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PROJETO “MINHA SALA NO CAMPUS”

 Cartografia profissional: da identidade construída à porta de entrada no mundo do trabalho

1. Apresentação do projeto

O projeto parte de uma situação específica: uma pessoa pode possuir formação, conhecimentos, experiências e uma direção profissional relativamente definida e, ainda assim, não conseguir localizar no mercado de trabalho um lugar concreto onde essa identidade profissional possa ser exercida.

Nesse caso, o problema não é necessariamente ausência de conhecimento ou ausência de desejo profissional.

Pode existir um desencontro entre quatro elementos:

identidade profissional construída → função desejada → reconhecimento institucional → oportunidade concreta.

A metáfora central do projeto é o campus da Psicologia.

O campus representa o território profissional no qual existem instituições, funções, cargos, especialidades, programas, projetos e diferentes formas de entrada.

A sala representa a função profissional que o sujeito deseja ocupar.

A placa representa a nomenclatura utilizada pelo mercado para identificar aquela função.

A porta representa a oportunidade concreta de entrada.

O crachá representa o reconhecimento institucional de pertencimento a determinada função.

O mapa representa aquilo que o sujeito consegue enxergar do mercado.

E a cartografia própria representa a capacidade de construir uma representação mais ampla do território profissional, identificando possibilidades que não aparecem necessariamente com o nome originalmente imaginado.


2. Problema central

O problema investigado pelo projeto pode ser formulado assim:

“Eu construí uma direção profissional, mas ainda não consigo localizar essa direção no mercado de trabalho.”

A partir disso surgem várias perguntas:

Se eu sei o que quero fazer, por que não consigo encontrar no mercado um lugar onde isso possa ser exercido?

O que mais eu preciso fazer para que alguém reconheça que existe alguma coisa aqui?

Que experiência preciso adquirir para que essa porta se torne acessível?

Eu construí conhecimento, mas onde esse conhecimento pode ser colocado?

Agora, onde essa identidade existe no mundo?

E finalmente:

Qual parte da sala já construí, qual parte o mercado já reconhece, qual parte ainda precisa ser demonstrada e por qual porta consigo entrar?

Essas perguntas constituem o eixo de investigação do projeto.


3. Objetivo geral

Construir uma cartografia profissional própria, capaz de relacionar:

trajetória pessoal → formação → conhecimentos → competências → função desejada → nomenclaturas do mercado → instituições → experiências necessárias → portas de entrada.

O objetivo não é garantir emprego.

O objetivo é produzir uma representação profissional mais precisa e operacional, diminuindo a dependência de uma única instituição, de uma única nomenclatura ou de uma única modalidade de contratação.


4. Objetivos específicos

O projeto pretende ajudar o sujeito a:

1.      reconstruir o caminho profissional efetivamente percorrido;

2.      identificar conhecimentos acumulados;

3.      separar conhecimento de experiência prática;

4.      identificar competências já demonstráveis;

5.      identificar competências ainda não demonstradas;

6.      definir a função profissional desejada;

7.      diferenciar função de cargo;

8.      identificar diferentes nomes utilizados pelo mercado;

9.      ampliar o número de regiões institucionais pesquisadas;

10. identificar possíveis instituições;

11. identificar diferentes portas de entrada;

12. reconhecer requisitos que ainda precisam ser adquiridos;

13. transformar conhecimentos em evidências;

14. revisar a apresentação profissional;

15. testar diferentes portas de entrada;

16. registrar respostas e não respostas do mercado;

17. avaliar quais estratégias produzem resultados;

18. reduzir conclusões precipitadas baseadas exclusivamente no silêncio das instituições.


5. FUNDAMENTO SIMBÓLICO: O CAMPUS

5.1 O campus como Outro institucional

O campus pode representar o lugar em que um saber recebe inscrição social e institucional.

Não basta possuir conhecimento.

Para que determinada função seja reconhecida socialmente, é necessário que existam instituições capazes de nomeá-la, atribuir-lhe responsabilidades e reconhecer alguém como ocupante daquela posição.

O campus, nesse sentido, funciona como uma instância terceira.

Ele pode conferir:

  • título;
  • cargo;
  • função;
  • pertencimento;
  • experiência institucional;
  • crachá;
  • reconhecimento profissional.

