Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise e das ciências sociais, a experiência de um psicólogo que, após anos de busca por reconhecimento institucional em estruturas formalizadas e midiaticamente legitimadas, é contratado por um supermercado fora de seu campo simbólico de nomeação. Sustenta-se que tal experiência não opera como realização vocacional, mas como analisador psíquico que desorganiza a alienação do sujeito a nomes consagrados, revelando a existência de campos institucionais que operam fora da visibilidade, da propaganda e da validação imaginária. A entrada nesse campo invisível produz uma transformação subjetiva: não pela ascensão simbólica, mas pela ampliação do possível. 1. Introdução: o impasse do saber sem campo A trajetória do psicólogo em questão é marcada por um paradoxo central: a produção de um saber consistente, elaborado ao longo de décadas, que não encontra campo institucional de reconhecimento. Durante doze anos, o sujeito buscou inserç...
Entre a Eficiência Operacional e o Sofrimento do Trabalhador: Uma Análise em Psicologia Organizacional do Atendimento “Drive” no Supermercado
Ano 2026 Autor [Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208] Resumo O presente artigo analisa, à luz da psicologia organizacional, a dinâmica de sobrecarga de trabalho vivenciada por fiscais de caixa em um supermercado, especificamente no contexto da atribuição adicional de atendimento ao “drive”. A partir de um relato empírico, discute-se como decisões gerenciais baseadas exclusivamente em indicadores de desempenho (como volume de vendas) podem negligenciar fatores humanos, produzindo desgaste emocional, percepção de injustiça organizacional e risco de adoecimento ocupacional. 1. Introdução No contexto organizacional contemporâneo, a busca por eficiência e redução de custos frequentemente orienta as decisões gerenciais. No entanto, quando tais decisões desconsideram as condições reais de trabalho, emergem fenômenos como sobrecarga, desmotivação e sofrimento psíquico. O caso apresentado evidencia um conflito típico: a empresa estrutura sua alocação de recursos humanos c...