Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208]
Introdução
Este livro propõe uma leitura simbólica e psicanalítica da
série Stranger Things como espelho do percurso subjetivo de um psicólogo
que, embora formado, encontra-se exercendo uma função adaptativa distante de
sua identidade profissional. A obra não realiza uma interpretação da série em
si, mas utiliza sua narrativa como matriz simbólica para compreender o conflito
entre self verdadeiro e self adaptativo, desejo e instituição, potência e
captura. O eixo central é o desejo do psicólogo de apresentar seu self verdadeiro
em um lugar específico no laço social.
Sumário
1. O
Estranho que Retorna: Desejo e Inconsciente
2. A
Cidade, o Lugar e a Inscrição Simbólica
3. Will
Byers e o Tempo do Esconderijo
4. As Luzes
na Casa: Comunicação sem Linguagem
5. A Mãe e
a Função de Acreditar
6. A Menina
11: Potência, Marca e Singularidade
7. O Pai
Superegóico e a Violência da Exigência
8. A
Instituição como Agente de Captura
9. O
Corredor e o Tempo de Travessia
10. Do
Espelhamento à Inscrição: Tornar-se Público
Capítulo 1 – O Estranho que Retorna: Desejo e
Inconsciente
O Stranger Things representa aquilo que foi recalcado, mas
retorna. Ele não é inimigo; é o desejo que não encontrou lugar simbólico. Para
o psicólogo, o estranho é o próprio desejo profissional que insiste em existir
apesar da adaptação.
“O inconsciente é o discurso do Outro.” (Lacan)
Capítulo 2 – A Cidade, o Lugar e a Inscrição
Simbólica
Nada aparece em qualquer lugar. O desejo busca um campo
possível de inscrição. Assim como a força estranha emerge em uma cidade
específica, o psicólogo busca uma instituição que possa reconhecê-lo como tal.
“O desejo do homem é o desejo do Outro.” (Lacan)
Capítulo 3 – Will Byers e o Tempo do Esconderijo
Will escondido simboliza a latência necessária. O fiscal de
caixa é o esconderijo funcional que preserva o self verdadeiro enquanto não há
condições externas para sua expressão.
“O verdadeiro self só pode emergir em um ambiente
suficientemente bom.” (Winnicott)
Capítulo 4 – As Luzes na Casa: Comunicação sem
Linguagem
As luzes piscando representam o inconsciente tentando se
comunicar quando ainda não há palavra. No psicólogo, isso aparece como
inquietação, angústia e pensamento recorrente sobre o futuro.
“Aquilo que não se simboliza retorna no real.” (Lacan)
Capítulo 5 – A Mãe e a Função de Acreditar
A mãe de Will encarna a função psíquica que acredita no
estranho. No psicólogo, essa função corresponde à parte que ainda sustenta o
desejo, mesmo quando o mundo externo não o valida.
“Ser visto é condição para existir.” (Winnicott)
Capítulo 6 – A Menina 11: Potência, Marca e
Singularidade
A marca 11 simboliza a singularidade irredutível. A menina é
o self verdadeiro: potente, sensível e estranho. O psicólogo carrega sua marca
— a formação, a ética, a escuta — mesmo quando não é reconhecido.
“Onde isso estava, devo advir.” (Freud)
Capítulo 7 – O Pai Superegóico e a Violência da
Exigência
O pai que exige o uso da força representa o supereu
institucional. Ele promete reconhecimento, mas exige traição ética. O psicólogo
recusa usar seu saber de forma instrumental.
“O supereu ordena: goza!” (Lacan)
Capítulo 8 – A Instituição como Agente de Captura
O exército e o laboratório espelham instituições rígidas. O
supermercado cumpre função de sobrevivência, mas captura a identidade. A função
substitui o sujeito.
“A adaptação excessiva pode custar o self.” (Winnicott)
Capítulo 9 – O Corredor e o Tempo de Travessia
Ser carregado pelo pai nos corredores simboliza suspensão da
autonomia. O psicólogo vive um tempo intermediário: não abandonou o desejo, mas
ainda não caminha com ele.
“Há um tempo para compreender e um momento para concluir.”
(Lacan)
Capítulo 10 – Do Espelhamento à Inscrição:
Tornar-se Público
O objetivo não é destruir a instituição, mas encontrar um
lugar onde o self verdadeiro possa existir sem ser capturado. Tornar-se público
como psicólogo exige mediação, tempo e lugar.
“O desejo não pede pressa, pede lugar.” (formulações clínicas
contemporâneas)
Conclusão
Stranger Things espelha o drama do
psicólogo que vive entre sobrevivência e realização simbólica. O self
verdadeiro não desapareceu; ele aguarda inscrição. O caminho não é a exposição
abrupta, mas a construção de um lugar possível no laço social onde o psicólogo
possa existir como sujeito e profissional.
Referências Bibliográficas
- Freud,
S. O Ego e o Id.
- Freud,
S. Além do Princípio do Prazer.
- Lacan,
J. Escritos.
- Lacan,
J. O Seminário, Livro 11.
- Winnicott,
D. W. O Brincar e a Realidade.
- Winnicott,
D. W. Natureza Humana.
- Safra,
G. A Face Estética do Self.
- Ogden,
T. Os Sujeitos da Psicanálise.
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