Pular para o conteúdo principal

Ainda não é o momento: ato falho, desejo de saída e princípio de realidade na experiência do fiscal psicólogo

 Introdução

A experiência de um sujeito que ocupa uma função de fiscal de caixa em um supermercado pode ser compreendida, pela perspectiva psicanalítica, como atravessada por conflitos entre desejo, realidade, necessidade econômica, identidade profissional e projeto de futuro. Quando esse sujeito também se reconhece como psicólogo, a permanência na função operacional pode adquirir uma dimensão subjetiva particular: ele não está apenas submetido a uma jornada de trabalho, mas vivencia uma tensão entre a posição profissional atualmente ocupada e aquilo que deseja construir para sua vida.

Nesse contexto, um episódio aparentemente banal pode adquirir valor interpretativo. Em determinado domingo, o fiscal psicólogo foi solicitado a trabalhar em uma loja localizada em Barão Geraldo. Pela manhã, levantou-se, tomou café, arrumou sua mochila e preparou-se para sair. Ao abrir a porta da cozinha, percebeu que havia esquecido de colocar o relógio no pulso. Voltou ao quarto, pegou o relógio, colocou-o no pulso, colocou novamente a mochila nas costas, abriu a porta e saiu para trabalhar.

Para uma leitura puramente funcional, trata-se apenas de um esquecimento. Para a psicanálise, entretanto, esquecimentos, lapsos, equívocos e outras pequenas falhas da vida cotidiana podem constituir formações nas quais participam processos inconscientes. Freud dedicou-se precisamente a demonstrar que acontecimentos aparentemente banais da vida cotidiana não precisam ser considerados inteiramente arbitrários. Em A psicopatologia da vida cotidiana (1901), o esquecimento e o ato falho são inseridos no campo de investigação do inconsciente.

O objetivo deste artigo é interpretar o episódio do relógio como uma hipótese psicanalítica acerca do conflito entre o desejo de sair da posição ocupacional atual e a exigência da realidade de permanecer nela enquanto as condições concretas para uma mudança ainda não estejam suficientemente constituídas.

A questão central pode ser formulada da seguinte maneira: o inconsciente pode expressar o desejo de saída enquanto a realidade exige a permanência temporária? E, nesse caso, o que significa o "ainda não"?


1. O ato falho e a vida cotidiana

Freud introduziu uma mudança importante ao considerar que manifestações aparentemente insignificantes da vida cotidiana poderiam possuir determinação psíquica. Esquecimentos, lapsos de linguagem, erros e ações equivocadas passaram a ser considerados fenômenos passíveis de investigação psicanalítica. A Psicopatologia da vida cotidiana constitui uma referência fundamental para essa concepção.

Isso não significa que todo esquecimento possua automaticamente um significado inconsciente determinado. Uma interpretação psicanalítica rigorosa exige considerar o contexto, as associações do sujeito e a relação entre o acontecimento e os conflitos subjetivos.

No episódio analisado, portanto, não seria correto afirmar simplesmente:

"Esquecer o relógio significa que o sujeito quer pedir demissão."

A formulação mais cuidadosa seria:

O esquecimento do relógio pode ser tomado como um material associativo que permite investigar a relação inconsciente do sujeito com o trabalho, o tempo institucional e o desejo de saída.

O ato falho, nesse sentido, não fornece uma sentença pronta. Ele abre uma questão.


2. Por que justamente o relógio?

O elemento mais significativo do episódio é o objeto esquecido.

O sujeito não esqueceu a mochila. Não esqueceu que deveria trabalhar. Não esqueceu de se arrumar. Não esqueceu o compromisso.

Esqueceu o relógio.

O relógio possui uma função prática evidente: marcar o tempo. Entretanto, no contexto específico do trabalho do fiscal, ele também pode adquirir uma dimensão simbólica, pois está relacionado à jornada institucional, ao horário de entrada, ao horário de saída e à própria organização temporal do trabalho.

O relógio pode representar, portanto:

  • o tempo institucional;
  • a jornada de trabalho;
  • o cumprimento do horário;
  • a disponibilidade do trabalhador;
  • o controle temporal;
  • a passagem das horas até a saída.

