Pular para o conteúdo principal

Energia realocada em outro Objeto


Julho/2019.Escrito por Ayrton Junior - Psicólogo CRP 06/147208 

Mediante este texto pretendo desnudar a construção em análise e interpretação de um sonho. Para Freud, o sonho constitui “uma realização (disfarçada) de um desejo (reprimido)”. Possui um conteúdo manifesto, que é a experiência consciente durante o sono, e ainda um conteúdo latente, considerado inconsciente. Este é composto por 3 elementos: as impressões sensoriais noturnas (por exemplo, a sensação de sede durante o sono), os restos diurnos (registros dos acontecimentos da véspera) e as pulsões do id (relacionadas a fantasias de natureza sexual ou agressiva). Esses elementos do sonho latente tendem a fazer o indivíduo despertar. E, durante o sono, em função da completa cessação da atividade motora voluntária, a repressão está enfraquecida, o que aumenta a possibilidade de as pulsões terem acesso à consciência.
Todavia o sonho atua como “o guardião do sono”. Em função de uma solução de compromisso entre o id e o ego – que é a instância que exerce a repressão –, é permitida uma gratificação parcial das pulsões, diminuindo a força delas e, consequentemente, possibilitando que o indivíduo continue a dormir. Essa gratificação se dá através de uma fantasia visual (o conteúdo manifesto do sonho), que é o resultado de um processo regressivo: o fluxo da energia psíquica, ao invés de seguir em direção às vias motoras, retorna às vias sensoriais.
O sonho é considerado o fenômeno da vida psíquica pelo qual os processos do inconsciente são revelados de uma forma clara e acessível ao estudo. Para Freud, o sonho é produto da atividade do inconsciente e sempre tem sentido intencional, ou seja, a realização, ou não, de um desejo reprimido. Assim eles vão revelando a natureza do homem e são meios os quais podemos ter acesso ao conhecimento do interior oculto da mente.
Um sujeito sonha que, está falando com o seu primo e iria trabalhar com ele dentro da empresa, entretanto deseja sair da empresa, contudo seu primo lhe diz: fica aqui com a gente. Então o sujeito, pensa vou ficar e ajuda-lo no serviço; e de repente observa seu primo correr atrás de três cavalos dentro da empresa multinacional correndo por entre os maquinários para apanha-los.
        
