Pular para o conteúdo principal

Compreender-se dentro do sistema supermercado

 Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

Para compreender-se dentro desse sistema, o fiscal psicólogo precisa adotar uma postura reflexiva que una autoconhecimento psicanalítico e análise organizacional. A compreensão de si nesse contexto é um processo que envolve perceber os próprios papéis simbólicos e emocionais dentro da dinâmica institucional.


🧩 1. Reconhecer a função simbólica que ocupa no sistema

O fiscal psicólogo, ainda que formalmente tenha uma função operacional, representa um polo de consciência dentro do grupo. Ele é aquele que percebe o que está encoberto, os jogos de poder, os comportamentos inconscientes e os mecanismos de defesa coletivos.
Segundo Bion (1961), os grupos operam em dois níveis: o grupo de trabalho, voltado à tarefa, e o grupo de suposição básica, movido por fantasias e emoções inconscientes.

“O grupo inconscientemente cria líderes e bodes expiatórios conforme suas necessidades emocionais.” — Bion, W. R. (1961).

Ao reconhecer que foi investido, inconscientemente, como aquele que carrega a lucidez e o peso do sofrimento coletivo, o fiscal psicólogo deixa de reagir emocionalmente e começa a observar:
— O que o grupo está projetando em mim?
— Que função emocional eu cumpro aqui?


🪞 2. Compreender-se como espelho, não como salvador

O título do artigo — “Eu não sou o salvador; eu sou o espelho onde o outro pode se ver, se quiser” — reflete a mudança de consciência do fiscal psicólogo.
No início, ele acreditava que sua missão era curar o ambiente, salvar os colegas das ansiedades e angústias provocadas pela liderança autoritária e pelos clientes hostis.
Porém, à medida que compreende a dinâmica psíquica do grupo, ele percebe que essa função messiânica o aprisiona.

“Toda tentativa de salvar o outro sem que ele deseje ser salvo é, no fundo, uma forma de controle disfarçada de amor.” — Jung, C. G. (1954).

Com essa percepção, ele se retira da posição de “pai protetor” e assume o papel de observador consciente, compreendendo que cada sujeito tem o direito — e o dever — de lidar com suas próprias resistências e neuroses.


⚙️ 3. Entender o sistema como organismo vivo

Na psicologia organizacional contemporânea, a empresa é entendida como um sistema aberto, onde cada comportamento individual é uma resposta adaptativa à estrutura.
O comportamento sabotador e passivo-agressivo da colega, por exemplo, é um sintoma do sistema, não apenas um traço individual.
O fiscal psicólogo compreende que a liderança omissa, a equipe fragmentada e a resistência à mudança são expressões de uma homeostase psíquica — o sistema se mantém estável evitando o conflito aberto.

Essa compreensão o liberta da raiva e do ressentimento, pois ele entende que não é contra ele pessoalmente, mas sim uma defesa inconsciente do sistema contra a consciência.

“O inconsciente coletivo não quer ser curado; ele quer ser compreendido.” — Jung, C. G. (1960).


🌱 4. Assumir uma postura de autorresponsabilidade e elaboração

Com essa clareza, o fiscal psicólogo transforma a angústia em elaboração.
Ele percebe que essa experiência serviu para amadurecer sua própria identidade profissional e espiritual.
Ao invés de reagir, ele elabora. Ao invés de salvar, ele compreende e espera.

Sua saída não é uma fuga, mas um ato simbólico de individuação — um movimento de quem encerra um ciclo de aprendizagem e se prepara para viver plenamente sua vocação como psicólogo.

“Individuar-se é deixar de ser o que o coletivo espera e tornar-se aquilo que a alma pede.” — Jung, C. G.


🔍 Em síntese

O fiscal psicólogo se compreende dentro do sistema quando:

1.      Reconhece os papéis simbólicos que o grupo lhe atribui (bode expiatório, salvador, mediador).

2.      Aceita que não mudará o sistema sozinho, pois cada sujeito só muda quando deseja.

3.      Transforma a dor em insight, compreendendo que a função do sofrimento é gerar consciência.

4.      Escolhe sair com lucidez, não por desespero, mas porque entende que sua gestalt se completou.

5.      Integra o aprendizado como base para sua atuação futura como psicólogo — mais maduro, empático e livre da necessidade de salvar.