O sujeito pode possuir conhecimento psicológico e ainda perguntar:

“Onde esse conhecimento pode ser colocado?”


6. O CAMPUS COMO FRONTEIRA SIMBÓLICA

O campus também representa uma fronteira entre:

dentro ↔ fora

pertencimento ↔ não pertencimento

reconhecimento ↔ ausência de reconhecimento

posição profissional ↔ conhecimento sem posição institucional.

É possível possuir conhecimento e, ainda assim, não possuir uma posição institucional correspondente.

Isso pode produzir a experiência:

“Eu sei que construí alguma coisa, mas não encontro o lugar onde isso pode ser reconhecido.”

O projeto não deve transformar essa experiência em conclusão de incompetência.

A pergunta deve ser:

Qual é a distância entre aquilo que o sujeito sabe e aquilo que o mercado consegue reconhecer imediatamente?


7. O CAMPUS COMO CONTINENTE

Utilizando Winnicott como referência interpretativa, o campus pode ser pensado como uma representação de um ambiente sustentador.

Ele oferece um espaço no qual o sujeito pode experimentar uma identidade:

“Aqui existe Psicologia.”

“Aqui existe um lugar para o psicólogo.”

“Aqui posso imaginar uma posição profissional.”

A formação pode funcionar como continente para o desenvolvimento dessa identidade.

Entretanto, surge posteriormente a questão:

“Se essa identidade pôde existir dentro do ambiente formativo, onde ela existe no mundo profissional?”

O projeto trabalha exatamente essa passagem:

formação → identidade → função → instituição → trabalho.


8. O CAMPUS COMO FANTASIA ESTRUTURANTE

O campus também pode carregar um peso psíquico maior do que sua função objetiva.

Pode representar:

“O lugar onde finalmente serei reconhecido como aquilo que me tornei.”

Por isso, encontrar a sala pode significar simbolicamente:

  • pertencer;
  • ser reconhecido;
  • ter uma função;
  • transformar conhecimento em trabalho;
  • dar sentido à trajetória;
  • confirmar uma identidade profissional.

Mas existe um risco:

“Se não encontrei minha sala, talvez não exista valor no que construí.”

O projeto precisa interromper essa equivalência.

Não encontrar uma posição profissional não prova que o conhecimento não tenha valor.

Mas também não permite concluir automaticamente que exista uma vaga para aquela função.

O projeto trabalha justamente nesse intervalo entre valor subjetivo e reconhecimento objetivo.


9. O CAMPUS COMO TERRITÓRIO NÃO CARTOGRAFADO

Essa é uma das principais hipóteses do projeto.

O sujeito pode estar dentro do campus, mas conhecer apenas uma pequena parte dele.

Ele conhece determinadas:

  • instituições;
  • plataformas;
  • vagas;
  • cargos;
  • nomenclaturas;
  • profissionais;
  • portas de entrada.

E pode concluir:

“Minha sala não existe.”

Quando uma hipótese mais rigorosa seria:

“Ainda não conheço suficientemente o campus para afirmar isso.”

O projeto, portanto, não promete encontrar uma sala inexistente.

Ele procura descobrir a extensão real do território.


10. O SONHO COMO DISPOSITIVO DE CARTOGRAFIA

O sonho utilizado como ponto de partida apresenta:

  • universidade;
  • Psicologia;
  • uma jovem que conhece seu caminho;
  • dificuldade de caminhar;
  • uma força nas costas puxando para trás;
  • perda da jovem;
  • descida;
  • pergunta sobre onde fica a Psicologia;
  • uma mulher que fornece uma referência institucional;
  • tentativa de localizar a própria sala;
  • impossibilidade de encontrá-la naquele momento.

Uma leitura possível é que o sonho dramatize uma questão de orientação e localização profissional.

A jovem sabe para onde vai.

O sonhador inicialmente a segue.

Ela funciona como referência externa.

Quando ele a perde de vista, perde também aquela referência.

Ele precisa então perguntar:

“Onde fica a Psicologia?”

Isso pode representar a passagem de:

seguir uma rota já conhecida

para:

construir uma cartografia própria.


