Pular para o conteúdo principal

Obrigado Como Imagem De Educado

 Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. O fiscal observa que frequentemente tem que falar obrigado ao cliente quando anda dentro da loja se desviando dos carrinhos dos clientes ou quando o cliente está mal posicionado no caixa. Mesmo observando que o comportamento do cliente é inadequado aínda é obrigado a falar obrigado para não ser visto como mal educado.

vamos entender isso pela psicologia social de forma simples, como se você estivesse começando agora a estudar essa área da psicologia.


O que está acontecendo?

Você, como fiscal, percebe que os clientes se comportam de maneira inadequada:

  • Deixam carrinhos no meio do caminho,
  • Ficam mal posicionados no caixa, atrapalhando o fluxo.

Mas mesmo assim, você sente que precisa dizer "obrigado" para não parecer mal-educado. Isso te incomoda, porque sente que está reconhecendo algo que não merece reconhecimento.


Como a Psicologia Social explica isso?

Vamos usar três conceitos importantes:


🧠 1. Normas sociais

Na sociedade, existem regras não escritas sobre como devemos agir.
Por exemplo: dizer "obrigado", "com licença", "bom dia"...

Mesmo que o outro esteja errado, a norma social manda que você seja educado.
Se você não diz "obrigado", pode ser visto como grosseiro, mesmo que o cliente tenha atrapalhado.

👉 Isso mostra como as normas sociais moldam o nosso comportamento, mesmo contra nossa vontade.


👥 2. Pressão social e imagem pública

Você está em um papel social (fiscal de loja). Nesse papel, espera-se que você:

  • Seja educado,
  • Mantenha a calma,
  • Mostre respeito, mesmo quando o cliente está errado.

Você sente que precisa manter essa "máscara" para preservar sua imagem profissional.
Isso se chama pressão social: o medo de ser julgado ou mal interpretado pelos outros (clientes, colegas ou chefia).

👉 A psicologia social chama isso de gestão da impressão: você age de certa forma para ser bem visto.


🧍‍♂️ 3. Conflito entre o eu pessoal e o eu social

Você sabe que o comportamento do cliente está errado.
Seu eu pessoal gostaria de dizer algo direto, como:

“Por favor, cuidado com o carrinho” ou “Você está atrapalhando o fluxo”.

Mas seu eu social (o que está no papel de fiscal) pensa:

“Melhor eu dizer obrigado, senão vão achar que fui grosseiro”.

Esse conflito gera incômodo e desgaste emocional, porque você sente que está sendo falso ou forçado a aceitar algo injusto.

👉 A psicologia social mostra que muitas vezes as pessoas reprimem o que pensam ou sentem para se adaptar ao grupo ou ao papel social.


Conclusão simplificada

Você está vivendo uma situação em que as regras sociais te obrigam a agir com educação, mesmo quando os outros agem mal.
Isso é um efeito da pressão social, das normas culturais de cordialidade e da necessidade de manter a imagem profissional.

A psicologia social ajuda a entender que isso acontece com quase todo mundo:
as pessoas, muitas vezes, agem contra o que gostariam para manter a harmonia social e não serem julgadas.

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas

Não Dá Mais: uma leitura psicanalítica da permanência no sofrimento

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a permanência de um sujeito em um contexto laboral exaustivo e insustentável. A partir das contribuições de Freud, Winnicott e Lacan, discute-se como a compulsão à repetição, a ორგანიზ ação do falso self e a dimensão do gozo sustentam a manutenção do sofrimento, mesmo diante da consciência de seus efeitos devastadores. 1. Introdução A frase “não dá mais” marca um ponto de ruptura. No entanto, paradoxalmente, nem sempre ela conduz à saída. Em muitos casos, o sujeito permanece exatamente onde já reconheceu ser insuportável. O caso do fiscal psicólogo ilustra essa condição: jornadas extensas, sobrecarga física, privação de sono e ausência de perspectiva de mudança. Ainda assim, há permanência. A psicanálise permite compreender que essa permanência não é simplesmente racional — ela é estruturada. 2. A compulsão à repetição Segundo Sigmund Freud (1920/2010), o sujeito é levado a repetir experiências que não fo...