Elementos do sonho: 1. Sujeito: representa o Ego com formação Técnico em Mecânica, Teologia e Psicologia 2. Empresa multinacional: representa a consciência 3. Primo: representa o Superego 4. A quantia de 03Cavalos: representa três catexia; a primeira de narcisismo; a segunda de fantasia e a terceira de objeto 5. Maquinários: representa transforma a angustia em energia libido para movimento. Interpretação do sonho: Ego tem desejo de sair da angustia, entretanto se submete ao Superego a fim de que a catexia de narcisimo, de fantasia e de objeto, seja redirecionada e realocada em outro local fora da consciência, evitando que a energia libidinal fique circulando na consciência e continue a causar desprazer ao Ego.
Os sonhos se dão em dois registros: o sonho lembrado e contado pelo sonhador [conteúdo manifesto], e outro oculto e inconsciente [conteúdo latente], no qual se pretende chegar através da interpretação. Encontrar o sentido de um sonho é percorrer o caminho que dá acesso aos desejos inconscientemente recalcados.
Na deformação do sonho Freud observou os mecanismos de deslocamento, condensação e figuração. A condensação seria uma estrutura de superposição e o deslocamento um meio adequado para despistar a censura. O desejo, tendo sofrido o deslocamento e a condensação, aparece disfarçado na figuração do sonho. A censura do sonho tem como efeito a desfiguração do conteúdo do sonho, ou seja, a deformação onírica. O paciente resiste por força da censura. A resistência aparece, então, como fenômeno clínico apontando para o recalcado, para aquilo que o paciente não suporta lembrar.
Através dos mecanismos de figuração (stellbarbrit), deslocamento (verchiebrung) e condensação (verdichtung) que ocorrem no pensamento do sonho, o autor nos mostra o que se passa no psiquismo humano. Os sonhos são uma formação do inconsciente e a partir de sua decifração é possível sabermos algo sobre o sujeito. O sujeito endereça ao outro sua verdade. O sujeito está interessado em se enunciar, insiste em se enunciar, e o faz através dos sonhos.
O sonho descrito acima é classificado pelo paciente como algo que suscita imensa angústia e expectativa de saber o que vai acontecer. [...] Em Além do princípio do prazer”, Freud (1920/1996) indaga-se sobre o problema da predominância ou não do princípio do prazer sobre a vida psíquica. Este é entendido aqui como o princípio psíquico que visa à redução de tensão que tem, comumente, ocorrência na dinâmica do aparato psíquico. Esta redução equivale à produção do prazer ou à evitação do desprazer, isto é, à diminuição de excitação no psiquismo.
Construção em análise e interpretação, da configuração da libido que às vezes fica estagnada, isto é, não segue seu fluxo natural. Isso ocorre quando há algum tipo de fixação que impede que tudo progrida como deveria. Libido é apetite, é instinto permanente de vida que se manifesta pela fome, sede, sexualidade, agressividade, necessidades e interesses diversos. Tudo isso está compreendido no conceito de libido.
A libido é uma energia humana que faz os indivíduos buscarem a realização de suas necessidades básicas, como a fome, por exemplo, e também as prazerosas. Parte da libido é reprimida a partir do complexo de Édipo, parte é deslocada para outros atos humanos como estudar, fazer arte, escrever textos, escrever livros, praticar artes márcias, esportes, trabalhar e outras atividades que temos ao longo de nossas vidas, e uma última parte fica disponível para o prazer sexual.
A libido é a energia que move o homem a se relacionar com os objetos. Se não fosse pela libido o homem não iniciaria sua relação com o mundo. É esta energia que garante que as crianças comecem a brincar, locomoverem-se e explorar a realidade à sua volta. A capacidade de canalizar a libido para o mundo exterior é fundamental para o equilíbrio do ser humano.
Problemas nesta canalização podem ocasionar falhas na socialização, como o autismo, autoagressão, masturbação compulsiva e outros distúrbios de comportamento. Na linguagem comum, a libido pode ser entendida como [vontade] e para entender melhor este conceito podemos nos remeter a nossas expressões quotidianas: “não estou com vontade de competir em processos seletivos”; “sem vontade não há solução”. Estas formas de expressão sinalizam a importância da libido em todas as nossas ações. Libido é um termo que significa vontade e desejo.
A energia então, armazenada no Ego, está sempre focada em algo bom – direta ou indiretamente. Ao observar um comportamento, principalmente aqueles de repetição, o sujeito está buscando algo que, em um determinado momento, lhe foi bom. Este comportamento pode demonstrar que o presente momento de vida não está agradável, pois está sendo buscado algo do passado para ser retomado. O que será que o paciente busca no passado que haja necessidade em ser retomado aqui, agora, que foi objetivo do Ego?
Em clínica, o processo de resistência se intensifica quando o passado não gera algo prazeroso, pelo contrário, traz de volta a dor – já que é necessário recordar, repetir e elaborar eventos passados como se acontecessem no momento atual, para que então possa acontecer a devida elaboração, com o auxílio do terapeuta, ressignificando e curando esta ferida do passado, podendo olhar para ela como algo resolvido, por mais doloroso que tenha sido. A análise busca identificar onde está alocada esta energia – libidinal – do paciente. Ela está, até ser focada em um determinado objeto, armazenada no Ego – então, toda a energia está, inicialmente, ligada a libido, mesmo que posteriormente seja dessexualizada. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.
Quando a energia está então focada em um objeto ela passou pelo processo de catexia. Cabe ao terapeuta, junto do paciente, descobrir, quebrando as repressões e recalques, qual prazer, qual finalidade esta energia está buscando. A energia catexizada em algo não pode ser utilizada em outra atividade, ela está ali, presa, até ser realocada, direcionada corretamente, ou então conseguir alcançar seu objetivo que é a explosão de prazer que busca através daquele ponto desejado.
Além de buscar um direcionamento que não gere transtornos, neuroses e desprazeres, além de enfraquecimento do indivíduo, a analise busca manter esta energia estabilizada, o mais baixa possível, para que a excitação não tome conta do organismo, deixando ele exausto físico e mentalmente.
Já a catexia é o processo pelo qual a energia libidinal disponível na psique é vinculada a ou investida na representação mental de uma pessoa, ideia ou coisa. A libido que não foi catexizada. A libido que foi catexizada perde sua mobilidade original e não pode mais mover-se em direção a novos objetos. Está enraizada em qualquer parte da psique que a atraiu e segurou. A catexia diz respeito à carga de ‘Energia Psíquica’ numa imagem psíquica e o investimento de sentimento e significância nesta imagem. Em outras palavras, a raiva que se sente contra uma pessoa é uma catexia ou fixação de energia na representação mental dessa pessoa [e não nela como objeto externo]. Uma vez que a libido foi catexizada, ela perde sua mobilidade original e não pode mais ser alternada para novos objetos, como normalmente seria possível, ficando enraizada na parte da psiquê que a atraiu e reteve [Ego].
