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Do Supermercado ao Campo Institucional

  Uma Análise Psicanalítica e Estratégica da Construção do Lugar do Psicólogo em Contextos de Alta Pressão Resumo Este artigo analisa, sob uma perspectiva psicanalítica e institucional, o percurso de um sujeito que, embora formalmente inserido em um ambiente operacional (supermercado), já exerce funções psicológicas de leitura e intervenção comportamental. A partir da análise de vivências, atos cotidianos e conteúdo onírico, investiga-se o desalinhamento entre função subjetiva e lugar institucional, bem como os mecanismos psíquicos que dificultam a transição para um campo reconhecido. O estudo propõe uma articulação entre teoria psicanalítica e estratégia profissional, culminando na construção de um posicionamento aplicável no mercado. 1. Introdução O cenário contemporâneo do trabalho apresenta uma crescente complexidade na relação entre identidade profissional e reconhecimento institucional. Muitos sujeitos desenvolvem competências que extrapolam seus cargos fo...
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Uma ruptura no modo como o sujeito organizava sua relação com o mundo do trabalho

  1. O que estava em jogo não era apenas “procurar emprego”, mas um modo de desejar Desde a juventude, o sujeito aprendeu — por família, escola, professores, mercado e discurso social — que o acesso ao trabalho se dá por um modelo estrutural específico : empresas com nome reconhecido; visibilidade social; RH, processos seletivos, entrevistas; validação por critérios formais; eventualmente, indicação. Esse modelo não é neutro: ele funciona como um roteiro inconsciente de como “o mundo escolhe alguém”. Na psicanálise, isso se aproxima do que Lacan chama de fantasma fundamental : uma cena repetida que organiza a expectativa do sujeito sobre como será reconhecido. 👉 O sujeito não buscava apenas vagas. 👉 Buscava ser escolhido dentro da cena que ele conhecia . 2. O campo do “nome conhecido” como garantia simbólica Empresas com nome conhecido funcionavam, para o sujeito, como garantia simbólica : “Se é conhecido, é legítimo” “Se é grande, reconh...

Qual função cumpre o supermercado para o psicólogo que trava como fiscal de caixa

  Uma leitura psicanalítica e institucional do desalinhamento entre função subjetiva e lugar de trabalho Resumo Este artigo analisa a função exercida por um ambiente institucional — o supermercado — na trajetória de um sujeito formado em psicologia que atua como fiscal de caixa e experimenta um “travamento” ao tentar sustentar sua identidade profissional. A partir de uma articulação entre experiência prática, análise do comportamento em contexto de alta pressão e interpretação psicanalítica (especialmente em Sigmund Freud e Jacques Lacan), propõe-se compreender o supermercado não como um erro de percurso, mas como um dispositivo com múltiplas funções: sustentação, laboratório empírico, tensão produtiva e espaço de transição. O trabalho culmina na formulação de um campo profissional emergente e na necessidade de conversão da experiência em função institucional reconhecível. 1. Introdução O fenômeno do desalinhamento entre formação acadêmica e atuação profissional...