Pular para o conteúdo principal

Marketing Influência Atendimento Ao Cliente Supermercado

 Será possível dizer que o atendimento ao cliente no supermercado começa exatamente quando ele pega um carrinho e se dirige a prateleira observando o preço dos itens. Como ele está se sentindo ao observar a precificacao está sendo acolhido ou afastado peli preço aprovação ou raiva indignação com a precificacao.

Desejo e preço não são polos absolutos. Na maioria das compras, os dois participam da decisão, porém um deles pode assumir predominância.

1. Compra orientada pelo desejo

Aqui, o consumidor parte de algo como:

"Eu quero este produto."

O desejo, a identificação com a marca, o prazer, a conveniência ou o significado simbólico do produto têm maior peso.

Nesse caso, o preço pode ser considerado, mas não é necessariamente o critério decisivo.

Exemplo:

"Eu gosto desse chocolate e quero esse especificamente."

Mesmo encontrando outro mais barato, o consumidor pode permanecer com sua escolha.

Na psicologia do marketing, podemos relacionar isso à compra hedônica, valor emocional, preferência de marca e consumo simbólico.

2. Compra orientada pelo preço

Aqui a lógica se inverte:

"Preciso comprar, mas quero gastar o mínimo possível."

O consumidor passa a comparar:

produto A = R$ 10
produto B = R$ 8
produto C = R$ 6

Nesse caso, a pergunta central deixa de ser:

"Qual eu desejo?"

e passa a ser:

"Qual me oferece a solução pelo menor custo?"

O preço assume função de critério de decisão.

3. Mas existe uma terceira categoria: valor percebido

Essa talvez seja a mais importante para compreender o supermercado.

O consumidor pode pensar:

"Não quero necessariamente o mais barato; quero o que vale mais a pena."

Por exemplo:

  • produto A: R$ 5 — qualidade baixa;
  • produto B: R$ 7 — qualidade intermediária;
  • produto C: R$ 9 — qualidade superior.

O consumidor pode escolher o de R$ 7.

Portanto:

menor preço ≠ maior valor percebido.

O consumidor pode estar procurando a melhor relação custo-benefício.

4. Podemos representar sua ideia assim

DESEJO → "Eu quero isso."

O preço é secundário, dentro de determinados limites.


PREÇO → "Quero gastar o mínimo possível."

O desejo pelo produto é secundário.


VALOR → "Quero que meu dinheiro renda da melhor maneira."

Preço + qualidade + necessidade + quantidade + confiança + experiência.

Essa terceira posição é extremamente importante porque grande parte do comportamento supermercadista provavelmente ocorre nessa zona intermediária.

5. E isso explica diferentes comportamentos diante da etiqueta

Imagine três consumidores diante do mesmo produto:

Consumidor A — orientado pelo desejo

"É esse que eu quero."

Preço: aceitável se estiver dentro do limite que ele tolera.

Consumidor B — orientado pelo preço

"Qual está mais barato?"

Preço: critério dominante.

Consumidor C — orientado pelo valor

"Qual compensa mais?"

Preço: importante, mas comparado com qualidade e benefício.

Portanto, a mesma etiqueta de preço pode produzir três experiências psicológicas completamente diferentes.

6. Isso também ajuda a entender a raiva do consumidor

Quando o consumidor está predominantemente orientado pelo desejo, um aumento de preço pode produzir:

"Está caro, mas eu quero."

Ele pode continuar comprando.

Quando está predominantemente orientado pelo preço, o mesmo aumento pode produzir:

"Não compro mais."

E quando está orientado pelo valor, pode surgir:

"Por esse preço, não vale a pena."

Essa última frase é especialmente importante: o consumidor não está necessariamente dizendo que o produto é caro em termos absolutos. Está dizendo que o benefício percebido não justifica o preço.

7. E aqui aparece uma consequência para o atendimento

Quando o cliente chega ao caixa, o operador não está simplesmente diante de alguém que está "pagando".

Ele está diante de alguém que já tomou dezenas de decisões psicológicas ao longo da loja:

desejar → comparar → avaliar → rejeitar → escolher → calcular → comprar.

