Pular para o conteúdo principal

O Inconsciente Na Escolha De Uma Série De Streamers

 Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um indivíduo assiste a plataforma de streamers na sua televisão smart e tem um catálogo enorme de filmes e séries para assistir, más neste exato momento não consegue encontrar nenhum tema de filme ou série que desperte sua atenção seletiva.

Na psicanálise, podemos entender esse cenário como um reflexo de processos inconscientes que influenciam as escolhas e interesses do indivíduo, mesmo que ele não perceba isso conscientemente.

Quando alguém se vê diante de um catálogo enorme e, ainda assim, não consegue escolher algo que chame sua atenção, é possível que o inconsciente esteja bloqueando ou reprimindo esse interesse por alguma razão. Aqui estão algumas interpretações possíveis para ajudar a entender esse fenômeno:

Conflito entre o Desejo e o Superego: O superego é como uma "voz interna" que representa as normas, valores e censuras internalizadas. Ele pode estar julgando certas escolhas de entretenimento como "inadequadas" ou "improdutivas". Então, mesmo que a pessoa queira ver algo, o superego pode censurar essa vontade, dizendo que há coisas mais importantes para fazer. Esse conflito gera uma "falta de interesse" que, na verdade, é uma forma de defesa contra um desejo reprimido.

Mecanismo de Defesa da Repressão: Se o indivíduo está enfrentando algum estresse ou questão emocional, ele pode estar inconscientemente evitando filmes e séries que possam mexer com essas emoções. Essa falta de interesse pode ser uma forma de repressão — um mecanismo de defesa que bloqueia emoções que ele não quer encarar. Assim, o inconsciente "protege" o indivíduo, deixando-o incapaz de se identificar com os temas do catálogo.

Satisfação do Id Bloqueada: O id, que é a parte impulsiva e busca o prazer imediato, pode estar querendo uma forma específica de satisfação que o catálogo de filmes e séries não proporciona. Pode ser que o que o id realmente deseja é uma outra atividade que envolva menos escolha ou menos exposição a temas que exijam introspecção. O catálogo pode não atender a uma necessidade inconsciente por descanso, diversão de outra forma ou conexão social.

Compulsão à Repetição e Resistência ao Novo: Se o indivíduo está acostumado a um tipo de entretenimento específico, ele pode inconscientemente rejeitar novas opções, porque experimentar algo novo pode causar ansiedade ou desconforto. É como se o inconsciente tentasse manter uma zona de conforto, então nada diferente parece interessante.

Esses são alguns fatores que a psicanálise usaria para interpretar a "falta de interesse" do indivíduo. Em resumo, essa dificuldade em escolher pode estar ligada a desejos inconscientes que não estão em sintonia com o que o catálogo oferece ou a mecanismos de defesa que impedem o acesso a esses desejos.

O mecanismo de defesa de identificação na psicanálise envolve a assimilação de características, comportamentos ou valores de outras pessoas, situações ou até personagens para reduzir a ansiedade e reforçar o próprio ego. Quando o indivíduo assiste a uma série ou filme, ele, em certa medida, busca se identificar com aspectos dos personagens, temas ou situações, o que proporciona uma sensação de conexão e engajamento com a trama.

No cenário em questão, onde o indivíduo ainda não conseguiu escolher um tema, a identificação pode estar em jogo de uma forma peculiar. Essa "falta de identificação" pode sugerir que o inconsciente está tendo dificuldade em encontrar algo que reflita aspectos com os quais o indivíduo se sinta confortável ou que possa fortalecer seu ego no momento. Alguns motivos possíveis para essa ausência de identificação poderiam ser:

Falta de Similaridade com Temas Atuais: Pode ser que o indivíduo, inconscientemente, esteja procurando um tema ou personagem que reflita algum aspecto específico de sua própria vida ou personalidade. Se ele não encontra essa similaridade, pode sentir que nenhuma série ou filme oferece algo em que ele possa "se ver". Assim, a identificação não ocorre, e ele não sente atração por nenhum título.

