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Fechamento do ciclo no supermercado pelo fiscal-psicólogo: uma leitura psicanalítica da exaustão estrutural e da autorização para a saída

  Resumo Este artigo analisa o processo de fechamento de ciclo de um trabalhador na função de fiscal de caixa — aqui denominado “fiscal-psicólogo” — a partir da interpretação de um sonho e de sua articulação com a experiência subjetiva no ambiente de trabalho. Sustenta-se que o encerramento do vínculo não decorre apenas de fatores econômicos ou motivacionais, mas de uma falência progressiva das funções psíquicas que sustentavam a permanência . A partir de contribuições de Sigmund Freud, Jacques Lacan e Donald Winnicott, demonstra-se que o sonho opera como dispositivo de validação do limite, retirada da culpa e autorização simbólica para a saída . 1. Introdução Ambientes de trabalho com alta demanda e baixa sustentação coletiva frequentemente produzem sujeitos que desenvolvem funções psíquicas ampliadas para manter o sistema operando. No caso do fiscal-psicólogo, observa-se uma posição singular: leitura constante do comportamento dos outros organização do excesso e...
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Insônia, Sofrimento Ocupacional e Transição Identitária: uma leitura em Psicologia da Saúde a partir do caso de um fiscal psicólogo

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicologia da saúde, o quadro de insônia de um fiscal de caixa com formação em psicologia e teologia, inserido em um ambiente de trabalho percebido como tóxico (supermercado). O caso evidencia uma articulação entre estresse ocupacional crônico , insônia de despertar precoce e um conflito de identidade profissional , associado ao desejo de migração para a área da psicologia. Integra-se ainda uma leitura da psicologia social , a partir do consumo do conteúdo da série The Witcher (especialmente o arco “Os Ratos”), como expressão simbólica do estado psíquico do sujeito. Discute-se como o adoecimento emerge não apenas da sobrecarga, mas da dissonância entre identidade e função exercida . 1. Introdução O trabalho contemporâneo, especialmente em contextos de alta demanda e baixa autonomia, tem sido amplamente associado ao adoecimento físico e mental (Dejours, 1992; Karasek & Theorell, 1990). No campo da psicologia da saúde, compreend...

Compor Uma Musica Custo Psiquico

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. O custo emocional para um compositor ao escrever uma letra de música pode variar significativamente, dependendo da natureza da composição e das experiências pessoais envolvidas. Escrever letras muitas vezes implica em expressar emoções, pensamentos profundos e experiências pessoais, o que pode ser emocionalmente desafiador. Para alguns compositores, o processo pode ser catártico e liberador, proporcionando uma saída para emoções reprimidas. No entanto, para outros, especialmente ao abordar temas sensíveis ou dolorosos, o custo emocional pode ser mais elevado, envolvendo confronto com memórias difíceis ou emoções intensas. A psicanálise sugeriria que o ato de compor músicas pode servir como um meio de lidar com conflitos internos e encontrar significado nas experiências pessoais. Assim, o custo emocional pode ser tanto desafiador quanto terapêutic...

Entre o desejo e o ato: a inibição como destino — uma leitura psicanalítica do psicólogo capturado pelo trabalho alienante

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a condição de um psicólogo cuja prática clínica encontra-se reduzida ao mínimo enquanto sua vida laboral é dominada por um trabalho exaustivo em um supermercado. Apesar de elevado nível de consciência sobre sua situação — incluindo o reconhecimento da exploração institucional, da própria raiva e da estagnação — o sujeito permanece impossibilitado de realizar o ato de ruptura. Argumenta-se que o impasse não decorre de ignorância ou falta de motivação, mas de uma configuração estrutural marcada por inibição do ato, captura libidinal, ação superegóica e sustentação inconsciente da posição de impossibilidade. 1. Introdução O cenário em questão revela uma tensão clássica na clínica psicanalítica contemporânea: a dissociação entre  saber e agir . O sujeito em análise sustenta simultaneamente duas posições: no plano simbólico: “sou psicólogo” no plano real: exerce uma função laboral que consome sua energi...