Por isso, quando o preço registrado no caixa não corresponde à expectativa construída durante essa jornada, o conflito no caixa pode representar muito mais do que alguns centavos de diferença.

Pode representar uma ruptura naquilo que o consumidor acreditava que seria a relação:

"Eu entrego meu dinheiro e recebo aquilo que considero justo em troca."

Quando essa percepção de troca justa é quebrada, podem surgir frustração, desconfiança, indignação e conflito.

Sua hipótese, portanto, pode ser ampliada para:

O comportamento de compra no supermercado oscila entre desejo, preço e valor percebido. Quanto mais o consumidor está orientado pelo desejo, maior tende a ser sua tolerância relativa ao preço; quanto mais está orientado pelo preço, maior a sensibilidade à diferença monetária; e quanto mais está orientado pelo valor, mais procura uma relação considerada justa entre preço, benefício e qualidade.

E como isso contribui para a fome emocional do cliente

Sim, mas com uma ressalva importante: não é correto dizer que a precificação ou a experiência no supermercado, por si só, produz fome emocional. Elas podem, entretanto, funcionar como gatilhos ou moduladores de um comportamento alimentar emocional, dependendo da história e do estado emocional da pessoa.

1. O que seria a fome emocional?

Na psicologia, podemos diferenciar, de maneira didática:

Fome fisiológica:
surge da necessidade energética do organismo e tende a aparecer gradualmente.

Fome emocional:
surge ou se intensifica como tentativa de lidar com estados como ansiedade, tristeza, frustração, tédio, estresse ou necessidade de recompensa.

A pessoa pode não estar pensando:

"Estou triste, então vou comer."

O processo pode ser muito mais automático:

emoção desconfortável → busca de alívio → alimento → prazer/recompensa momentânea.

2. Onde o supermercado entra nisso?

O supermercado é um ambiente extremamente rico em estímulos alimentares.

O consumidor encontra:

  • cheiro de pão;
  • alimentos expostos;
  • cores e embalagens;
  • doces;
  • promoções;
  • degustações;
  • produtos associados a prazer;
  • alimentos altamente palatáveis;
  • publicidade e posicionamento estratégico.

Portanto, uma pessoa que entra emocionalmente frustrada pode encontrar um ambiente cheio de possibilidades de recompensa imediata.

3. O preço pode aumentar ou diminuir essa possibilidade

Aqui sua hipótese sobre desejo × preço × valor fica interessante.

Imagine uma pessoa emocionalmente desgastada.

Ela passa pela padaria e sente o cheiro de pão.

Surge:

"Eu quero."

Depois olha o preço:

"Está caro."

Se o preço for percebido como excessivo, pode ocorrer inibição da compra.

Mas se aparecer:

"Promoção — leve 2, pague 1"

a barreira psicológica diminui.

O marketing pode transformar:

"Eu não deveria comprar"

em:

"Mas está em promoção."

Isso não significa que a promoção necessariamente cause fome emocional. Significa que ela pode reduzir uma barreira à realização de um impulso alimentar que já estava presente.

4. A recompensa é central

A alimentação emocional frequentemente envolve uma busca de regulação afetiva.

A pessoa não está buscando somente nutrientes.

Ela pode estar buscando:

conforto, prazer, recompensa, distração ou redução momentânea do desconforto.

Por isso, podemos pensar:

estado emocional negativo

exposição ao estímulo alimentar

desejo/craving

compra

consumo

recompensa/alívio momentâneo

O problema é que o alívio pode ser temporário.

Depois podem aparecer culpa, arrependimento ou preocupação com o consumo, criando um novo ciclo emocional.

5. E existe uma relação interessante com a sua observação anterior

Você falou sobre o cliente comprar pelo desejo ou pelo preço.

Na fome emocional, o desejo pode ganhar uma característica particular:

"Eu quero isso agora porque isso vai me fazer sentir melhor."

Nesse momento, o alimento deixa de ser apenas mercadoria.

Ele passa a funcionar psicologicamente como objeto de recompensa.

E o marketing pode reforçar essa associação por meio de mensagens como:

"Você merece."

"Aproveite."

"Permita-se."

Essas mensagens associam consumo alimentar a autogratificação emocional.