11. A GAROTA COMO REFERÊNCIA EXTERNA

A garota pode representar, simbolicamente, alguém que já conhece o caminho profissional.

Ela possui:

uma sala + uma rota + uma referência.

O sonhador ainda não.

Por isso, seguir a garota pode representar:

“Se eu acompanhar quem sabe onde está indo, talvez encontre meu próprio lugar.”

Mas ela não necessariamente está indo para a sala dele.

Ela tem seu próprio destino.

Quando desaparece, surge a necessidade de diferenciação:

“Agora preciso descobrir para onde eu vou.”


12. A FORÇA NAS COSTAS

A frase:

“Parece que tem uma força nas minhas costas que me puxa para trás, que não me deixa andar rápido.”

pode ser interpretada como uma representação possível de resistência, hesitação ou dificuldade de avançar diante de uma direção ainda não localizada.

Não necessariamente significa:

“Não avance.”

Pode significar:

“Não consigo avançar rapidamente porque não sei suficientemente para onde estou indo.”

Assim:

desorientação → hesitação → perda de velocidade → dependência de referência externa.


13. A RAIVA COMO ELEMENTO DO PROJETO

A raiva pode aparecer quando existe um desencontro entre:

o que o sujeito construiu

e

o que o mercado reconhece.

A sequência pode ser:

“Eu estudei.”

“Eu construí conhecimento.”

“Eu descobri uma direção.”

“Eu organizei meu currículo.”

“Eu montei meu portfólio.”

“Eu tentei entrar.”

“Enviei currículos.”

“Tentei R&S.”

“Tentei recrutamento freelancer.”

“E ninguém responde.”

Então aparece:

“O que mais eu preciso fazer para que alguém reconheça que existe alguma coisa aqui?”

A raiva pode expressar:

“Eu construí algo e não encontro onde colocá-lo.”

Mas o projeto deve evitar transformar a raiva em prova de que o mercado está necessariamente errado.

A raiva é um dado subjetivo importante, não uma conclusão sobre o mercado.


14. PRIMEIRO EIXO PRÁTICO: RECONSTRUIR A SALA

O sujeito deverá responder:

O que eu quero fazer?

Não:

“Qual cargo quero?”

Mas:

“Que função quero exercer?”

Exemplo:

“Quero atuar na interface entre Psicologia e mundo do trabalho, ajudando pessoas em processos de inserção, desenvolvimento, identidade e transição profissional.”

Essa formulação será considerada o centro provisório da sala.


15. SEGUNDO EIXO: O QUE JÁ FOI CONSTRUÍDO?

Criar quatro categorias.

A — Formação

O que foi formalmente estudado?

B — Experiência

Onde o sujeito efetivamente trabalhou ou atuou?

C — Conhecimento

O que ele aprendeu e consegue explicar?

D — Competência demonstrável

O que ele consegue efetivamente fazer?

Essa separação é fundamental.

Porque:

conhecimento não é automaticamente competência.

E:

experiência anterior não é automaticamente experiência na nova função.

O projeto deve preservar essa precisão.


16. TERCEIRO EIXO: O QUE O MERCADO JÁ RECONHECE?

Para cada elemento da sala, perguntar:

“Um recrutador conseguiria identificar isso em meu currículo?”

Criar três colunas:

Construí

O mercado reconhece

Preciso demonstrar

Formação em Psicologia

Sim, formalmente

—

Conhecimentos sobre trabalho

Parcialmente

Aplicação

Experiência profissional

Sim

Transferibilidade

Interesse em R&S

Sim, se apresentado

Experiência prática

Conhecimento de organizações

Parcialmente

Evidências

Orientação para trabalho

Depende da experiência

Atividades realizadas

O objetivo não é inflar o currículo.

É descobrir onde existe uma diferença entre possuir algo e conseguir demonstrá-lo.


17. QUARTO EIXO: MAPEAR AS PLACAS

O sujeito deverá construir uma lista de diferentes nomenclaturas.

Região R&S

  • Recrutador;
  • Recrutador Freelancer;
  • Analista de R&S;
  • Consultor de R&S;
  • Talent Acquisition;
  • Psicólogo Organizacional;
  • Analista de RH.