Quando a energia psíquica se liga à divisão consciente do ego: (1) Daí ter surgido a expressão libido do ego ou narcisismo. Alguns usam o termo libido do eu ou auto libido, em contraposição à libido do objeto. (2) Catexia da fantasia, quando a energia psíquica é investida em formações de desejos ou fantasias, ou às suas fontes originais no inconsciente. Tanto a catexia do ego como a catexia da fantasia estão associadas ao narcisismo primário. (3) Catexia do objeto; a expressão é empregada quando se refere à energia psíquica que está conectada com algum objeto fora do próprio sujeito, ou à representação desse objeto na mente do sujeito. A catexia do objeto é menos estável ou fixa do que as outras formas, porque está associada às manifestações do narcisismo secundário, que por sua vez, são menos duradouras do que as do gênero primário.
Freud acreditava que as pessoas continuamente geram energia psíquica, mas apenas uma certa quantidade está disponível para uso em qualquer ponto no tempo. Esta energia psíquica é então utilizada pelos três componentes da personalidade: o id, o ego, superego. O ID é o primeiro local onde toda esta energia psíquica pode ser encontrada. O ID é responsável por satisfazer as necessidades básicas e desejos e opera através do processo primário.
Esta energia se move através, eventualmente, de outros aspectos da personalidade – o ego e do superego. O ego é capaz de capturar um pouco da energia dispersada pelo id. Quando essa energia se torna associada com uma atividade relacionada com ego, torna-se conhecida como uma catexia do ego. Esta dispersão de energia pode envolver a procura de atividades que estão relacionadas com a necessidade. Por exemplo, uma pessoa pode comprar um livro de receitas ou assistir a um programa de culinária na televisão quando está com fome. Pode procurar um emprego por estar sem dinheiro e sem aplicar o conhecimento, habilidade e atitude profissional.
Interpretando as três catexias. (1) a de Narcisimo Secundário, podendo indicar que a energia libidinal está catexizada no narcisimo intelectual. O homem narcísico não busca impor seus pontos de vista aos outros, mas procura incansavelmente um sentido para sua vida. O narcisismo pode ser dividido em duas etapas: narcisismo primário [fase auto erótica] e o narcisismo secundário [quando o indivíduo desenvolve o ego e consegue se diferenciar - os seus desejos e o que o atrai - do resto do mundo]. Freud denominou de narcisismo do ego ou narcisismo secundário, porque foi retirado dos objetos a partir dos processos de identificação com as figuras parentais ou seus representantes.
O narcisismo secundário, ocorrendo na fase adulta, seria um retorno ao ego da energia psíquica investida nos objetos, ou seja, retirada dos seus investimentos objetais, fazendo-o sentir mais prazer pelo retorno recebido ao narcisismo primário ao invés de sentir desejo sexual pelos objetos [...]Quando o indivíduo não consegue realizar-se, tende a fazer grandes investimentos naquilo “que possui a excelência que falta ao ego para torná-lo ideal” (FREUD, 1914/1974, p.18).
Agora (2) na catexia de fantasia. [...] Mecanismo de defesa da fantasia. É um processo psíquico em que o indivíduo concebe uma situação em sua mente, que satisfaz uma necessidade ou desejo, que não pode ser, na vida real, satisfeito. É um roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em última análise, de um desejo inconsciente.
Já (3) catexia de objeto; a expressão é empregada quando se refere à energia psíquica que está conectada com algum objeto fora do próprio sujeito, ou à representação desse objeto na mente do sujeito. [...] Freud afirma que, os objetos e as relações objetais são importantes primariamente como meios e veículos de descartes de pulsões libidinais e agressivas. A esse respeito, os primeiros na verdade têm um status secundário e derivado [...] nós não desenvolveríamos nenhum interesse por objetos ou relações objetais e nenhuma das funções de ego de teste de realidade se os objetos não fossem necessários para gratificação das pulsões e se a gratificação imediata fosse possível [...] somos forçados a nos relacionar com objetos. Mas [...] o nosso interesse pelos objetos e o nosso relacionamento com eles continuam direta ou indiretamente ligados ao seu uso e à relevância na gratificação pulsional. (EAGLE apud HALL, LINDZEY E CAMPBELL, 2000, p. 158).
Depreendendo de maneira intelectual através da construção em análise e interpretação do sonho, a energia libidinal se move através, eventualmente, de outros aspectos da personalidade – o Ego e do Superego. No caso do sonho citado acima, enxergamos o Superego na intenção de comandar realocando as três catexias de energias de narcisismo primário/ e ou secundário, a catexia de fantasia e a catexia de objeto para algum local específico fora da consciência para atingir o objetivo do próprio Superego.
Revelo de forma e evidente que o Ego tem desejo de sair da angustia narcísica, que  é a conversão da libido não satisfeita, ou é o afeto que revela a falta de autonomia do sujeito, que se encontra, nesse caso, impedido de responder diante de um Outro cujo querer é enigmático para ele; entretanto se submete ao Superego a fim de que a energia libidinal catexia de narcisimo secundário se mova, através dos seus desejos e o que o atrai do resto do mundo, e não o influencie a retirar a energia libidinal dos seus investimentos objetais, fazendo-o sentir mais prazer pelo retorno recebido não narcisismo primário ao invés de sentir desejo sexual pelos objetos [psicologia e teologia]. Ou seja, Ego direcionava este afeto de objeto de volta a si mesmos. Isto é, após a libido já ter sido projetada para fora, para outros objetos além de si mesmo. O resultado é que um Ego se tornava “cortado” da sociedade e desinteressado em outros. O narcisismo é um mecanismo de defesa que funciona como um instinto de conservação, onde numa condição de perigo, salva o Ego da pessoa
Agora na catexia de fantasia o Superego concebe uma situação em sua mente, que satisfaz uma necessidade ou desejo, que ainda não pode ser, na vida real, satisfeito como [ser pastor/ e ou psicólogo na igreja do Nazareno], e já na catexia do objeto a expressão é empregada quando se refere à energia psíquica que está conectada com algum objeto fora do próprio Superego, ou à representação desse objeto [psicólogo] na mente do sujeito. O Superego tem a intenção de redirecionar as três catexias e realoca-las em outro local fora da consciência, evitando que as três catexias fiquem circulando na consciência e continue a causar desprazer ao Ego.
A energia não está então focada em nenhum objeto ainda, por tanto ela não passou pelo processo de catexia, mas sim está catexizada na consciência, embora o Superego realocará em outro objeto. Cabe ao terapeuta, junto do paciente, descobrir, quebrando as repressões e recalques, qual prazer, qual finalidade esta energia está buscando, pois o Superego decidiu-se por realoca-la fora da consciência em algum objeto.
Se não for encontrado um valor [intensidade] psíquico que seja substituído por outro, como por exemplo: o interesse por algo que não encontra oportunidade de adquirir ou fazer, essa energia que alimenta esse interesse tomará outros caminhos, podendo transformar-se em manifestações somáticas, pois está catexizada no Ego mediante a catexia de narcisimo primário/ e ou secundário, a catexia de fantasia e a catexia de objeto.
Este comportamento pode demonstrar que o presente momento de vida do Ego não está agradável, pois está sendo buscado algo do passado para ser retomado. O que será que o paciente busca no passado que haja necessidade em ser retomado aqui, agora, que foi objetivo do Ego? “Atuar como pastor/ e ou psicólogo na Igreja do Nazareno”.