6. Isso ajuda a compreender o comportamento no supermercado

Podemos imaginar três situações:

Cliente emocionalmente estável + compra planejada

"Preciso de arroz, feijão, carne e verduras."

O desejo tende a ser subordinado ao planejamento.

Cliente emocionalmente fragilizado + estímulo alimentar

"Estou cansado... vou levar esse chocolate."

Aqui pode haver maior vulnerabilidade ao consumo impulsivo.

Cliente emocionalmente fragilizado + promoção + alimento altamente desejável

"Eu estava precisando disso mesmo. E ainda está em promoção."

Aqui ocorre uma combinação particularmente poderosa:

emoção + desejo + estímulo ambiental + justificativa econômica.

É essa combinação que pode favorecer a compra impulsiva.

7. Mas há uma distinção fundamental

Não devemos transformar isso em:

"O supermercado provoca fome emocional."

A formulação psicologicamente mais adequada seria:

"O ambiente supermercadista pode oferecer estímulos que, em indivíduos vulneráveis ou emocionalmente sensibilizados, favorecem o desejo alimentar e podem facilitar comportamentos de compra e consumo utilizados como estratégias momentâneas de regulação emocional."

Isso é muito mais preciso.

E existe uma conexão interessante com sua observação anterior sobre o caixa e o fiscal: se o cliente chega ao caixa depois de utilizar alimentos como uma forma de recompensa emocional, qualquer problema envolvendo preço, promoção ou cobrança pode ser vivido não apenas como um problema financeiro, mas como uma frustração da recompensa que ele estava buscando. Isso ajuda a explicar por que determinadas situações aparentemente pequenas podem provocar reações emocionais desproporcionais.

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas

O Jogo De Esconder Objetos

  Ano 2022. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leit@r a notabilizar o conceito de brincadeira, é a ação de brincar, divertir, entreter, distrair. Geralmente são jogos livres que têm a finalidade de encenar e utilizar objetos lúdicos. A principal diferença entre a brincadeira para outras atividades diárias é a sua natureza divertida e criativa. A brincadeira de esconder e achar objetos promove a memória e a percepção de que as coisas, que lhe pertence podem permanecer nos lugares mesmo que a criança, o adolescente ou até o adulto não consiga as ver, o que é uma conquista extremamente importante nessa faixa etária. Além disso, dando um comando verbal com o nome de elementos que já lhes são familiares, acaba-se estimulando uma comunicação que envolve a linguagem e uma apropriação de palavras que vão acabar compondo o seu vocabulário. Esconde-esconde objetos é o jeito de brincar: Uma das crianças é escolhida para esconder um objet...

O sujeito não existe fora do laço social: não há sujeito sem Outro, nem desejo sem algum tipo de amarração simbólica

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 Introdução A psicanálise, desde Freud e radicalmente com Lacan, sustenta que o sujeito não é uma entidade autônoma, transparente a si mesma, nem um indivíduo isolado que decide livremente sua posição no mundo. O sujeito do inconsciente emerge apenas no interior de uma rede de significantes, isto é, no campo do Outro. Assim, não há sujeito fora do laço social, nem desejo que possa se sustentar sem alguma forma de amarração simbólica. Este artigo tem como objetivo articular essa tese fundamental a partir de uma situação clínica cotidiana: o caso do sujeito que ocupa a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas que não se reconhece nessa posição. A análise do ato falho, do sintoma corporal, do não-cuidado e da permanência forçada no laço social permitirá demonstrar como o inconsciente já sabe do não-desejo, enquanto o ato de ruptura ainda não pode ocorrer por ausência de outro laço que sustente o sujeito....

