Pular para o conteúdo principal

Desamparo ou abandono, qual a diferença?


Junho/2020.Escrito por Ayrton Junior - Psicólogo CRP 06/147208
O presente artigo convida o leitor(a) a repensar sobre a sensação de desamparo e a sensação de abandono, pois as veze confundimos o momento de desamparo com a sensação de abandono. Sendo assim, o sinal de angústia desvela a situação de desamparo na qual a perda do lugar de amado mergulha o sujeito. Em alguns casos, são homens, que exibem com lágrimas o desespero ante ao desemprego, a separação. A dor, quando intensa e duradoura, tem como efeito uma extrema desorganização da economia psíquica. [...] Em O Futuro de uma Ilusão, por exemplo, Freud (1927/1976) trabalha a concepção do desamparo em relação à perspectiva da falta de garantias do ser humano e da criação de deuses para compensá-la, refletindo sobre a origem e a função da religião e da cultura: “o desamparo do homem permanece e, junto com ele, seu anseio pelo pai e pelos deuses”, dos quais se espera a missão de “exorcizar os terrores da natureza, reconciliar os homens com a crueldade do Destino, particularmente a que é demonstrada na morte, e compensá-los pelos sofrimentos e privações que uma vida civilizada em comum lhes impôs.
O desamparo, por sua vez, indica em sua essência vivida o sentimento de abandono, que é experimentado na descoberta do eu do indivíduo com o mundo. O homem cresce e percebe que seu destino é permanecer uma eterna criança, que sempre precisará da proteção de poderes superiores. Conforme a figura de um pai, o homem [...] cria para si os seus deuses a quem teme, a quem procura propiciar e a quem, não obstante, confia sua própria proteção (Freud, 1927-1931/1996, p.33).
Podemos dizer que no momento de desamparo o homem busca Deus e não Deus busca o homem para se defender do desamparo infantil no adulto, estabelecendo a religião como forma de proteção dos seus próprios instintos e ameaças externas, exemplo, desemprego, roubos, sequestro, assaltos, catástrofes naturais. Caracterizo o desamparo, como um despreparo do organismo humano para lidar com certos estímulos do meio como os que acabei de cita acima. [...] O mal de tudo isso é que buscam as agitações da vida como se a posse das coisas que buscam devesse torná-los verdadeiramente felizes. O problema é que não os tornam, nunca estão satisfeitos com nada. A grande consequência disso é que abandonam seu projeto essencial. As preocupações da vida constantemente os distraem e o perturbam. “O ser-humano, em sua vida cotidiana, seria promiscuamente público e reduziria sua vida a vida com os outros e para os outros, alienando-se totalmente da principal tarefa que seria o tornar-se si mesmo” (CHAUÍ, 1996 p.8).
Uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo. A ansiedade é a reação original ao desamparo no trauma, sendo reproduzida depois da situação de perigo como sinal em busca de ajuda. O ego, que experimentou o trauma passivamente, agora o repete ativamente, em versão enfraquecida, na esperança de ser ele próprio capaz de dirigir seu curso. Os perigos internos sofrem modificações de acordo com o período de vida, contudo possuem uma característica comum, a saber, envolvem a separação ou perda de um objeto amado, ou a perda de um amor.
Essa perda ou separação poderá conduzir, de várias maneiras, a um acúmulo de desejos insatisfeitos e, assim, levar a uma situação de desamparo. As religiões asseguram que o sujeito não ficará desamparado, que terá alguém que não a abandonou e que poderá se sentir protegido e amparado. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.
Salmos 27:10 - Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me recolherá. Significa que a experiência de desamparo, ou melhor a falta de amparo materno/paterno pode ser recoberta pelas experiências religiosas. O desamparo é um estado inicial do sujeito, correlativo à dependência da mãe para a sobrevivência, que pode ser disparado novamente por situações extremas, tais como as vividas num campo de concentração, numa catástrofe natural, num terremoto, furacão, divórcio, doença terminal, desemprego e o que você conseguir listar enquanto lê o artigo.