Título:

“A compreensão de si dentro do sistema: o despertar do fiscal psicólogo diante da liderança adormecida e do comportamento sabotador”


Resumo

O presente artigo analisa, sob o enfoque da psicologia organizacional e da psicanálise aplicada ao trabalho, a experiência de um fiscal de caixa com formação em psicologia que atua em um ambiente caracterizado por liderança omissa, conflitos interpessoais e comportamentos sabotadores passivo-agressivos. A análise evidencia como o fiscal psicólogo, inicialmente identificado com o papel de salvador dos colegas, gradualmente compreende o significado simbólico dessa experiência, elaborando o processo de individuação e o encerramento de sua gestalt profissional dentro da instituição. O estudo propõe uma reflexão sobre os mecanismos inconscientes que permeiam as relações de poder e sobre o papel do autoconhecimento como ferramenta de transformação psíquica e profissional.

Palavras-chave: Psicologia organizacional; Psicanálise; Liderança adormecida; Comportamento sabotador; Autoconhecimento; Individuação.


1. Introdução

A vida organizacional é um campo simbólico onde se expressam tanto os aspectos conscientes das relações de trabalho quanto os conteúdos inconscientes dos sujeitos. O caso do fiscal psicólogo ilustra o entrelaçamento entre o papel técnico e o papel emocional do trabalhador dentro de um sistema que, ao negar conflitos, produz sobrecarga, desmotivação e sofrimento psíquico.

Quando a liderança se mostra adormecida — ou seja, consciente das disfunções, mas paralisada pela insegurança institucional —, ela transfere o peso da responsabilidade emocional aos membros mais lúcidos e sensíveis do grupo. O fiscal psicólogo, ao perceber esse fenômeno, é convidado a sair da posição de “salvador” e compreender-se como “espelho”, isto é, como aquele que reflete a sombra coletiva, sem a pretensão de curá-la.


2. Liderança adormecida e o deslocamento da responsabilidade emocional

Segundo a psicologia organizacional, a liderança é um eixo regulador de energia, sentido e propósito dentro do grupo (Chiavenato, 2014). Quando esse eixo se fragmenta ou se torna omisso, as tensões latentes entre os membros da equipe emergem de forma difusa.

A “liderança adormecida” é aquela que, mesmo percebendo o caos, evita intervir diretamente, seja por medo de retaliações jurídicas, seja por conveniência institucional. Assim, transfere inconscientemente aos liderados o peso da gestão emocional. O fiscal psicólogo torna-se, então, o porta-voz do inconsciente grupal (Bion, 1961), carregando a angústia coletiva e buscando restabelecer simbolicamente a ordem que a chefia não sustenta.

“O grupo inconscientemente cria líderes e bodes expiatórios conforme suas necessidades emocionais.” — Bion, W. R. (1961).


3. O comportamento sabotador passivo-agressivo e o sintoma do sistema

O comportamento sabotador de uma colega fiscal, caracterizado pela resistência às tarefas, manipulação relacional e busca por alianças internas, não é apenas um problema individual, mas um sintoma sistêmico.
De acordo com Freud (1921), os grupos tendem a regredir emocionalmente, ativando impulsos infantis e defesas coletivas. A atitude passivo-agressiva serve como uma defesa contra o sentimento de impotência frente à liderança desorganizada.

O fiscal psicólogo percebe que tentar “curar” esse comportamento é inútil, pois a mudança só ocorre quando há desejo e consciência. Assim, ele compreende que o comportamento da colega expressa uma homeostase psíquica — o sistema precisa de um “corpo estranho” para manter sua identidade defensiva.

“O inconsciente coletivo não quer ser curado; ele quer ser compreendido.” — Jung, C. G. (1960).


4. A contratransferência e o despertar da consciência

Na vivência diária, o fiscal psicólogo experimenta raiva, exaustão e sensação de injustiça. Esses afetos, interpretados pela psicanálise como contratransferência, revelam os pontos onde o sujeito se identifica inconscientemente com o sofrimento do grupo.
Ao compreender isso, o fiscal deixa de reagir emocionalmente e passa a observar suas respostas internas como material de autoconhecimento. Ele percebe que seu desejo inconsciente de “salvar” os colegas era, na verdade, uma projeção de sua própria necessidade de reconhecimento e pertencimento.

“Tudo aquilo que nos irrita nos outros pode levar-nos a uma compreensão de nós mesmos.” — Jung, C. G.


