Resumo O presente artigo analisa a produção institucional de sujeitos desimplicados, caracterizados por pertencimento frágil e investimento libidinal mínimo no trabalho. A partir da psicanálise freudiana, da releitura lacaniana do laço social e das contribuições da psicodinâmica do trabalho e da análise institucional francesa, argumenta-se que tais posições subjetivas não devem ser reduzidas a traços individuais, mas compreendidas como efeitos estruturais de modos específicos de gestão do conflito e do reconhecimento. O deslocamento administrativo como resposta ao conflito, a ausência de elaboração coletiva e a fragilidade da reinscrição simbólica são analisados como operadores institucionais de desinvestimento subjetivo. 1. Introdução No campo institucional contemporâneo, observa-se com frequência a emergência de trabalhadores que ocupam posições de baixa implicação subjetiva. Não se trata necessariamente de apatia, mas de uma retirada estratégica de investimento psí...
Resumo Este artigo examina o percurso subjetivo de um psicólogo que, após anos de repetição infrutífera na busca por inserção institucional segundo modelos tradicionais de reconhecimento, realiza um desvelamento estrutural que o conduz a desaprender uma lógica herdada de acesso ao trabalho e às instituições. A análise articula conceitos psicanalíticos — como alienação, compulsão à repetição, fantasia e travessia do fantasma — com referências bíblicas que abordam fechamento e abertura de portas, esperança e limites do agir humano. Sustenta-se que a experiência concreta de ingresso em um supermercado fora do circuito simbólico habitual operou como analisador psíquico e espiritual, permitindo ao sujeito sair da ilusão de controle e reconhecer a existência de campos não nomeados, tanto no trabalho quanto na vida. 1. Introdução: quando o sofrimento não é falta de esforço O sujeito em questão construiu sua relação com o trabalho a partir de um modelo aprendido precocement...