Portanto, exagerado de uma dura verdade do que ocorre a um sujeito destituído de tudo que até então lhe era familiar e lhe proporcionava a ilusória sensação de proteção [emprego, moradia, finanças, relacionamento]; agora se vendo cruelmente diante de seu desamparo e tendo que recorrer a dar uma explicação absurda para proteger a si e ao outro, ambos objetos amados. [...] O desamparo é o estado em que se encontra o ser humano diante da possibilidade, sempre presente, de entrar em sofrimento. Para ele “o sofrimento nos ameaça a partir de três direções: de nosso próprio corpo, condenado à decadência e dissolução (...), do mundo externo, que pode voltar-se contra nós com forças de destruição esmagadoras e impiedosas; e finalmente, de nossos relacionamentos com os outros homens (FREUD, 1929 p.95)”.
O aumento de sintomas relacionados à depressão, drogadição e violência demonstra o desamparo vivenciado pela civilização e que o sujeito vem se constituindo como pode. Não há vítimas ou culpados. Parece que o desenraizamento, leva a constituição de Egos flutuantes, ou seja, sujeitos à mudanças de acordo com os grupos de pertença [igreja, instituições, empresas, redes sociais], e à deriva do desamparo advindo de vínculos afetivos cada vez mais descartáveis. O tempo é ceifado do passado e do futuro, separado da história e da memória, e o fluxo do tempo torna-se um presente contínuo onde a ordem é flutuar. O tempo já não estrutura mais o espaço. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram satisfação, mesmo para impulsos instintuais que foram reprimidos.
O desamparo decorre de uma situação de perigo inevitável vivida pelo ser humano devido à sua imaturidade neonatal; é uma experiência primordial da condição do vivente. É também considerado como protótipo da situação traumática geradora de angústia. Desamparo pode ser traduzido como incapacidade de se sair bem de uma situação difícil [desemprego, divórcio, doença terminal, crise financeira e outros]; abandono; impotência e estado de desamparo, aquele que está sem ajuda, desarmado causando medo no indivíduo. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162)
Por tanto o desamparo para Freud decorria de um dado essencialmente objetivo: a impotência do recém-nascido humano, incapaz de empreender uma ação coordenada e eficaz. Esse termo expressa um estado próximo ao desespero e resultante do trauma fundante. O trauma está diretamente ligado ao estado de impotência e de desamparo do sujeito. Assim, pode-se afirmar que o sujeito exposto a um excesso de excitação vivencia uma situação de desamparo. [...] O homem é projeto. A necessidade de viver é uma necessidade de preencher esse vazio, de projetar-se no futuro. É o anseio de ser o que não somos, é o anseio de continuar sendo. O homem só pode transcender se for capaz de projetar-se. Assim, ele sempre busca um sentido para sua vida. “A angústia contém na sua unidade emocional, sentimental, essas duas notas ontológicas características; de um lado, a afirmação do anseio de ser, e de outro lado, a radical temeridade diante do nada. O nada amedronta ao homem; e então a angústia de poder não ser o atenaza, e sobre ela se levanta a preocupação, e sobre a preocupação a ação para ser, para continuar sendo, para existir (MORENTE, 1980, p.316)
Neste caso desamparo é a condição geral no funcionamento psíquico de qualquer pessoa e, dessa maneira, refere-se ao sentimento de ausência de ajuda [de Deus, do homem, de parentes, de amigos], como possibilidade efetiva da vida psíquica [sentir que não tem com quem contar]. O que Freud demonstrou é que essa condição de desamparo pode se concretizar em uma situação traumática, que é, essencialmente, uma vivência de desamparo do eu frente a uma acumulação de excitação, seja de origem externa como interna, com a qual não é capaz de lidar. [...] “A angústia é, dentre todos os sentimentos e modos da existência humana, aquele que pode reconduzir o homem ao encontro de sua totalidade como ser e juntar os pedaços a que é reduzido pela imersão na monotonia e na indiferenciação da vida cotidiana. A angústia faria o homem elevar-se da traição cometida contra si mesmo, quando se deixa dominar pelas mesquinharias do dia-a-dia, até o autoconhecimento em sua dimensão mais profunda” (CHAUÍ, 1996 p.8-9).
