Quando não é o sujeito que escolhe o campo — é o campo que escolhe o sujeito
Público-alvo
- Psicólogos
em transição profissional
- Pastores,
líderes religiosos e teólogos
- Supervisores
institucionais (saúde, educação, assistência social, igrejas, ONGs)
Carga
horária sugerida
- 4 a 8
horas (adaptável para curso,
retiro formativo ou supervisão continuada)
OBJETIVO
GERAL
Levar o
participante a:
- compreender
a lógica estrutural dos campos institucionais;
- diferenciar
fracasso pessoal de fechamento estrutural do campo;
- elaborar
o luto pelo modelo convencional de acesso (RH, currículo, processos
seletivos);
- reposicionar-se
subjetivamente diante da espera, da indicação e da autorização
institucional.
EIXO 1 — A
ILUSÃO DA ESCOLHA INDIVIDUAL
Conteúdo
teórico
- O
discurso moderno da autonomia e da meritocracia.
- A
crença de que “eu escolho onde trabalho”.
- Como
essa crença é produzida por escolas, universidades e RH.
Conceito-chave
O sujeito se
candidata, mas quem decide é o campo.
Atividade
reflexiva
Perguntas
para grupo ou escrita individual:
- Onde
aprendi que bastava esforço para entrar em qualquer campo?
- Quem me
ensinou esse modelo?
- Em
quais contextos ele funcionou?
EIXO 2 —
CAMPOS ABERTOS × CAMPOS FECHADOS
Conteúdo
teórico
Campos
abertos:
- atividades
operacionais;
- funções
técnicas;
- seleção
rápida;
- lógica
da necessidade imediata.
Campos
fechados:
- instituições
psicológicas;
- campos
pastorais e religiosos;
- universidades,
hospitais, políticas públicas;
- lógica
da mediação, da indicação e da lembrança.
Conceito-chave
Aplicar a
lógica de um campo aberto a um campo fechado gera sofrimento, não acesso.
Estudo de
caso
- Trajetória
do profissional que sempre foi escolhido em trabalhos simples, mas não em
campos institucionais complexos.
EIXO 3 — A
COMPULSÃO À REPETIÇÃO NA BUSCA POR VAGAS
Conteúdo
clínico
- Freud e
a compulsão à repetição.
- Repetir
não por erro, mas por não saber.
- A
repetição sustentada pela esperança de um desfecho diferente.
Conceito-chave
Enquanto o
saber estrutural não emerge, a repetição continua.
Exercício
clínico
Mapeamento:
- Quais
ações repito há anos sem resultado?
- O que
eu espero, secretamente, que aconteça?
- O que
deixaria de repetir se eu soubesse que esse campo não funciona assim?
EIXO 4 —
JOSÉ E PEDRO: LEITURA TEOLÓGICO-ESTRUTURAL
José
(Gênesis 41)
- Não
entra por pedido.
- Entra
porque alguém de dentro se lembra.
- O campo
entra em crise → convoca.
Pedro (Lucas
5)
- Sabia
pescar.
- O
método falha porque o mar mudou.
- Não
muda de rede, muda de relação com o campo.
Conceito-chave
Campos não
se abrem por insistência, mas por autorização.
Aplicação
pastoral e institucional
- Chamado
não é escolha voluntarista.
- Vocação
não é controle do tempo.
- Espera
não é passividade.
EIXO 5 — O
LUTO PELO MODELO CONVENCIONAL
Conteúdo
psicanalítico
- Luto
não pela profissão, mas pelo modo de acesso idealizado.
- Luto
pela fantasia de controle.
- Luto
pela promessa familiar e acadêmica.
Conceito-chave
Não é
desistir da vocação. É enterrar um método que não funciona.
Exercício de
elaboração
- O que
preciso deixar morrer para não adoecer?
- O que
não depende mais de mim?
- Onde
posso retirar investimento libidinal sem culpa?
EIXO 6 — A
ESPERA SIMBOLIZADA
Conteúdo
ético-clínico
- Esperar
sem repetir.
- Esperar
sem se autoacusAR.
- Esperar
mantendo dignidade e saúde psíquica.
Conceito-chave
Esperar não
é ficar parado — é parar de lutar contra portas fechadas.
Aplicação
prática
- Psicólogos:
cessar envios compulsivos.
- Pastores:
cessar autoquestionamento vocacional.
- Supervisores:
sustentar o tempo do campo sem pressionar o sujeito.
EIXO 7 — O
PAPEL DO OUTRO: MEDIAÇÃO E INDICAÇÃO
Conteúdo
estrutural
- Todo
campo fechado exige um “outro que já está dentro”.
- Indicação
é responsabilidade, não favor.
- O risco
da espiritualização da irresponsabilidade (“ore e veja se Deus confirma”).
Conceito-chave
O campo se
abre quando alguém assume a mediação.
FECHAMENTO
DA FORMAÇÃO
Síntese
final
- O
sujeito nunca escolheu sozinho.
- Sempre
foi escolhido quando o campo se abriu.
- O
sofrimento começou quando tentou forçar um acesso que não existia.
- O saber
estrutural encerra a repetição.
- A
espera agora é ética, não alienada.
Frase de
encerramento (para psicólogos, pastores e supervisores):
“Quando o
campo quiser, ele lembrará.
Até lá, não se destrua tentando arrombar portas.”
REFERÊNCIAS
PARA A FORMAÇÃO
Bourdieu, P.
(1996). Razões práticas. Papirus.
Bourdieu, P.
(2004). Os usos sociais da ciência. UNESP.
Freud, S.
(1920). Além do princípio do prazer. Imago.
Lacan, J.
(1964). O Seminário, Livro 11. Zahar.
Kübler-Ross, E. (1969). On Death and Dying.
Macmillan.
Ricoeur, P.
(1977). A simbólica do mal. Edições 70.
Weber, M.
(2004). A ética protestante e o espírito do capitalismo. Companhia das
Letras.
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