Região Empregabilidade

  • Orientador de Empregabilidade;
  • Consultor de Empregabilidade;
  • Orientador Profissional;
  • Orientador de Carreira;
  • Educador para o Trabalho.

Região Educação para o Trabalho

  • Educador;
  • Educador Social;
  • Orientador;
  • Facilitador;
  • Instrutor;
  • Orientador de Aprendizagem;
  • Educador Profissional.

Região Carreira

  • Orientador Profissional;
  • Orientador de Carreira;
  • Consultor de Carreira;
  • Psicólogo de Carreira.

Região Desenvolvimento de Pessoas

  • Analista de Desenvolvimento Humano;
  • Analista de T&D;
  • Desenvolvimento Organizacional;
  • Educação Corporativa;
  • DHO.

Região Inclusão Profissional

  • Analista de Inclusão;
  • Técnico de Projetos;
  • Orientador Social;
  • Educador Social;
  • Profissional de Empregabilidade.

A lista deve ser ampliada continuamente.


18. QUINTO EIXO: MAPEAR AS REGIÕES DO CAMPUS

O campus passa a ser dividido em regiões:

1.      Recrutamento e Seleção;

2.      Empregabilidade;

3.      Educação profissional;

4.      Orientação profissional;

5.      Carreira;

6.      Desenvolvimento de Pessoas;

7.      Jovem Aprendiz;

8.      Primeiro emprego;

9.      Inclusão profissional;

10. Inclusão produtiva;

11. Projetos sociais relacionados ao trabalho;

12. Consultoria;

13. Prestação de serviços;

14. Trabalho freelancer.

O objetivo não é afirmar que todas são igualmente acessíveis.

O objetivo é aumentar a resolução do mapa.


19. SEXTO EIXO: MAPEAR AS INSTITUIÇÕES

Para cada região, procurar:

  • empresas;
  • consultorias;
  • instituições educacionais;
  • organizações sociais;
  • programas de empregabilidade;
  • programas de aprendizagem;
  • instituições de educação profissional;
  • projetos de inclusão;
  • consultorias de carreira;
  • organizações com áreas de RH;
  • empresas de recrutamento.

A pergunta deixa de ser:

“Qual instituição tem minha vaga?”

E passa a ser:

“Quais instituições possuem necessidades próximas da função que construí?”


20. SÉTIMO EIXO: MAPEAR AS PORTAS

Para cada instituição, identificar a porta:

CLT

temporário

freelancer

prestação de serviço

projeto

voluntariado pertinente

consultoria

parceria

banco de talentos

processo seletivo

networking profissional

experiência intermediária.

Isso é fundamental porque:

a porta de entrada não precisa ser igual à sala final.


21. O CASO DO RECRUTADOR FREELANCER

O projeto deve tratar a tentativa de recrutamento freelancer como experimento de cartografia, e não como prova definitiva de incapacidade.

O sujeito tentou.

Enviou currículo.

Não recebeu feedback.

Isso gera um dado:

“Essa porta não está se abrindo neste momento.”

Mas não permite concluir:

“Nenhuma porta existe.”

Ao mesmo tempo, não se deve romantizar.

Se repetidas tentativas não produzem resultado, é necessário investigar:

  • currículo;
  • experiência demonstrável;
  • competências de R&S;
  • modalidade freelancer;
  • rede de contatos;
  • tipo de agência;
  • requisitos;
  • posicionamento;
  • número de candidaturas;
  • aderência às vagas.

22. OITAVO EIXO: IDENTIFICAR A EXPERIÊNCIA-FALTANTE

Pergunta central:

“Que experiência preciso adquirir para que esta porta se torne acessível?”

Para R&S:

  • triagem;
  • sourcing;
  • entrevistas;
  • alinhamento de perfil;
  • contato com candidatos;
  • ATS;
  • organização de processos;
  • pareceres;
  • indicadores.

Para empregabilidade:

  • oficinas;
  • orientação;
  • currículo;
  • preparação para entrevistas;
  • projeto profissional;
  • acompanhamento.

Para educação para o trabalho:

  • planejamento;
  • facilitação;
  • conteúdo;
  • grupos;
  • acompanhamento.