O perigo do mundo externo passa a ter mais importância e o valor do objeto [ a falta de dinheiro, de emprego, de sexo, de moradia, de segurança nas ruas] aumenta em vista da impossibilidade do infante em satisfazer suas próprias necessidades. Valendo-se da situação de perigo que a esse pequeno ser é estabelecido desde muito cedo, é estabelecida a necessidade de cuidado que seguirá a esta criança o resto de sua vida. [...] O ser humano é esse nada, livre para ser alguma coisa. “Suspendendo-se dentro do nada o ser aí sempre está além do ente em sua totalidade. Este estar além do ente designamos a transcendência. Se o ser-aí, nas raízes de sua essência, não exercesse o ato de transcender, e isto expressamos agora dizendo: se o ser-aí não estivesse suspenso previamente dentro do nada, ele jamais poderia entrar em relação com o ente e, portanto, também não consigo mesmo. Sem a originária revelação do nada não há ser-si-mesmo, nem liberdade. (HEIDEGGER, 1996, p. 41).
A estratégia da vida pós-moderna é evitar que a identidade se fixe, a incerteza passa a ser permanente e irredutível. A segurança também se desintegrou ou está consideravelmente enfraquecida. O desamparo designa um estado ou situação do lactante que, dependendo inteiramente de Outro [instituições, empresas, mercado de trabalho, emprego, dinheiro, parentes, amigos, arquétipo Deus] para a satisfação de suas necessidades, se revela impotente para realizar a ação específica adequada para pôr fim à tensão interna originada pela falta de alguma necessidade não suprida, exemplo, emprego, sexo, lazer, conforto e o que você conseguir imaginar agora.
Então o indivíduo volta a compulsão repetição de eventualidades geradoras de desprazer apenas pôr causa do dinheiro se sujeitando ao mínimo através do masoquismo para sair desesperadamente da condição de desprazer imediato gerado pelo desamparo. A pessoa sem dinheiro se apercebe na mendicância tendo que pedir para ter as necessidades realizadas. O indivíduo ao passar por vários processos seletivos com feedback negativo, se apercebe sendo desamparado pelas instituições as quais participou de processos.
Alguns candidatos reproduzem pensamento, sentimentos e comportamentos inconscientemente na alienação de que o desfecho alguma vez será diferente e não percebem que estão alienados a síndrome da falsa esperança em conseguir o emprego naquela organização a qual já o rejeitou e permanecem na insistência. Ainda não se deu conta, acordou, teve insight de que as instituições não o querem, mas sim o abandonara. Então é hora de acordar e refletir sobre o desamparo e o abandono.
O abandono é uma das queixas de pacientes procurarem por psicoterapia. Em boa parte dos casos, essa procura por ajuda deve-se à auto fobia, isto é, um medo absurdo que a pessoa tem de que será deixada. Por conta da dependência emocional que uma pessoa nutre em outra, cria-se um vínculo quase que vital ao dependente. Mesmo que não veja, isso é bastante prejudicial a si mesmo. A fobia é frequentemente encontrada em indivíduos que apresentam transtorno de personalidade. Em suas mentes, seu mundo entrará em colapso porque a qualquer momento seus entes queridos o abandonarão.
Existe uma tensão que o acompanha diariamente e afeta a sua saúde mental, emocional e física. Já as mudanças [demissão, trocar de instituições financeiras, divórcio, moradias, país], também independente da sua forma, contribui para que esse medo aconteça. Seja emocional física, desemprego, catástrofe natural, terremotos, financeira ou até de endereço, um indivíduo sente que algo o deixou e também isso inclui a morte de um dos pais, onde a pessoa culpa inconscientemente o falecido pelo evento.
Agora a ansiedade, embora esse tópico seja mais complexo, podemos reduzir o medo de ser abandonado a um quadro de ansiedade. Independente da sua forma, essa aparece como a causa e também consequência do problema. Tensão. Existe um apelo o que vai vir a seguir e sozinho isso inclui o medo de ficar. E a raiva, onde cria-se uma relação de amor e ódio pela outra pessoa. Embora uma pessoa a ame, mas a deixou em dado momento da vida. Há uma culpa mínima também odiá-la passa por causa do medo de ser nisso, embora a necessidade de ter alguém perto prevalece sobre isso.
Alguns sujeitos tem o quadro emocional pouco desenvolvido, ou seja, muitos adultos se apavoram com a possibilidade de serem demitidos pelas empresas, quando o mercado de trabalho está instável ocorrendo várias demissões. O emprego e o dinheiro completam um circulo vicioso da compulsão a repetição ao qual o indivíduo não percebe. Embora o emprego o complete, o dinheiro também faz parte. Ou seja, quando perder o emprego, se vão também o conforto emocional e a ajuda financeira também se vão.



