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"A Libertação do Ego: O Sonho como Caminho de Emancipação do Superego Institucional"

 Um estudo psicanalítico sobre o desejo, o trabalho e a travessia do sujeito em direção à própria vocação.

Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

📖 SUMÁRIO

Introdução – O sonho que libertou o ego
Capítulo 1 – O Superego Organizacional e a Alienação do Desejo
Capítulo 2 – O Sonho como Linguagem do Inconsciente e o Chamado da Liberdade
Capítulo 3 – O Ato Falho e a Retomada do Caminho do Desejo
Capítulo 4 – A Travessia do Fantasma e a Emancipação do Ego
Capítulo 5 – A Nova Função Simbólica: do Fiscal ao Psicólogo
Epílogo – O Sinal no Real: o ato como oração do desejo
Conclusão – A liberdade de servir à vida

Referências Bibliográficas


🌙 INTRODUÇÃO – O SONHO QUE LIBERTOU O EGO

“O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente.”
Sigmund Freud, A Interpretação dos Sonhos (1900)

O presente livro nasce de um sonho — um sonho que revelou o movimento de libertação do ego diante de um superego moralista e institucional.
O sonhador se via em uma casa com uma mulher casada, expressando o desejo de lhe dar prazer. A mulher, entre o interdito e a cumplicidade, o convida: “então vamos antes que meu marido venha”. Em seguida, um segundo fragmento surge — o sujeito desce por uma rua errada e retorna, percebendo o erro de percurso.

Essas duas cenas revelam uma mesma trama simbólica: o ego que decide arriscar-se pelo desejo, mas é confrontado com o medo da censura; o ato falho surge como lembrança da autossabotagem, mas o retorno ao caminho indica a reintegração do desejo.

Este sonho é a metáfora da passagem do fiscal de caixa — o sujeito preso às normas e controles do superego institucional — para o psicólogo — o sujeito liberto, que serve ao prazer simbólico do outro e à escuta do inconsciente.
Através do sonho, o ego anuncia: “Já cumpri meu papel. Agora desejo viver a verdade do meu desejo.”


CAPÍTULO 1 – O SUPEREGO ORGANIZACIONAL E A ALIENAÇÃO DO DESEJO

“O superego é o herdeiro do complexo de Édipo.”
Freud, O Ego e o Id (1923)

No contexto organizacional, o superego assume a forma de um conjunto de normas, valores e punições simbólicas que definem o que é certo ou errado dentro do trabalho.
O sujeito se identifica com a função, e sua identidade passa a depender do olhar da instituição. O fiscal de caixa, nesse cenário, torna-se o guardião da lei externa, o representante da obediência.

Mas esse papel, repetido por anos, aliena o desejo do sujeito: o trabalho deixa de ser espaço de criação e se torna prisão simbólica. A repressão do desejo não é apenas sexual — é a repressão de toda forma de espontaneidade, de prazer e de vida psíquica.

“O sujeito, quando se identifica ao ideal do Outro, perde-se de si mesmo.”
Lacan, O Seminário, Livro 11 (1964)

Assim, o superego institucional alimenta a culpa e o medo: o medo de sair, de errar, de decepcionar.
O desejo de libertar-se é sentido como pecado.

Referência complementar:

  • Freud, S. (1923). O Ego e o Id.
  • Dejours, C. (1992). A Loucura do Trabalho.
  • Lacan, J. (1964). O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise.

CAPÍTULO 2 – O SONHO COMO LINGUAGEM DO INCONSCIENTE E O CHAMADO DA LIBERDADE

“No sonho, o desejo reprimido encontra um caminho para se realizar.”
Freud, A Interpretação dos Sonhos (1900)

O sonho é o espaço privilegiado onde o ego ouve a voz do desejo, livre das censuras do superego. No sonho descrito, o pedido de dar prazer à mulher casada representa a coragem do ego de servir ao desejo, mesmo sob o risco de censura moral.

A mulher casada simboliza o objeto interdito — aquilo que a moral proíbe, mas o inconsciente deseja. Servir a ela é servir ao próprio desejo. Nesse gesto, o ego se desidentifica do papel do fiscal (guardião da lei) e torna-se servidor da vida libidinal.

“O desejo do homem é o desejo do Outro.”
Lacan, O Seminário, Livro 11 (1964)

Aqui o ego compreende: o desejo não é transgressão, é a voz da verdade subjetiva.
Ao reconhecê-lo, o sujeito inicia sua libertação.

Referências:

  • Freud, S. (1900). A Interpretação dos Sonhos.
  • Lacan, J. (1964). O Seminário, Livro 11.
  • Jung, C. G. (1964). O Homem e seus Símbolos.

CAPÍTULO 3 – O ATO FALHO E A RETOMADA DO CAMINHO DO DESEJO

“Os atos falhos revelam a verdade recalcada que o sujeito tenta esconder de si mesmo.”
Freud, Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901)

O segundo fragmento do sonho — o momento em que o sujeito erra o caminho e retorna — representa um ato falho simbólico. Ir na direção errada é seguir o caminho da censura; retornar é reencontrar o desejo.