Por isso, a pergunta psicanalítica não seria simplesmente "por que ele esqueceu o relógio?", mas:

O que significa, para esse sujeito, colocar novamente o próprio tempo à disposição da instituição?

É nesse ponto que o episódio cotidiano começa a adquirir valor simbólico.


3. A inscrição no tempo institucional

Trabalhar significa, entre outras coisas, inserir-se em uma organização temporal previamente estabelecida.

O sujeito não determina livremente:

"Hoje começo quando quiser e termino quando desejar."

A instituição estabelece horários, escalas, responsabilidades e limites. O trabalhador inscreve seu corpo e seu tempo nessa estrutura.

No caso do fiscal psicólogo, essa inscrição pode entrar em conflito com um desejo já constituído de construir outra posição profissional.

O problema, portanto, não seria apenas:

"Eu não quero trabalhar hoje."

Pode haver algo mais amplo:

"Eu não quero que minha vida continue sendo organizada predominantemente pelo tempo dessa função."

Essa distinção é fundamental.

O desejo pode não ser simplesmente o de faltar naquele domingo. Pode ser o desejo de sair da posição profissional que organiza atualmente uma parte importante da existência do sujeito.


4. O desejo de saída

Ao longo da experiência subjetiva descrita, aparece uma oposição entre a posição atual de fiscal e a identidade profissional que o sujeito pretende desenvolver como psicólogo.

O desejo de saída pode ser compreendido, nesse sentido, como desejo de deslocamento:

da função operacional → para uma posição profissional mais coerente com sua formação e seus projetos.

A construção de currículo, a reflexão sobre Psicologia Organizacional e do Trabalho, Psicologia Social, Psicologia Educacional e Psicologia do Esporte, assim como a tentativa de transformar experiências acumuladas em competências profissionais, podem ser entendidas como movimentos concretos de construção dessa passagem.

Assim, o desejo de sair não precisa ser interpretado como uma fantasia abstrata.

Ele pode estar associado a uma tentativa efetiva de construir outra possibilidade profissional.

O ato falho do relógio aparece, então, dentro de um contexto maior.

Ele não cria o desejo de saída.

Ele pode tornar visível, em uma situação cotidiana, um conflito que já vinha sendo elaborado subjetivamente.


5. O princípio de realidade

Freud formulou a oposição entre princípio do prazer e princípio de realidade em 1911. O princípio de realidade não simplesmente elimina o desejo; ele introduz as condições, limites e adiamentos necessários para que a relação com a realidade externa seja considerada.

O princípio de realidade é particularmente importante para compreender o episódio.

O sujeito pode desejar sair do supermercado.

Entretanto, desejar não significa possuir imediatamente as condições materiais para realizar a saída.

Existem salário, despesas, responsabilidades, necessidade de segurança econômica, disponibilidade de vagas, requisitos profissionais, processos seletivos e outras condições objetivas.

A realidade pode responder ao desejo:

"Sim, você quer sair. Mas ainda precisa construir as condições para fazê-lo."

Isso produz uma situação subjetiva específica: o sujeito permanece, mas sua permanência não necessariamente significa aceitação definitiva da posição.


6. "Ainda não" não significa "nunca"

Essa talvez seja a formulação central deste caso.

Existe uma diferença fundamental entre:

"Não vou sair."

e

"Ainda não consigo sair."

A primeira formulação implica renúncia ao desejo.

A segunda preserva o desejo, mas reconhece a realidade.

O princípio de realidade, nessa perspectiva, não precisa ser entendido como uma força que condena o sujeito à permanência. Ele pode funcionar como uma capacidade de adiar a satisfação imediata sem abandonar o objetivo.

A lógica seria:

Desejo: "Quero sair."

Realidade: "Ainda não existem condições suficientes."

Ego: "Então continuarei temporariamente enquanto construo essas condições."

Esse movimento é diferente da resignação.

Resignação seria:

"Não há saída; portanto, devo permanecer."

Princípio de realidade seria:

"A saída é desejada, mas precisa ser construída de acordo com as condições concretas."

A realidade, portanto, não necessariamente diz "não".

Pode estar dizendo:

"Ainda não."


7. O relógio como objeto do conflito

Nesse sentido, o relógio adquire uma função metafórica particularmente potente.

O sujeito está saindo de casa para entrar novamente no tempo institucional do supermercado.

