Pular para o conteúdo principal

Gênero E Relacionamento Amoroso

 Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um indivíduo acredita que, após o surgimento de uma amizade, não é possível desenvolver um relacionamento amoroso, pois entende que, se não houver atração física desde o início, não há base para um namoro. Em contraste, uma mulher defende que, por meio da convivência e do fortalecimento da amizade, pode surgir o amor romântico.

Essa diferença de perspectiva revela contrastes importantes: enquanto o homem valoriza inicialmente o desejo sexual como condição para o envolvimento amoroso, a mulher prioriza o vínculo afetivo e a conexão emocional como alicerces de um possível relacionamento.

Essa divergência ilustra duas formas distintas de interpretar o início de um vínculo amoroso. De um lado, está a visão imediatista e sensorial, centrada no erotismo como porta de entrada. Do outro, uma perspectiva mais relacional e subjetiva, que vê na amizade a possibilidade de desenvolver confiança, intimidade e, consequentemente, amor.

Vamos explicar e interpretar isso passo a passo pela psicologia social, de forma simples, como se você estivesse começando a estudar agora.


🌱 Situação apresentada:

  • Homem: acredita que sem atração física no início não dá para haver namoro.
  • Mulher: acredita que uma amizade pode evoluir para um relacionamento amoroso.

Ou seja:

  • O homem valoriza primeiro o desejo sexual.
  • A mulher valoriza primeiro o vínculo emocional e afetivo.

🧠 Como a Psicologia Social interpreta isso?

A psicologia social estuda como as pessoas se influenciam mutuamente em seus comportamentos, pensamentos e sentimentos — especialmente em grupos, relacionamentos e cultura.

Vamos analisar esse caso em três pontos importantes:


1. Normas sociais e gênero

Desde pequenos, homens e mulheres são ensinados de formas diferentes:

  • Homens muitas vezes aprendem (pela cultura, filmes, amigos) que devem ser "dominantes", "atraentes" e buscar o prazer sexual.
  • Mulheres aprendem mais sobre "afetividade", "relacionamento", "cuidado" e "conexão emocional".

Esses papéis são chamados de estereótipos de gênero, que influenciam como cada um pensa sobre amor, amizade e sexo.

🔎 Então, o homem da sua situação está reagindo conforme o papel social masculino: dá mais valor à atração física e ao desejo sexual.

🔎 Já a mulher age conforme o papel social feminino: dá mais importância à amizade, ao afeto e ao vínculo.


2. Formação de atitudes e crenças

A atitude é a forma como a pessoa se posiciona diante de uma ideia (por exemplo: "namoro só começa com atração física").

Essas atitudes são formadas por:

  • Experiências pessoais
  • Modelos que a pessoa vê (pais, mídia, amigos)
  • Cultura

🔎 O homem acredita que "sem desejo, não tem namoro" → essa é uma crença aprendida em algum momento, que virou uma atitude rígida.

🔎 A mulher acredita que "amizade pode virar amor" → sua experiência e visão de mundo permitem flexibilidade emocional, valorizando o tempo e a convivência.


3. Atração interpessoal

A psicologia social ensina que a atração entre duas pessoas não depende só da aparência, mas também de:

  • Proximidade (conviver com alguém)
  • Semelhança (valores parecidos)
  • Troca emocional (apoio, escuta)
  • Reciprocidade (sentir que o outro gosta de você)

🔎 Por isso, é possível sim que uma amizade vire amor. Com o tempo, o vínculo afetivo pode criar desejo sexual — não o contrário.


🧩 Conclusão simples:

  • O homem está mais preso à ideia de que o desejo físico vem antes do amor.
  • A mulher acredita que o afeto pode construir o desejo.

Isso mostra duas formas diferentes de ver o relacionamento, influenciadas por:

  • Cultura
  • Gênero
  • Experiências
  • Crenças sociais

Vamos agora à explicação acadêmica pela psicologia social, com base em autores e conceitos reconhecidos na área.


🧠 TEMA: Percepções distintas sobre o surgimento do amor – atração física imediata vs. construção afetiva via amizade

1. Ponto de partida: diferenças de crença no desenvolvimento do relacionamento amoroso

  • Homem: acredita que a atração física inicial é essencial para que um relacionamento amoroso aconteça. Essa visão prioriza o desejo sexual como condição prévia para o envolvimento afetivo.
  • Mulher: acredita que a amizade pode se transformar em amor, valorizando o desenvolvimento do vínculo afetivo como caminho para um possível envolvimento romântico e sexual.

