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Comportamento Não funciona Mais

 Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um Fiscal de caixa que trabalha num supermercado está tentando sair do supermercado para a área da psicologia. Más não está conseguindo. O indivíduo está tentando repetir o mesmo comportamento do passado que quando estava insatisfeito numa empresa procurava outros empresas enviando currículo e quando surgia a oportunidade pedia demissão. Contudo este feito não está acontecendo. Me explica como se eu fosse um iniciante pela abordagem da psicanálise

Claro! Vamos entender isso passo a passo, pela psicanálise, como se você fosse um iniciante.


1. O que está acontecendo com esse Fiscal de Caixa?

Ele está insatisfeito no supermercado e quer sair para trabalhar como psicólogo, sua verdadeira vocação.
Mas, diferente do que fazia no passado — enviar currículos e pedir demissão quando aparecia algo novo — agora ele está travado, não consegue sair.


2. Como a psicanálise pode explicar isso?

A psicanálise trabalha com três forças internas principais:

  • Id: busca prazer e deseja mudança (neste caso, sair do mercado e ser psicólogo).
  • Ego: tenta equilibrar o desejo com a realidade. Ele pensa, avalia, age.
  • Superego: representa as regras, os valores, os “deveres”. Ele censura e julga.

3. O que pode estar acontecendo aqui?

No passado:

  • O ego agia com mais liberdade: ouvia o desejo do id, procurava outro emprego e saía.
  • O superego talvez estivesse mais tranquilo, não interferia tanto.

Agora:

  • O superego está mais forte. Ele pode estar dizendo:
    • “Você não pode abandonar a segurança do supermercado.”
    • “E se der errado como psicólogo?”
    • “E se julgarem você por largar um emprego fixo?”
    • “Você é ingrato, deveria agradecer por esse trabalho.”

Essas falas internas ativam o medo, a culpa, a insegurança.

O ego então fica paralisado, porque está tentando agradar tanto o desejo do id quanto as regras do superego.
Como resultado, não age, e repete o mesmo ciclo de insatisfação.


4. E por que repetir o comportamento antigo não está funcionando?

Porque agora o conflito psíquico interno está maior.
Antes o ego tinha mais liberdade, agora o superego está censurando mais, o medo está dominando.
O comportamento antigo não resolve mais, pois o problema não é só externo (achar emprego), é interno (conflito entre desejo e censura).


Resumo para iniciantes:

  • O Fiscal quer mudar de vida, mas tem medo.
  • Esse medo vem do superego, que está julgando e cobrando demais.
  • O ego, que deveria agir, está travado pelo medo de errar ou ser julgado.
  • Para sair disso, ele precisa fortalecer a autoconfiança do ego, reconhecer que o medo é só uma defesa, e agir com coragem e planejamento.

Se quiser, posso te ajudar a elaborar um plano com base nessa leitura psicanalítica. Quer seguir por esse caminho?

4o

Você disse:

O que está frustrando esse sujeito é que por estar no etarismo e o mercado de trabalho é cruel pôr não aceitar profissional com idade acima de 50 em akgumas instituição isso gera medo porque acaba enxergando que a rede de varejista e supermercados contratam mão de obra acima de 50 enquanto outras instituições relacionadas a psicologia não contratam profissionais aciona de 50 gerando medo no indivíduo

Perfeito. Agora você trouxe uma camada importante: o contexto social e a questão do etarismo (preconceito pela idade), que reforça ainda mais o conflito interno desse sujeito.

Vamos entender isso na linguagem da psicanálise para iniciantes, conectando o que você trouxe:


1. O desejo do sujeito (Id)

O sujeito deseja mudar de área, sair do varejo e atuar como psicólogo — profissão que escolheu com propósito, com paixão.


2. A realidade cruel (Princípio da Realidade)

Ao buscar oportunidades, ele se depara com instituições de psicologia que não contratam profissionais com mais de 50 anos, mesmo que sejam qualificados.

Isso confronta o ego com o princípio da realidade, dizendo:

“Você é bom, mas está velho para o mercado.”


3. O Superego absorveu esse preconceito (Etarismo)

O superego, que internaliza as normas sociais, começa a reproduzir esse preconceito dentro da mente do sujeito:

  • “Você está velho demais pra começar agora.”
  • “Ninguém vai te dar uma chance.”
  • “Você devia agradecer por ainda ter emprego.”