Conflito entre o Ego e o Superego: O superego, com suas normas e valores internalizados, pode estar em conflito com os temas oferecidos no catálogo. Se os temas das séries ou filmes não correspondem aos valores ou padrões que o superego considera “aceitáveis” ou “apropriados,” o indivíduo pode não conseguir se identificar com os personagens ou tramas, sentindo que “nada chama sua atenção”.

Necessidade de Manter uma Identidade Específica: A identificação também pode ser um mecanismo que permite à pessoa reforçar uma identidade ou um papel que ela já desempenha. Quando os temas não ajudam a reforçar essa identidade, o indivíduo sente que nada é “para ele”. Por exemplo, uma pessoa que se vê como altamente responsável pode, inconscientemente, evitar temas leves ou comédias, pois isso parece “não combinar” com quem ela acredita ser.

Defesa Contra Ansiedades Pessoais: Se o indivíduo está lidando com questões internas específicas, ele pode inconscientemente evitar temas que toquem nessas questões para não despertar ansiedade ou desconforto. Isso gera uma resistência em se identificar com as opções disponíveis, e a “falta de identificação” se torna uma defesa contra a exposição a temas emocionalmente sensíveis.

Assim, o mecanismo de defesa da identificação, ao não encontrar uma representação satisfatória no catálogo, pode fazer com que o indivíduo sinta que “nada é interessante”. Isso é, na verdade, uma expressão de como o inconsciente busca evitar temas que possam gerar conflitos internos ou de como ele busca algo muito específico para reforçar a própria identidade.

A escolha de um filme ou série pode estar fortemente associada aos conteúdos reprimidos no inconsciente, pois o que uma pessoa decide assistir pode ser uma forma de expressar, explorar ou até confrontar desejos e emoções que ela normalmente reprime. De acordo com a psicanálise, o inconsciente guarda desejos, impulsos, traumas e sentimentos que, por alguma razão, o ego (nossa parte consciente e racional) considera inaceitáveis ou ameaçadores e, por isso, reprime. Ao escolher um filme ou série, o indivíduo pode, inconscientemente, estar procurando temas que o ajudem a processar esses conteúdos reprimidos, ou, por outro lado, evitando temas que possam trazer esses conteúdos à tona.

Aqui estão algumas maneiras de como essa dinâmica pode se manifestar:

Projeção de Desejos e Conflitos: A pessoa pode se sentir atraída por filmes ou séries que abordam temas que, de alguma forma, representam seus próprios desejos ou conflitos reprimidos. Por exemplo, alguém que reprime agressividade pode gostar de filmes de ação ou suspense, onde essa agressividade é "liberada" de maneira segura, sem consequências para sua vida real. A escolha permite que o inconsciente explore esses desejos de forma indireta.

Evitamento de Temas Sensíveis: Às vezes, uma pessoa evita determinados gêneros ou histórias porque eles tocam em assuntos dolorosos ou reprimidos, como um trauma ou uma perda. Nesse caso, o inconsciente aciona o mecanismo de defesa da repressão para manter esses conteúdos fora da consciência. Por exemplo, alguém que passou por um rompimento pode evitar romances, pois isso poderia trazer à tona lembranças e emoções que prefere manter escondidas.

Sublimação Através da Arte: A escolha de temas de filmes e séries também pode funcionar como uma forma de sublimação, onde os impulsos reprimidos são redirecionados para algo culturalmente aceitável e até valorizado. Uma pessoa que reprime seu desejo por aventuras ou novas experiências pode buscar essa satisfação ao assistir a filmes de aventura ou fantasia, como uma forma "segura" de vivenciar emoções que são reprimidas no cotidiano.