Para desenvolvimento de pessoas:

  • treinamento;
  • levantamento de necessidades;
  • avaliação;
  • desenvolvimento;
  • educação corporativa.

Assim, a experiência faltante é definida em relação à porta.


23. NONO EIXO: CONVERTER CONHECIMENTO EM EVIDÊNCIA

A pergunta:

“Eu construí conhecimento, mas onde esse conhecimento pode ser colocado?”

será respondida por uma segunda pergunta:

“O que consigo fazer com aquilo que sei?”

Exemplo:

Conhecimento sobre entrevista

→ realizar entrevista estruturada.

Conhecimento sobre empregabilidade

→ conduzir oficina de preparação profissional.

Conhecimento sobre identidade profissional

→ trabalhar reflexão sobre projeto profissional, dentro dos limites da atuação e formação.

Conhecimento sobre comportamento organizacional

→ analisar situações de trabalho e produzir intervenções compatíveis com a função.

A transformação é:

conhecimento → atividade → evidência → portfólio.


24. DÉCIMO EIXO: A IDENTIDADE NO MUNDO

Pergunta:

“Agora, onde essa identidade existe no mundo?”

A resposta deve ser investigada empiricamente.

Não basta responder teoricamente.

Para cada região, registrar:

instituição

cargo

atividade

requisito

modalidade de contratação

experiência exigida

competências exigidas

porta de entrada

distância em relação à sala desejada.


25. MATRIZ DA CARTOGRAFIA

O sujeito poderá utilizar esta matriz:

Região

Placa

Função

Instituição

Requisitos

Experiência atual

Lacuna

Porta

R&S

Recrutador

Seleção

Agência

R&S

Parcial

Experiência

Freelancer

Empregabilidade

Orientador

Inserção profissional

Projeto

Experiência social

Parcial

Projeto específico

Projeto

Educação

Educador

Mundo do trabalho

Instituição educacional

Educação

Parcial

Experiência

Processo seletivo

Carreira

Orientador

Transição

Consultoria

Orientação

Parcial

Prática específica

Parceria

DHO

Analista

Desenvolvimento

Empresa

RH

Parcial

Experiência corporativa

CLT

Essa matriz deve ser preenchida com dados reais, sem inventar experiência.


26. DÉCIMO PRIMEIRO EIXO: O QUE JÁ EXISTE, O QUE FALTA E O QUE NÃO DEPENDE DO SUJEITO

Dividir a situação em três:

Depende de mim

  • currículo;
  • portfólio;
  • competências;
  • estudos;
  • evidências;
  • contatos;
  • candidaturas;
  • preparação.

Depende parcialmente de mim

  • experiência;
  • networking;
  • acesso institucional;
  • oportunidades de projeto.

Não depende de mim

  • abertura de vaga;
  • decisão do recrutador;
  • orçamento da instituição;
  • contratação;
  • quantidade de candidatos;
  • resposta da empresa.

Isso impede que o sujeito interprete todo fracasso de contratação como insuficiência pessoal.


27. DÉCIMO SEGUNDO EIXO: REGISTRAR O SILÊNCIO DO MERCADO

Cada candidatura deve gerar um registro.

Não apenas:

“Não responderam.”

Mas:

instituição:
função:
data:
requisitos:
experiência exigida:
experiência apresentada:
currículo utilizado:
portfólio utilizado:
retorno:
hipótese sobre o resultado:
o que modificar:
nova tentativa:

Assim, o silêncio deixa de ser apenas uma experiência emocional e passa a ser também dado de pesquisa profissional.


28. DÉCIMO TERCEIRO EIXO: NÃO CONFUNDIR “NÃO ENCONTREI” COM “NÃO EXISTE”

Toda vez que surgir:

“Não existe lugar para mim.”

substituir provisoriamente por:

“Qual evidência tenho de que não existe?”

Depois perguntar:

“Quantas instituições pesquisei?”

“Quantas nomenclaturas?”

“Quantas regiões?”

“Quantas portas?”

“Quantas candidaturas?”

“Quantos contatos?”

“Quantas experiências diferentes?”

Isso transforma uma conclusão emocional em uma hipótese verificável.