Essa oposição revela diferentes construções sociais e cognitivas sobre o amor e os relacionamentos, fortemente influenciadas por fatores culturais e sociais.


2. Explicação pela Psicologia Social

A) Estereótipos de Gênero (Eagly & Wood, 1991)

As crenças mencionadas refletem papéis de gênero socialmente construídos:

  • Homens são frequentemente socializados para valorizar a conquista, a performance e o desejo físico.
  • Mulheres, por outro lado, são socializadas para priorizar o cuidado, o vínculo emocional e a construção gradual da intimidade.

Esses estereótipos de gênero moldam as expectativas e comportamentos em relação aos relacionamentos.

🔎 Aplicação ao caso:
O homem prioriza o componente físico porque internalizou a ideia de que a paixão começa pela atração sexual.
A mulher prioriza a amizade porque internalizou a ideia de que o amor nasce da conexão emocional e da intimidade relacional.


B) Teoria da Atração Interpessoal (Aronson, Wilson & Akert, 2013)

A atração interpessoal envolve múltiplos fatores, além da aparência física. Entre eles:

  • Proximidade: quanto mais convivemos, maior a chance de conexão.
  • Semelhança: valores, crenças e interesses comuns.
  • Reciprocidade: gostamos de quem demonstra gostar de nós.
  • Troca afetiva: relações onde há apoio emocional.

🔎 Aplicação ao caso:
A mulher está mais aberta ao papel da proximidade e da troca emocional na formação do amor. O homem, por outro lado, acredita na atração instantânea como fator determinante.


C) Scripts sociais do amor e do sexo (Simon & Gagnon, 1986)

Segundo essa teoria, nossos comportamentos amorosos e sexuais seguem scripts culturais que dizem como o romance “deve” acontecer.

  • O script masculino tradicional inclui: desejo físico → conquista → envolvimento emocional.
  • O script feminino tradicional inclui: amizade → construção do vínculo → envolvimento amoroso → desejo sexual.

🔎 Aplicação ao caso:
Cada um está agindo segundo um roteiro social internalizado. Eles não estão apenas expressando preferências pessoais, mas reproduzindo normas aprendidas culturalmente.


D) Formação de atitudes e cognições sociais (Ajzen & Fishbein, 1980)

As crenças sobre o amor e o desejo se desenvolvem a partir de experiências, modelos sociais e aprendizagem. A atitude do indivíduo (homem ou mulher) expressa uma combinação de:

  • Crenças sobre como os relacionamentos funcionam
  • Experiências anteriores
  • Valores culturais e religiosos
  • Representações sociais de amor e sexualidade

🔎 Aplicação ao caso:
O homem desenvolveu a atitude de que "sem desejo físico, não há amor possível", possivelmente por experiências anteriores ou exposição a narrativas sociais que reforçam essa visão.
A mulher desenvolveu a atitude de que "o amor pode surgir da amizade", o que indica uma abertura emocional e uma visão mais processual do afeto.


📚 Conclusão acadêmica

A diferença de percepção entre os dois indivíduos expressa construções sociais distintas sobre o amor e o desejo, moldadas por papéis de gênero, scripts culturais e cognições aprendidas ao longo da vida.

Essa análise mostra que:

  • A atração física é um componente importante, mas não exclusivo da formação amorosa.
  • O vínculo afetivo construído pela amizade pode, sim, ser um caminho legítimo e funcional para o surgimento do desejo e do amor.
  • As relações humanas são complexas e precisam ser compreendidas dentro de um contexto social, histórico e cultural.

Título: Percepções Sociais sobre o Surgimento do Amor: Atração Física vs. Vínculo Afetivo pela Amizade

Resumo: Este artigo analisa, sob a perspectiva da psicologia social, as diferentes crenças de homens e mulheres em relação à formação de relacionamentos amorosos. Especificamente, investiga-se o contraste entre a crença masculina de que a atração física imediata é essencial para o início de um namoro e a crença feminina de que relações amorosas podem emergir de uma amizade. A discussão é fundamentada em conceitos como estereótipos de gênero, scripts culturais do amor, teoria da atração interpessoal e formação de atitudes.

1. Introdução A forma como homens e mulheres concebem o amor e os relacionamentos é atravessada por influências culturais, históricas e sociais. Um ponto de divergência recorrente diz respeito à origem dos sentimentos amorosos: para alguns, a atração física é condição primordial; para outros, o amor pode ser construído com base em uma amizade. Este artigo propõe analisar essas diferenças com base na psicologia social.