Mas percebe que está sem o objeto que marca esse tempo.

Ele volta.

Pega o relógio.

Coloca-o no pulso.

E sai.

A sequência pode ser representada simbolicamente:

desejo de saída → esquecimento do relógio → retorno → colocação do relógio → entrada novamente no tempo institucional.

O ato falho, portanto, não impede a realização da tarefa.

Ele é corrigido.

É justamente aí que aparece a força do princípio de realidade.

O sujeito deseja sair, mas ainda vai trabalhar.

Ele não rompe com a realidade naquele momento.


8. O conflito entre desejo e realidade

A cena pode ser compreendida como uma pequena representação de um conflito psíquico mais amplo:

Uma parte do sujeito deseja sair da posição atual; outra parte reconhece que ainda precisa permanecer nela.

Não é necessário escolher entre "o inconsciente está certo" e "a realidade está certa".

Ambos podem expressar dimensões diferentes da experiência.

O inconsciente pode revelar:

"Essa posição já não corresponde inteiramente ao que desejo."

A realidade pode responder:

"Mesmo assim, você ainda precisa ocupá-la por algum tempo."

O resultado é uma condição intermediária:

continuar sem necessariamente desejar permanecer.

Essa posição pode ser subjetivamente difícil porque o sujeito já não se identifica integralmente com aquilo que ainda precisa fazer.


9. Permanecer não significa pertencer

Uma consequência importante dessa interpretação é distinguir permanência de pertencimento subjetivo.

O sujeito pode continuar trabalhando no supermercado sem considerar aquela função como seu destino profissional.

Pode estar fisicamente presente na instituição, cumprir suas tarefas e, simultaneamente, estar psiquicamente orientado para uma mudança.

Nesse sentido:

O corpo permanece onde o desejo já não pretende permanecer definitivamente.

Isso pode explicar por que pequenos acontecimentos cotidianos adquirem tanta força subjetiva.

O sujeito não está apenas perguntando:

"Quando vou sair?"

Ele está tentando suportar a distância entre:

onde está

e

onde deseja chegar.


10. O princípio de realidade como construção de passagem

O princípio de realidade pode ser compreendido, portanto, não como simples submissão, mas como mediação.

O desejo afirma:

"Quero outra posição."

A realidade pergunta:

"Quais condições tornam essa posição possível?"

A resposta exige construção:

  • atualizar o currículo;
  • identificar competências transferíveis;
  • reconhecer experiências profissionais acumuladas;
  • compreender as exigências reais das vagas;
  • desenvolver competências ainda ausentes;
  • ampliar experiências compatíveis com a Psicologia;
  • candidatar-se de maneira coerente;
  • avaliar respostas do mercado;
  • sustentar financeiramente o período de transição.

A saída deixa de ser apenas uma fantasia e passa a ser um projeto submetido ao teste da realidade.

Essa passagem é fundamental.

O desejo pode indicar a direção.

A realidade determina as condições da caminhada.


11. Do "quero sair" ao "como posso sair?"

A questão psicanalítica pode, então, deslocar-se.

Inicialmente:

"Quero sair do supermercado."

Depois:

"Por que ainda não consigo sair?"

E finalmente:

"O que precisa existir na realidade para que essa saída seja possível?"

Essa última pergunta representa uma transformação importante.

O desejo deixa de exigir satisfação imediata e passa a dialogar com a realidade.

O sujeito não precisa negar seu desejo para permanecer temporariamente.

Também não precisa negar a realidade para sustentar seu desejo.

Pode reconhecer ambos.


12. O ato falho não determina o futuro

É necessário estabelecer um limite metodológico.

A psicanálise não permite concluir, a partir do esquecimento de um relógio, que o sujeito necessariamente deixará o supermercado, que uma determinada vaga surgirá ou que uma mudança profissional ocorrerá em determinado momento.

O ato falho não é uma profecia.

Ele tampouco fornece uma garantia de que o desejo será realizado.

Sua importância está em outra dimensão: ele pode oferecer material para que o sujeito reconheça e elabore um conflito que já existe.

A literatura psicanalítica sobre atos falhos enfatiza justamente a necessidade de interpretar esses fenômenos considerando sua dimensão de sentido e sua articulação com o inconsciente, e não como códigos universais de significação.