29. DÉCIMO QUARTO EIXO: NÃO CONFUNDIR “NÃO CONSEGUI ENTRAR” COM “NÃO POSSUO VALOR”

A formulação:

“Não consegui uma oportunidade.”

é diferente de:

“Não tenho valor profissional.”

A primeira é um fato.

A segunda é uma interpretação.

O projeto deve preservar essa diferença.

Da mesma forma:

“Não consegui trabalhar como recrutador freelancer.”

não significa automaticamente:

“Não posso trabalhar com R&S.”

E também não significa:

“Certamente posso.”

Significa:

“Essa modalidade de entrada não produziu, até agora, a inserção desejada. Precisamos descobrir por quê.”


30. DÉCIMO QUINTO EIXO: A SALA FINAL E A PRIMEIRA PORTA

O sujeito deverá construir duas definições.

Minha sala desejada

A função profissional que melhor expressa aquilo que quero construir.

Minha porta possível agora

A função ou experiência que consigo realisticamente acessar com minhas competências atuais e que me aproxima dessa sala.

As duas podem ser diferentes.

Exemplo:

Sala desejada: Psicologia na interface com mundo do trabalho.

Porta possível: determinada atividade de R&S, empregabilidade, educação para o trabalho, projeto institucional ou função adjacente.

Isso evita exigir que o primeiro passo seja idêntico ao destino.


31. DÉCIMO SEXTO EIXO: CONSTRUÇÃO DO POSICIONAMENTO

Ao final do projeto, o sujeito deverá conseguir responder:

Quem sou profissionalmente?

O que faço?

Que problemas consigo ajudar a resolver?

Com quem trabalho?

Em que contextos?

Quais são minhas evidências?

O que ainda preciso aprender?

Que funções posso ocupar agora?

Que funções exigem preparação adicional?


32. POSICIONAMENTO PROVISÓRIO

Uma formulação possível é:

“Atuação na interface entre Psicologia e mundo do trabalho, com foco na compreensão das relações entre pessoas, trabalho e desenvolvimento profissional, especialmente em processos de inserção, empregabilidade, identidade e transição profissional.”

Esse posicionamento não precisa ser tratado como cargo.

Ele funciona como bússola.


33. O PROJETO COMO EXPERIMENTO

O projeto não deve partir da certeza:

“Minha sala existe.”

Nem da certeza:

“Minha sala não existe.”

Deve partir da hipótese:

“Existe uma função profissional que reconheço como coerente com minha trajetória. Vou investigar em que medida ela já está presente no mercado, sob quais nomes, em quais instituições e quais competências são necessárias para ocupá-la.”

Isso torna o projeto intelectualmente honesto.


34. RESULTADOS ESPERADOS

Ao final, o sujeito deverá possuir:

1. Mapa da trajetória

O caminho que efetivamente percorreu.

2. Mapa de competências

O que sabe e o que consegue fazer.

3. Mapa de lacunas

O que precisa desenvolver.

4. Mapa de placas

Os diferentes nomes utilizados pelo mercado.

5. Mapa institucional

Onde essas funções aparecem.

6. Mapa de portas

Como entrar.

7. Currículo direcionado

Uma apresentação coerente com a porta escolhida.

8. Portfólio profissional

Evidências concretas do que consegue realizar.

9. Plano de experiência

Quais experiências precisa adquirir.

10. Plano de candidatura

Onde, como e para quais funções se candidatar.


35. A GRANDE PERGUNTA DO PROJETO

Depois de toda a investigação, retornar à pergunta:

“Qual parte da sala já construí, qual parte o mercado já reconhece, qual parte ainda precisa ser demonstrada e por qual porta consigo entrar?”

A resposta deverá ser atualizada continuamente.

Porque a sala não é necessariamente uma coisa acabada.

Ela pode estar:

parcialmente construída → parcialmente reconhecida → parcialmente demonstrada → progressivamente institucionalizada.