Referência Bibliográfica
CHAUÍ, MARILENA. HEIDEGGER, vida e obra. In: Prefácio. Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1996.
FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.
FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII
FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal
Popular, 1968
FREUD, S. (1927). O futuro de uma ilusão. In: _____. Obras completas. v. 21. Rio de
Janeiro: Imago, 1976
FREUD, S.(1929). O mal-estar na civilização. In: Edição standard brasileira das
obras psicológicas completas de Sigmund Freud, vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago,
1990.
HEIDEGGER, M. Que é Metafísica? Os pensadores. São Paulo: Nova Cultura, 1996
MORENTE, MANUEL G. Fundamentos da filosofia: lições preliminares. 8 edição. São Paulo: Mestre Jou, 1980.

Comentários

Postagens mais visitadas

O Que Cabe A Mim No Ambiente, O Qual Estou Inserido

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. O papel que você desempenha no ambiente em que está inserido é extremamente importante, pois suas ações e podem influenciar o comportamento e o bem-estar de outras pessoas e do próprio ambiente. Aplicando e exercitando as competências comportamentais, isto é, as soft skills e hard skills a fim de defrontar-se com a insegurança. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162). Em primeiro lugar, cabe a você respeitar as regras e normas do ambiente, seja ele uma escola, local de trabalho, residência, universidade, comunidade ou outro ambiente social. Isso inclui ser pontual, tratar as outras pessoas com respeito e cortesia, e seguir as normas de conduta estabelecidas para aquele ambiente. Al...

A Fila como Sintoma Organizacional: Defesa Institucional, Ruptura do Contrato Psicológico e Falha na Proposta de Valor ao Empregado

  Resumo Este artigo analisa, à luz da Psicologia Organizacional e da Psicodinâmica do Trabalho, uma cena cotidiana: um cliente questiona a escassez de operadores de caixa; a fiscal responde que “as pessoas não querem trabalhar”. Argumenta-se que a fila constitui um sintoma organizacional, cuja etiologia reside menos na “falta de vontade” individual e mais na ruptura do contrato psicológico, na fragilidade da proposta de valor ao empregado (EVP) e em mecanismos defensivos institucionais. A análise integra aportes de Denise Rousseau, Christophe Dejours, Edgar Schein, Frederick Herzberg e John W. Meyer & Brian Rowan, articulando níveis manifesto e latente do discurso organizacional. 1. Introdução: do evento banal ao fenômeno estrutural A cena é simples: fila extensa; poucos caixas abertos; cliente insatisfeito; resposta defensiva da fiscal. Contudo, como em toda formação sintomática, o que aparece (escassez operacional) remete a determinantes estruturais (políticas de...