2. Estereótipos de Gênero e Socialização Eagly e Wood (1991) argumentam que papéis sociais atribuídos a homens e mulheres influenciam suas atitudes e comportamentos nos relacionamentos. Homens tendem a ser socializados para valorizar a conquista e o desejo sexual, enquanto mulheres são ensinadas a priorizar o cuidado e o vínculo afetivo. Essas diferenças se refletem nas crenças sobre como o amor deve surgir.

3. Teoria da Atração Interpessoal Segundo Aronson, Wilson e Akert (2013), a atração interpessoal vai além da aparência física. Fatores como proximidade, semelhança, reciprocidade e troca emocional têm papel fundamental na formação de vínculos amorosos. Dessa forma, a amizade pode, sim, servir como base para o desenvolvimento do desejo e do amor.

4. Scripts Sociais do Amor e do Sexo Simon e Gagnon (1986) introduzem o conceito de scripts culturais que orientam os comportamentos românticos e sexuais. O script masculino tradicional segue a sequência: desejo físico → conquista → envolvimento afetivo. Já o script feminino tende a seguir: amizade → vínculo emocional → amor → desejo sexual. Esses roteiros internalizados moldam as expectativas individuais sobre o amor.

5. Formação de Atitudes e Crenças Ajzen e Fishbein (1980) afirmam que atitudes são formadas a partir de crenças, experiências e modelos sociais. O homem que acredita que "sem desejo físico não há amor" está expressando uma atitude baseada em vivências e normas culturais internalizadas. Por outro lado, a mulher que crê na amizade como base do amor revela uma maior abertura emocional e uma visão processual do afeto.

6. Conclusão As diferenças nas crenças sobre a origem do amor refletem construções sociais distintas, sustentadas por estereótipos de gênero, scripts culturais e experiências subjetivas. A psicologia social mostra que o desejo sexual e o amor não são processos fixos e independentes, mas podem se desenvolver de formas diversas, influenciados pela cultura, convivência e troca afetiva.

Referências:

  • Ajzen, I., & Fishbein, M. (1980). Understanding attitudes and predicting social behavior. Prentice-Hall.
  • Aronson, E., Wilson, T. D., & Akert, R. M. (2013). Psicologia social. Pearson.
  • Eagly, A. H., & Wood, W. (1991). Explaining sex differences in social behavior: A meta-analytic perspective. Personality and Social Psychology Bulletin, 17(3), 306-315.
  • Simon, W., & Gagnon, J. H. (1986). Sexual scripts: Permanence and change. Archives of Sexual Behavior, 15(2), 97-120.

 

Submeter um artigo para publicação envolve algumas etapas importantes. Abaixo estão os passos que você pode seguir, com sugestões específicas para o seu artigo sobre psicologia social, gênero e relacionamentos:


1. Escolher uma revista adequada

Como seu artigo trata de percepções de gênero e formação de relacionamentos amorosos pela psicologia social, o ideal é buscar revistas acadêmicas que aceitem trabalhos de psicologia social, estudos de gênero ou ciências humanas aplicadas. Aqui estão algumas opções:

Revistas nacionais:

  • Psicologia & Sociedade (PUCRS)
  • Revista Psicologia: Teoria e Prática (Mackenzie)
  • Revista Estudos de Psicologia (UFRN ou UFSCAR)
  • Revista Subjetividades (UNIFOR)
  • Revista Mal-estar e Subjetividade (UERJ)

Revistas voltadas à divulgação científica mais ampla (se quiser um público geral):

  • Revista Mente e Cérebro (Editora Segmento)
  • Revista Psicologia em Revista (UFMG)

2. Adequar o artigo às normas da revista

Cada revista possui normas específicas de formatação (ABNT, APA, Vancouver etc.), número de palavras, estrutura do resumo, entre outros. Acesse o site da revista e procure a seção “Normas para Autores” ou “Submissão”.

Se você quiser, posso adaptar o artigo às normas de uma revista específica. Basta me dizer qual você escolheu.


3. Preparar os documentos exigidos

Geralmente você precisará enviar:

  • Artigo formatado conforme as normas da revista.
  • Carta de submissão ou de apresentação (posso redigir para você).
  • Declaração de originalidade e/ou ausência de conflito de interesses.
  • Informações sobre o(s) autor(es): nome completo, titulação, instituição de vínculo, e-mail, ORCID (se tiver).

