Ainda não é o momento: ato falho, desejo de saída e princípio de realidade na experiência do fiscal psicólogo
Introdução A experiência de um sujeito que ocupa uma função de fiscal de caixa em um supermercado pode ser compreendida, pela perspectiva psicanalítica, como atravessada por conflitos entre desejo, realidade, necessidade econômica, identidade profissional e projeto de futuro. Quando esse sujeito também se reconhece como psicólogo, a permanência na função operacional pode adquirir uma dimensão subjetiva particular: ele não está apenas submetido a uma jornada de trabalho, mas vivencia uma tensão entre a posição profissional atualmente ocupada e aquilo que deseja construir para sua vida. Nesse contexto, um episódio aparentemente banal pode adquirir valor interpretativo. Em determinado domingo, o fiscal psicólogo foi solicitado a trabalhar em uma loja localizada em Barão Geraldo. Pela manhã, levantou-se, tomou café, arrumou sua mochila e preparou-se para sair. Ao abrir a porta da cozinha, percebeu que havia esquecido de colocar o relógio no pulso. Voltou ao quarto, pegou o relógi...