O luto da forma antiga de existir profissionalmente

  Psicanálise, desejo, função e travessia subjetiva entre sobrevivência e inscrição institucional Introdução Na experiência contemporânea do trabalho, não é raro que o sujeito se encontre dividido entre a sobrevivência material e o desejo de uma função simbólica que dê consistência à sua existência. A psicanálise permite compreender que o sofrimento ligado ao trabalho não se reduz à precariedade econômica, mas toca diretamente a questão do lugar subjetivo: aquilo que nomeia o sujeito no laço social. O caso aqui articulado é o de um sujeito que exerce há anos a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas cujo desejo se orienta para uma inscrição como psicólogo institucional. Entretanto, esse lugar desejado não se encontra acessível no presente, e a clínica exercida nas folgas surge como um resto marginal e sacrificial. O sonho relatado — uma mensagem sobre como atravessar o luto, sem nomear o objeto perdido — aparece como forma privilegiada de expressão do inconsci...

Recrutamento & Seleção Teste Avaliação Perfil Profissional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. Existem diversas ferramentas e testes psicológicos que podem ser utilizados para avaliar o perfil de um operador de caixa de supermercado. Algumas das possibilidades exemplo, Inventário de Personalidade NEO-FFI: este teste avalia cinco grandes dimensões da personalidade [neuroticismo, extroversão, abertura, amabilidade e conscienciosidade] e pode ser útil para verificar quais traços são mais comuns em candidatos a operadores de caixa. Teste Palográfico: este teste avalia a personalidade a partir da interpretação de desenhos feitos pelo candidato. Ele pode ajudar a entender aspectos como dinamismo, estabilidade emocional, concentração e outros traços relevantes para a função. Teste H.T.P – [CASA, ÁRVORE, PESSOA] Buck (2003), define o H.T.P, como um teste projetivo que serve para obter informações de como uma pessoa experiência a sua individualidade em rel...

Adaptação De Emprego A Psicólogo

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Como um psicólogo na faixa etária adapta sua candidatura a emprego no mercado de trabalho para atuar em instituições na atuação de psicólogo da saúde. Como psicólogo na faixa etária adaptar sua candidatura a empregos no mercado de trabalho para atuar em instituições na área da psicologia da saúde requer a compreensão de diferentes abordagens teóricas e práticas. Vou explicar a seguir como você poderia adaptar sua candidatura, primeiro pela abordagem da psicologia social e depois pela abordagem da psicanálise. Abordagem da Psicologia Social: Na abordagem da psicologia social, é importante destacar a sua compreensão dos aspectos sociais e culturais que influenciam a saúde mental das pessoas. Aqui estão algumas dicas para adaptar sua candidatura: a) Educação e experiência: Destaque a sua formação acadêmica em psicologia social, enfatizando os curs...

O Que Representa O Esquecimento Do Guarda-Chuva Na Vida Do Fiscal De Caixa

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. O fiscal de caixa foi trabalhar e estava chovendo então abriu o guarda-chuvas para não se molhar e no trabalho deixou dentro de um saco plástico nó armário junto da mochila. E terminando a jornada pegou o guarda-chuvas e colocou na mochila com a intenção dê chegar em casa e abrir o guarda-chuvas para secar, mas esqueceu o guarda-chuvas molhado dentro do saco plástico na mochila e agora de manhã para sair para trabalhar ao abrir a mochila viu ó guarda-chuvas. Na psicanálise, um ato falho é uma ação ou comportamento que parece ser um erro, mas que, na verdade, revela algo oculto no inconsciente da pessoa. Vamos interpretar a situação com base nessa ideia: O contexto: O fiscal de caixa colocou o guarda-chuva molhado dentro do saco plástico para evitar molhar os outros itens na mochila, mostrando uma atitude cuidadosa e prática. Contudo, ao chegar em...