Portanto, a interpretação:

"Esqueci o relógio, logo vou sair do supermercado"

seria excessivamente determinista.

Já a formulação:

"Esquecer o relógio, nesse contexto, pode ser associado ao desejo de não se reinscrever no tempo institucional dessa função e permite investigar a ambivalência entre permanecer e sair"

é teoricamente mais cuidadosa.


13. O "ainda não" como posição subjetiva

O "ainda não" pode ser entendido como uma posição intermediária entre desejo e realidade.

Não é:

sim, quero permanecer.

Também não é:

não, quero abandonar tudo imediatamente.

É:

"Não quero permanecer indefinidamente, mas ainda preciso permanecer por enquanto."

Essa posição exige tolerância à frustração, capacidade de adiamento e elaboração da angústia.

O sujeito precisa suportar a existência de uma distância entre o desejo e sua realização.

Nesse sentido, a realidade pode ser frustrante, mas também pode funcionar como organizadora do desejo.

O desejo diz para onde.

A realidade pergunta como.

O tempo responde quando.


14. O relógio retorna: a realidade impõe o tempo

Há uma ironia simbólica no episódio.

O sujeito esquece justamente o objeto que representa o tempo.

Mas retorna para buscá-lo.

Ele não consegue simplesmente eliminar o tempo institucional.

Precisa colocá-lo no pulso.

Isso pode ser interpretado como uma metáfora da própria situação:

O sujeito ainda precisa vestir temporariamente o tempo do supermercado, mesmo desejando construir uma vida que não seja determinada por esse tempo.

Ele coloca o relógio.

Mas colocar o relógio não significa desejar permanecer para sempre.

Significa apenas reconhecer:

"Hoje, neste momento, preciso cumprir esta jornada."

Essa diferença é essencial.


15. O desejo pode sobreviver ao adiamento

Um dos aspectos mais importantes do princípio de realidade é justamente a possibilidade de adiamento sem abandono.

O sujeito pode desejar uma mudança e, simultaneamente, reconhecer que ela não pode ser realizada imediatamente.

O desejo permanece enquanto as condições são construídas.

Assim:

adiar não significa desistir.

E:

permanecer temporariamente não significa escolher permanecer definitivamente.

Essa distinção pode ser especialmente importante para sujeitos que vivem uma transição profissional.

A saída precisa deixar de ser apenas uma urgência subjetiva para tornar-se uma possibilidade objetiva.


16. Considerações sobre a identidade profissional

No caso do fiscal psicólogo, o conflito apresenta uma dimensão adicional: a função exercida e a identidade profissional desejada não coincidem completamente.

O sujeito pode possuir formação e conhecimentos em Psicologia, desenvolver projetos relacionados à Psicologia do Esporte, refletir sobre Psicologia Organizacional e do Trabalho e, simultaneamente, continuar inserido em uma função operacional.

Isso produz uma experiência paradoxal:

ser psicólogo na formação e no desejo, mas continuar sendo fiscal na organização concreta da vida laboral.

O sofrimento dessa posição não precisa ser reduzido à simples insatisfação com o emprego.

Pode envolver a sensação de que o tempo profissional está sendo consumido por uma posição que o sujeito não deseja como destino.

O relógio, portanto, pode simbolizar não apenas o tempo do trabalho, mas a pergunta:

"Quanto do meu tempo profissional ainda será destinado a essa função?"


17. A passagem possível

A psicanálise não oferece uma técnica de recolocação profissional. Entretanto, sua contribuição pode estar na possibilidade de o sujeito distinguir desejo, fantasia, realidade, impossibilidade e possibilidade.

O desejo de sair pode ser reconhecido sem ser transformado em decisão impulsiva.

A realidade pode ser reconhecida sem ser transformada em sentença de permanência.

A posição intermediária seria:

"Eu reconheço que quero sair. Reconheço também que ainda não posso simplesmente sair. Portanto, preciso construir a passagem."

Nesse ponto, o "ainda não" deixa de ser apenas uma frustração.

Ele passa a ser um intervalo de elaboração.


Conclusão

O episódio do esquecimento do relógio, ocorrido quando o fiscal psicólogo se preparava para trabalhar em um domingo na loja de Barão Geraldo, pode ser compreendido como uma pequena cena cotidiana na qual se condensam elementos mais amplos de sua experiência subjetiva.