A Reinscrição Compulsiva no Trabalho de Supermercado e a Possibilidade de Ruptura: uma análise psicossocial, psicanalítica e crítica do cotidiano laboral

  Resumo O presente artigo analisa o fenômeno da reinscrição compulsiva no trabalho cotidiano, tomando como referência o contexto de um psicólogo inserido na função de fiscal de caixa em supermercado. A investigação articula conceitos da psicanálise, psicologia social e teorias críticas do trabalho contemporâneo, destacando a compulsão à repetição, a alienação no campo do Outro e a internalização da lógica neoliberal. Parte-se da hipótese de que a permanência no trabalho, mesmo sob sofrimento psíquico, é sustentada por mecanismos subjetivos e estruturais que capturam o sujeito em um ciclo de reinscrição diária. Conclui-se que a ruptura desse ciclo não se reduz a uma decisão individual, mas exige uma reorganização subjetiva e condições materiais que permitam a emergência do desejo. Palavras-chave: compulsão à repetição; trabalho; subjetividade; neoliberalismo; sofrimento psíquico. 1. Introdução O cotidiano laboral contemporâneo, especialmente em contextos operacionais...

Facilite O Reconhecimento Das Projeções

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um psicólogo trabalha num supermercado na ocupação de operador de caixa e observa que os colaboradores têm comportamentos de bullying. O psicólogo pensa em fazer uma intervenção no comportamento dos colaboradores, mas não faz nada porquê os colaboradores não sabem que além de operador de caixa ele tem formação em psicologia. E talvez se der a conhecer para os colaboradores que é psicólogo corre o risco de não ser levado a sério no momento de propor as intervenções. A psicanálise sugere que os comportamentos têm raízes inconscientes e que a compreensão dessas dinâmicas pode levar a mudanças significativas. No entanto, a abordagem psicanalítica também valoriza a importância da transferência e da relação terapêutica, o que pode complicar a situação do operador de caixa que é psicólogo oculto. Dado que os colaboradores do supermercado não estão cientes da f...

O Psicólogo que se inscreve todos os dias no ambiente de supermercado: uma análise psicossocial e psicanalítica da alienação no trabalho contemporâneo

  Resumo O presente artigo investiga o fenômeno da reinscrição subjetiva cotidiana no ambiente de trabalho, a partir do caso de um psicólogo que atua como fiscal de caixa em um supermercado. Analisa-se, sob a ótica da psicologia social e da psicanálise, o conflito entre identidade profissional e função exercida, destacando os processos de alienação, formação de falso self e captura no campo do Outro. A pesquisa, de natureza teórica, fundamenta-se em autores como Christophe Dejours, Jacques Lacan, Donald Winnicott e Erving Goffman. Conclui-se que a permanência no trabalho, mesmo após o desligamento emocional, está associada à necessidade de reconhecimento simbólico e sobrevivência material, configurando um estado de sofrimento psíquico silencioso. Palavras-chave: subjetividade; trabalho; alienação; falso self; psicologia social. 1. Introdução O trabalho, na contemporaneidade, ultrapassa sua função econômica, constituindo-se como um dos principais organizadores da iden...

O PSICÓLOGO QUE SE INSCREVE TODOS OS DIAS NO AMBIENTE DE SUPERMERCADO: PRECARIZAÇÃO, NEOLIBERALISMO E SOFRIMENTO PSÍQUICO NO TRABALHO CONTEMPORÂNEO

  Resumo Este artigo analisa o fenômeno da reinscrição subjetiva cotidiana no trabalho, a partir de um caso-tipo de um psicólogo inserido em função operacional no varejo. O estudo articula psicologia social, psicanálise e teorias contemporâneas sobre neoliberalismo com dados empíricos do contexto brasileiro. Parte-se da hipótese de que a permanência em contextos de sofrimento psíquico não se reduz à dimensão individual, sendo sustentada por precarização estrutural e pela internalização da lógica de desempenho. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza teórica, baseada em revisão bibliográfica e análise interpretativa. O referencial inclui Christophe Dejours, Jacques Lacan, Byung-Chul Han e Pierre Dardot. Conclui-se que a reinscrição cotidiana no trabalho é efeito de uma racionalidade que transforma o sujeito em gestor de si, intensificando o sofrimento psíquico. Palavras-chave: trabalho; subjetividade; burnout; neoliberalismo; precarização. Abstract This artic...