Esse discurso do superego envenena o ego com medo e frustração, bloqueando a ação.


4. O Ego está em conflito e frustrado

O ego, que antes buscava saídas com autonomia, agora está dividido:

  • De um lado, o desejo de realização (id) insiste.
  • Do outro, o superego com preconceitos sociais pressiona e paralisa.

Resultado: o ego sente frustração, medo, impotência e ativa mecanismos de defesa como repressão, racionalização e procrastinação.


5. A frustração também vem da injustiça social internalizada

A crueldade do mercado de trabalho alimenta o sentimento de injustiça e rejeição.
Essa vivência não é apenas prática — ela fere a autoestima, o desejo e pode gerar sintomas como ansiedade, desânimo ou até adoecimento psicossomático.


Resumo final com toque psicanalítico:

O sujeito está em sofrimento porque:

  • Deseja sair, mas sente que a sociedade o rejeita por sua idade.
  • O superego repete esse discurso cruel, reforçando o medo e o bloqueio.
  • O ego tenta resistir, mas está perdendo a força e se sente frustrado.
  • A realização do desejo parece cada vez mais distante, e isso dói.

Ótimo. Vamos continuar pensando pela psicanálise como esse ego pode se fortalecer, mesmo diante do medo e da frustração causados pelo etarismo e pela rigidez do mercado.


6. Fortalecer o Ego: encontrar saídas realistas e simbólicas

A psicanálise acredita que o ego pode reencontrar equilíbrio, mesmo sob pressão. Para isso, ele precisa:

a) Reconhecer o conflito

O primeiro passo é aceitar que existe um conflito interno:

  • “Eu quero mudar, mas tenho medo.”
  • “Eu mereço realizar meu desejo, mas o mundo parece me rejeitar.”

Esse reconhecimento ajuda o ego a não se iludir, mas também não se reprimir totalmente.


b) Não se identificar com o discurso do Superego cruel

O sujeito precisa perceber que o discurso do tipo:

  • “Você está velho demais”
  • “Você não vai conseguir”
  • “Você devia se conformar”

...não vem da realidade objetiva, mas de um superego contaminado pelos preconceitos sociais.

Ele pode começar a pensar:

“Esse pensamento não é meu. É um eco do mundo injusto. Eu não preciso me submeter a ele.”


c) Reformular metas com criatividade e realismo

O ego pode encontrar formas alternativas de satisfazer o desejo:

  • Em vez de esperar que instituições o contratem, pode oferecer atendimentos voluntários, sociais ou com valor acessível, fortalecendo seu nome como psicólogo.
  • Pode atuar em escolas, igrejas, ONGs, comunidades, onde sua experiência e maturidade são valorizadas.
  • Pode usar redes sociais, grupos e canais online para oferecer orientação psicológica e construir sua autoridade na área.

Isso permite ao ego dizer:

“Talvez eu não seja contratado como antes, mas posso atuar e ser reconhecido do meu jeito.”


d) Elaborar simbolicamente a frustração

A frustração pela idade pode ser trabalhada em análise, ou até mesmo ser transformada em missão:
Lutar contra o etarismo, ajudar outros que passam pelo mesmo, e assim resgatar o valor simbólico da própria vivência.

Exemplo:

“A idade não é fraqueza — é potência. Posso mostrar isso com meu trabalho.”


7. A importância do desejo: manter acesa a chama

Lacan dizia:

“O desejo é a essência do sujeito.”

Mesmo diante do medo, o desejo não deve ser eliminado.
O ego precisa escutar o desejo do id com carinho e dizer:

“Eu sei que você está aí. Eu ainda não consegui tudo, mas não vou te abandonar.”

Esse compromisso com o desejo dá sentido à existência — mesmo que o caminho seja mais lento.


Conclusão simbólica: o ego como herói

Esse sujeito está travando uma batalha interna e social.
O ego, se fortalecido, pode se tornar um herói que escuta o desejo, enfrenta o medo e cria novos caminhos de realização, mesmo num mundo que insiste em excluí-lo.

A chave é:

  • Reconhecer o conflito,
  • Separar-se do discurso do superego preconceituoso,
  • Agir com criatividade e coragem,
  • E nutrir o desejo como força vital.