A partir de Freud, os atos falhos podem ser investigados como manifestações da vida cotidiana nas quais o inconsciente participa, embora seu significado não possa ser estabelecido de maneira automática ou universal.

Nesse caso, o esquecimento do relógio pode ser associado, hipoteticamente, ao conflito do sujeito com a própria inscrição no tempo institucional do supermercado. O relógio marca a jornada, o horário e a disponibilidade do trabalhador. Esquecê-lo no momento da saída pode, portanto, ser tomado como material para pensar uma possível resistência à reinscrição nessa temporalidade.

Entretanto, o sujeito retorna, pega o relógio, coloca-o no pulso e vai trabalhar.

É justamente nesse retorno que aparece o princípio de realidade.

O desejo pode afirmar:

"Eu quero sair."

A realidade responde:

"Ainda não existem condições suficientes para que essa saída aconteça agora."

E o sujeito, em vez de necessariamente abandonar o desejo ou romper impulsivamente com a realidade, pode construir uma terceira posição:

"Ainda não é o momento, mas isso não significa que eu tenha desistido de sair."

Essa formulação permite compreender o princípio de realidade não como uma condenação à permanência, mas como a capacidade de reconhecer limites, adiar uma satisfação e construir condições concretas para uma realização futura. Freud descreveu justamente o princípio de realidade como aquilo que modifica a busca imediata de satisfação ao introduzir as exigências da realidade externa.

Assim, o relógio pode ser compreendido como uma metáfora precisa da situação: o sujeito ainda precisa colocá-lo no pulso para atravessar o tempo institucional, mas isso não significa que tenha escolhido permanecer nesse tempo para sempre.

O ato falho não anuncia necessariamente a saída.

Ele pode anunciar algo mais subjetivamente importante: o reconhecimento de que permanecer e desejar permanecer já não são necessariamente a mesma coisa.

O sujeito pode continuar no supermercado sem que o supermercado continue sendo o horizonte de seu desejo profissional.

Nesse sentido, "ainda não é o momento" não precisa significar derrota.

Pode significar:

o desejo já encontrou sua direção; agora a realidade precisa ser trabalhada para que essa direção possa, no momento possível, transformar-se em passagem.

Referências bibliográficas

FREUD, Sigmund. A psicopatologia da vida cotidiana. Trabalho original publicado em 1901. São Paulo: Companhia das Letras/Autêntica, conforme edição consultada.

FREUD, Sigmund. Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental. 1911. In: Obras completas. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

FREUD, Sigmund. O inconsciente. 1915. In: Obras completas. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1991. Referência utilizada para a distinção entre princípio de prazer e princípio de realidade.

ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

AIRES, Suely. Atos falhos: interpretação e significação. Natureza Humana, 2017.

MACHADO, Roaldo Naumann. Reflexões sobre os Dois princípios do acontecer psíquico e algumas relações com o Projeto de psicologia e trabalhos posteriores. Revista de Psicanálise da SPPA.

 

Comentários

Postagens mais visitadas

O Jogo De Esconder Objetos

  Ano 2022. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leit@r a notabilizar o conceito de brincadeira, é a ação de brincar, divertir, entreter, distrair. Geralmente são jogos livres que têm a finalidade de encenar e utilizar objetos lúdicos. A principal diferença entre a brincadeira para outras atividades diárias é a sua natureza divertida e criativa. A brincadeira de esconder e achar objetos promove a memória e a percepção de que as coisas, que lhe pertence podem permanecer nos lugares mesmo que a criança, o adolescente ou até o adulto não consiga as ver, o que é uma conquista extremamente importante nessa faixa etária. Além disso, dando um comando verbal com o nome de elementos que já lhes são familiares, acaba-se estimulando uma comunicação que envolve a linguagem e uma apropriação de palavras que vão acabar compondo o seu vocabulário. Esconde-esconde objetos é o jeito de brincar: Uma das crianças é escolhida para esconder um objet...