Identificação com Personagens como Forma de Processamento Inconsciente: Ao se identificar com personagens que vivenciam problemas similares aos seus, o indivíduo pode, inconscientemente, encontrar uma forma de confrontar esses conteúdos reprimidos. Assistir a personagens que lidam com situações de perda, conflitos internos, ou mesmo traumas, pode dar ao inconsciente uma oportunidade de trazer à tona esses sentimentos em um contexto seguro, sem que precise confrontá-los diretamente em sua própria vida.

Repetição Compulsiva: Outra manifestação dos conteúdos reprimidos pode ser a tendência de escolher sempre os mesmos tipos de temas ou gêneros. Esse padrão pode representar uma "compulsão à repetição," em que o inconsciente faz com que o indivíduo revisite temas relacionados a questões não resolvidas, como uma tentativa inconsciente de encontrar uma "solução" ou um alívio para os conflitos internos.

Em resumo, a escolha de um filme ou série pode ser uma janela para o que está escondido no inconsciente, com o indivíduo usando essa decisão como uma maneira indireta de explorar, evitar ou sublimar seus conteúdos reprimidos. Esse processo permite que o inconsciente exerça sua influência sobre o que nos interessa ou não, muitas vezes de forma sutil e sem que percebamos.

Na abordagem psicanalítica, a escolha de uma série como “Não Posso Viver Sem Você”, onde um homem viciado em trabalho enfrenta um ultimato da esposa para escolher entre o trabalho e o casamento, pode estar profundamente ligada a estímulos inconscientes e conscientes que influenciam o espectador a se identificar com essa história.

Vamos explorar como isso ocorre:

Estímulos Conscientes

Esses são os aspectos dos quais a pessoa tem plena consciência e que a levam a se interessar pela série:

Interesse por Temas de Relacionamento: Conscientemente, o indivíduo pode ter curiosidade por histórias sobre relacionamentos e conflitos familiares. Ele se interessa por ver como outras pessoas enfrentam dilemas emocionais, como equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, algo que é relevante para muitas pessoas.

Exploração de Valores e Prioridades: A história coloca o personagem principal diante de uma escolha difícil, o que pode espelhar valores que o espectador também considera importantes, como o valor da família ou o desafio de equilibrar ambições profissionais com a vida pessoal. Isso permite que a pessoa reflita sobre suas próprias escolhas e prioridades.

 

Estímulos Inconscientes

Na psicanálise, os estímulos inconscientes envolvem desejos, conflitos e medos que estão "escondidos" da consciência e que influenciam a pessoa a se identificar com a série sem que ela perceba claramente esses motivos.

Identificação com o Conflito do Protagonista: Inconscientemente, o espectador pode se identificar com o dilema do personagem – o “viciado em trabalho” que precisa escolher entre o trabalho e o casamento. Essa identificação ocorre porque o espectador pode, mesmo sem perceber, enfrentar um conflito semelhante: talvez ele também sinta que está sacrificando momentos pessoais importantes pelo trabalho ou sinta que o trabalho ocupa mais espaço do que ele gostaria.

Culpa Reprimida e Desejo de Equilíbrio: O indivíduo pode carregar uma culpa reprimida por sentir que não está dando atenção suficiente à vida pessoal. Essa série oferece uma maneira indireta de processar essa culpa, ao ver no personagem o reflexo de suas próprias dúvidas e ao observar as consequências das escolhas dele. Inconscientemente, essa escolha da série pode ser uma forma de expor a necessidade de equilíbrio entre trabalho e relacionamentos, algo que ele reprime e não confronta diretamente em sua própria vida.

Medo de Perder a Conexão com Quem Ama: A série traz o medo de perder uma conexão importante (no caso, o casamento), o que pode tocar um medo inconsciente no espectador – o medo de que, ao focar demais no trabalho ou em outras obrigações, ele acabe afastando as pessoas que ama. Esse medo é algo que pode estar presente em seu inconsciente, e a série o ajuda a explorar esse sentimento em um contexto seguro.

