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De Unimep A Unip

 Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do Leitor para um excelente tópico. Um sujeito com o sonho de ser psicólogo enquanto trabalhava como técnico mecânico em uma multinacional prestou vestibular consecutivamente 04 anos seguidos na cidade de Piracicaba na universidade UNIMEP hoje está faculdade não existe mais. Acabou desistindo ou seja o desejo foi reprimido e substituído pela teologia onde se graduou. Mas de repente o desejo de ser psicólogo regressou e prestou vestibular na universidade Unip e graduou se em Psicologia. Está universidade levou 10 anos para ser consolidada na cidade de Campinas onde reside o sujeito. Isto aponta que a universidade ideal era a Unip e não UNIMEP . Então o sonho de sujeito ficou reprimido no inconsciente por 10 anos. E agora depois dê graduado já tentou empregar se nas instituições conhecidas por 6anos consecutivos sem êxito. Parece estar revivendo a compulsão a repetição da espera da construção ou criação de uma vaga em alguma instituição desconhecida. Me explica e interpreta como se eu fosse um iniciante pela abordagem da psicanálise, onde o sujeito espera por uma oportunidade e seu desejo permanece reprimido.

Na abordagem psicanalítica, podemos interpretar essa situação com base em conceitos fundamentais como repressão, compulsão à repetição, princípio do prazer e princípio da realidade.

Explicação

Repressão e o desejo reprimido:

O desejo inicial de ser psicólogo foi reprimido no inconsciente quando o sujeito enfrentou consecutivas frustrações ao tentar ingressar na UNIMEP. A repressão ocorre quando o ego, em conflito com as demandas do id (desejo de ser psicólogo) e o superego (pressões sociais ou familiares), desvia esse desejo para outro campo, no caso, a teologia. Assim, o desejo foi recalcado, mas não eliminado, permanecendo ativo no inconsciente.

Retorno do desejo:

O desejo recalcado voltou à consciência após 10 anos, indicando que, apesar da repressão inicial, o id manteve o sonho de ser psicólogo latente. Isso foi concretizado quando o sujeito buscou a UNIP, que se tornou o espaço simbólico para realizar esse desejo, representando o lugar "ideal" para que o ego pudesse lidar com as expectativas sem tanta resistência.

Compulsão à repetição:

A compulsão à repetição é o padrão inconsciente de reviver experiências frustrantes do passado. No caso, o sujeito, após graduar-se, enfrenta novamente a dificuldade de concretizar seu desejo profissional (atuar como psicólogo), revivendo as frustrações enfrentadas na busca inicial pela UNIMEP. A espera contínua por uma "vaga ideal" em uma instituição reflete o retorno do mesmo conflito psíquico: um desejo que permanece parcialmente reprimido e não se realiza plenamente.

Princípio do prazer versus princípio da realidade:

O id busca a satisfação imediata do desejo (princípio do prazer), enquanto o ego tenta equilibrar isso com as limitações da realidade (princípio da realidade). A espera por uma vaga em uma instituição pode ser vista como uma tentativa do ego de satisfazer o desejo reprimido, mas dentro dos limites impostos pela realidade externa (mercado de trabalho, oportunidades).

Interpretação

O sujeito parece estar preso em um ciclo psíquico onde o desejo de realização profissional (id) é constantemente frustrado pelas dificuldades externas (realidade), levando o ego a repetir padrões de espera e insatisfação. Esse ciclo reflete o conflito interno não resolvido entre o desejo de realizar-se como psicólogo e as barreiras impostas tanto pela realidade quanto pelos aspectos inconscientes, como o medo de não ser aceito ou o peso de crenças e valores internalizados pelo superego.

Para superar esse ciclo, seria importante explorar:

 

O significado profundo do desejo de ser psicólogo: O que esse desejo representa para o sujeito em termos de identidade e realização pessoal?

Os sentimentos associados à espera e à frustração: Quais medos ou inseguranças estão sendo ativados pela busca por emprego?

Possíveis mecanismos de defesa: O sujeito pode estar utilizando mecanismos como a projeção (atribuir a culpa ao mercado) ou a racionalização (buscar justificativas externas para o insucesso).