PLANO DE AÇÃO PARA MELHORIA DO AMBIENTE DE TRABALHO NO SUPERMERCADO

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. ### **1. Objetivo Geral** Reduzir os riscos psicossociais no ambiente de trabalho do supermercado, promovendo bem-estar, engajamento e qualidade de vida para os colaboradores. ### **2. Diagnóstico Inicial** - Aplicar uma pesquisa de clima organizacional para identificar principais dificuldades e insatisfações. - Realizar entrevistas com colaboradores de diferentes setores para entender suas necessidades e desafios. - Avaliar os índices de rotatividade, absenteísmo e conflitos internos. ### **3. Ações Preventivas e Corretivas** #### **3.1. Melhoria das Relações Interpessoais** - Implementar treinamentos sobre inteligência emocional e resolução de conflitos. - Criar espaços para comunicação aberta entre liderança e equipe, como reuniões quinzenais. - Estabelecer um canal anônimo para feedbacks e sugestões dos colaboradores. ####...

O esvaziamento libidinal do ego e o bloqueio do desejo sob a censura do superego: uma leitura psicanalítica a partir do caso do fiscal de caixa

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 Resumo O presente estudo propõe uma leitura psicanalítica sobre a perda do investimento libidinal no contexto do trabalho e da vocação, tomando como referência o caso de um fiscal de caixa que, após anos de dedicação, não encontra mais sentido em suas atividades laborais nem motivação para exercer a profissão de psicólogo. O fenômeno é analisado à luz das formulações de Freud e Lacan, com ênfase na relação entre o ego, o superego e o desejo, buscando compreender como o excesso de idealização e a censura superegóica podem conduzir ao esvaziamento libidinal, à inibição do desejo e à alienação subjetiva diante do princípio de prazer. 1. Introdução O caso em análise refere-se a um sujeito que, embora formado em Psicologia e movido inicialmente pelo desejo de ajudar pessoas a se libertarem de sofrimentos emocionais e vícios, encontra-se atualmente exercendo a função de fiscal de caixa em um supermercado . Com o ...

Música Volume Alto

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um sujeito quando está com raiva aparente de algo aumenta o volume da música no ritmo de academia no máximo. Claro, vou tentar explicar isso pela perspectiva da psicanálise de uma maneira acessível para iniciantes. Raiva aparente: Quando alguém está com raiva aparente, significa que essa pessoa está demonstrando sua raiva de maneira visível, como aumentar o volume da música ao máximo. A raiva é uma emoção que pode surgir quando nos sentimos frustrados, irritados ou contrariados. Estímulos inconscientes e conscientes: Na psicanálise, a mente é dividida em três partes: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. O consciente é onde estamos cientes de nossos pensamentos e ações. O pré-consciente é onde pensamentos que não estão no momento presente podem ser trazidos à consciência. O inconsciente contém pensamentos e sentimentos que não estamos ...

Chicago P.D. como espelho psicossocial do fiscal de caixa psicólogo: identidade profissional, pertencimento, autoridade e reconhecimento no supermercado

  Introdução A série Chicago P.D. , produzida como drama policial, acompanha a Unidade de Inteligência do Departamento de Polícia de Chicago, responsável por investigações de crimes graves e liderada pelo sargento Hank Voight. A própria descrição institucional da série enfatiza a atuação coletiva da unidade, a busca pela justiça, a proteção da cidade e, simultaneamente, os conflitos produzidos pelas mudanças no sistema de justiça e pelas formas de liderança e atuação da equipe. Embora o universo policial esteja muito distante do cotidiano de um supermercado, a série pode ser utilizada como objeto cultural para uma leitura pela Psicologia Social e pela Psicologia das Organizações , especialmente quando se observa a relação entre indivíduo, grupo, papel profissional, autoridade, reconhecimento, hierarquia e instituição. Nesse sentido, Chicago P.D. torna-se um espelho simbólico particularmente interessante para compreender a experiência de um trabalhador que ocupa a função de f...