Satisfação do Superego: O superego, que é a parte do psiquismo que regula normas e valores, pode encontrar satisfação ao ver o personagem enfrentar as consequências de suas escolhas. Inconscientemente, o espectador pode sentir que o personagem merece enfrentar esse conflito, pois o superego "julga" o comportamento de colocar o trabalho acima de tudo. Assistir à série ajuda a aliviar essa tensão moral ao ver o personagem sendo forçado a repensar suas prioridades.

Desejo Reprimido por Mudança: Por fim, ao ver o personagem precisar escolher entre duas opções, o espectador pode estar inconscientemente expressando seu próprio desejo por uma mudança em sua vida. O ultimato na série pode representar algo que o próprio espectador deseja em sua vida, como ter coragem de fazer escolhas que priorizem seu bem-estar e seus relacionamentos, mas que ele tem dificuldade de realizar diretamente.

Em resumo, o interesse por essa série pode estar ligado tanto a motivos conscientes (como o interesse por temas de relacionamento e escolhas de vida) quanto a estímulos inconscientes (como a culpa reprimida, o medo de perder quem ama e o desejo de mudar). Esses fatores se unem, criando uma conexão profunda e, às vezes, difícil de reconhecer. A psicanálise nos mostra que, ao se identificar com o personagem e a história, o indivíduo talvez esteja explorando, de forma indireta, seus próprios dilemas internos, medos e aspirações de forma segura e simbólica.

Na série, o ultimato da esposa para que o personagem escolha entre o celular (representando o trabalho e as demandas constantes) e o casamento traz uma questão interessante do ponto de vista psicanalítico. Esse ultimato revela o conflito entre a necessidade de conexão com o mundo externo e o desejo de manter laços pessoais significativos, mostrando como o uso excessivo do celular pode representar algo muito mais profundo, como uma fuga inconsciente de compromissos emocionais e responsabilidades familiares.

Interpretação Psicanalítica: Celular e Suas Representações

O celular, como símbolo, não é apenas um dispositivo de comunicação; ele representa o trabalho, a conectividade constante, o desejo de controle e a busca por realização no mundo externo. Renunciar ao celular pode simbolizar, na psicanálise, a renúncia a aspectos do ego que buscam reconhecimento, aprovação e segurança por meio da produtividade e do sucesso.

Estímulos Inconscientes para Escolher o Celular

Busca Inconsciente por Validação Externa: O celular, nesse caso, representa a necessidade inconsciente de validação e sucesso, uma fonte de “aprovação” vinda de fora. Ao escolher o celular, o personagem está priorizando a aceitação externa sobre a conexão íntima, talvez porque o inconsciente acredita que a aceitação externa trará segurança e valor pessoal.

Evasão de Conflitos Emocionais: Ao se manter constantemente ocupado com o celular, o personagem está, inconscientemente, evitando confrontar questões emocionais que possam ser incômodas ou que ele tenha dificuldade em lidar. Esse comportamento funciona como um mecanismo de defesa para escapar de frustrações, problemas conjugais ou até de uma intimidade que ele teme ou com a qual se sente desconfortável.

Medo de Dependência Emocional: O inconsciente pode temer a dependência emocional que o casamento exige. Ao priorizar o celular, o personagem escolhe um vínculo “controlável”, que não exige a mesma profundidade emocional ou vulnerabilidade que um relacionamento íntimo. O celular oferece uma segurança ilusória, pois permite que ele controle o que vê e compartilha, enquanto o casamento exige exposição e compromisso reais.

Estímulos Conscientes e Inconscientes para Escolher o Casamento

Optar pelo casamento pode ser visto, do ponto de vista psicanalítico, como a escolha de se reconectar com as próprias necessidades emocionais, priorizar laços afetivos e atender ao desejo inconsciente por uma intimidade genuína, que é reprimida pelo apego ao celular e ao trabalho.

