Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a associação livre produzida por um sujeito ao trocar a capa de seu iPhone e, posteriormente, relacionar esse gesto à sua história de busca por emprego centrada em instituições e nomes socialmente validados. A partir desse encadeamento significante, discute-se como a insistência em nomes reconhecidos pode operar como compulsão à repetição, enquanto a abertura ao não nomeado possibilita encontros inéditos com o campo do trabalho. Sustenta-se que o episódio revela uma mudança de posição subjetiva, deslocando o sujeito do ideal de reconhecimento para a legibilidade real. 1. Introdução: quando o detalhe cotidiano fala Na clínica psicanalítica, não é o fato grandioso que organiza o inconsciente, mas o detalhe aparentemente banal que insiste em retornar como pensamento, imagem ou lembrança. Freud já indicava que atos cotidianos — lapsos, esquecimentos, escolhas sem justificativa racional — são vias privilegiadas de expressã...
Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, um episódio aparentemente simples do mundo do trabalho — a contratação por uma instituição fora do circuito conhecido — como operador de um espelhamento estrutural para o psicólogo em transição profissional. Sustenta-se que o sofrimento repetido não decorre de incapacidade subjetiva, mas da insistência em acessar apenas campos simbólicos já nomeados e reconhecidos. O texto discute como a ruptura com o “campo conhecido” desvela limites da percepção, desmonta a compulsão à repetição e possibilita uma leitura mais lúcida da relação entre sujeito, saber e instituição, sem produzir novas ilusões. 1. Introdução: quando o fracasso não é pessoal Na experiência do trabalho e da inserção institucional, muitos sujeitos interpretam a ausência de reconhecimento como falha individual. A repetição de recusas tende a ser vivida como prova de inadequação ou insuficiência. Contudo, do ponto de vista psicanalítico, é preciso interrogar n...