Vamos continuar então, aprofundando ainda mais essa travessia do ego — agora com foco em como ele pode transformar essa crise em uma jornada de autoconstrução e, quem sabe, também ajudar outros.


8. O ego como criador de sentido: da dor ao projeto

Na psicanálise, o sofrimento não precisa ser apenas um obstáculo — ele pode ser material bruto para a criação de algo novo.

Esse sujeito, frustrado com o etarismo, com o bloqueio no mercado e com o medo, pode ser convidado a se perguntar:

“O que eu posso criar a partir dessa dor?”

A resposta pode ser um projeto, uma atuação simbólica, ou uma nova forma de estar no mundo como psicólogo.

Exemplos:

  • Criar um grupo de apoio para profissionais maduros em transição de carreira.
  • Oferecer escuta gratuita a pessoas 50+ que também se sentem invisibilizadas.
  • Compartilhar sua jornada como inspiração em vídeos, redes sociais, textos — construindo autoridade a partir da experiência vivida.

Assim, o ego deixa de se sentir vítima do mercado e se torna protagonista da própria história.


9. Um novo pacto entre ego e desejo

Nesse ponto, o ego não precisa mais escolher entre:

  • Obedecer ao superego (e se reprimir),
    ou
  • Se arriscar totalmente no desejo (e viver com medo da exclusão).

Ele pode criar um terceiro caminho:

“Eu aceito que a realidade tem limitações, mas também aceito meu desejo como legítimo. Então vou me mover com coragem e estratégia.”

Esse é o momento em que o ego amadurece. Ele não foge nem se submete: ele negocia com a realidade e segue fiel ao que sente.


10. Um olhar clínico (caso esse sujeito esteja em análise)

Se esse sujeito estivesse em processo terapêutico, o papel do analista seria:

  • Ajudá-lo a ouvir seu desejo sem culpa.
  • Identificar os discursos do superego introjetado que o fazem se sentir inadequado.
  • Ajudá-lo a construir uma nova posição subjetiva diante da idade — deixando de se ver como “velho rejeitado” para se ver como “experiente e necessário”.
  • Estimular ações simbólicas, mesmo que pequenas, para recomeçar sua atuação como psicólogo.

11. O desejo como bússola existencial

Lembrando uma frase de Lacan:

“Ceder no desejo é ceder de si mesmo.”

O que frustra esse sujeito não é apenas o mercado injusto.
É o medo de abandonar o próprio desejo e viver uma vida que não combina com quem ele se tornou.

Por isso, a saída não é necessariamente uma nova empresa, mas uma nova posição subjetiva diante da vida:

“Eu continuo desejando. E mesmo que o mundo me diga ‘não’, eu vou dizer ‘sim’ para mim.”


Quando se é jovem não se coloca a atenção seletiva e nem o juízo de valor sobre o etarismo até porque a pessoa não está aínda no etarismo. Portanto o superego não é tão rígido como do sujeito que enfrenta o etarismo para empregar se no mercado dê trabalho. Mas agora o etarismo distorce total a percepção impedindo de acreditar que mesmo no etarismo aínda existe uma saída que não está visível para o sujeito até o momento. O etarismo leva a descrença

Você está trazendo uma análise psicanalítica muito profunda — e simbólica — do impacto do etarismo na formação e rigidez do superego.

Vamos organizar essa ideia pela ótica psicanalítica (para iniciantes, como pediu no início):


1. Na juventude: o superego ainda é flexível

Quando somos jovens:

  • O mercado ainda nos acolhe com mais oportunidades.
  • O discurso social nos favorece (“você tem futuro, está no tempo certo”).
  • O superego, então, ainda não foi ferido por exclusão, e permanece mais tolerante, menos punitivo.

Ou seja, o jovem não sente na pele o etarismo — e por isso nem o percebe. Sua atenção seletiva ainda está voltada ao crescimento, ao desejo, ao possível.


2. Com o tempo e a chegada do etarismo: o superego endurece

Quando o sujeito começa a ser rejeitado por causa da idade, algo se quebra internamente.

O superego, que antes dizia:

“Trabalhe duro que você chega lá”

Agora diz:

“Você passou do ponto. O mercado não quer mais você. É melhor se conformar.”