Referência Bibliográfica
FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.
FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII
FREUD, S. [1914]. Sobre o narcisismo: uma introdução. In:____. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas. 1. ed. Trad. Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1974, v. XIV, p. 85-119.
FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal Popular, 1968.
GREENBERG, Jay R; MITCHELL, Stephen A. Relações Objetais na Teoria Psicanalítica. Tradução Emilia de Oliveira Diehl. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

Comentários

Postagens mais visitadas

O Jogo De Esconder Objetos

  Ano 2022. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leit@r a notabilizar o conceito de brincadeira, é a ação de brincar, divertir, entreter, distrair. Geralmente são jogos livres que têm a finalidade de encenar e utilizar objetos lúdicos. A principal diferença entre a brincadeira para outras atividades diárias é a sua natureza divertida e criativa. A brincadeira de esconder e achar objetos promove a memória e a percepção de que as coisas, que lhe pertence podem permanecer nos lugares mesmo que a criança, o adolescente ou até o adulto não consiga as ver, o que é uma conquista extremamente importante nessa faixa etária. Além disso, dando um comando verbal com o nome de elementos que já lhes são familiares, acaba-se estimulando uma comunicação que envolve a linguagem e uma apropriação de palavras que vão acabar compondo o seu vocabulário. Esconde-esconde objetos é o jeito de brincar: Uma das crianças é escolhida para esconder um objet...

