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Entre a Esperança Institucional e o Luto do Ideal: Reorganização Identitária Frente à Não Legitimação Profissional

  Resumo O presente artigo analisa, sob perspectiva psicanalítica, o conflito subjetivo entre manter a esperança de reconhecimento institucional e aceitar a perda desse ideal, enfrentando o luto e promovendo reorganização interna. Parte-se da hipótese de que o sofrimento não deriva da ausência de prática profissional, mas da não inscrição simbólica no campo institucional. A partir das contribuições de Sigmund Freud e Jacques Lacan, discute-se o Ideal do Eu, o narcisismo, a compulsão à repetição e a função do Outro na legitimação identitária. Conclui-se que o luto do ideal institucional não implica fracasso profissional, mas representa condição para reestruturação subjetiva mais autônoma. 1. Introdução O reconhecimento institucional ocupa, para muitos profissionais, função estruturante na constituição identitária. Quando tal reconhecimento não se concretiza, pode emergir sofrimento intenso, frequentemente interpretado como fracasso. Entretanto, sob leitura psicanalítica,...
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Fui escolhido quando saí do lugar onde precisava ser reconhecido

  Resumo Este artigo analisa, a partir da psicanálise e de contribuições da sociologia do trabalho, a experiência de um sujeito que somente foi escolhido por um campo laboral quando abandonou o lugar simbólico onde buscava reconhecimento. Sustenta-se que o sofrimento prolongado não decorreu de falha individual, mas da alienação a um modelo estrutural específico de acesso institucional. O texto discute a diferença entre reconhecimento simbólico e escolha pelo campo, a compulsão à repetição sustentada pelo ideal do Eu e o efeito de desalienação produzido quando o sujeito aceita operar fora do circuito de legitimação imaginária. 1. Introdução: quando o reconhecimento se torna obstáculo Na modernidade, o reconhecimento institucional tornou-se um operador central da identidade. Diplomas, cargos, nomes de empresas e validações formais passaram a funcionar como garantias simbólicas de existência social. No entanto, essa centralidade pode produzir um efeito paradoxal: quanto ma...

Sujeitos Desimplicados, com Pertencimento Frágil e Investimento Libidinal Mínimo: Produção Subjetiva no Campo Institucional

  Resumo O presente artigo analisa a produção institucional de sujeitos desimplicados, caracterizados por pertencimento frágil e investimento libidinal mínimo no trabalho. A partir da psicanálise freudiana, da releitura lacaniana do laço social e das contribuições da psicodinâmica do trabalho e da análise institucional francesa, argumenta-se que tais posições subjetivas não devem ser reduzidas a traços individuais, mas compreendidas como efeitos estruturais de modos específicos de gestão do conflito e do reconhecimento. O deslocamento administrativo como resposta ao conflito, a ausência de elaboração coletiva e a fragilidade da reinscrição simbólica são analisados como operadores institucionais de desinvestimento subjetivo. 1. Introdução No campo institucional contemporâneo, observa-se com frequência a emergência de trabalhadores que ocupam posições de baixa implicação subjetiva. Não se trata necessariamente de apatia, mas de uma retirada estratégica de investimento psí...

Desaprender uma Estrutura Herdada: Psicanálise, Fé e o Desvelamento de Campos Fora da Nomeação

  Resumo Este artigo examina o percurso subjetivo de um psicólogo que, após anos de repetição infrutífera na busca por inserção institucional segundo modelos tradicionais de reconhecimento, realiza um desvelamento estrutural que o conduz a desaprender uma lógica herdada de acesso ao trabalho e às instituições. A análise articula conceitos psicanalíticos — como alienação, compulsão à repetição, fantasia e travessia do fantasma — com referências bíblicas que abordam fechamento e abertura de portas, esperança e limites do agir humano. Sustenta-se que a experiência concreta de ingresso em um supermercado fora do circuito simbólico habitual operou como analisador psíquico e espiritual, permitindo ao sujeito sair da ilusão de controle e reconhecer a existência de campos não nomeados, tanto no trabalho quanto na vida. 1. Introdução: quando o sofrimento não é falta de esforço O sujeito em questão construiu sua relação com o trabalho a partir de um modelo aprendido precocement...

Libido Deslocamento Frustração Sexual

  Observa-se um padrão comportamental em que o sujeito conhece mulheres em aplicativos de relacionamento, inicia interações aparentemente comuns e, após um curto período de conversa — muitas vezes transferida para o WhatsApp — passa a sexualizar rapidamente o contato. Ele envia fotos de nudez, vídeos e conduz o diálogo para conteúdos sexualmente explícitos. Esse movimento não parece decorrer apenas de uma busca direta por prazer sexual, mas pode ser compreendido como uma forma de deslocamento da energia libidinal. Do ponto de vista psicanalítico, esse comportamento pode indicar que a libido do sujeito está sendo mobilizada em resposta a experiências de frustração afetiva. As mulheres pelas quais ele demonstra interesse genuíno tendem a rejeitá-lo ou não corresponder ao seu investimento emocional. Essa rejeição produz uma ferida narcísica, isto é, uma experiência de desvalorização subjetiva que atinge diretamente sua autoimagem e seu sentimento de desejabilidade. Diante dessa fr...