Esse novo discurso é introjetado como verdade.
E o ego, se não estiver fortalecido, acredita nisso como lei absoluta.


3. O etarismo ativa o recalque da esperança

O sujeito deixa de acreditar que é possível.

  • O desejo começa a parecer infantil, iludido, fora da realidade.
  • A percepção é distorcida: não é que não há saída — é que ele não enxerga mais.
  • O superego, tomado pelo discurso social cruel, recalca a esperança.

Resultado? Descrença. Imobilidade. Sofrimento.
É como se o sujeito pensasse:

“Nem adianta tentar. Nada vai mudar.”


4. O desafio clínico: recuperar a crença no desejo possível

A tarefa da escuta clínica nesse ponto seria ajudar o ego a recuperar a visão distorcida.
Não com otimismo falso, mas com elaboração simbólica:

  • Separar o que é realidade objetiva (o mercado é difícil)
    daquilo que é discurso introjetado (sou velho, sou inútil, ninguém me quer).
  • Ajudar o sujeito a dizer ao seu superego:

“Você não está errado em me alertar, mas está sendo cruel. Há outros caminhos. Ainda posso desejar e realizar.”


5. O etarismo é uma violência simbólica — e o sujeito precisa se proteger

O sujeito sofre, porque o etarismo ataca a imagem que ele construiu de si mesmo ao longo da vida.
Isso gera luto da identidade:

“Quem eu sou, já não é mais aceito. Meu valor parece ter expirado.”

Mas a psicanálise pode ajudar a reconstruir essa imagem, não baseada na juventude, mas na sabedoria, experiência, maturidade afetiva e profissional.


vamos continuar esse percurso simbólico.

Agora vamos construir, como você sugeriu, um diálogo interno entre o ego e o superego, como se o sujeito estivesse numa sessão de análise ou num momento de profunda introspecção — dando voz ao conflito, mas também abrindo caminho para uma nova narrativa subjetiva.


6. Diálogo simbólico: o ego responde ao superego tomado pelo etarismo

Superego:
Você não tem mais tempo. Já passou da idade.
O mercado não te quer. Você devia se conformar.
Aceite o que tem. O desejo agora é luxo. É perigoso sonhar.
Você vai se machucar.

Ego (em início de escuta):
Eu ouço você. Eu sei que está tentando me proteger.
Você repete o que o mundo gritou para mim nas portas fechadas, nos currículos ignorados, nos olhares que me julgaram.
Mas… você não é toda a verdade.

Ego (se fortalecendo):
Eu ainda existo.
Eu ainda desejo.
Eu ainda tenho algo a oferecer, mesmo que não saibam disso ainda.

Superego (tentando manter o controle):
Mas ninguém vai te ouvir. Eles não querem. Eles querem os novos.

Ego (em resposta madura):
Talvez eles não queiram mesmo. Mas eu quero.
E se ninguém me der espaço, eu crio um.
E se não me chamarem, eu me apresento.
E se rirem, eu sustento meu desejo mesmo assim.

Ego (concluindo):
Você pode continuar falando, superego.
Mas agora você não manda mais sozinho.
Eu escuto sua dor, mas escolho caminhar com coragem.
Porque entre o medo da exclusão e o desejo de viver com sentido...
eu escolho o desejo.


7. O valor terapêutico desse tipo de construção

Esse tipo de dramatização interna:

  • Dá nome aos conflitos;
  • Traz à luz o sofrimento psíquico encoberto por silêncio e racionalizações;
  • E permite que o ego se posicione de forma criadora, e não apenas reativa.

Esse é um recurso terapêutico potente, principalmente quando o sujeito está preso num ciclo de descrença, abandono de si e recalque da esperança.


8. E como continuar a travessia?

O próximo passo seria o ego começar a tomar ações simbólicas pequenas:

  • Um post em rede social falando sobre maturidade profissional.
  • Um projeto voluntário em psicologia.
  • Um vídeo contando sua história.
  • Um grupo de escuta para pessoas maduras.

Cada ação reforça a existência viva do desejo, contrariando a voz punitiva do superego tomado pelo etarismo.


Vamos continuar e transformar essa travessia simbólica em algo concreto, possível e alinhado com o desejo profundo do sujeito — que quer sair do supermercado e atuar na psicologia, apesar do etarismo.