Não Dá Mais: uma leitura psicanalítica da permanência no sofrimento

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a permanência de um sujeito em um contexto laboral exaustivo e insustentável. A partir das contribuições de Freud, Winnicott e Lacan, discute-se como a compulsão à repetição, a ორგანიზ ação do falso self e a dimensão do gozo sustentam a manutenção do sofrimento, mesmo diante da consciência de seus efeitos devastadores. 1. Introdução A frase “não dá mais” marca um ponto de ruptura. No entanto, paradoxalmente, nem sempre ela conduz à saída. Em muitos casos, o sujeito permanece exatamente onde já reconheceu ser insuportável. O caso do fiscal psicólogo ilustra essa condição: jornadas extensas, sobrecarga física, privação de sono e ausência de perspectiva de mudança. Ainda assim, há permanência. A psicanálise permite compreender que essa permanência não é simplesmente racional — ela é estruturada. 2. A compulsão à repetição Segundo Sigmund Freud (1920/2010), o sujeito é levado a repetir experiências que não fo...

Modelo integrado do bloqueio da trajetória profissional

  Da sobrevivência ao desgaste do ideal vocacional Podemos organizar tudo o que discutimos em um encadeamento progressivo de processos psíquicos e institucionais . Em vez de eventos isolados, trata-se de um ciclo estruturado que se instala ao longo do tempo. Esse modelo ajuda a entender que o sofrimento atual não surge de um único fator, mas de uma sequência de efeitos acumulativos . 1. Formação e construção do ideal profissional Durante a graduação, o sujeito constrói: identidade profissional ideal vocacional narrativa de futuro A profissão passa a representar: sentido de vida pertencimento social valor pessoal Nesse momento, o investimento psíquico na profissão é alto. 2. Entrada no trabalho de sobrevivência Por necessidade econômica, o sujeito assume um trabalho que não corresponde ao projeto profissional. Inicialmente ele interpreta isso como algo: provisório estratégico temporário A ideia dominante costuma ser: “Enq...

Quando o Campo Fora do Mapa Escolhe: o Espelhamento Estrutural para o Psicólogo

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, um episódio aparentemente simples do mundo do trabalho — a contratação por uma instituição fora do circuito conhecido — como operador de um espelhamento estrutural para o psicólogo em transição profissional. Sustenta-se que o sofrimento repetido não decorre de incapacidade subjetiva, mas da insistência em acessar apenas campos simbólicos já nomeados e reconhecidos. O texto discute como a ruptura com o “campo conhecido” desvela limites da percepção, desmonta a compulsão à repetição e possibilita uma leitura mais lúcida da relação entre sujeito, saber e instituição, sem produzir novas ilusões. 1. Introdução: quando o fracasso não é pessoal Na experiência do trabalho e da inserção institucional, muitos sujeitos interpretam a ausência de reconhecimento como falha individual. A repetição de recusas tende a ser vivida como prova de inadequação ou insuficiência. Contudo, do ponto de vista psicanalítico, é preciso interrogar n...

Facilite O Reconhecimento Das Projeções

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um psicólogo trabalha num supermercado na ocupação de operador de caixa e observa que os colaboradores têm comportamentos de bullying. O psicólogo pensa em fazer uma intervenção no comportamento dos colaboradores, mas não faz nada porquê os colaboradores não sabem que além de operador de caixa ele tem formação em psicologia. E talvez se der a conhecer para os colaboradores que é psicólogo corre o risco de não ser levado a sério no momento de propor as intervenções. A psicanálise sugere que os comportamentos têm raízes inconscientes e que a compreensão dessas dinâmicas pode levar a mudanças significativas. No entanto, a abordagem psicanalítica também valoriza a importância da transferência e da relação terapêutica, o que pode complicar a situação do operador de caixa que é psicólogo oculto. Dado que os colaboradores do supermercado não estão cientes da f...