Entre - Lugar

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. O que é o entre - lugar que as vezes nos encontramos em algumas situações. Construa um texto citando como exemplo um indivíduo que está no entre lugar através da psicologia social para ser gravado no Ainda sou podcast pelo host psicólogo Ayrton Júnior adaptado na linguagem assertiva informativa e que movimentos o sujeito realizar para demover se do entre lugar para ocupar na realidade o lugar que lhe pertence por direito Abaixo está um texto adaptado para ser lido no seu podcast "Ainda Sou" , com linguagem assertiva e informativa, fundamentado na psicologia social , explicando o conceito de entre-lugar e como o sujeito pode sair dessa posição ambígua e retomar o seu lugar legítimo na realidade: 🎙️ AINDA SOU — por Ayrton Júnior Hoje, vamos falar sobre um conceito muito presente nas experiências humanas, mas pouco nomeado: o entre-...

O psicólogo compreende que não consegue sozinho sair da reinscrição cotidiana no ambiente de supermercado: limites subjetivos, sociais e estruturais da ruptura da compulsão à repetição

  Resumo Este artigo analisa o reconhecimento, por parte do sujeito, de que não consegue romper sozinho o ciclo de reinscrição cotidiana no trabalho, mesmo diante de sofrimento psíquico e lucidez crítica. A partir de um caso-tipo — um psicólogo atuando em supermercado — articula-se a compulsão à repetição, a captura no campo do Outro e a racionalidade neoliberal, incorporando contribuições da psicanálise, psicologia social e sociologia do trabalho. Defende-se que a dificuldade de ruptura não é sinal de fragilidade individual, mas resultado de uma engrenagem que combina dependência material, necessidade de reconhecimento e adaptação subjetiva. Apresentam-se três exemplos práticos que ilustram os limites da ruptura isolada. Conclui-se que a saída exige mediações clínicas, sociais e institucionais. Palavras-chave: compulsão à repetição; trabalho; subjetividade; sofrimento psíquico; neoliberalismo. 1. Introdução O sujeito contemporâneo, inserido em contextos laborais pre...

Sonho Desafio Na Bicicleta

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para a interpretação deste sonho de um indivíduo em particular, num caso clínico. O sujeito sonhou que estava subindo uma rua íngreme de bicicleta com outro homem também de bicicleta para comprar parafusos para trocar na roda da bicicleta. Interessante! Sonhos podem ser cheios de simbolismos e significados pessoais. Embora eu não possa interpretar seu sonho com certeza, posso dar algumas ideias gerais sobre o que esse sonho pode representar. Subir uma rua íngreme de bicicleta pode simbolizar um desafio ou obstáculo que você está enfrentando na vida real. Isso pode estar relacionado a uma meta pessoal, trabalho, relacionamento ou qualquer outra área da sua vida. A dificuldade da subida sugere que você está lutando para superar essa situação. O fato de haver outro homem na bicicleta ao seu lado pode indicar que você tem um companheiro ou aliado nessa jornada. Isso pode re...

O Que Cabe A Mim No Ambiente, O Qual Estou Inserido

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. O papel que você desempenha no ambiente em que está inserido é extremamente importante, pois suas ações e podem influenciar o comportamento e o bem-estar de outras pessoas e do próprio ambiente. Aplicando e exercitando as competências comportamentais, isto é, as soft skills e hard skills a fim de defrontar-se com a insegurança. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162). Em primeiro lugar, cabe a você respeitar as regras e normas do ambiente, seja ele uma escola, local de trabalho, residência, universidade, comunidade ou outro ambiente social. Isso inclui ser pontual, tratar as outras pessoas com respeito e cortesia, e seguir as normas de conduta estabelecidas para aquele ambiente. Al...

Limite, qual é o Seu?

Setembro/2020.Escrito por Ayrton Junior - Psicólogo CRP 06/147208 Este artigo vem mostrar ao leitor(a) como podemos ser afetados pelos limites desconhecidos por nós e repensar sobre o limite para suportar a dor emocional, a espera por algo que se vê como demorado, a dor física em fim o que você conseguir imaginar agora enquanto lê este artigo. O autoconhecimento permite que você assuma o controle de sua vida e evite situações que o coloquem no limite nada menos do que isso? O psicólogo é o profissional que pode orientá-lo na busca pelo autoconhecimento e no entendimento dos seus limites, pois não resta dúvida que todos temos os nossos. [...] O homem é projeto. A necessidade de viver é uma necessidade de preencher esse vazio, de projetar-se no futuro. É o anseio de ser o que não somos, é o anseio de continuar sendo. O homem só pode transcender se for capaz de projetar-se. Assim, ele sempre busca um sentido para sua vida. “A angústia contém na sua unidade emocional, sentimental, essa...