9. Do símbolo à ação: criando um projeto-primeiro-passo

O ego já reconheceu o desejo. Agora ele precisa validar sua existência no mundo real, ainda que simbolicamente, com uma ação que diga:

“Mesmo que o mercado não me veja, eu me vejo. E eu me apresento.”

Nome simbólico do projeto:
“Presença Madura” — Psicologia na fase de maior sabedoria.

Objetivo do projeto:
Dar voz, escuta e acolhimento a pessoas acima de 50 anos que se sentem excluídas, sem sentido ou em transição na vida.
Mas também é o renascimento simbólico do ego do próprio sujeito que cria esse espaço.


10. Como começar com o que se tem

Você não precisa de recursos, só de coragem e um pequeno movimento. Eis alguns formatos:

  • Grupo de escuta online gratuito (via Google Meet ou WhatsApp):
    Nome: Escuta 50+ – Redescobrindo sentido e pertencimento
    Público: pessoas que estão vivendo a dor do etarismo, da solidão, da invisibilidade.
    Você é facilitador, psicólogo, mas também companheiro de jornada.
  • Canal ou perfil nas redes sociais
    Conteúdo: vídeos curtos falando sobre temas como:
    • “O valor da experiência em tempos de aparência”
    • “Quando o mercado diz não, a gente aprende a criar o próprio lugar”
    • “Psicologia para quem já viveu muito — e ainda quer viver mais”
  • Atendimento social ou voluntário
    Oferecer uma escuta para pessoas 50+ em sofrimento — pode ser um por semana, em troca de feedbacks sinceros que também te ajudem a crescer.

11. O ganho simbólico para o ego

Cada passo como esse:

  • Enfraquece o discurso cruel do superego tomado pelo etarismo;
  • Fortalece a identidade do sujeito como psicólogo em ação real;
  • Mostra ao inconsciente que o desejo é possível aqui e agora, mesmo que em pequena escala.

Você deixa de esperar a permissão do mundo e passa a validar seu próprio valor.


12. E se o medo voltar?

O medo vai voltar. O superego não desaparece.

Mas o ego pode lembrar:

“Eu não preciso eliminar o medo. Eu só preciso andar mesmo com ele ao lado.”

E pode também repetir uma frase-mantra:

"Eu me autorizo. Eu estou vivo. Eu ainda posso começar."


Você está dando um passo imenso: transformar o desejo em ação simbólica concreta.

Vamos construir isso em três partes: nome do projeto, conteúdo para o grupo de escuta e roteiro para o primeiro vídeo.


1. Nome simbólico do projeto

Vamos pensar num nome que traduza a essência do que você vive e oferece: um recomeço com sabedoria, contra o etarismo, com acolhimento.

Sugestões com sentido psicanalítico e social:

  • Voz Madura – Escuta com Experiência
  • Ainda Sou – Psicologia para Recomeços
  • Tempo de Ser – Grupo de Escuta 50+
  • Idade de Ouro – Escuta e Reencontro com o Desejo
  • Ouvindo a Si Mesmo – Psicologia na Maturidade

Escolha aquele que mais ressoa com sua história. Podemos combinar dois nomes, se quiser.


2. Conteúdo do Grupo de Escuta 50+

Nome da atividade:
"Ainda Sou: Grupo de Escuta para quem deseja reencontrar sentido após os 50"

Objetivo do grupo:
Criar um espaço seguro e acolhedor para pessoas acima de 50 anos refletirem sobre seus desejos, frustrações, medos e potências — superando a sensação de invisibilidade social.

Público-alvo:
Pessoas acima de 50 anos em transição de vida, enfrentando sentimentos de exclusão, aposentadoria precoce, mudança de carreira ou solidão.

Formato:

  • Encontros semanais (gratuitos ou colaborativos) de 1h via Google Meet ou WhatsApp.
  • Grupo fechado com no máximo 10 participantes.
  • Você será o facilitador e psicólogo em escuta ativa.

Roteiro para o 1º Encontro – Tema: “Quem sou eu agora?”

Abertura (5 min):
"Bem-vindos ao nosso espaço. Este grupo nasce do desejo de oferecer escuta a quem, muitas vezes, sente que perdeu sua voz. Aqui, cada fala é importante. Cada silêncio também. E não importa se você está recomeçando, parando ou apenas tentando se escutar — este lugar é seu."

