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Por que o campo da psicologia não responde?

  Compulsão à repetição, nomes legitimados e a ilusão de autorização institucional Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, o impasse vivido por psicólogos que, mesmo munidos de formação, experiência e saber clínico, não encontram resposta do campo institucional. Argumenta-se que tal silêncio não se explica apenas por fatores mercadológicos ou etários, mas pela repetição inconsciente de um modo específico de busca: a insistência em instituições já nomeadas, reconhecidas e validadas no inconsciente do sujeito como detentoras do poder de autorização. Essa repetição sustenta uma esperança ilusória de reconhecimento e impede a emergência de outras formas de laço com o campo. O texto articula compulsão à repetição, ideal do eu, reconhecimento simbólico e estrutura institucional. 1. Introdução: o silêncio do campo não é neutro Quando o campo da psicologia não responde, a tendência imediata é interpretar o silêncio como rejeição pessoal, incompetência ou falha indiv...
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Recusa A Mudança No Inconsciente

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para observa a compulsão a repetição na sua vida associada a trabalhos simples. Será que a compulsão a repetição em trabalhos simples é capaz agregar algum valor na vida do indivíduo a não ser doença psicossomática. Claro! Vou tentar explicar de forma simplificada a abordagem psicanalítica em relação à compulsão à repetição em trabalhos simples e seu potencial valor na vida do indivíduo. De acordo com a psicanálise, a repetição compulsiva de certos comportamentos ou situações pode ser uma manifestação do que chamamos de "pulsão de morte". A pulsão de morte é uma das principais teorias de Sigmund Freud e descreve uma energia interna que busca a destruição e o retorno ao estado inorgânico. A compulsão à repetição pode ser entendida como uma forma de lidar com essa pulsão de morte. Ao repetir determinados comportamentos ou situações, o indivíduo busca um alívio tempo...

O supermercado como travessia para outro campo

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a experiência de um psicólogo que ingressa no trabalho em um supermercado não como destino profissional final, mas como um dispositivo de travessia subjetiva. A partir dessa experiência concreta, o sujeito desvela uma estrutura psíquica herdada baseada na nomeação, no reconhecimento institucional e na idealização de campos legitimados. O trabalho no supermercado, surgido fora de sua lógica de busca habitual, opera como ruptura dessa alienação, possibilitando a emergência de uma nova posição subjetiva, aberta à contingência, à imperfeição e à existência de campos ainda não nomeados. Articulam-se conceitos de Freud, Lacan e referências bíblicas para sustentar a leitura clínica dessa travessia. Palavras-chave: Psicanálise; Alienação; Travessia subjetiva; Trabalho; Reconhecimento; Desejo. 1. Introdução: quando o campo não responde O percurso profissional do sujeito foi, por décadas, orientado por uma estrutura clara e s...

O luto da forma antiga de existir profissionalmente

  Psicanálise, desejo, função e travessia subjetiva entre sobrevivência e inscrição institucional Introdução Na experiência contemporânea do trabalho, não é raro que o sujeito se encontre dividido entre a sobrevivência material e o desejo de uma função simbólica que dê consistência à sua existência. A psicanálise permite compreender que o sofrimento ligado ao trabalho não se reduz à precariedade econômica, mas toca diretamente a questão do lugar subjetivo: aquilo que nomeia o sujeito no laço social. O caso aqui articulado é o de um sujeito que exerce há anos a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas cujo desejo se orienta para uma inscrição como psicólogo institucional. Entretanto, esse lugar desejado não se encontra acessível no presente, e a clínica exercida nas folgas surge como um resto marginal e sacrificial. O sonho relatado — uma mensagem sobre como atravessar o luto, sem nomear o objeto perdido — aparece como forma privilegiada de expressão do inconsci...