5. A expulsão simbólica e a finalização da gestalt

A liderança, ao não agir e ao manter o status quo, expulsa simbolicamente o fiscal psicólogo — não por ato direto, mas por omissão. A não-intervenção funciona como um empurrão silencioso, que o conduz à conclusão de que seu ciclo se encerrou.
Ele percebe que o ambiente não é mais um espaço de crescimento, mas um campo de repetição.
Retornar a outro subemprego seria repetir o sintoma (compulsão à repetição, Freud, 1920); por isso, o verdadeiro movimento é transcender o papel de fiscal e realizar a transição para o campo da psicologia, onde poderá exercer plenamente sua função simbólica.

“O destino de toda repetição é ser superado pela consciência.” — Freud, S. (1920).


6. A compreensão de si dentro do sistema

Compreender-se dentro do sistema significa reconhecer os papéis simbólicos que o grupo lhe atribuiu — o de mediador, salvador ou bode expiatório — e perceber que esses papéis refletem partes do próprio inconsciente.
A partir dessa consciência, o fiscal psicólogo não reage mais à desordem externa, pois entende que o sistema é um espelho do seu próprio processo interno.
Ele descobre que a transformação verdadeira não está em mudar o ambiente, mas em mudar o modo de estar nele.

“Individuar-se é deixar de ser o que o coletivo espera e tornar-se aquilo que a alma pede.” — Jung, C. G.

Essa tomada de consciência representa o fechamento da gestalt: o ciclo de aprendizado se completa, e o sujeito está pronto para avançar a uma nova etapa de sua trajetória — a atuação plena como psicólogo, agora fortalecido pela experiência e pela lucidez.


7. Conclusão

O caso analisado ilustra que a compreensão de si dentro de um sistema organizacional não implica em mudá-lo, mas em perceber sua função dentro dele.
O fiscal psicólogo, ao integrar suas experiências, compreende que o ambiente de conflito serviu como espelho de sua própria individuação.
A liderança omissa, a colega sabotadora e o grupo dividido foram mestres simbólicos, que o conduziram à consciência de que o verdadeiro trabalho psicológico começa dentro de si.
Encerrar esse ciclo é um ato de maturidade e libertação — não de desistência, mas de transcendência.


Referências Bibliográficas

  • Bion, W. R. (1961). Experiências em grupos. Rio de Janeiro: Imago.
  • Chiavenato, I. (2014). Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier.
  • Freud, S. (1920). Além do princípio do prazer. In: Obras completas, vol. XVIII. Rio de Janeiro: Imago.
  • Freud, S. (1921). Psicologia das massas e análise do eu. In: Obras completas, vol. XIX. Rio de Janeiro: Imago.
  • Jung, C. G. (1954). Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes.
  • Jung, C. G. (1960). A prática da psicoterapia. Petrópolis: Vozes.
  • Morin, E. (2005). O método 5: A humanidade da humanidade. Porto Alegre: Sulina.
  • Schein, E. H. (2010). Organizational culture and leadership. San Francisco: Jossey-Bass.

6. A compreensão de si dentro do sistema (versão ampliada)

Compreender-se dentro do sistema é reconhecer que as dinâmicas externas refletem movimentos internos da psique.
O fiscal psicólogo, após anos tentando harmonizar um ambiente caótico, percebe que seu impulso de “salvar o outro” não era apenas ético ou profissional — era afetivo e infantil.
Quando criança, ele havia prometido inconscientemente “curar as pessoas”, talvez motivado por experiências de dor, desamparo ou pela observação de figuras frágeis que precisavam de cuidado. Essa promessa infantil formou o núcleo simbólico de sua identidade adulta.

No ambiente organizacional, essa promessa se reatualizou: o fiscal psicólogo buscava inconscientemente curar o sistema, pacificar os colegas e restaurar a ordem — como se o ambiente de trabalho fosse uma família adoecida, e ele o mediador emocional.
Mas, ao enfrentar a liderança adormecida e o comportamento sabotador da colega, ele confronta o limite da onipotência infantil: a descoberta de que ninguém cura quem não deseja ser curado, e que o verdadeiro processo de cura é interno, não imposto.

“Todo curador é primeiro um ferido. Mas o amadurecimento ocorre quando ele reconhece que não pode curar o outro — apenas oferecer o espelho para que o outro se veja.”
Jung, C. G., 1954.