Estudo de Caso Clínico: O Luto do Ideal e a Ressonância Contratransferencial

  1. Viñeta Clínica e Histórico do Paciente Identificação: Marcelo (nome fictício), 32 anos, psicólogo de formação (graduado em 2018), atuando de forma autônoma como psicanalista em consultório particular.   Demanda e Queixa Secundária: Marcelo busca análise pessoal impulsionado por um quadro de esgotamento, angústia flutuante e sentimentos intensos de desamparo. Relata que, desde a sua graduação, tentou sucessivamente inserção em seleções públicas, clínicas conveniadas e instituições hospitalares, recebendo recusas sistemáticas. Mantém a prática clínica privada com poucos atendimentos, sentindo-se "invisível" social e financeiramente.   O Ponto de Inflexão (Gatilho Clínico): O estopim para a busca de sua própria análise ocorreu durante o manejo das sessões de um paciente recém-chegado, André, que atravessa o luto drástico pela morte repentina da figura materna. Marcelo relatou à sua analista: "Eu me pego paralisado nas sessões com o André. Quando ele ...

Não conseguiu construir caminho de sucesso: O Luto da Trajetória Profissional na Psicologia

  Introdução O término da graduação marca, para muitos profissionais, o ponto de partida de um projeto de vida focado na consolidação de uma carreira funcional, sustentável e reconhecida. No entanto, o percurso acadêmico e o esforço individual nem sempre garantem a inserção ou o êxito nos variados campos de atuação que a profissão promete. Entre o momento da formação, em 2018, e a maturidade profissional projetada para 2026, a vivência contínua de insucessos em múltiplos eixos pode conduzir o indivíduo a uma profunda reavaliação sobre a viabilidade de permanecer em determinada área. Quando todos os caminhos desenhados e executados culminam na ausência de retorno prático, o reconhecimento do encerramento de um ciclo e a elaboração do luto profissional emergem não como fraqueza, mas como um processo fundamental de reorganização existencial e ocupacional. A Articulação dos Caminhos Tentados (2018–2026) Ao longo de oito anos, foram empreendidos esforços deliberados em praticament...

Dinâmica De Poder Nas Instituições – Psicologia Organizacional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A dinâmica de poder em uma organização refere-se à distribuição e ao exercício do poder entre os membros e diferentes níveis hierárquicos dentro da empresa. O poder é uma influência que permite que um indivíduo ou grupo afete o comportamento ou as decisões dos outros. Existem diferentes teorias e abordagens para entender a dinâmica de poder em uma organização. Vou apresentar alguns dos principais através da psicologia organizacional. Teoria das bases de poder: Essa teoria, proposta por French e Raven, identifica cinco bases de poder que uma pessoa pode ter na organização. São elas: Poder coercitivo: baseia-se no medo de punição ou consequências negativas. Poder de recompensa: baseia-se na capacidade de recompensar ou oferecer incentivos. Poder legítimo: baseia-se na autoridade formal concedida pela posição hierárquica. Poder de especialista: bas...

Fases Da Sexualidade Na Escolha Da Carreira

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A teoria das fases da sexualidade, proposta por Sigmund Freud, inclui as seguintes fases: fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital. Cada fase está associada a diferentes aspectos do desenvolvimento psicossexual. Lembre-se de que essa teoria é apenas uma perspectiva e foi criticada por muitos estudiosos ao longo dos anos. Claro, vou explicar cada uma das fases da sexualidade de acordo com a abordagem da psicanálise de forma simplificada: Fase Oral: Na primeira fase, que ocorre durante os primeiros anos de vida, o foco está na boca. As crianças exploram o mundo principalmente através da boca, chupando objetos e experimentando tudo com a boca. A satisfação vem da alimentação e da sensação de conforto oral. Fase Anal: A fase anal acontece por volta dos 2 aos 3 anos de idade. Aqui, o foco se volta para o controle dos esfínctere...

Morte A Aposentar-se Como Operador Caixa

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Ego prefere literalmente a morte física somátizando sintomas emocionais que possa encaminhar a vontade e desejo de morrer dormindo a permanecer trabalhando como operador de caixa e se aposentar na profissão que gera angústia e não como psicólogo. O texto sugere uma situação emocionalmente desafiadora. Na abordagem da psicanálise, podemos analisá-lo da seguinte forma: Ego: O ego é a parte da mente que lida com a realidade e age como um mediador entre os desejos do id e os padrões morais do superego. No seu caso, o ego está enfrentando um conflito entre a vontade de continuar trabalhando como operador de caixa e o desejo de não viver mais, possivelmente devido à angústia gerada por essa profissão. Sintomas emocionais somáticos: Os sintomas emocionais somáticos ocorrem quando o corpo expressa o sofrimento emocional. Nesse contexto, os sintomas podem...