Resumo Este artigo analisa, à luz da psicologia social e da psicanálise, o processo de “reinscrição subjetiva” cotidiana de um psicólogo que atua como fiscal de caixa em um supermercado. Discute-se como o sujeito, mesmo emocionalmente desligado, permanece capturado pelo campo do outro — entendido como o espaço simbólico das expectativas sociais, institucionais e dos clientes — reproduzindo um papel que já não sustenta sua identidade profissional. A partir de autores clássicos, investiga-se o esgotamento psíquico, a alienação e a dificuldade de ruptura desse ciclo. 1. Introdução: o trabalho como campo de inscrição subjetiva O ambiente de trabalho não é apenas um espaço de produção econômica, mas um campo de produção de subjetividade. Para Christophe Dejours (1992), o trabalho envolve investimento afetivo e mobilização psíquica constante. No caso em análise, o sujeito não apenas executa tarefas operacionais, mas precisa “se reinscrever” diariamente como alguém emocional...
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