psicologia, quando deslocada do centro da vida profissional, perde estatuto de ato e passa a operar como suplemento, produzindo efeitos subjetivos relevantes. Atender “na folga”, depois de um trabalho exaustivo, é uma configuração típica de sofrimento neurótico moderno do século XXI, que se iniciou no século passado reproduzid...