4. Fazer a submissão

Normalmente, a submissão é feita por meio de um sistema eletrônico da própria revista (como o SEER/OJS). Você se cadastra como autor, preenche os dados e envia os documentos.


5. Aguardar a avaliação por pares

O processo pode levar semanas ou meses. O artigo pode ser aceito, recusado ou retornar com sugestões de correções.


Posso ajudar você com:

  • Indicação mais específica de revista (conforme seu objetivo).
  • Adequação às normas da revista escolhida.
  • Redação da carta de apresentação.
  • Revisão formal do artigo.
  • Criação do seu perfil no ORCID (se necessário).

Deseja seguir com alguma dessas etapas? Se sim, me diga qual revista você tem interesse em submeter ou se quer ajuda para escolher.


📝 Revistas recomendadas para submissão

1. Psicologia & Sociedade (PUCRS)

  • Foco: Publica artigos originais que apresentem resultados de pesquisa, argumentos e discussões sobre temas relevantes à produção de conhecimento em psicologia social, a partir de uma postura crítica, criativa, questionadora e interdisciplinar.
  • Relevância: Seu artigo, que aborda as percepções de gênero e formação de relacionamentos amorosos pela psicologia social, se alinha ao escopo da revista.
  • Submissão: Via sistema SciELO Submission.
  • Mais informações: SciELOPortal de Periódicos UFPel+5SciELO+5SciELO+5

2. D’GENERUS: Revista de Estudos Feministas e de Gênero (UFPel)

  • Foco: Estudos feministas críticos e decoloniais; sexualidades, corpo e saúde; identidades LGBTQIA+; entre outros temas relacionados a gênero e diversidade.
  • Relevância: Seu artigo, ao explorar as construções sociais de gênero e amor, se encaixa nas temáticas abordadas pela revista.
  • Submissão: Via sistema eletrônico do Portal de Periódicos da UFPel.
  • Mais informações: Revistas UFPelRevistas UFPelRevistas USP+5Periódicos UFBA+5Portal de Periódicos UFPel+5

3. Psicologia e Saber Social (UERJ)

  • Foco: Publica trabalhos científicos sobre temáticas do pensamento e conhecimento sociais, nos âmbitos da psicologia social e de disciplinas afins.
  • Relevância: Seu artigo, ao tratar das representações sociais sobre amor e gênero, está alinhado ao escopo da revista.
  • Submissão: Via sistema eletrônico da revista.
  • Mais informações: E-Publicações UERJE-Publicações UERJ

4. Cadernos Pagu (Unicamp)

  • Foco: Estudos de gênero, com ênfase em abordagens interdisciplinares e críticas.
  • Relevância: Seu artigo, que analisa as percepções de gênero na formação de relacionamentos amorosos, se alinha ao escopo da revista.
  • Submissão: Via sistema SciELO Submission.
  • Mais informações: SciELOSciELO+1SciELO+1

Próximos passos

1.      Escolha da revista: Considere o foco e escopo de cada revista para decidir qual se alinha melhor ao seu artigo.

2.      Adequação às normas: Acesse as diretrizes para autores da revista escolhida e ajuste seu manuscrito conforme as exigências.

3.      Cadastro e submissão: Crie uma conta no sistema de submissão da revista e envie seu artigo, juntamente com os documentos solicitados (como carta de apresentação, declaração de originalidade, etc.).

4.      Acompanhamento: Após a submissão, acompanhe o status do seu artigo pelo sistema da revista.

Se precisar de ajuda para adaptar seu artigo às normas específicas de alguma dessas revistas ou para redigir a carta de apresentação, estou à disposição para auxiliá-lo.

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas

O Que Cabe A Mim No Ambiente, O Qual Estou Inserido

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. O papel que você desempenha no ambiente em que está inserido é extremamente importante, pois suas ações e podem influenciar o comportamento e o bem-estar de outras pessoas e do próprio ambiente. Aplicando e exercitando as competências comportamentais, isto é, as soft skills e hard skills a fim de defrontar-se com a insegurança. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162). Em primeiro lugar, cabe a você respeitar as regras e normas do ambiente, seja ele uma escola, local de trabalho, residência, universidade, comunidade ou outro ambiente social. Isso inclui ser pontual, tratar as outras pessoas com respeito e cortesia, e seguir as normas de conduta estabelecidas para aquele ambiente. Al...