36. A CARTOGRAFIA FINAL

A trajetória pode ser representada assim:

CAMINHO PERCORRIDO

↓

EXPERIÊNCIAS DE TRABALHO

↓

OBSERVAÇÃO DO TRABALHADOR

↓

FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA

↓

CONHECIMENTO PSICOLÓGICO

↓

INTERESSE PELO MUNDO DO TRABALHO

↓

FORMULAÇÃO DA FUNÇÃO

↓

SALA

↓

PROCURA DAS PLACAS

↓

DESCOBERTA DE QUE AS PLACAS SÃO MAIS DIVERSAS

↓

MAPEAMENTO DO CAMPUS

↓

IDENTIFICAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES

↓

IDENTIFICAÇÃO DAS PORTAS

↓

IDENTIFICAÇÃO DAS EXPERIÊNCIAS NECESSÁRIAS

↓

CONSTRUÇÃO DE EVIDÊNCIAS

↓

ENTRADA INSTITUCIONAL

↓

RECONHECIMENTO PROFISSIONAL


37. A conclusão simbólica

O projeto parte de uma mudança fundamental:

O problema não é mais simplesmente encontrar a sala.

O problema agora é aprender a ler o campus.

O sujeito pode ter construído uma sala que não estava originalmente presente em sua cartografia consciente. Sua trajetória foi produzindo conhecimentos, experiências e interesses que só posteriormente puderam ser reconhecidos como uma direção profissional.

Por isso, talvez tenha chegado à sua sala subjetiva antes de encontrar sua localização institucional.

A raiva aparece quando esse descompasso se torna insuportável:

“Eu sei o que construí. Por que ninguém consegue enxergar?”

O projeto responde:

“Vamos separar aquilo que já existe daquilo que ainda precisa ser demonstrado.”

Depois:

“Vamos separar a função do nome do cargo.”

Depois:

“Vamos separar a sala da porta.”

E finalmente:

“Vamos descobrir quanto do campus você ainda não aprendeu a enxergar.”

A cartografia não promete que haverá uma contratação.

Ela oferece algo mais rigoroso: um método para descobrir se a sala existe, onde ela existe, sob quais nomes, quais instituições podem abrigá-la, quais competências são necessárias e quais portas estão efetivamente acessíveis a partir da posição profissional atual.

E, se depois de uma investigação suficientemente ampla determinada sala realmente não tiver lugar no mercado nas condições procuradas, isso também será um resultado importante.

Nesse caso, o sujeito não terá simplesmente “fracassado”.

Terá produzido uma informação fundamental:

“Agora sei que essa sala, como a imaginei, não está disponível dessa maneira; preciso decidir se adapto a função, construo uma nova porta, desenvolvo outra competência ou reformulo a própria sala.”

Essa é a passagem de desorientação para cartografia.

E talvez seja justamente o que faltava ao sonhador: não alguém que lhe dissesse qual é a sala, mas um método para aprender a percorrer o campus sozinho.

 

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  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Qual pode ser a motivação de um psicólogo para desejar trabalhar em instituições de longa permanecia para idosos. Vamos compreender o comportamento do psicólogo por meio da abordagem psicologia social. A psicologia social se preocupa em entender como os indivíduos são influenciados pelo contexto social em que vivem, incluindo as instituições. Ao trabalhar em uma instituição de longa permanência para idosos, um psicólogo pode ser motivado por diversos fatores relacionados a essa abordagem. Influências externas e tendências dominantes: Os psicólogos também estão sujeitos a influências externas, como a cultura profissional predominante, as demandas do sistema de saúde ou as preferências dos clientes. Se a abordagem psicanalítica, terapia comportamental cognitiva, psicologia humanista e outras não for valorizada ou for menos solicitada em determinado contex...

Minha Querida Senhorita: uma leitura psicanalítica e psicossocial do sujeito em cena — do drama íntimo ao cotidiano do “fiscal psicólogo”

  Resumo Este artigo propõe uma análise articulada do filme Minha Querida Senhorita a partir de dois eixos teóricos: a psicanálise e a psicologia social. Busca-se compreender como a trajetória da personagem Adela/A.D. evidencia a constituição do sujeito pelo Outro, o papel do recalque e da angústia, bem como os mecanismos de controle social, estigma e normatização do corpo. Além disso, o texto amplia a leitura para o cotidiano, tomando como metáfora o “fiscal psicólogo” no supermercado, enquanto operador de observação e controle, evidenciando como o sofrimento psíquico se manifesta em cenas banais. Conclui-se que o filme explicita a inseparabilidade entre sujeito e laço social, demonstrando que o conflito psíquico é produzido e sustentado por estruturas simbólicas e institucionais. 1. Introdução O filme  Minha Querida Senhorita  (1972), dirigido por Jaime de Armiñán, narra a história de Adela, uma mulher que, ao longo da vida, descobre ser inter...

