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CATARSE: O DESABAFO DA ALMA E A BUSCA DE SENTIDO NO TRABALHO

 Ano 2025 Autor [Ayrton Junior Psicólogo]

Introdução

Quando um trabalhador chega ao ponto de dizer “não suporto mais meu emprego”, não está apenas expressando fadiga física, mas revelando um processo psíquico profundo. O cansaço, a frustração e a impotência são mensagens simbólicas do inconsciente — pedidos de escuta e transformação.

Este livro explora, pela abordagem psicanalítica, como o ato de fazer catarse pode libertar o sujeito da repressão emocional e conduzi-lo à elaboração e mudança de vida. Tomamos como figura simbólica o fiscal de caixa cansado de seu ambiente de trabalho, para compreender o valor psíquico do sofrimento e o poder curativo da expressão emocional consciente. A catarse é o desabafo da alma: o momento em que o inconsciente fala, o ego escuta e o sujeito renasce.


Sumário

1.      Capítulo I — O que é Catarse na Psicanálise

2.      Capítulo II — O Fiscal de Caixa e o Peso da Repressão

3.      Capítulo III — As Perguntas que Libertam o Ego

4.      Capítulo IV — As Possíveis Respostas do Inconsciente

5.      Capítulo V — O Sentido Simbólico do Cansaço e o Chamado do Desejo

6.      Conclusão Final

7.      Referências Bibliográficas


Capítulo I — O que é Catarse na Psicanálise

O termo catarse vem do grego katharsis, que significa purificação.
Na psicanálise, a catarse é o processo de liberação de emoções reprimidas, que estavam retidas no inconsciente e se manifestavam através de sintomas, angústias e comportamentos repetitivos.

Segundo Freud (1895), em seus Estudos sobre a Histeria, a catarse ocorre quando o sujeito revive e expressa conscientemente uma emoção reprimida, permitindo a descarga da energia psíquica acumulada. “As emoções não expressas jamais morrem; elas são enterradas vivas e ressurgem de maneiras piores.” — Sigmund Freud

No contexto contemporâneo, a catarse continua sendo um movimento de libertação emocional e simbólica. Ela não é explosão irracional, mas ato consciente de escuta de si mesmo — o momento em que o ego se permite sentir o que o superego censurava.


Capítulo II — O Fiscal de Caixa e o Peso da Repressão

O trabalho pode se tornar um cenário de repressões emocionais. O fiscal de caixa, que sente repulsa por sua função e medo de pedir demissão, vive o conflito entre o desejo (id) e a censura moral e social (superego). O ego, sobrecarregado, reprime o sofrimento e cria sintomas de ansiedade e esgotamento.

A catarse, nesse contexto, pode ocorrer quando o trabalhador permite-se expressar o que sente — pela fala, pela escrita, pela atividade física ou pela arte.
Ao liberar o afeto, ele dá voz ao inconsciente. Mas quando compreende o sentido desse mal-estar — o desejo de mudança, o medo de romper com a segurança — ele entra na elaboração, tornando-se sujeito de sua própria história. “O trabalho só é saudável quando o sujeito pode reconhecer-se no que faz.” — Inspirado em Freud e Dejours

O fiscal de caixa representa o sujeito moderno aprisionado entre o dever e o desejo. Trabalha sob pressão, vive a responsabilidade, mas sente o vazio de não se reconhecer no que faz. “Esse trabalho me ensinou a ser responsável, mas também me mostrou o limite entre o dever e o sofrimento.

Aprendi que ser responsável não significa me anular.” Essa fala expressa o conflito entre o ego e o superego: o primeiro busca prazer e autenticidade; o segundo exige obediência e estabilidade. Quando o ego cede apenas ao superego, o desejo é reprimido e o corpo grita — nasce o sintoma do cansaço.


Capítulo III — As Perguntas que Libertam o Ego

No processo catártico, o ego começa a se questionar: “O que esse trabalho me ensinou?” “O que ele está tentando me mostrar sobre o que quero mudar?”

Essas perguntas são portais de elaboração.
Elas permitem que o sujeito saia do modo de sobrevivência e entre no modo de consciência. Freud afirma que “onde estava o id, o ego deve advir”.  Essas perguntas simbolizam exatamente isso — o nascimento da consciência onde antes havia apenas repetição.


Capítulo IV — As Possíveis Respostas do Inconsciente

A partir dessas perguntas, o fiscal de caixa descobre o que o inconsciente quer comunicar.

🔹 1. Sobre responsabilidade e limites

“Aprendi que posso ser responsável, mas também aprendi que ser responsável não é o mesmo que viver oprimido.” Aprendi que ser responsável não significa me anular.”