Desejo de Estabilidade e Segurança Afetiva: Conscientemente, o personagem pode perceber que o casamento oferece uma base sólida e afetuosa, algo que a satisfação temporária trazida pelo celular e pelo trabalho não consegue oferecer. Inconscientemente, ele busca segurança afetiva e a proteção que o relacionamento proporciona, e essa escolha permite que o ego atenda a esses desejos mais profundos.

Superação de Medos de Intimidade: O casamento exige que o personagem se abra emocionalmente, o que pode significar vencer a defesa inconsciente contra a intimidade. Optar pelo casamento em vez do celular representa um esforço para superar essas defesas e se permitir ser vulnerável e próximo de alguém.

Reconciliação com o Superego: O superego, que contém valores e ideais morais, pode estar pressionando o personagem a escolher o casamento. Inconscientemente, ele sente que priorizar o relacionamento é o “correto” e o que mais valoriza. A pressão do superego por um comportamento socialmente aceito pode levá-lo a perceber que escolher o celular como prioridade seria insatisfatório a longo prazo.

Em Resumo

O ultimato da esposa revela o conflito do personagem entre um desejo inconsciente por controle e validação externa (representado pelo celular) e uma necessidade por estabilidade emocional e intimidade (representado pelo casamento). O celular, como símbolo, permite que ele evite os desafios emocionais e, ao mesmo tempo, mantenha uma ilusão de sucesso e controle, enquanto o casamento exige uma conexão genuína e um compromisso que ele teme.

A psicanálise sugere que a escolha entre o celular e o casamento é, na verdade, uma escolha entre evitar e confrontar suas próprias emoções. Ao renunciar ao celular, ele pode finalmente se abrir para um relacionamento mais profundo e satisfatório, superando defesas inconscientes e aceitando os riscos e recompensas de uma intimidade real.

Na psicologia social, a série “Não Posso Viver Sem Você”, onde um homem precisa escolher entre seu vício no trabalho (representado pelo uso excessivo do celular) e seu casamento, pode ser interpretada considerando como os fatores sociais, papéis e pressões culturais influenciam o comportamento e as decisões do personagem.

Vamos ver isso por partes:

1. Influência de Papéis Sociais

Na sociedade, muitas vezes os homens têm o papel social de “provedores”, sendo esperados a trabalhar duro para sustentar a família. Esse papel social pode fazer com que o personagem valorize mais o trabalho do que sua vida pessoal, acreditando que seu valor e sucesso dependem de ser um trabalhador incansável.

 

Ao priorizar o trabalho, ele está seguindo essa expectativa social, mesmo que isso prejudique seu relacionamento. A série então explora o impacto desse papel social: como a pressão para ser um provedor e “bem-sucedido” pode prejudicar outras partes da vida, como o casamento.

2. Conformidade e Normas Sociais

A conformidade é a tendência de seguir normas e comportamentos aceitos pela sociedade. O vício no trabalho pode ser visto como uma tentativa de “conformidade” com uma norma moderna que valoriza a produtividade e a presença constante no mundo digital (e-mails, mensagens de trabalho no celular). Essas normas fazem o personagem sentir que, se não estiver conectado o tempo todo, estará "ficando para trás" ou sendo menos produtivo.

A esposa, no entanto, representa um valor oposto: o valor do tempo e do afeto dentro do casamento. Esse conflito entre as normas sociais de produtividade e as expectativas de um relacionamento saudável leva o personagem a um ponto de decisão.

3. Comparação Social e Sucesso

Na psicologia social, a comparação social é o processo de avaliar nossas habilidades, sucessos e status comparando-nos com os outros. Na série, o personagem pode estar constantemente comparando seu sucesso e dedicação ao trabalho com o de colegas ou outras pessoas em sua área, o que o leva a ser cada vez mais viciado em estar “presente” no celular e no trabalho.