A Fila como Sintoma Organizacional: Defesa Institucional, Ruptura do Contrato Psicológico e Falha na Proposta de Valor ao Empregado

  Resumo Este artigo analisa, à luz da Psicologia Organizacional e da Psicodinâmica do Trabalho, uma cena cotidiana: um cliente questiona a escassez de operadores de caixa; a fiscal responde que “as pessoas não querem trabalhar”. Argumenta-se que a fila constitui um sintoma organizacional, cuja etiologia reside menos na “falta de vontade” individual e mais na ruptura do contrato psicológico, na fragilidade da proposta de valor ao empregado (EVP) e em mecanismos defensivos institucionais. A análise integra aportes de Denise Rousseau, Christophe Dejours, Edgar Schein, Frederick Herzberg e John W. Meyer & Brian Rowan, articulando níveis manifesto e latente do discurso organizacional. 1. Introdução: do evento banal ao fenômeno estrutural A cena é simples: fila extensa; poucos caixas abertos; cliente insatisfeito; resposta defensiva da fiscal. Contudo, como em toda formação sintomática, o que aparece (escassez operacional) remete a determinantes estruturais (políticas de...

O luto da forma antiga de existir profissionalmente

  Psicanálise, desejo, função e travessia subjetiva entre sobrevivência e inscrição institucional Introdução Na experiência contemporânea do trabalho, não é raro que o sujeito se encontre dividido entre a sobrevivência material e o desejo de uma função simbólica que dê consistência à sua existência. A psicanálise permite compreender que o sofrimento ligado ao trabalho não se reduz à precariedade econômica, mas toca diretamente a questão do lugar subjetivo: aquilo que nomeia o sujeito no laço social. O caso aqui articulado é o de um sujeito que exerce há anos a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas cujo desejo se orienta para uma inscrição como psicólogo institucional. Entretanto, esse lugar desejado não se encontra acessível no presente, e a clínica exercida nas folgas surge como um resto marginal e sacrificial. O sonho relatado — uma mensagem sobre como atravessar o luto, sem nomear o objeto perdido — aparece como forma privilegiada de expressão do inconsci...

Recrutamento & Seleção Teste Avaliação Perfil Profissional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. Existem diversas ferramentas e testes psicológicos que podem ser utilizados para avaliar o perfil de um operador de caixa de supermercado. Algumas das possibilidades exemplo, Inventário de Personalidade NEO-FFI: este teste avalia cinco grandes dimensões da personalidade [neuroticismo, extroversão, abertura, amabilidade e conscienciosidade] e pode ser útil para verificar quais traços são mais comuns em candidatos a operadores de caixa. Teste Palográfico: este teste avalia a personalidade a partir da interpretação de desenhos feitos pelo candidato. Ele pode ajudar a entender aspectos como dinamismo, estabilidade emocional, concentração e outros traços relevantes para a função. Teste H.T.P – [CASA, ÁRVORE, PESSOA] Buck (2003), define o H.T.P, como um teste projetivo que serve para obter informações de como uma pessoa experiência a sua individualidade em rel...

Adaptação De Emprego A Psicólogo

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Como um psicólogo na faixa etária adapta sua candidatura a emprego no mercado de trabalho para atuar em instituições na atuação de psicólogo da saúde. Como psicólogo na faixa etária adaptar sua candidatura a empregos no mercado de trabalho para atuar em instituições na área da psicologia da saúde requer a compreensão de diferentes abordagens teóricas e práticas. Vou explicar a seguir como você poderia adaptar sua candidatura, primeiro pela abordagem da psicologia social e depois pela abordagem da psicanálise. Abordagem da Psicologia Social: Na abordagem da psicologia social, é importante destacar a sua compreensão dos aspectos sociais e culturais que influenciam a saúde mental das pessoas. Aqui estão algumas dicas para adaptar sua candidatura: a) Educação e experiência: Destaque a sua formação acadêmica em psicologia social, enfatizando os curs...