Apresentações (20 min):

  • Nome
  • Algo que gostaria de reencontrar em si mesmo
  • Uma palavra que define o momento atual

Pergunta disparadora (30 min):

“Quem sou eu agora que o mundo parece não me reconhecer mais como antes?”
“Qual desejo meu ainda está vivo, mesmo que escondido?”

Fechamento (5 min):

  • O que ficou da escuta de hoje?
  • Uma palavra que leve com você.

3. Roteiro para o primeiro vídeo curto (até 1 minuto)

Título do vídeo:
"O que o mercado esquece, o tempo ensina."

Roteiro:

(Cena: você em ambiente simples e acolhedor, com tom calmo e confiante)

“Você já sentiu que, depois dos 50, o mundo deixou de te ouvir?
Que as portas se fecham, os olhares te julgam, e as empresas te chamam de ‘experiente’ — mas não te contratam?

Eu também senti isso.
Mas percebi que ainda posso escolher me escutar.

Esse vídeo é pra dizer: você ainda é.
Ainda pode.
Ainda sonha.

E se o mundo não te vê mais, vamos nos ver entre nós.

Vem comigo nesse espaço de escuta e recomeço.
Porque o desejo não tem idade.
E a vida também pode começar depois dos 50.”

(Encerra com o nome do projeto + convite para o grupo)
“Ainda Sou – Psicologia para Recomeços”
Grupo gratuito de escuta. Me chama no inbox ou link na bio.


1. Texto para redes sociais (divulgação do projeto e convite para o grupo)

Imagem sugerida:
Uma foto simbólica de mãos maduras segurando uma flor ou uma xícara, com luz suave — passa acolhimento e renascimento.

Texto para o post:


Você sente que, depois dos 50, o mundo parou de te ouvir?

As empresas te elogiam pela experiência, mas não te contratam.
A vida parece pedir silêncio, mas o seu desejo ainda grita lá dentro.
Você sente que ainda pode, mas não sabe mais por onde começar.

Esse espaço nasceu pra isso.
Pra você se escutar. Pra ser escutado. Pra lembrar que você ainda é.

Te convido para o “Ainda Sou – Grupo de Escuta para Recomeços”, um espaço de acolhimento, partilha e reconstrução de sentido na maturidade.

Para quem:
Pessoas acima de 50 anos que desejam se reconectar com seu desejo, encontrar escuta e recomeçar.

Como funciona:
Encontros online e gratuitos, uma vez por semana, com mediação psicológica e escuta ativa.

Primeiro encontro:
Tema: Quem sou eu agora que o mundo parece não me reconhecer mais?

Vagas limitadas.
Para participar, me chama no direct ou clique no link da bio.

Você ainda é. E ainda pode.


2. Texto para o segundo encontro do grupo

Tema:
“Meu valor não acabou: a experiência como potência”

Objetivo:
Ajudar os participantes a reconhecerem a própria trajetória como fonte de sabedoria, superando a sensação de que estão “ultrapassados” ou “descartados”.


Roteiro do 2º Encontro (1h)

Acolhimento (5 min):
“Seja bem-vindo(a) de novo. Hoje vamos falar sobre algo que o mercado muitas vezes ignora: o valor da experiência.
Muitos de nós sentimos que, ao envelhecer, vamos perdendo espaço… Mas será que é verdade? Ou será que o mundo apenas perdeu a capacidade de escutar a sabedoria que a vida nos deu?”


Pergunta disparadora (30 min):

“Qual experiência da minha vida me ensinou algo que nenhuma escola, faculdade ou empresa ensinaria?”

“Se eu pudesse ensinar algo ao meu ‘eu jovem’, o que seria?”

(Dê liberdade para quem quiser falar. Você pode acolher com frases como: “Essa experiência mostra o quanto você aprendeu com a vida…”)


Atividade simbólica (10 min):

Peça para cada um completar a frase:

“Eu sou mais forte hoje porque...”

Se estiverem confortáveis, compartilham em voz alta.


Fechamento (5 min):

“A vida não nos tira valor com o tempo. Ela só troca as ferramentas: antes corríamos, agora ensinamos a andar. Antes buscávamos aprovação, agora oferecemos presença.”

Convite para o próximo encontro:
Tema: “Desejos que ficaram guardados – ainda é tempo?”