Ao estar preso nessa comparação social, ele sente que precisa se dedicar mais ao trabalho para “competir” com os outros. No entanto, essa competição começa a afetar sua vida pessoal, e ele perde de vista a importância de seu relacionamento.

4. Dissonância Cognitiva

Quando o personagem se vê em um conflito entre suas atitudes (valorizando o trabalho) e seu relacionamento (que exige dedicação), ele experimenta algo que a psicologia social chama de dissonância cognitiva. Isso é o desconforto mental que sentimos quando temos duas crenças ou desejos que se contradizem.

A série coloca o personagem diante de uma escolha: ou ele continua priorizando o trabalho, enfrentando as consequências no casamento, ou decide valorizar o relacionamento, abandonando o comportamento que tanto cultivou. Esse conflito de valores gera a dissonância, forçando-o a repensar o que realmente é mais importante para ele.

5. Influência dos Grupos Sociais

Os grupos sociais em que o personagem participa também têm grande influência sobre ele. Se ele trabalha em um ambiente onde todos são “viciados” em estar sempre disponíveis no celular e priorizam o trabalho acima de tudo, é provável que ele sinta uma pressão social para fazer o mesmo.

No entanto, sua esposa representa um grupo social diferente – o grupo da família e das relações íntimas, que valoriza a presença emocional e o tempo de qualidade. A série mostra como o personagem está dividido entre esses dois grupos sociais e como cada grupo tem um impacto sobre seus comportamentos e escolhas.

Resumo

Na perspectiva da psicologia social, o vício do personagem em trabalho e celular pode ser interpretado como uma consequência das pressões sociais e culturais que ele enfrenta. Ele está preso entre seguir normas sociais que valorizam o trabalho constante e o sucesso externo e as expectativas de seu casamento, que exige compromisso emocional e tempo.

A série, então, explora como as forças sociais moldam nossas escolhas e conflitos internos, nos fazendo questionar até que ponto nossos comportamentos são influenciados por pressões externas e o quanto estamos dispostos a mudar para satisfazer nossos relacionamentos mais próximos.

 

Comentários

Postagens mais visitadas

A Compreensão de Si Dentro do Sistema: O Supermercado

  O despertar do fiscal psicólogo diante da liderança adormecida e do comportamento sabotador” Resumo O presente artigo analisa, sob o enfoque da psicologia organizacional e da psicanálise aplicada ao trabalho , a experiência de um fiscal de caixa com formação em psicologia que atua em um ambiente caracterizado por liderança com fisionomia consciente e particularidades de uma pessoa inconsciente , conflitos interpessoais e comportamentos sabotadores passivo-agressivos . A vida organizacional é um campo simbólico onde se expressam tanto os aspectos conscientes das relações de trabalho quanto os conteúdos inconscientes dos sujeitos. O caso do fiscal psicólogo ilustra o entrelaçamento entre o papel técnico e o papel emocional do trabalhador dentro de um sistema que, ao negar conflitos, produz sobrecarga, desmotivação e sofrimento psíquico. Quando a liderança se mostra adormecida — ou seja, consciente ou inconsciente das disfunções, mas paralisada pela insegurança inst...

Operadora E O Ato Falho

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do Leitor para um excelente tópico. Uma operadora era pra abrir a caixa 10, mas ela abriu a caixa 11 e foi anunciada pelo Fiscal e tentou culpar o Fiscal pelo alto falho. Vamos analisar essa situação pela abordagem psicanalítica como se fosse para um iniciante: O fato : A operadora cometeu um erro (abriu a caixa errada) e foi anunciada pelo Fiscal. Em resposta, ela tentou culpar o Fiscal. Perspectiva psicanalítica : Esse comportamento pode ser entendido como uma manifestação de mecanismos de defesa. nterpretação psicanalítica: Ação da operadora : Abrir a caixa errada pode ser resultado de um momento de distração ou de um ato falho. Na psicanálise, um ato falho é quando o inconsciente interfere nas ações conscientes. Isso pode acontecer, por exemplo, se a operadora tivesse uma preocupação ou desejo inconsciente que a desconcentrava. Advertência do Fiscal : Ao ser anunciada, ...