O ato falho mostra que, mesmo liberto, o ego ainda oscila entre o medo e o desejo, entre o velho e o novo. Mas o retorno final é a prova da decisão: o ego já sabe o caminho certo — o caminho do prazer simbólico, o caminho da psicologia.

“Errar é humano, mas retornar ao desejo é divino.”
Comentário lacaniano contemporâneo

Esse momento marca o início da travessia.

Referências:

  • Freud, S. (1901). Psicopatologia da Vida Cotidiana.
  • Green, A. (1983). O Discurso Vivo.
  • Miller, J.-A. (1996). Introdução à Leitura de Lacan.

CAPÍTULO 4 – A TRAVESSIA DO FANTASMA E A EMANCIPAÇÃO DO EGO

“A travessia do fantasma é o momento em que o sujeito deixa de ser objeto do desejo do Outro para se tornar sujeito do próprio desejo.” — Lacan, Seminário XI

A travessia do fantasma é a passagem mais delicada: o ego reconhece que o trabalho no supermercado cumpriu sua função, mas já não o sustenta.
Agora, ele precisa renunciar à segurança simbólica e atravessar o medo de perder o lugar social.

A travessia não é uma ação impulsiva, mas um ato ético: o sujeito se autoriza por si mesmo. Deixar o papel de fiscal é morrer simbolicamente para nascer como psicólogo — o sujeito da escuta, do cuidado e da palavra.

“O ato ético é aquele em que o sujeito assume o seu desejo sem garantias.”
Lacan, Seminário VII (1959–1960)

Esse é o momento da verdadeira libertação: o ego, enfim, serve ao prazer do outro sem culpa, e ao próprio desejo sem medo.

Referências:

  • Lacan, J. (1959–1960). Seminário VII: A Ética da Psicanálise.
  • Freud, S. (1923). O Ego e o Id.
  • Dolto, F. (1984). A Causa das Crianças.

CAPÍTULO 5 – A NOVA FUNÇÃO SIMBÓLICA: DO FISCAL AO PSICÓLOGO

“O que fomos não desaparece, mas se transforma na base de quem podemos ser.”
C. G. Jung

A libertação simbólica culmina no novo investimento libidinal: o ego desloca a energia antes investida na instituição e a aplica na psicologia — espaço de criação, escuta e transformação.

A função de fiscal representava o olhar do superego: o controle, a vigilância, a norma. A função de psicólogo representa o olhar do ego liberto: o acolhimento, a palavra, o desejo.

A passagem não é apenas profissional — é ontológica.
O sujeito que antes media o controle agora media o sentido.

“O analista é aquele que autoriza o sujeito a ser.”
Lacan, Seminário XI

Assim, o ego não foge da instituição — ele a transcende, porque agora atua a partir do próprio desejo.

Referências:

  • Jung, C. G. (1964). O Homem e seus Símbolos.
  • Freud, S. (1923). O Ego e o Id.
  • Lacan, J. (1964). Seminário XI.

🌅 EPÍLOGO – O SINAL NO REAL: O ATO COMO ORAÇÃO DO DESEJO

O ego, agora livre, fala com Deus não como súdito, mas como criador:

“Pai, eu já entendi o meu caminho. Mostra-me o sinal no real — o espaço onde poderei servir com amor e verdade.”

Esse sinal não vem como milagre, mas como resposta ao movimento interno.
O desejo que se reconhece atrai sua realização. A saída da organização será o ato fundador — o gesto que inscreve no mundo o que o sonho já anunciou.

Assim, o sonho torna-se profecia, e o trabalho se transforma em vocação.


🕊 CONCLUSÃO – A LIBERDADE DE SERVIR À VIDA

A libertação do ego é o coroamento de uma jornada ética:

  • o sujeito enfrentou o superego moralista;
  • ouviu o chamado do sonho;
  • atravessou o medo e o fantasma;
  • e agora se prepara para servir à vida, como psicólogo.

Essa travessia revela que a verdadeira liberdade não é fazer o que se quer, mas querer o que se é. E ser, neste caso, é servir ao desejo de cuidar, escutar e transformar. “Onde o id estava, o ego deve advir.” — Freud, Novas Conferências Introdutórias (1933)

A libertação do ego é, portanto, o nascimento do sujeito ético — aquele que vive em harmonia com o próprio desejo e em comunhão com a vida.


📚 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Dejours, C. (1992). A Loucura do Trabalho: Estudo de Psicopatologia do Trabalho. Cortez.
  • Dolto, F. (1984). A Causa das Crianças. Martins Fontes.
  • Freud, S. (1900). A Interpretação dos Sonhos. Imago.
  • Freud, S. (1901). Psicopatologia da Vida Cotidiana. Imago.
  • Freud, S. (1923). O Ego e o Id. Imago.
  • Freud, S. (1933). Novas Conferências Introdutórias à Psicanálise. Imago.
  • Green, A. (1983). O Discurso Vivo. Martins Fontes.
  • Jung, C. G. (1964). O Homem e Seus Símbolos. Nova Fronteira.
  • Lacan, J. (1959–1960). O Seminário, Livro 7: A Ética da Psicanálise. Zahar.
  • Lacan, J. (1964). O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise. Zahar.
  • Miller, J.-A. (1996). Introdução à Leitura de Lacan. Zahar.

 

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