Comportamento consciente e inconsciente, dentro do referencial da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT).
Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208
1.
Comportamentos Conscientes
Esses
são os comportamentos que a técnica em enfermagem percebe em si mesma, consegue
nomear e reconhece como parte do seu dia a dia no supermercado.
1.1.
Ajuste às tarefas operacionais
- Executa atividades como registro de compras,
conferência de valores e atendimento ao cliente.
- Adapta sua postura profissional às rotinas
do varejo.
- Esforça-se para manter rapidez, precisão e
atenção.
1.2.
Controle emocional deliberado
- Mantém cordialidade diante de clientes
hostis.
- Segura impulsos de resposta, ainda que
esteja frustrada ou cansada.
- Aplica conscientemente técnicas de
autocontrole aprendidas na enfermagem.
1.3.
Comparações racionais entre profissões
- Reflete sobre diferença de status,
complexidade e reconhecimento entre enfermagem e operação de caixa.
- Identifica racionalmente sentimentos de
desvalorização ou de "subutilização" da própria formação.
1.4.
Foco na produtividade e no cumprimento das metas
- Mantém preocupação consciente com
indicadores de desempenho (tempo de atendimento, erros, faltas).
- Busca atender expectativas da liderança para
evitar punições ou críticas.
1.5.
Autopercepção de aprendizagem
- Reconhece que desenvolve novas habilidades:
agilidade, comunicação com varejo, gestão de conflitos, atendimento ao
público.
2.
Comportamentos Inconscientes (segundo a Psicologia Organizacional)
A
psicologia organizacional não trabalha com inconsciente freudiano, mas com processos
psicológicos automáticos, internalizados, não percebidos pelo trabalhador,
que influenciam comportamentos, percepções e emoções no ambiente laboral.
A
seguir, os fenômenos mais comuns nessa transição:
2.1.
Internalização inconsciente do papel de cuidadora
Mesmo
fora do contexto da saúde, ela tende a:
- apoiar clientes emocionalmente,
- tolerar comportamentos abusivos,
- assumir responsabilidades que não são dela,
- evitar conflitos para “proteger” o ambiente.
É
um hábito adquirido, automatizado pela identidade profissional original.
2.2.
Scripts mentais automatizados de serviço
Ela
coloca em prática padrões comportamentais aprendidos na enfermagem, como:
- escuta ativa,
- empatia automática,
- vigilância constante.
São
respostas internalizadas, acionadas sem análise consciente.
2.3.
Reações automáticas ao estresse (condicionamento organizacional)
O
ambiente hospitalar é tenso e rápido; o supermercado também é.
O corpo dela responde automaticamente com:
- hipervigilância,
- antecipação de problemas,
- prontidão para resolver conflitos,
- tensão muscular e fadiga.
Esses
padrões vêm de condicionamento comportamental anterior.
2.4.
Necessidade inconsciente de reconhecimento
A
técnica em enfermagem vinha de um campo onde o reconhecimento moral e social é
mais evidente.
No varejo, como esse reconhecimento é menor, surge:
- comportamento de super-esforço,
- desejo automático de agradar chefias,
- medo inconsciente de parecer incompetente.
Isso
é um resíduo psicológico de um papel de alta responsabilidade.
2.5.
Desconforto com a perda de identidade
Ela
pode não perceber que sua irritação, cansaço ou ansiedade não vêm apenas do
trabalho atual, mas de uma sensação silenciosa de:
- “não estar sendo quem deveria ser”,
- “estar fora do meu lugar”,
- “não ser vista como profissional
qualificada”.
Esse
desconforto opera em segundo plano, influenciando humor e comportamento.
2.6.
Mecanismos de coping (afrontamento) automáticos
Sem
perceber, adota estratégias típicas de profissionais da saúde:
- amortecer emoções,
- agir de maneira altamente funcional sob
pressão,
- evitar demonstrar fraqueza,
- priorizar o outro antes de si.
São
formas inconscientes de tentar manter estabilidade emocional no trabalho.
2.7.
Racionalizações automáticas
Quando
sente frustração, surge automaticamente um discurso interno:
“É só por enquanto.” “Pelo menos tenho um emprego.” “Não posso reclamar.”
Na
Psicologia Organizacional, isso é visto como um processo de ajuste cognitivo
automático para reduzir dissonância entre o que gostaria de fazer e o que
realmente faz.
3.
Integração Psicodinâmica Organizacional
A
psicologia organizacional interpreta essa situação como um conflito entre
identidade profissional, demandas do contexto e ajustamento psicológico.
O
cenário tende a produzir:
a)
Desgaste emocional
O
trabalho no varejo exige ritmo contínuo e contato direto com clientes — fator
de estresse. Somado à sensação interna de subutilização, cria tensão emocional
constante.
b)
Queda de autoeficácia percebida
Ela
sabe que domina a enfermagem; no caixa, ainda está aprendendo.
Isso altera automaticamente o senso de competência.
c)
Sobreposição de papéis
O
papel de cuidadora se mistura ao papel de vendedora/operadora.
Essa sobreposição cria comportamentos ambíguos, nem sempre adequados ao varejo.
d)
Motivação ambivalente
Há
vontade de ser útil, mas ao mesmo tempo sensação de inadequação.
4.
Conclusão
Sob
a ótica da Psicologia Organizacional, a técnica de enfermagem que atua como
operadora de caixa vive uma dinâmica marcada por:
- comportamentos conscientes
direcionados ao desempenho, autocontrole e adaptação ao ambiente de
varejo;
- processos inconscientes/automáticos
ligados à identidade original, às expectativas internalizadas e aos
padrões de atuação aprendidos na enfermagem.
Essa
combinação gera conflitos emocionais, mas também abre espaço para aprendizado,
ampliação de competências e desenvolvimento profissional — desde que haja
suporte organizacional, reconhecimento e clareza de propósito.
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