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Movimento subjetivo e ato real para sair do supermercado: uma leitura psicanalítica da passagem da consciência ao ato

  Resumo O presente artigo analisa a tensão entre movimento subjetivo e ato real no processo de saída de um trabalhador — denominado fiscal-psicólogo — de um ambiente de supermercado marcado por sobrecarga estrutural. A partir da interpretação de um sonho e de sua articulação com a experiência concreta do sujeito, sustenta-se que a saída não decorre automaticamente da consciência do esgotamento, mas exige a produção de um ato que introduz uma ruptura na realidade. Fundamentado em Sigmund Freud, Jacques Lacan e Donald Winnicott, o estudo demonstra que o sonho valida o limite subjetivo, mas não substitui o ato. Conclui-se que o impasse do sujeito não reside na falta de compreensão, mas na dificuldade de transitar do saber ao fazer, especialmente diante da ausência de garantias externas. Palavras-chave:  psicanálise; trabalho; ato; subjetividade; burnout. 1. Introdução Nos contextos contemporâneos de trabalho, especialmente em ambientes operacion...
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O psicólogo está vivendo contra si mesmo

  Introdução Em muitos contextos organizacionais, especialmente em ambientes de alta pressão como o varejo supermercadista, observa-se um fenômeno silencioso: profissionais com formação ou vocação para o cuidado psíquico ocupando funções operacionais que exigem controle, cobrança e mediação de conflitos. Quando um psicólogo — ou alguém com esse desejo estruturante — atua como fiscal de caixa, por exemplo, pode emergir um sofrimento que ultrapassa o cansaço físico. Trata-se de um conflito entre identidade, desejo e função. Em termos psicanalíticos, podemos afirmar: esse sujeito está vivendo contra si mesmo. 1. O conflito entre o Eu e o Ideal do Eu Segundo Sigmund Freud, a constituição psíquica envolve instâncias que organizam o funcionamento do sujeito. Entre elas, destaca-se o  Ideal do Eu , que representa aquilo que o indivíduo aspira ser, em contraste com o  Eu , que lida com as exigências da realidade. Quando há um distanciamento significativo entre ...

Psicólogo Afadigado de Pensar: entre o desejo formulado e o ato que não se realiza

  Resumo Este artigo analisa, sob a perspectiva psicanalítica, a condição de um sujeito que, embora formado ou identificado com a psicologia, encontra-se aprisionado em uma função de fiscal de caixa, incapaz de efetivar a transição para o exercício profissional desejado. O impasse não se reduz a fatores externos ou falta de प्रयास prático, mas revela uma estrutura subjetiva marcada pela tensão entre desejo, repetição e recusa da perda. A fadiga de pensar surge como indicador de saturação simbólica e, simultaneamente, como defesa contra o ato. 1. Introdução A figura do “psicólogo afadigado de pensar” emerge quando o sujeito já não encontra alívio na elaboração mental, apesar de possuir clareza sobre seu desejo: abandonar a função atual e atuar como psicólogo. Diferentemente de um estado de ignorância ou indecisão, trata-se de um excesso de saber que não se converte em ação. Esse paradoxo — saber o que quer e, ainda assim, não conseguir realizar — é um tema central na clínica ps...

Desorganização Percebida e Arquitetura de Escolha no Varejo Supermercadista: Uma Análise à Luz da Psicologia Organizacional e do Comportamento do Consumidor

  Resumo Este artigo analisa a dinâmica de organização de produtos em supermercados a partir da interface entre a Psicologia Organizacional e o comportamento do consumidor. Parte-se da hipótese empírica de que a constante alteração na disposição de itens nas gôndolas produz desorientação espacial no cliente, potencializando esquecimentos e compras não planejadas. Discute-se, entretanto, que tal fenômeno decorre tanto de estratégias deliberadas de estímulo ao consumo — como aquelas descritas pela Nudge Theory — quanto de falhas organizacionais, como ausência de padronização e sobrecarga operacional. Conclui-se que a experiência de desorientação do consumidor emerge da interação entre arquitetura de escolha e desorganização estrutural, impactando tanto o comportamento de compra quanto a saúde ocupacional dos trabalhadores. Palavras-chave: Psicologia organizacional; comportamento do consumidor; varejo; sobrecarga cognitiva; arquitetura de escolha. 1. Introdução O ambien...

Fechamento do ciclo no supermercado pelo fiscal-psicólogo: uma leitura psicanalítica da exaustão estrutural e da autorização para a saída

  Resumo Este estudo analisa o processo de fechamento de ciclo de um trabalhador na função de fiscal de caixa — denominado “fiscal-psicólogo” — a partir da interpretação de um sonho articulada à experiência subjetiva no ambiente laboral. Fundamentado na psicanálise, especialmente em Sigmund Freud, Jacques Lacan e Donald Winnicott, o artigo sustenta que o encerramento do vínculo com o trabalho decorre da falência progressiva das funções psíquicas que sustentavam a permanência. Metodologicamente, trata-se de um estudo qualitativo, clínico-interpretativo, baseado em vinheta de caso. Os resultados indicam que o sonho opera como dispositivo de validação do limite subjetivo, retirada da culpa e autorização simbólica para a saída. Conclui-se que o fechamento de ciclo é efeito de uma incompatibilidade estrutural entre sujeito e ambiente, e não de insuficiência individual. Palavras-chave: psicanálise; trabalho; burnout; sonho; subjetividade. 1. Introdução As transformações co...