Pular para o conteúdo principal

Postagens

Postagens de artigos

Insônia, Sofrimento Ocupacional e Transição Identitária: uma leitura em Psicologia da Saúde a partir do caso de um fiscal psicólogo

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicologia da saúde, o quadro de insônia de um fiscal de caixa com formação em psicologia e teologia, inserido em um ambiente de trabalho percebido como tóxico (supermercado). O caso evidencia uma articulação entre estresse ocupacional crônico , insônia de despertar precoce e um conflito de identidade profissional , associado ao desejo de migração para a área da psicologia. Integra-se ainda uma leitura da psicologia social , a partir do consumo do conteúdo da série The Witcher (especialmente o arco “Os Ratos”), como expressão simbólica do estado psíquico do sujeito. Discute-se como o adoecimento emerge não apenas da sobrecarga, mas da dissonância entre identidade e função exercida . 1. Introdução O trabalho contemporâneo, especialmente em contextos de alta demanda e baixa autonomia, tem sido amplamente associado ao adoecimento físico e mental (Dejours, 1992; Karasek & Theorell, 1990). No campo da psicologia da saúde, compreend...
Postagens recentes

Compor Uma Musica Custo Psiquico

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. O custo emocional para um compositor ao escrever uma letra de música pode variar significativamente, dependendo da natureza da composição e das experiências pessoais envolvidas. Escrever letras muitas vezes implica em expressar emoções, pensamentos profundos e experiências pessoais, o que pode ser emocionalmente desafiador. Para alguns compositores, o processo pode ser catártico e liberador, proporcionando uma saída para emoções reprimidas. No entanto, para outros, especialmente ao abordar temas sensíveis ou dolorosos, o custo emocional pode ser mais elevado, envolvendo confronto com memórias difíceis ou emoções intensas. A psicanálise sugeriria que o ato de compor músicas pode servir como um meio de lidar com conflitos internos e encontrar significado nas experiências pessoais. Assim, o custo emocional pode ser tanto desafiador quanto terapêutic...

Entre o desejo e o ato: a inibição como destino — uma leitura psicanalítica do psicólogo capturado pelo trabalho alienante

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a condição de um psicólogo cuja prática clínica encontra-se reduzida ao mínimo enquanto sua vida laboral é dominada por um trabalho exaustivo em um supermercado. Apesar de elevado nível de consciência sobre sua situação — incluindo o reconhecimento da exploração institucional, da própria raiva e da estagnação — o sujeito permanece impossibilitado de realizar o ato de ruptura. Argumenta-se que o impasse não decorre de ignorância ou falta de motivação, mas de uma configuração estrutural marcada por inibição do ato, captura libidinal, ação superegóica e sustentação inconsciente da posição de impossibilidade. 1. Introdução O cenário em questão revela uma tensão clássica na clínica psicanalítica contemporânea: a dissociação entre  saber e agir . O sujeito em análise sustenta simultaneamente duas posições: no plano simbólico: “sou psicólogo” no plano real: exerce uma função laboral que consome sua energi...

Quando o desejo não desaparece, mas se retira: exaustão, renúncia e fantasia de salvação no “fiscal psicólogo”

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a posição subjetiva de um sujeito que, inserido em um contexto de trabalho repetitivo e percebido como esvaziante, relata exaustão, desistência e entrega a uma instância transcendente. Argumenta-se que não há extinção do desejo, mas sua retirada da ação, com deslocamento para a espera e para a fantasia de salvação. A partir de autores como Sigmund Freud e Jacques Lacan, discute-se o desinvestimento libidinal, a renúncia subjetiva e a persistência do desejo em formas deslocadas. 1. Introdução: da exaustão ao esvaziamento do agir A descrição do chamado “fiscal psicólogo” não se reduz a um quadro de cansaço ocupacional. Trata-se de uma experiência mais radical: a dificuldade de sustentar o desejo como operador da ação. O sujeito relata não apenas estar cansado, mas “não saber mais o que fazer”, acompanhado de um gesto de “lavar as mãos” frente à própria trajetória. Tal posição indica uma passagem da impli...