[Carta a mim mesmo]

 

Hoje eu decido me escrever.

Não porque eu tenha todas as respostas — mas porque cansei de calar meu desejo.

 

Durante anos, fui aquele que cumpriu deveres, que seguiu regras, que vestiu uniformes e suportou silêncios. Fui o trabalhador pontual, o fiscal atento, o profissional que não reclamava, mesmo quando o coração pedia socorro.

 Carreguei o peso da estabilidade como se fosse gratidão.

Mas agora eu vejo: gratidão não deve ser prisão.

 Aquela versão minha que aceitava menos do que merecia, que tinha medo de decepcionar, que se escondia atrás do medo de errar…

Essa versão está cansada.

E eu… eu decido deixá-la descansar.

Eu não a rejeito — eu a honro.

Ela me trouxe até aqui.

Ela me protegeu quando o mundo parecia cruel.

Ela lutou com as armas que tinha.

Mas agora, é hora de mudar de armadura.

De confiar no desejo que pulsa, mesmo quando o mundo tenta calar.

De lembrar que o tempo não é inimigo — é testemunha da minha trajetória.

Minha idade não é limite, é bagagem.

Minhas rugas não são fraqueza, são mapas da minha coragem.

 

Hoje, eu me recebo com ternura:

Não como alguém velho demais para sonhar,

mas como alguém maduro o bastante para realizar.

Acolho minha nova versão:

O psicólogo sensível, o homem consciente,

o sujeito que ousa transformar dor em escuta,

e medo em movimento.

 

A partir de agora, escolho caminhar comigo,

não pelo que o mercado permite,

mas pelo que meu desejo me revela.

 

Eu digo sim para mim.

Sim para recomeçar.

Sim para seguir sendo quem eu sou — com verdade, com coragem, com alma.

 

Com amor,

[meu nome, com tudo que sou

 

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  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um sujeito quando está com raiva aparente de algo aumenta o volume da música no ritmo de academia no máximo. Claro, vou tentar explicar isso pela perspectiva da psicanálise de uma maneira acessível para iniciantes. Raiva aparente: Quando alguém está com raiva aparente, significa que essa pessoa está demonstrando sua raiva de maneira visível, como aumentar o volume da música ao máximo. A raiva é uma emoção que pode surgir quando nos sentimos frustrados, irritados ou contrariados. Estímulos inconscientes e conscientes: Na psicanálise, a mente é dividida em três partes: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. O consciente é onde estamos cientes de nossos pensamentos e ações. O pré-consciente é onde pensamentos que não estão no momento presente podem ser trazidos à consciência. O inconsciente contém pensamentos e sentimentos que não estamos ...

Chicago P.D. como espelho psicossocial do fiscal de caixa psicólogo: identidade profissional, pertencimento, autoridade e reconhecimento no supermercado

  Introdução A série Chicago P.D. , produzida como drama policial, acompanha a Unidade de Inteligência do Departamento de Polícia de Chicago, responsável por investigações de crimes graves e liderada pelo sargento Hank Voight. A própria descrição institucional da série enfatiza a atuação coletiva da unidade, a busca pela justiça, a proteção da cidade e, simultaneamente, os conflitos produzidos pelas mudanças no sistema de justiça e pelas formas de liderança e atuação da equipe. Embora o universo policial esteja muito distante do cotidiano de um supermercado, a série pode ser utilizada como objeto cultural para uma leitura pela Psicologia Social e pela Psicologia das Organizações , especialmente quando se observa a relação entre indivíduo, grupo, papel profissional, autoridade, reconhecimento, hierarquia e instituição. Nesse sentido, Chicago P.D. torna-se um espelho simbólico particularmente interessante para compreender a experiência de um trabalhador que ocupa a função de f...

