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O Supermercado Te Escolheu Como Força de Trabalho

  Resumo Este artigo analisa a distinção entre escolha institucional enquanto força de trabalho e reconhecimento subjetivo, a partir da experiência de um psicólogo que atua como fiscal de caixa em um supermercado. A reflexão demonstra como o risco psíquico não reside no trabalho em si, mas na transformação do trabalho em juiz da existência. Sustenta-se que aceitar o real econômico sem permitir que ele colonize a identidade é um ato clínico, ético e subjetivamente estruturante. 1. Introdução: quando o trabalho tenta dizer quem o sujeito é Em contextos de precarização, sobrevivência econômica e ausência de reconhecimento institucional, muitos sujeitos passam a confundir função laboral com valor existencial . Essa confusão não é acidental: ela é estruturalmente incentivada pelo discurso do mercado, que tende a reduzir o sujeito à sua produtividade (Han, 2017). O caso analisado refere-se a um psicólogo que, diante da impossibilidade concreta de inserção institucional, pe...
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Operador Replica Itens No Scanner

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um operador de caixa de supermercado réplica o produto ao passar no scanner de código de barras. Isto acontece várias vezes na sua jornada de trabalho e tem que acender a luz solicitando a presença da fiscal de caixa para fazer o cancelamento do item duplicado. Na abordagem psicanalítica, as motivações inconscientes e conscientes para a ocorrência desse comportamento por parte do operador de caixa podem ser analisadas da seguinte forma: Motivações inconscientes: O ato de replicar o produto ao passar no scanner pode estar relacionado a impulsos inconscientes de repetição. A repetição é um mecanismo psíquico presente no inconsciente que busca reviver experiências passadas, muitas vezes relacionadas a eventos traumáticos ou conflituosos. O operador pode estar reproduzindo esse comportamento repetitivo como uma forma de lidar com algum conflito não resolv...

Não é o psicólogo que escolhe o nicho, é o nicho que escolhe o psicólogo

  Resumo No discurso contemporâneo da psicologia, especialmente nas redes sociais e no marketing digital, consolidou-se a ideia de que o psicólogo deve “escolher um nicho” como estratégia racional de posicionamento profissional. Este artigo sustenta a tese oposta: na clínica, não é o psicólogo que escolhe o nicho, mas o nicho — entendido como conjunto de sujeitos em sofrimento — que escolhe o psicólogo . A partir de uma leitura estrutural, psicanalítica e institucional, argumenta-se que a escolha clínica se dá por transferência, tempo lógico e autorização simbólica, e não por decisão voluntária, visibilidade ou mérito técnico. A insistência na lógica da escolha ativa do nicho pode produzir alienação, compulsão à repetição e sofrimento profissional. Palavras-chave: nicho clínico; transferência; campo institucional; escolha profissional; psicologia clínica. 1. Introdução: o imperativo contemporâneo da escolha do nicho Nos últimos anos, tornou-se recorrente o discurso s...