Essa compreensão dissolve a promessa antiga.
A energia psíquica antes investida na missão de salvar o outro é agora reintegrada ao seu próprio processo de individuação.
Ele entende que não é o salvador — é o espelho.
A promessa infantil, ao se desfazer, não significa fracasso, mas libertação: o fiscal psicólogo se despede da ilusão de controle e acolhe o papel de observador consciente, que compreende sem tentar dominar.

“Quando a alma percebe que não há ninguém a ser salvo, mas apenas consciências a serem despertadas, nasce a verdadeira maturidade espiritual.”
Morin, E., 2005.

Assim, a gestalt se completa. O ciclo termina, não com desespero, mas com serenidade.
O fiscal psicólogo sai do sistema em paz — porque, ao invés de tentar curar os outros, ele curou a si mesmo, integrando a sombra do salvador e abrindo espaço para viver sua verdadeira vocação como psicólogo.


6. A compreensão de si dentro do sistema (versão final ampliada)

Compreender-se dentro do sistema é compreender o que o inconsciente está tentando ensinar através da experiência.
No caso do fiscal psicólogo, a repetição dos conflitos, a liderança omissa e a presença de colegas com comportamentos sabotadores não são apenas fatos externos — são espelhos simbólicos de um pacto antigo, feito ainda na infância.

Durante uma crise de bronquite, enquanto tomava inalação em um hospital, a criança que ele foi — frágil, com medo da morte e desejosa de alívio — fez silenciosamente uma promessa: “Se eu sarar, vou curar as pessoas.”
Essa promessa, feita num momento de vulnerabilidade e transcendência, tornou-se o núcleo simbólico de sua vocação.
Ela uniu, inconscientemente, a dor física e o desejo de transcendência, e transformou-se em compromisso inconsciente de salvação.

Décadas depois, no ambiente de trabalho, esse pacto infantil reaparece de modo disfarçado.
O fiscal psicólogo, sentindo o sofrimento dos colegas, tenta curá-los da angústia, da ansiedade e do medo — assim como quis curar a si mesmo quando era criança.
Cada cliente hostil e cada liderança autoritária reencenam, simbolicamente, a sensação de sufocamento vivida na infância.
A “crise de bronquite” torna-se uma metáfora viva do que ele sente agora: o ar emocional rarefeito de um ambiente adoecido.

Mas a consciência que amadurece percebe que a promessa feita no hospital já cumpriu seu propósito.
Ela não precisa mais reger sua vida adulta.
O fiscal psicólogo compreende que o dom que nasceu da dor não deve aprisionar — deve libertar.
Ele entende que curar não é salvar o outro, mas compreender o sentido do sofrimento.
Sua verdadeira cura não é mais fisiológica ou alheia, mas simbólica e interior.

“A ferida é o lugar por onde a luz entra em você.” — Rumi (século XIII).

“Toda vocação nasce de uma ferida; mas a maturidade chega quando reconhecemos que a ferida não precisa mais sangrar para ensinar.” — Jung, C. G. (1954).

Nesse momento, o ciclo se fecha.
A criança interior, que um dia prometeu curar o mundo para sobreviver, é agora acolhida pelo adulto que compreende.
A promessa se dissolve em gratidão: ela cumpriu sua função de conduzir o sujeito até a psicologia, mas agora pode descansar.

O fiscal psicólogo entende, então, que não é o salvador, mas o espelho onde o outro pode se ver — se quiser.
O sistema organizacional cumpriu o papel de espelho maior, devolvendo-lhe a imagem de seu próprio desejo infantil de curar e de sua necessidade de se libertar.
A compreensão de si dentro do sistema é, portanto, a cura da própria promessa.

“A individuação é o processo pelo qual o homem se torna aquilo que ele é destinado a ser.” — Jung, C. G.


Comentários

Postagens mais visitadas

Dinâmica De Poder Nas Instituições – Psicologia Organizacional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A dinâmica de poder em uma organização refere-se à distribuição e ao exercício do poder entre os membros e diferentes níveis hierárquicos dentro da empresa. O poder é uma influência que permite que um indivíduo ou grupo afete o comportamento ou as decisões dos outros. Existem diferentes teorias e abordagens para entender a dinâmica de poder em uma organização. Vou apresentar alguns dos principais através da psicologia organizacional. Teoria das bases de poder: Essa teoria, proposta por French e Raven, identifica cinco bases de poder que uma pessoa pode ter na organização. São elas: Poder coercitivo: baseia-se no medo de punição ou consequências negativas. Poder de recompensa: baseia-se na capacidade de recompensar ou oferecer incentivos. Poder legítimo: baseia-se na autoridade formal concedida pela posição hierárquica. Poder de especialista: bas...