Trabalho Simples

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Parece que o Psicólogo precisou trabalhar como fiscal de caixa de supermercado num ambiente onde não valoriza e nem reconhece a Psicologia para que o Fiscal de caixa psicólogo se valorizasse e se reconhecesse como psicólogo. Pela psicanálise, podemos interpretar essa situação como um conflito entre o desejo do ego (ser psicólogo e exercer essa profissão) e a censura do superego (que impôs a necessidade de trabalhar como fiscal de caixa antes de se reconhecer como psicólogo). Como isso aconteceu? O desejo do ego: Desde a formação em Psicologia, o ego queria atuar como psicólogo, ajudando as pessoas a superar dificuldades emocionais. A censura do superego: O superego, que é formado pelas regras e valores internalizados ao longo da vida, impôs a ideia de que ainda não era o momento, que talvez fosse necessário passar por desafios antes de assumi...

Estímulos Intrínsecos Trabalhar Instituição Idosos – Psicologia Social

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Qual pode ser a motivação de um psicólogo para desejar trabalhar em instituições de longa permanecia para idosos. Vamos compreender o comportamento do psicólogo por meio da abordagem psicologia social. A psicologia social se preocupa em entender como os indivíduos são influenciados pelo contexto social em que vivem, incluindo as instituições. Ao trabalhar em uma instituição de longa permanência para idosos, um psicólogo pode ser motivado por diversos fatores relacionados a essa abordagem. Influências externas e tendências dominantes: Os psicólogos também estão sujeitos a influências externas, como a cultura profissional predominante, as demandas do sistema de saúde ou as preferências dos clientes. Se a abordagem psicanalítica, terapia comportamental cognitiva, psicologia humanista e outras não for valorizada ou for menos solicitada em determinado contex...

Fugindo De Perseguidores

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Sonho que estou sendo perseguido por homens e me escondo deles. Sonhos de perseguição são bastante comuns e podem ter diferentes significados, dependendo do contexto específico do sonho e da vida do sonhador. No entanto, de modo geral, esse tipo de sonho pode refletir uma sensação de medo, ansiedade ou estresse em relação a uma situação específica da vida do sonhador, na qual ele se sente perseguido ou ameaçado por alguém ou algo. No seu caso, o sonho parece indicar que você está enfrentando algum tipo de pressão ou ameaça em sua vida, que pode ser representada pelos homens que o perseguem. O fato de você se esconder deles pode indicar que você está tentando evitar ou evitar essa situação de alguma forma. Pode ser útil pensar em sua vida atual e ver se há alguma situação estressante ou conflituosa que possa estar contribuindo para esses sentimentos. O...

Salário Emocional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. O salário emocional é um conceito que se refere a benefícios não financeiros oferecidos por uma empresa aos seus funcionários. Esses benefícios incluem coisas como reconhecimento, oportunidades de aprendizado e desenvolvimento, flexibilidade no horário de trabalho, um ambiente de trabalho agradável, feedback construtivo e outras formas de valorização dos colaboradores. O salário emocional é importante porque muitos funcionários buscam mais do que apenas dinheiro em seus empregos. Eles querem sentir que estão fazendo um trabalho significativo, que são valorizados pela empresa e que têm oportunidades para crescer e desenvolver suas habilidades. Ao oferecer um salário emocional atraente, as empresas podem aumentar a satisfação e o engajamento dos funcionários, reduzir a rotatividade e melhorar a produtividade. Algumas das formas comuns de salário emocional...

