Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a posição subjetiva de um sujeito que, inserido em um contexto de trabalho repetitivo e percebido como esvaziante, relata exaustão, desistência e entrega a uma instância transcendente. Argumenta-se que não há extinção do desejo, mas sua retirada da ação, com deslocamento para a espera e para a fantasia de salvação. A partir de autores como Sigmund Freud e Jacques Lacan, discute-se o desinvestimento libidinal, a renúncia subjetiva e a persistência do desejo em formas deslocadas. 1. Introdução: da exaustão ao esvaziamento do agir A descrição do chamado “fiscal psicólogo” não se reduz a um quadro de cansaço ocupacional. Trata-se de uma experiência mais radical: a dificuldade de sustentar o desejo como operador da ação. O sujeito relata não apenas estar cansado, mas “não saber mais o que fazer”, acompanhado de um gesto de “lavar as mãos” frente à própria trajetória. Tal posição indica uma passagem da impli...
Resumo Este artigo propõe uma leitura integrada da posição subjetiva do “fiscal-psicólogo” em contexto de trabalho precarizado, articulando três eixos de sustentação — econômico, simbólico e psíquico . A partir de contribuições da psicanálise (especialmente Sigmund Freud e Jacques Lacan), demonstra-se que a permanência no ambiente não se explica apenas por necessidade financeira, mas por uma função complexa de regulação subjetiva e inscrição simbólica . Argumenta-se que o risco clínico não reside simplesmente na permanência, mas na concentração dessas funções em um único dispositivo institucional , o que produz dependência estrutural e limita a mobilidade do sujeito. 1. Introdução No cenário contemporâneo de trabalho, especialmente em funções operacionais de alta exigência (como a de fiscal de caixa em supermercados), observa-se um fenômeno recorrente: sujeitos que, mesmo conscientes do desgaste físico e psíquico, mantêm-se vinculados à função . A leitura simplista ...