Entre - Lugar

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. O que é o entre - lugar que as vezes nos encontramos em algumas situações. Construa um texto citando como exemplo um indivíduo que está no entre lugar através da psicologia social para ser gravado no Ainda sou podcast pelo host psicólogo Ayrton Júnior adaptado na linguagem assertiva informativa e que movimentos o sujeito realizar para demover se do entre lugar para ocupar na realidade o lugar que lhe pertence por direito Abaixo está um texto adaptado para ser lido no seu podcast "Ainda Sou" , com linguagem assertiva e informativa, fundamentado na psicologia social , explicando o conceito de entre-lugar e como o sujeito pode sair dessa posição ambígua e retomar o seu lugar legítimo na realidade: 🎙️ AINDA SOU — por Ayrton Júnior Hoje, vamos falar sobre um conceito muito presente nas experiências humanas, mas pouco nomeado: o entre-...

Desejo, Frustração e Narcisismos Nas Relações Virtuais

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um indivíduo está utilizando um aplicativo de relacionamento e se vê preso a uma dinâmica repetitiva: deseja mulheres que não o desejam e rejeita aquelas que demonstram interesse por ele. Essa experiência, embora comum, revela aspectos profundos da estrutura psíquica do sujeito, especialmente sob a ótica da psicanálise. O desejo do sujeito não está apenas direcionado às mulheres, mas àquilo que elas representam para ele. Ele projeta sobre as mulheres mais bonitas e jovens um ideal de beleza, juventude e valor social. Desejá-las é, para ele, uma forma de se aproximar do seu próprio ideal do eu — uma imagem idealizada de quem gostaria de ser. Assim, não se trata apenas de querer o outro, mas de desejar ser desejado por esse outro idealizado. Isso é o que Lacan chama de “desejo do desejo do Outro”. Ao desejar ser objeto do desejo dessas mulheres, o ...

Estagnação: Entre o Desejo e a Realidade

  Autor Fiscal psicólogo Sumário Introdução – A experiência da estagnação psíquica e o adoecimento psicossomático Capítulo 1 – A morte simbólica do objeto de desejo Capítulo 2 – A compulsão à repetição e a fixação libidinal Capítulo 3 – O princípio de realidade como resistência Capítulo 4 – O papel do ego, superego e id na estagnação Capítulo 5 – Caminhos de elaboração e micro-sublimações Epílogo – A pausa como incubação da energia libidinal Conclusão Final – Entre o cansaço e a reinvenção do desejo Referências Bibliográficas Introdução: A experiência da estagnação psíquica e o adoecimento psicossomático A estagnação psíquica é um estado de suspensão entre o desejo e o princípio de realidade. O sujeito sabe o que quer, sente o impulso da libido em direção a um novo objeto de prazer e realização, mas o contexto externo não oferece condições para que esse desejo se concretize. Surge, então, um vazio existencial em que o ego se vê esgotado e descrente. ...

O Que Cabe A Mim No Ambiente, O Qual Estou Inserido

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. O papel que você desempenha no ambiente em que está inserido é extremamente importante, pois suas ações e podem influenciar o comportamento e o bem-estar de outras pessoas e do próprio ambiente. Aplicando e exercitando as competências comportamentais, isto é, as soft skills e hard skills a fim de defrontar-se com a insegurança. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162). Em primeiro lugar, cabe a você respeitar as regras e normas do ambiente, seja ele uma escola, local de trabalho, residência, universidade, comunidade ou outro ambiente social. Isso inclui ser pontual, tratar as outras pessoas com respeito e cortesia, e seguir as normas de conduta estabelecidas para aquele ambiente. Al...

Escorpião Dentro De Casa

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do Leitor para um excelente tópico. Um sujeito vai orar a Deus e quando se levanta observa um escorpião próximo ao tênis. Então mata escorpião. Na psicanálise, os sonhos, comportamentos e eventos simbólicos podem refletir conteúdos do inconsciente, como desejos reprimidos, conflitos internos ou mecanismos de defesa. O escorpião, nesse caso, pode ser interpretado como um símbolo de algo perigoso, oculto ou reprimido que surgiu à consciência. Vamos analisar o cenário como se você fosse iniciante: A oração a Deus : Representa uma busca por conexão espiritual, proteção ou orientação. Essa atitude pode ser vista como um movimento do ego em busca de equilíbrio e suporte diante de conflitos internos. O escorpião próximo ao tênis : O escorpião, em um contexto simbólico, pode representar algo no inconsciente que o sujeito considera ameaçador, como um medo, um desejo reprimido ou uma culpa...