Dinheiro objeto de cobiça na pandemia

Ano 2020.Escrito por Ayrton Junior O presente artigo chama a atenção do leitor(a) a olhar para si mesmo e perceber como está se enxergando na pandemia em relação ao dinheiro e as partes não resolvidas que espelha o dinheiro na sua vida. Nossos hábitos financeiros não são apenas produtos do condicionamento e de lições aprendidas de como manejar o dinheiro que aprendemos [ou não] quando crianças. Existem sujeitos gastadores e poupadores nas famílias, crianças que cresceram na pobreza e conseguem riqueza, herdeiros que gastam toda a fortuna da família. Nas relações que temos com nossas finanças está ligado ao auto controle da ação por impulso [prazer / e ou desprazer e a ansiedade]. Um dos instrumentos de aferição da saúde psíquica é exatamente a relação da pessoa com o dinheiro. O leitor já chegou à conclusão óbvia de que o dinheiro ou poder cobrem ilusoriamente todas as carências pessoais, pois a pessoa que o detém será objeto do comentário, cobiça e interesse dos demais a sua vo...

Deslocamento Libidinal e Frustração Profissional: Uma Leitura Psicanalítica da Intensificação do Investimento Erótico na Vida Adulta

  Resumo Este artigo propõe uma análise psicanalítica da intensificação da excitação sexual em um homem adulto que, diante de frustrações profissionais persistentes, investe maciçamente sua libido em uma relação virtual marcada por troca de nudez e erotização recíproca. A partir da metapsicologia de Sigmund Freud, articulam-se os conceitos de libido, deslocamento, catexia, sublimação e economia psíquica para compreender o fenômeno. Dialoga-se também com contribuições de Jacques Lacan acerca do desejo e da falta, ampliando a interpretação estrutural do caso. Palavras-chave: libido; deslocamento; frustração profissional; sublimação; desejo; psicanálise. 1. Introdução A psicanálise concebe o psiquismo como uma economia de forças, na qual a energia pulsional — particularmente a libido — busca constantemente vias de investimento e descarga. Quando determinadas áreas da vida encontram-se bloqueadas ou frustradas, essa energia pode ser redirecionada para outros objetos disp...

Fugindo De Perseguidores

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Sonho que estou sendo perseguido por homens e me escondo deles. Sonhos de perseguição são bastante comuns e podem ter diferentes significados, dependendo do contexto específico do sonho e da vida do sonhador. No entanto, de modo geral, esse tipo de sonho pode refletir uma sensação de medo, ansiedade ou estresse em relação a uma situação específica da vida do sonhador, na qual ele se sente perseguido ou ameaçado por alguém ou algo. No seu caso, o sonho parece indicar que você está enfrentando algum tipo de pressão ou ameaça em sua vida, que pode ser representada pelos homens que o perseguem. O fato de você se esconder deles pode indicar que você está tentando evitar ou evitar essa situação de alguma forma. Pode ser útil pensar em sua vida atual e ver se há alguma situação estressante ou conflituosa que possa estar contribuindo para esses sentimentos. O...

Salário Emocional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. O salário emocional é um conceito que se refere a benefícios não financeiros oferecidos por uma empresa aos seus funcionários. Esses benefícios incluem coisas como reconhecimento, oportunidades de aprendizado e desenvolvimento, flexibilidade no horário de trabalho, um ambiente de trabalho agradável, feedback construtivo e outras formas de valorização dos colaboradores. O salário emocional é importante porque muitos funcionários buscam mais do que apenas dinheiro em seus empregos. Eles querem sentir que estão fazendo um trabalho significativo, que são valorizados pela empresa e que têm oportunidades para crescer e desenvolver suas habilidades. Ao oferecer um salário emocional atraente, as empresas podem aumentar a satisfação e o engajamento dos funcionários, reduzir a rotatividade e melhorar a produtividade. Algumas das formas comuns de salário emocional...