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Contingência, Repetição Defensiva e Exaustão: O Sujeito Apagado no Laço Institucional

  Resumo Este artigo discute, a partir da psicanálise freudiana e lacaniana, a condição subjetiva de um sujeito inserido em um contexto institucional que não acolhe sua função desejada. Partindo da formulação “o sujeito está preso numa contingência de repetição defensiva de sobrevivência e gera exaustão”, analisa-se o circuito que articula precariedade material, apagamento institucional e compulsão à repetição. Propõe-se compreender o uso da psicologia como “mochila defensiva” como uma tentativa do ego de preservar a identidade diante da ameaça de destituição simbólica. Sustenta-se que a exaustão marca o limite dessa defesa e convoca um deslocamento do sujeito para além da repetição, por meio de atos mínimos de reinscrição do desejo em um campo real. Palavras-chave: psicanálise; repetição; instituição; exaustão; desejo; apagamento. 1. Introdução: contingência e sobrevivência institucional A inserção profissional em instituições marcadas por precariedade e lógica prod...
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Desamparo Material e Repetição Defensiva: Sobrevivência, Exaustão e o Real da Necessidade

  Resumo Este artigo investiga, a partir da psicanálise freudiana e lacaniana, o desamparo material como núcleo organizador da compulsão à repetição defensiva em contextos institucionais precarizados. Partindo da formulação “passar necessidade” como medo central do sujeito, discute-se como o ego se estrutura em torno da sobrevivência, transformando soluções contingentes em destinos repetitivos. A instituição aparece como espaço ambivalente: simultaneamente proteção econômica e apagamento simbólico. Sustenta-se que a exaustão psíquica emerge quando a defesa se torna armadura permanente, e que a elaboração possível não reside em rupturas heroicas, mas na construção gradual de um campo real mínimo para o desejo, sem abandono da prudência material. Palavras-chave: desamparo; compulsão à repetição; precariedade; instituição; desejo; exaustão. 1. Introdução: o Real da necessidade A experiência contemporânea do trabalho, marcada por precariedade e insegurança econômica, imp...

Cliente Só Compra Na Promoção, PQ?

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor no papel de consumidor de produtos alimentícios. A maioria dos clientes compram produtos no supermercado, quando o item está em promoção. E a minoria não se preocupa em comprar produtos em promoção. Qual é a motivação intrínseca e extrínseca que estimula ambos clientes. Pela perspectiva da psicanálise, a motivação intrínseca e extrínseca que estimulam clientes a comprar produtos em promoção no supermercado podem ser compreendidas em termos dos princípios básicos propostos por Sigmund Freud e outros teóricos. Vou explicar cada uma dessas motivações de forma simplificada para iniciantes na abordagem da psicanálise. Motivação intrínseca: A motivação intrínseca refere-se aos impulsos, desejos e necessidades que surgem de dentro do indivíduo. Na perspectiva da psicanálise, uma motivação intrínseca que pode estimular clientes a comprar produtos em promoção é o princípio do praz...

Entre o Som e o Silêncio: Transferência Institucional, Ato Falho e Reorganização Defensiva no Cotidiano de um Fiscal de Caixa — Contribuições de Freud, Winnicott, Bion, Lacan, Kaës, Dejours, Enriquez, Castel, Dubar e Clot

  Resumo O presente artigo propõe uma leitura psicanalítica ampliada de mudanças comportamentais observadas em um fiscal de caixa após transferência institucional de loja. Destacam-se a interrupção do hábito de ouvir música durante o trajeto de ônibus, a preferência grupal pelo sono como modo de atravessamento cotidiano e a ocorrência de um ato falho ao lançar no sistema uma campanha da nova unidade na loja anterior. A análise articula conceitos freudianos de ato falho, deslocamento e repetição, a noção winnicottiana de fenômenos transicionais, a teoria bioniana da contenção e função alfa, a perspectiva lacaniana do significante e do sujeito no campo do Outro, bem como as contribuições de René Kaës sobre alianças inconscientes e pactos institucionais. Além disso, incorpora a psicodinâmica do trabalho de Christophe Dejours, a abordagem de Eugène Enriquez sobre o imaginário institucional, e amplia o debate com autores do campo trabalho-identidade-reconhecimento como Robert Castel, ...