O sujeito não existe fora do laço social: não há sujeito sem Outro, nem desejo sem algum tipo de amarração simbólica

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 Introdução A psicanálise, desde Freud e radicalmente com Lacan, sustenta que o sujeito não é uma entidade autônoma, transparente a si mesma, nem um indivíduo isolado que decide livremente sua posição no mundo. O sujeito do inconsciente emerge apenas no interior de uma rede de significantes, isto é, no campo do Outro. Assim, não há sujeito fora do laço social, nem desejo que possa se sustentar sem alguma forma de amarração simbólica. Este artigo tem como objetivo articular essa tese fundamental a partir de uma situação clínica cotidiana: o caso do sujeito que ocupa a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas que não se reconhece nessa posição. A análise do ato falho, do sintoma corporal, do não-cuidado e da permanência forçada no laço social permitirá demonstrar como o inconsciente já sabe do não-desejo, enquanto o ato de ruptura ainda não pode ocorrer por ausência de outro laço que sustente o sujeito....

Fases Da Sexualidade Na Escolha Da Carreira

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A teoria das fases da sexualidade, proposta por Sigmund Freud, inclui as seguintes fases: fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital. Cada fase está associada a diferentes aspectos do desenvolvimento psicossexual. Lembre-se de que essa teoria é apenas uma perspectiva e foi criticada por muitos estudiosos ao longo dos anos. Claro, vou explicar cada uma das fases da sexualidade de acordo com a abordagem da psicanálise de forma simplificada: Fase Oral: Na primeira fase, que ocorre durante os primeiros anos de vida, o foco está na boca. As crianças exploram o mundo principalmente através da boca, chupando objetos e experimentando tudo com a boca. A satisfação vem da alimentação e da sensação de conforto oral. Fase Anal: A fase anal acontece por volta dos 2 aos 3 anos de idade. Aqui, o foco se volta para o controle dos esfínctere...

Música Volume Alto

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um sujeito quando está com raiva aparente de algo aumenta o volume da música no ritmo de academia no máximo. Claro, vou tentar explicar isso pela perspectiva da psicanálise de uma maneira acessível para iniciantes. Raiva aparente: Quando alguém está com raiva aparente, significa que essa pessoa está demonstrando sua raiva de maneira visível, como aumentar o volume da música ao máximo. A raiva é uma emoção que pode surgir quando nos sentimos frustrados, irritados ou contrariados. Estímulos inconscientes e conscientes: Na psicanálise, a mente é dividida em três partes: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. O consciente é onde estamos cientes de nossos pensamentos e ações. O pré-consciente é onde pensamentos que não estão no momento presente podem ser trazidos à consciência. O inconsciente contém pensamentos e sentimentos que não estamos ...

Chicago P.D. como espelho psicossocial do fiscal de caixa psicólogo: identidade profissional, pertencimento, autoridade e reconhecimento no supermercado

  Introdução A série Chicago P.D. , produzida como drama policial, acompanha a Unidade de Inteligência do Departamento de Polícia de Chicago, responsável por investigações de crimes graves e liderada pelo sargento Hank Voight. A própria descrição institucional da série enfatiza a atuação coletiva da unidade, a busca pela justiça, a proteção da cidade e, simultaneamente, os conflitos produzidos pelas mudanças no sistema de justiça e pelas formas de liderança e atuação da equipe. Embora o universo policial esteja muito distante do cotidiano de um supermercado, a série pode ser utilizada como objeto cultural para uma leitura pela Psicologia Social e pela Psicologia das Organizações , especialmente quando se observa a relação entre indivíduo, grupo, papel profissional, autoridade, reconhecimento, hierarquia e instituição. Nesse sentido, Chicago P.D. torna-se um espelho simbólico particularmente interessante para compreender a experiência de um trabalhador que ocupa a função de f...

