Resumo Este artigo aprofunda a análise da reinscrição subjetiva cotidiana no trabalho a partir da articulação entre psicologia social, psicanálise e teorias contemporâneas sobre neoliberalismo e precarização. A partir de um caso-tipo — um psicólogo atuando como fiscal de caixa — investiga-se como a permanência em um lugar de sofrimento se sustenta não apenas por fatores intrapsíquicos, mas por dispositivos sociais que capturam o sujeito em uma lógica de desempenho e adaptação contínua. O referencial teórico inclui autores clássicos como Christophe Dejours, Jacques Lacan e Donald Winnicott, articulados com pensadores contemporâneos como Byung-Chul Han, Richard Sennett e Pierre Dardot. Conclui-se que a reinscrição cotidiana é efeito de uma racionalidade neoliberal que transforma o sujeito em gestor de si, intensificando o sofrimento psíquico. Palavras-chave: neoliberalismo; subjetividade; trabalho; precarização; sofrimento psíquico. 1. Introdução As transformações no...
Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um psicólogo trabalha num supermercado na ocupação de operador de caixa e observa que os colaboradores têm comportamentos de bullying. O psicólogo pensa em fazer uma intervenção no comportamento dos colaboradores, mas não faz nada porquê os colaboradores não sabem que além de operador de caixa ele tem formação em psicologia. E talvez se der a conhecer para os colaboradores que é psicólogo corre o risco de não ser levado a sério no momento de propor as intervenções. A psicanálise sugere que os comportamentos têm raízes inconscientes e que a compreensão dessas dinâmicas pode levar a mudanças significativas. No entanto, a abordagem psicanalítica também valoriza a importância da transferência e da relação terapêutica, o que pode complicar a situação do operador de caixa que é psicólogo oculto. Dado que os colaboradores do supermercado não estão cientes da f...