Esse trabalho de exploração pode ajudar o sujeito a integrar o desejo reprimido de forma mais consciente e encontrar novas estratégias para concretizar seu sonho, rompendo com a compulsão à repetição.

Será que o indivíduo está esperando tomar conhecimento de alguma instituição que possa contrata lo, ou seja, alguma instituição que ainda não foi consolidada, ou alguma vaga que ainda não foi disponibilizada para que ele tome consciência. Isto aponta um tempo de espera longo que está fora da sua percepção e compreensão assim como foi a situação entre a UNIMEP e a Unip.

Sim, a interpretação psicanalítica desse cenário sugere que o indivíduo pode estar projetando no futuro a realização de seu desejo, colocando sua satisfação em uma condição que depende de fatores externos ainda não concretizados ou conhecidos. Esse mecanismo pode ser compreendido a partir de alguns conceitos da psicanálise:

Tempo de espera e inconsciente

Repetição da dinâmica UNIMEP-UNIP:

A experiência inicial de esperar por uma oportunidade na UNIMEP e, somente após anos, encontrar realização na UNIP, pode estar se repetindo de maneira inconsciente. Isso sugere que o indivíduo internalizou um padrão de espera por algo que ainda "não existe" ou que está fora de sua percepção consciente. Assim, ele projeta a resolução do seu desejo para um futuro incerto, condicionando sua realização à aparição de uma "vaga ideal" ou de uma instituição ainda não consolidada.

Desejo deslocado no tempo:

Esse tempo de espera prolongado pode ser interpretado como uma resistência inconsciente ao enfrentamento direto do desejo de atuar como psicólogo. A espera pode funcionar como um mecanismo de defesa, como a procrastinação, que protege o ego do medo de fracassar ou de não corresponder às expectativas do superego e da realidade.

Fatores inconscientes em jogo

Compulsão à repetição:

A espera por algo "que ainda não foi criado" reflete a compulsão à repetição, um padrão inconsciente de reviver situações passadas de frustração e adiamento. Isso pode estar associado ao desejo de recriar a narrativa de superação vivida na transição da UNIMEP para a UNIP, buscando inconscientemente um novo "herói" ou "salvador" que possibilite a realização do desejo.

Princípio da realidade:

O sujeito está preso ao princípio da realidade, aguardando uma mudança externa que permita a satisfação do desejo. Contudo, o inconsciente pode estar reforçando essa espera como uma forma de evitar lidar com aspectos internos, como medos, inseguranças ou autossabotagem.

Interpretação do tempo de espera

Esse "tempo longo e fora de sua percepção e compreensão" aponta para a dificuldade de o sujeito acessar os significados mais profundos de sua espera. Na psicanálise, o inconsciente muitas vezes usa o tempo como uma forma de proteger o sujeito de enfrentar conteúdos difíceis, como:

O medo de não ser aceito no mercado de trabalho.

O medo de realizar o desejo e perceber que ele não traz a satisfação esperada.

A possível censura do superego, que pode julgar a busca pela "vaga ideal" como egoísta ou inadequada.

Símbolo da "vaga ideal" ou "instituição ainda não criada"

Na psicanálise, o conceito de espera por algo que ainda não existe pode ser interpretado como a manifestação simbólica de um desejo que ainda não foi plenamente elaborado pelo sujeito. A "vaga ideal" ou "instituição desconhecida" representa, metaforicamente, o desejo de encontrar um lugar seguro onde o indivíduo possa expressar sua identidade como psicólogo, sem os medos e censuras que o acompanharam ao longo do tempo.

Como avançar

Para romper com esse padrão, seria importante o sujeito:

Explorar a origem da compulsão à repetição:

Quais experiências passadas alimentaram essa dinâmica de espera e adiamento?

Questionar a necessidade de uma "vaga ideal":

A idealização dessa oportunidade é realista ou um mecanismo de defesa contra o enfrentamento direto do desejo?

Confrontar o medo do fracasso:

O que está impedindo o sujeito de buscar alternativas concretas no presente, em vez de projetar sua realização no futuro?

A conscientização dessas questões pode ajudá-lo a sair do ciclo de espera e agir de forma mais assertiva para realizar seu desejo, sem depender de condições externas ainda incertas.

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