O Que Representa O Esquecimento Do Guarda-Chuva Na Vida Do Fiscal De Caixa

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. O fiscal de caixa foi trabalhar e estava chovendo então abriu o guarda-chuvas para não se molhar e no trabalho deixou dentro de um saco plástico nó armário junto da mochila. E terminando a jornada pegou o guarda-chuvas e colocou na mochila com a intenção dê chegar em casa e abrir o guarda-chuvas para secar, mas esqueceu o guarda-chuvas molhado dentro do saco plástico na mochila e agora de manhã para sair para trabalhar ao abrir a mochila viu ó guarda-chuvas. Na psicanálise, um ato falho é uma ação ou comportamento que parece ser um erro, mas que, na verdade, revela algo oculto no inconsciente da pessoa. Vamos interpretar a situação com base nessa ideia: O contexto: O fiscal de caixa colocou o guarda-chuva molhado dentro do saco plástico para evitar molhar os outros itens na mochila, mostrando uma atitude cuidadosa e prática. Contudo, ao chegar em...

Não Dá Mais: uma leitura psicanalítica da permanência no sofrimento

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a permanência de um sujeito em um contexto laboral exaustivo e insustentável. A partir das contribuições de Freud, Winnicott e Lacan, discute-se como a compulsão à repetição, a ორგანიზ ação do falso self e a dimensão do gozo sustentam a manutenção do sofrimento, mesmo diante da consciência de seus efeitos devastadores. 1. Introdução A frase “não dá mais” marca um ponto de ruptura. No entanto, paradoxalmente, nem sempre ela conduz à saída. Em muitos casos, o sujeito permanece exatamente onde já reconheceu ser insuportável. O caso do fiscal psicólogo ilustra essa condição: jornadas extensas, sobrecarga física, privação de sono e ausência de perspectiva de mudança. Ainda assim, há permanência. A psicanálise permite compreender que essa permanência não é simplesmente racional — ela é estruturada. 2. A compulsão à repetição Segundo Sigmund Freud (1920/2010), o sujeito é levado a repetir experiências que não fo...

Modelo integrado do bloqueio da trajetória profissional

  Da sobrevivência ao desgaste do ideal vocacional Podemos organizar tudo o que discutimos em um encadeamento progressivo de processos psíquicos e institucionais . Em vez de eventos isolados, trata-se de um ciclo estruturado que se instala ao longo do tempo. Esse modelo ajuda a entender que o sofrimento atual não surge de um único fator, mas de uma sequência de efeitos acumulativos . 1. Formação e construção do ideal profissional Durante a graduação, o sujeito constrói: identidade profissional ideal vocacional narrativa de futuro A profissão passa a representar: sentido de vida pertencimento social valor pessoal Nesse momento, o investimento psíquico na profissão é alto. 2. Entrada no trabalho de sobrevivência Por necessidade econômica, o sujeito assume um trabalho que não corresponde ao projeto profissional. Inicialmente ele interpreta isso como algo: provisório estratégico temporário A ideia dominante costuma ser: “Enq...

Quando o Campo Fora do Mapa Escolhe: o Espelhamento Estrutural para o Psicólogo

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, um episódio aparentemente simples do mundo do trabalho — a contratação por uma instituição fora do circuito conhecido — como operador de um espelhamento estrutural para o psicólogo em transição profissional. Sustenta-se que o sofrimento repetido não decorre de incapacidade subjetiva, mas da insistência em acessar apenas campos simbólicos já nomeados e reconhecidos. O texto discute como a ruptura com o “campo conhecido” desvela limites da percepção, desmonta a compulsão à repetição e possibilita uma leitura mais lúcida da relação entre sujeito, saber e instituição, sem produzir novas ilusões. 1. Introdução: quando o fracasso não é pessoal Na experiência do trabalho e da inserção institucional, muitos sujeitos interpretam a ausência de reconhecimento como falha individual. A repetição de recusas tende a ser vivida como prova de inadequação ou insuficiência. Contudo, do ponto de vista psicanalítico, é preciso interrogar n...

Facilite O Reconhecimento Das Projeções

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um psicólogo trabalha num supermercado na ocupação de operador de caixa e observa que os colaboradores têm comportamentos de bullying. O psicólogo pensa em fazer uma intervenção no comportamento dos colaboradores, mas não faz nada porquê os colaboradores não sabem que além de operador de caixa ele tem formação em psicologia. E talvez se der a conhecer para os colaboradores que é psicólogo corre o risco de não ser levado a sério no momento de propor as intervenções. A psicanálise sugere que os comportamentos têm raízes inconscientes e que a compreensão dessas dinâmicas pode levar a mudanças significativas. No entanto, a abordagem psicanalítica também valoriza a importância da transferência e da relação terapêutica, o que pode complicar a situação do operador de caixa que é psicólogo oculto. Dado que os colaboradores do supermercado não estão cientes da f...