A Desordem Da Qual Você Se Queixa

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo tem a intenção de encaminhar o leitor a regressar a atenção seletiva a fim de desvelar qual é a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa. O termo desordem remete a falta de ordem, desarrumação, desalinho e confusão em relação a nossa percepção e compreensão. Uma manifestação na qual os indivíduos que são considerados a massa corroboram para desaparecer a ordem social das atitudes harmoniosas e perfazem com comportamentos desordeiros, na percepção de quem está fora da manifestação é percebido como uma desordem comportamental por parte dos integrantes. Exemplos de desordem da qual vosmecê se queixa, desemprego; políticos corruptos; precariedade nos hospitais; salário baixo; ausência de moradia; escassez de clientes providos de moeda; preço alto do combustível; preço alto dos alimentos em supermercados; transporte coletivo precário e o que o senhor pensar enquanto lê o texto, pois a li...

Interferência na Coordenação Operacional, Comunicação Passivo-Agressiva e Disputas Simbólicas de Poder: Uma Análise à Luz da Psicologia Organizacional

  Resumo O presente artigo discute um episódio ocorrido em um setor de frente de caixa, no qual dois fiscais compartilham atribuições relacionadas à elaboração de escalas de almoço para operadoras de caixa. O caso descreve a elaboração de uma programação funcional por um fiscal do sexo masculino, a concordância verbal inicial de uma fiscal do sexo feminino, seguida de alterações posteriores na escala sem justificativa operacional aparente. O episódio gerou questionamentos por parte das operadoras, desconforto interpessoal e indícios de tensão entre os responsáveis pela coordenação do trabalho. A análise fundamenta-se em conceitos da psicologia organizacional, tais como conflito interpessoal, territorialidade psicológica, comunicação passivo-agressiva, ambiguidade de papéis, poder simbólico e cidadania organizacional. Palavras-chave: Psicologia Organizacional; Conflito Interpessoal; Comunicação Passivo-Agressiva; Territorialidade Psicológica; Liderança Operacional. 1. Introdu...

O Sonho do Dinheiro Guardado e do Cachorro que Salta ao Rosto: Uma Interpretação Psicanalítica do Sofrimento Psíquico Relacionado ao Trabalho

  Introdução Os sonhos constituem uma das principais vias de acesso aos conteúdos inconscientes, sendo compreendidos pela psicanálise como manifestações simbólicas de conflitos, desejos, medos e afetos que nem sempre encontram expressão direta na vida consciente. Para Sigmund Freud, o sonho representa uma formação do inconsciente, cuja linguagem é simbólica e necessita ser interpretada à luz da história singular do sonhador, de suas associações e do contexto emocional em que está inserido (Freud, 1900/2019). No contexto da psicologia do trabalho, experiências prolongadas de tensão, conflitos interpessoais, sobrecarga emocional e sentimento de aprisionamento podem repercutir profundamente sobre a saúde mental. Esses fatores frequentemente ultrapassam os limites do ambiente organizacional e passam a interferir na autoestima, na identidade profissional, na motivação, na qualidade do sono, na prática de atividade física, na espiritualidade e nas perspectivas de futuro (Dejours, 199...

Chocolate Esquecido No Armário

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico o ato falho. O operador de caixa ganhou uma barra de chocolate e guardou no seu armário. Ao final do expediente abriu o armário e depositou o chocolate em cima do armário, pegou seus pertences trancou o armário e esqueceu o chocolate. Segundo a psicanálise, o ato falho de esquecer o chocolate pode ser analisado a partir de dois níveis: consciente e inconsciente. No nível consciente, o operador de caixa pode ter um motivo aparente, como estar distraído ou cansado após o expediente. Ele pode ter simplesmente esquecido do chocolate por conta desses fatores externos. No entanto, a abordagem psicanalítica também exploraria o nível inconsciente do ato falho. Aqui, os motivos se relacionariam com desejos, ansiedades ou conflitos ocultos. Pode ser que o operador tenha sentimentos contraditórios em relação ao chocolate ou à recompensa que ele representa. T...