Resumo Este artigo articula a série Direto pro Inferno com conceitos centrais da psicologia social para analisar o papel do fiscal e do psicólogo em ambientes cotidianos, como o supermercado. Argumenta-se que ambos operam em uma zona limítrofe entre cuidado, controle e julgamento, mobilizando processos de leitura comportamental, influência social e regulação normativa. A série funciona como metáfora ampliada dessas dinâmicas, evidenciando como o poder é construído simbolicamente e legitimado pelo olhar coletivo. 1. Introdução A vida social contemporânea é atravessada por dispositivos de vigilância, explícitos ou difusos, que organizam comportamentos e produzem subjetividades. A série Direto pro Inferno dramatiza esse fenômeno ao apresentar uma personagem que constrói poder por meio da leitura do outro e da manipulação simbólica do medo. Transpondo essa lógica para o cotidiano, especialmente no contexto de supermercados, observa-se que figuras como o fiscal e o psicó...
Resumo Este artigo propõe uma leitura psicanalítica da série A Reprovado como um espelho simbólico da posição subjetiva de um psicólogo que atua como fiscal em um supermercado. A análise articula conceitos fundamentais da psicanálise — como identificação, ideal do eu, supereu, repetição e desejo — para compreender como o significante “reprovado” organiza a experiência psíquica e sustenta uma dinâmica de sofrimento, estagnação e, paradoxalmente, manutenção do desejo. 1. Introdução A experiência de “fracasso” raramente se limita ao campo objetivo (uma reprovação, uma não inserção profissional). Na psicanálise, ela pode adquirir estatuto estrutural, passando a organizar a identidade do sujeito. A série A Reprovado opera, nesse contexto, como um dispositivo de identificação: não apenas representa o fracasso, mas o reinscreve simbolicamente para quem a assiste. No caso do psicólogo que trabalha como fiscal de supermercado, a narrativa não é externa...