👉 Aqui, o ego reconhece a função simbólica do trabalho: formar caráter, mas também impor autoconhecimento sobre seus próprios limites.

🔹 2. Sobre paciência e convivência

“Aprendi a lidar com pessoas diferentes todos os dias — clientes, colegas, superiores — e isso desenvolveu minha empatia e meu controle emocional.
Mas também percebi o quanto reprimi minha espontaneidade para manter uma postura profissional.”

👉 Aqui, o sujeito percebe que o trabalho socializou seu ego, mas também forçou repressões que agora precisam ser liberadas.

🔹 3. Sobre valor e reconhecimento

“Entendi que o reconhecimento externo não substitui o sentido interno. Quero um trabalho que expresse quem eu sou.” Cansei de esperar valorização de fora, e agora quero buscar um trabalho que expresse quem eu sou.

Essas respostas revelam o movimento do ego em direção ao desejo — uma reconciliação com o id, que havia sido silenciado pelo superego.

👉 Aqui surge o despertar do desejo: o id começa a se manifestar através do incômodo, convidando o ego a mudar.


Capítulo V — O Sentido Simbólico do Cansaço e o Chamado do Desejo

O cansaço é a forma pela qual o inconsciente pede passagem.

“Estou percebendo que não é o trabalho em si que me esgota, mas o fato de ele não ter mais sentido pra mim.
Quero algo que se conecte com o que acredito, que tenha propósito e envolva ajudar pessoas.”

👉 Aqui, a catarse se transforma em elaboração. O sujeito entende que a insatisfação é um chamado do desejo reprimido — o desejo de realizar-se psicologicamente.

“Percebo que o medo de perder o salário me fez aceitar um sofrimento diário.
Quero mudar essa relação com o medo e confiar mais em mim e na vida.”

👉 Essa resposta indica que o fiscal começa a reconhecer o papel do superego: o medo como forma de censura. O ego quer libertar-se

Sinto que gasto toda a minha energia apagando incêndios, resolvendo problemas alheios. Quero investir essa energia em algo que me nutra, que me traga prazer e aprendizado.”

👉 Aqui o ego identifica o esgotamento e percebe que a energia psíquica precisa ser redirecionada do dever para o desejo.

“Esse trabalho me mostrou que eu amadureci, e talvez o que me cabe agora é ter coragem de começar um novo ciclo. Quero recomeçar com mais sentido e menos medo.”

👉 Aqui o sujeito aceita o fim simbólico de uma fase. A angústia cede lugar à esperança.

Não é apenas esgotamento físico, mas uma mensagem simbólica:

“Você está gastando energia em algo que já não te nutre.”

Nesse ponto, o ego desperta para o desejo de mudança:

“Quero recomeçar com mais sentido e menos medo. Quero confiar mais em mim e na vida.” O sofrimento então se transforma em função reveladora — deixa de ser punição e passa a ser convite à transformação.

Freud dizia que a cura ocorre quando o inconsciente é trazido à consciência.
Na catarse, o fiscal de caixa traz à luz sua verdade reprimida: o desejo de viver com propósito e liberdade.


Conclusão Final

Fazer catarse é permitir-se dizer o que o silêncio adoecia.
É deixar o corpo falar, o ego escutar e o inconsciente se libertar.  “O trabalho me ensinou a resistir, mas agora me ensina a soltar. O trabalho me ensinou a resistir, mas agora me ensina a soltar. Ele me mostra que chegou a hora de escutar o que meu desejo vem dizendo há tempos: que eu posso confiar em mim, mudar o rumo e me libertar do medo.

O cansaço é o inconsciente pedindo passagem — e a coragem é a resposta que cura. Ele me mostra que chegou a hora de escutar o que meu desejo vem dizendo há tempos: que posso confiar em mim, mudar o rumo e me libertar do medo.
O cansaço é o inconsciente pedindo passagem — e a coragem é a resposta que cura.”

Através da catarse, o fiscal de caixa deixa de ser prisioneiro da rotina e torna-se autor consciente de sua própria história.
A dor transforma-se em aprendizado; a repressão em expressão; o medo em movimento.


Referências Bibliográficas

  • FREUD, Sigmund. Estudos sobre a histeria (1895). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
  • FREUD, Sigmund. A Interpretação dos Sonhos (1900). Rio de Janeiro: Imago, 1996.
  • FREUD, Sigmund. O Ego e o Id (1923). Rio de Janeiro: Imago, 1996.
  • LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J.-B. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
  • WINNICOTT, D. W. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
  • JUNG, C. G. O Desenvolvimento da Personalidade. Petrópolis: Vozes, 1991.

 

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