Falta de percepção de si mesmo ou perda de identidade

Junho/2020.Escrito por Ayrton Junior - Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo convida o leitor(a) a repensar sobre a crise de identidade ou medo de perder o autorretrato. As vezes o indivíduo sonha que está perdendo documento como RG no sonho e tenta recuperá-lo. Atinamos que o indivíduo permanece incessantemente entrando e saindo de espaços abertos ou fechados, todos ajustados em meio a diversas leis, regras, normas e sistemas. Se o sujeito não está dentro de um contexto universitário, familiar, está dentro de um ambiente organizacional ou de desemprego e até em alguma outra situação sócio cultural que o requisite num estado padronizado de manifestação que o influencie a interagir e modificar a sua biografia pessoal. É deste modo que podemos observar o movimento que gera o aprisionamento do nosso ser essencial em uma teia que, ao atar, cega. O mais triste deste estado é que o cegar vale tanto para uma visão/ e ou percepção mais acurada sobre a realidade externa, como também pa...

Celular: ambiente tecnológico desenhado para a recompensa dopaminérgica

  Introdução O smartphone tornou-se uma das principais interfaces entre o indivíduo e o ambiente social, informacional e recreativo do século XXI. Diferentemente de tecnologias anteriores, ele permanece fisicamente próximo do corpo e oferece acesso praticamente imediato a vídeos, imagens, mensagens, redes sociais, notícias, jogos e outras formas de conteúdo. Essa característica modifica profundamente a relação entre estímulo, comportamento e recompensa . O indivíduo não precisa mais esperar chegar em casa, ligar o computador ou procurar uma fonte específica de entretenimento. O estímulo potencialmente recompensador está literalmente na palma da mão . Por isso, uma interpretação neuropsicológica adequada não deve afirmar simplesmente que "o celular produz dopamina". A dopamina não é sinônimo de prazer. Ela participa de mecanismos relacionados à motivação, aprendizagem por reforço, saliência e erro de previsão da recompensa . Schultz demonstra que neurônios dopaminérgicos...

A Palavra Que Forma

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 CAPÍTULO 1 A Palavra que Forma: Teologia, Simbolismo e a Vocação para Ensinar A formação subjetiva do educador social e do psicólogo orientador não nasce apenas da técnica, mas da inscrição do sujeito em um campo simbólico antecedente. No caso aqui analisado, o ponto inaugural é a Teologia — não em seu registro dogmático, mas em sua função estruturante enquanto regime de sentido, linguagem e transmissão. Antes de se tornar psicólogo, o sujeito esteve investido na tarefa de interpretar textos sagrados, mediar discursos e ocupar o lugar de porta-voz de uma tradição simbólica. Tal experiência inscreve-se, desde cedo, na economia libidinal do sujeito, moldando o desejo de orientar, ensinar e cuidar. Freud (1905) afirma que “as primeiras identificações estruturam a vocação futura do sujeito”, apontando que não há profissão que não seja, antes, um destino psíquico. A inserção precoce do autor no universo teológico — co...

Eu não sou o salvador; eu sou o espelho onde o outro pode se ver, se quiser

  Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo] Uma leitura psicanalítica e organizacional da transição de identidade do fiscal psicólogo Resumo O presente artigo analisa, sob a ótica da psicanálise aplicada ao trabalho e da psicologia organizacional , o processo simbólico de transformação vivido por um fiscal de caixa com formação em psicologia e teologia — denominado aqui fiscal psicólogo . O estudo aborda os conflitos interpessoais com uma colega de comportamento sabotador passivo-agressivo, a omissão da liderança e o consequente esgotamento emocional que impulsionam o sujeito a reconhecer que seu ciclo profissional chegou ao fim. O texto propõe uma leitura psicanalítica desse percurso, articulando conceitos de Freud , Jung , Lacan , Winnicott e Frankl , e revelando como a experiência dolorosa no ambiente de trabalho tornou-se um campo de autoconhecimento, culminando na libertação da compulsão à repetição e na reconciliação com o verdadeiro desejo: exercer a psicol...