Estudo de Caso Clínico: O Luto do Ideal e a Ressonância Contratransferencial

  1. Viñeta Clínica e Histórico do Paciente Identificação: Marcelo (nome fictício), 32 anos, psicólogo de formação (graduado em 2018), atuando de forma autônoma como psicanalista em consultório particular.   Demanda e Queixa Secundária: Marcelo busca análise pessoal impulsionado por um quadro de esgotamento, angústia flutuante e sentimentos intensos de desamparo. Relata que, desde a sua graduação, tentou sucessivamente inserção em seleções públicas, clínicas conveniadas e instituições hospitalares, recebendo recusas sistemáticas. Mantém a prática clínica privada com poucos atendimentos, sentindo-se "invisível" social e financeiramente.   O Ponto de Inflexão (Gatilho Clínico): O estopim para a busca de sua própria análise ocorreu durante o manejo das sessões de um paciente recém-chegado, André, que atravessa o luto drástico pela morte repentina da figura materna. Marcelo relatou à sua analista: "Eu me pego paralisado nas sessões com o André. Quando ele ...

Não conseguiu construir caminho de sucesso: O Luto da Trajetória Profissional na Psicologia

  Introdução O término da graduação marca, para muitos profissionais, o ponto de partida de um projeto de vida focado na consolidação de uma carreira funcional, sustentável e reconhecida. No entanto, o percurso acadêmico e o esforço individual nem sempre garantem a inserção ou o êxito nos variados campos de atuação que a profissão promete. Entre o momento da formação, em 2018, e a maturidade profissional projetada para 2026, a vivência contínua de insucessos em múltiplos eixos pode conduzir o indivíduo a uma profunda reavaliação sobre a viabilidade de permanecer em determinada área. Quando todos os caminhos desenhados e executados culminam na ausência de retorno prático, o reconhecimento do encerramento de um ciclo e a elaboração do luto profissional emergem não como fraqueza, mas como um processo fundamental de reorganização existencial e ocupacional. A Articulação dos Caminhos Tentados (2018–2026) Ao longo de oito anos, foram empreendidos esforços deliberados em praticament...

Dinâmica De Poder Nas Instituições – Psicologia Organizacional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A dinâmica de poder em uma organização refere-se à distribuição e ao exercício do poder entre os membros e diferentes níveis hierárquicos dentro da empresa. O poder é uma influência que permite que um indivíduo ou grupo afete o comportamento ou as decisões dos outros. Existem diferentes teorias e abordagens para entender a dinâmica de poder em uma organização. Vou apresentar alguns dos principais através da psicologia organizacional. Teoria das bases de poder: Essa teoria, proposta por French e Raven, identifica cinco bases de poder que uma pessoa pode ter na organização. São elas: Poder coercitivo: baseia-se no medo de punição ou consequências negativas. Poder de recompensa: baseia-se na capacidade de recompensar ou oferecer incentivos. Poder legítimo: baseia-se na autoridade formal concedida pela posição hierárquica. Poder de especialista: bas...

Fases Da Sexualidade Na Escolha Da Carreira

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A teoria das fases da sexualidade, proposta por Sigmund Freud, inclui as seguintes fases: fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital. Cada fase está associada a diferentes aspectos do desenvolvimento psicossexual. Lembre-se de que essa teoria é apenas uma perspectiva e foi criticada por muitos estudiosos ao longo dos anos. Claro, vou explicar cada uma das fases da sexualidade de acordo com a abordagem da psicanálise de forma simplificada: Fase Oral: Na primeira fase, que ocorre durante os primeiros anos de vida, o foco está na boca. As crianças exploram o mundo principalmente através da boca, chupando objetos e experimentando tudo com a boca. A satisfação vem da alimentação e da sensação de conforto oral. Fase Anal: A fase anal acontece por volta dos 2 aos 3 anos de idade. Aqui, o foco se volta para o controle dos esfínctere...

Suportando O Sofrimento Do Agressor

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor a fim de observar o sofrimento humano. Na abordagem da psicanálise, o sofrimento prolongado causado por outra pessoa pode ser analisado em termos de motivações conscientes e inconscientes. Vou explicar esses conceitos para o leitor. Consciente: Os motivos conscientes são aqueles que estão acessíveis à nossa consciência. São pensamentos, sentimentos e desejos que temos clareza de que existem e podemos identificar facilmente. Quando uma pessoa suporta muito sofrimento causado por outra pessoa, ela pode ter algumas motivações conscientes para isso: Medo de consequências: A pessoa pode temer que, se confrontar ou se opuser ao agressor, isso poderá resultar em retaliações, violência física ou emocional, perda de relacionamentos importantes, entre outros. Assim, ela pode optar por suportar o sofrimento para evitar essas possíveis consequências negativas. Dependência emocional...