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O campo institucional não é mercado aberto

  Estrutura, reconhecimento e vias reais de inserção na psicologia institucional Resumo O presente artigo discute a tese de que o campo institucional em psicologia não opera segundo a lógica de mercado aberto. Diferentemente da clínica privada, cuja inserção depende majoritariamente de habilitação formal e captação de demanda, o trabalho institucional é mediado por dispositivos burocráticos, políticas públicas, capital institucional e especialização prévia. Articula-se a análise estrutural do mercado de trabalho com referenciais psicanalíticos sobre Ideal do Eu, reconhecimento e compulsão à repetição, demonstrando como a incompreensão da estrutura do campo pode produzir sofrimento narcísico e fantasias de validação institucional. 1. Introdução É recorrente entre psicólogos recém-formados a expectativa de ingresso direto em instituições públicas ou privadas como forma de consolidação identitária e profissional. Contudo, a realidade do campo demonstra que o acesso insti...
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Impedido De Fazer O Luto Psicologia

  1. O luto não acontece porque o objeto ainda funciona como suporte do sujeito Freud distingue: luto: perda elaborada, deslocamento possível melancolia: perda incorporada, impossível de separar Aqui, a psicologia não é apenas uma profissão. Ela é um significante organizador: “sou psicólogo” “há um saber” “há um lugar possível” “há uma promessa de sentido” Se esse significante cai, não cai apenas um trabalho: cai uma sustentação do eu. Por isso o luto fica suspenso. Não é que “não pode”. É que “não consegue ainda”, porque o custo subjetivo seria enorme. 2. A repetição como defesa contra a perda definitiva Quando você diz “retorna ao mesmo ponto de início”, isso é exatamente o circuito da repetição. O sujeito não avança porque avançar implicaria: reconhecer a perda atravessar a separação abandonar a esperança de um lugar institucional pleno A repetição protege contra isso. Ela diz: “se eu continuo circulando, não pr...

Entre a Esperança Institucional e o Luto do Ideal: Reorganização Identitária Frente à Não Legitimação Profissional

  Resumo O presente artigo analisa, sob perspectiva psicanalítica, o conflito subjetivo entre manter a esperança de reconhecimento institucional e aceitar a perda desse ideal, enfrentando o luto e promovendo reorganização interna. Parte-se da hipótese de que o sofrimento não deriva da ausência de prática profissional, mas da não inscrição simbólica no campo institucional. A partir das contribuições de Sigmund Freud e Jacques Lacan, discute-se o Ideal do Eu, o narcisismo, a compulsão à repetição e a função do Outro na legitimação identitária. Conclui-se que o luto do ideal institucional não implica fracasso profissional, mas representa condição para reestruturação subjetiva mais autônoma. 1. Introdução O reconhecimento institucional ocupa, para muitos profissionais, função estruturante na constituição identitária. Quando tal reconhecimento não se concretiza, pode emergir sofrimento intenso, frequentemente interpretado como fracasso. Entretanto, sob leitura psicanalítica,...

Fui escolhido quando saí do lugar onde precisava ser reconhecido

  Resumo Este artigo analisa, a partir da psicanálise e de contribuições da sociologia do trabalho, a experiência de um sujeito que somente foi escolhido por um campo laboral quando abandonou o lugar simbólico onde buscava reconhecimento. Sustenta-se que o sofrimento prolongado não decorreu de falha individual, mas da alienação a um modelo estrutural específico de acesso institucional. O texto discute a diferença entre reconhecimento simbólico e escolha pelo campo, a compulsão à repetição sustentada pelo ideal do Eu e o efeito de desalienação produzido quando o sujeito aceita operar fora do circuito de legitimação imaginária. 1. Introdução: quando o reconhecimento se torna obstáculo Na modernidade, o reconhecimento institucional tornou-se um operador central da identidade. Diplomas, cargos, nomes de empresas e validações formais passaram a funcionar como garantias simbólicas de existência social. No entanto, essa centralidade pode produzir um efeito paradoxal: quanto ma...