Crise De Asma E Psicossomática

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico que descrê a crise de asma e a psicossomática. Doenças psicossomática, são doenças causadas ou agravadas pela instabilidade emocional. Diferentemente da somatização, que é diagnosticada por médicos quando os sintomas de uma doença se manifestam, mas não são observados efeitos físicos no corpo, as psicossomáticas têm efeitos verificáveis no organismo. As situações de vida estressantes como medo de “não cor responder às expectativas”, dificuldades no trabalho ou econômicas, perdas, desavenças, doença ou morte, podem ser fatores desencadeantes. Frequentemente a somatização é considerada expressão de “dor psíquica”, sob a forma de queixas corporais, em pessoas que não têm vocabulário para apresentar seu sofrimento de outra forma. Os sintomas têm origem nas sensações corporais amplificadas interpretadas erroneamente ou nas manifestações somáticas das e...

Medo De Não Conseguir Emprego

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leito para um excelente tópico, que fala descreve a insegurança quanto a empregabilidade no mercado de trabalho e suas prováveis consequências para a qualidade física e mental. A ansiedade realística é o medo do mercado de trabalho representado pelo princípio da realidade que provoca a incerteza no ego influenciando a pensar que o mercado de trabalho não permite que consiga se empregar em alguma instituição como psicólogo e por isso sente que está sendo punido pelo mercado de trabalho. Já a ansiedade moral é aquela que decorre do medo de ser punido [O ego sentira culpa se descobrir que não conseguirá empregar-se em alguma instituição como psicólogo porque Deus não vai realizar o milagre. Na psicanálise, o princípio da realidade e o princípio do prazer são conceitos fundamentais. O princípio do prazer refere-se à busca do prazer imediato e evitação do desconforto. Por outro lado,...

Morte A Aposentar-se Como Operador Caixa

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Ego prefere literalmente a morte física somátizando sintomas emocionais que possa encaminhar a vontade e desejo de morrer dormindo a permanecer trabalhando como operador de caixa e se aposentar na profissão que gera angústia e não como psicólogo. O texto sugere uma situação emocionalmente desafiadora. Na abordagem da psicanálise, podemos analisá-lo da seguinte forma: Ego: O ego é a parte da mente que lida com a realidade e age como um mediador entre os desejos do id e os padrões morais do superego. No seu caso, o ego está enfrentando um conflito entre a vontade de continuar trabalhando como operador de caixa e o desejo de não viver mais, possivelmente devido à angústia gerada por essa profissão. Sintomas emocionais somáticos: Os sintomas emocionais somáticos ocorrem quando o corpo expressa o sofrimento emocional. Nesse contexto, os sintomas podem...

Do investimento libidinal ao redesenho da carreira: luto, identidade profissional e competências construídas após uma década de tentativas na Psicologia

  Introdução A história apresentada pode ser compreendida como a trajetória de um profissional que, durante aproximadamente uma década, tentou transformar a formação em Psicologia em uma identidade profissional socialmente reconhecida , experimentando diferentes possibilidades de inserção: Psicologia Clínica, Social, Hospitalar, Jurídica, Organizacional, Esportiva, orientação educacional, Recursos Humanos, atendimento on-line, produção de conteúdo e projetos institucionais. O ponto central dessa trajetória não parece ser simplesmente uma sucessão de "fracassos profissionais". Há algo psicologicamente mais complexo: o sujeito investiu expectativas, tempo, conhecimento, energia, esperança e desejo em diferentes objetos profissionais . Cada vaga, consultório, projeto, academia, instituição, site, blog ou projeto de conteúdo representava uma possibilidade de responder à pergunta: "Onde posso existir profissionalmente como psicólogo?" A literatura brasileira sobre ...

Não conseguiu construir caminho de sucesso: O Luto da Trajetória Profissional na Psicologia

  Introdução O término da graduação marca, para muitos profissionais, o ponto de partida de um projeto de vida focado na consolidação de uma carreira funcional, sustentável e reconhecida. No entanto, o percurso acadêmico e o esforço individual nem sempre garantem a inserção ou o êxito nos variados campos de atuação que a profissão promete. Entre o momento da formação, em 2018, e a maturidade profissional projetada para 2026, a vivência contínua de insucessos em múltiplos eixos pode conduzir o indivíduo a uma profunda reavaliação sobre a viabilidade de permanecer em determinada área. Quando todos os caminhos desenhados e executados culminam na ausência de retorno prático, o reconhecimento do encerramento de um ciclo e a elaboração do luto profissional emergem não como fraqueza, mas como um processo fundamental de reorganização existencial e ocupacional. A Articulação dos Caminhos Tentados (2018–2026) Ao longo de oito anos, foram empreendidos esforços deliberados em praticament...