PLANO DE AÇÃO PARA MELHORIA DO AMBIENTE DE TRABALHO NO SUPERMERCADO

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. ### **1. Objetivo Geral** Reduzir os riscos psicossociais no ambiente de trabalho do supermercado, promovendo bem-estar, engajamento e qualidade de vida para os colaboradores. ### **2. Diagnóstico Inicial** - Aplicar uma pesquisa de clima organizacional para identificar principais dificuldades e insatisfações. - Realizar entrevistas com colaboradores de diferentes setores para entender suas necessidades e desafios. - Avaliar os índices de rotatividade, absenteísmo e conflitos internos. ### **3. Ações Preventivas e Corretivas** #### **3.1. Melhoria das Relações Interpessoais** - Implementar treinamentos sobre inteligência emocional e resolução de conflitos. - Criar espaços para comunicação aberta entre liderança e equipe, como reuniões quinzenais. - Estabelecer um canal anônimo para feedbacks e sugestões dos colaboradores. ####...

Fases Da Sexualidade Na Escolha Da Carreira

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A teoria das fases da sexualidade, proposta por Sigmund Freud, inclui as seguintes fases: fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital. Cada fase está associada a diferentes aspectos do desenvolvimento psicossexual. Lembre-se de que essa teoria é apenas uma perspectiva e foi criticada por muitos estudiosos ao longo dos anos. Claro, vou explicar cada uma das fases da sexualidade de acordo com a abordagem da psicanálise de forma simplificada: Fase Oral: Na primeira fase, que ocorre durante os primeiros anos de vida, o foco está na boca. As crianças exploram o mundo principalmente através da boca, chupando objetos e experimentando tudo com a boca. A satisfação vem da alimentação e da sensação de conforto oral. Fase Anal: A fase anal acontece por volta dos 2 aos 3 anos de idade. Aqui, o foco se volta para o controle dos esfínctere...

Música Volume Alto

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um sujeito quando está com raiva aparente de algo aumenta o volume da música no ritmo de academia no máximo. Claro, vou tentar explicar isso pela perspectiva da psicanálise de uma maneira acessível para iniciantes. Raiva aparente: Quando alguém está com raiva aparente, significa que essa pessoa está demonstrando sua raiva de maneira visível, como aumentar o volume da música ao máximo. A raiva é uma emoção que pode surgir quando nos sentimos frustrados, irritados ou contrariados. Estímulos inconscientes e conscientes: Na psicanálise, a mente é dividida em três partes: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. O consciente é onde estamos cientes de nossos pensamentos e ações. O pré-consciente é onde pensamentos que não estão no momento presente podem ser trazidos à consciência. O inconsciente contém pensamentos e sentimentos que não estamos ...

Dinâmica De Poder Nas Instituições – Psicologia Organizacional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A dinâmica de poder em uma organização refere-se à distribuição e ao exercício do poder entre os membros e diferentes níveis hierárquicos dentro da empresa. O poder é uma influência que permite que um indivíduo ou grupo afete o comportamento ou as decisões dos outros. Existem diferentes teorias e abordagens para entender a dinâmica de poder em uma organização. Vou apresentar alguns dos principais através da psicologia organizacional. Teoria das bases de poder: Essa teoria, proposta por French e Raven, identifica cinco bases de poder que uma pessoa pode ter na organização. São elas: Poder coercitivo: baseia-se no medo de punição ou consequências negativas. Poder de recompensa: baseia-se na capacidade de recompensar ou oferecer incentivos. Poder legítimo: baseia-se na autoridade formal concedida pela posição hierárquica. Poder de especialista: bas...

Crise De Asma E Psicossomática

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico que descrê a crise de asma e a psicossomática. Doenças psicossomática, são doenças causadas ou agravadas pela instabilidade emocional. Diferentemente da somatização, que é diagnosticada por médicos quando os sintomas de uma doença se manifestam, mas não são observados efeitos físicos no corpo, as psicossomáticas têm efeitos verificáveis no organismo. As situações de vida estressantes como medo de “não cor responder às expectativas”, dificuldades no trabalho ou econômicas, perdas, desavenças, doença ou morte, podem ser fatores desencadeantes. Frequentemente a somatização é considerada expressão de “dor psíquica”, sob a forma de queixas corporais, em pessoas que não têm vocabulário para apresentar seu sofrimento de outra forma. Os sintomas têm origem nas sensações corporais amplificadas interpretadas erroneamente ou nas manifestações somáticas das e...

Medo De Não Conseguir Emprego

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leito para um excelente tópico, que fala descreve a insegurança quanto a empregabilidade no mercado de trabalho e suas prováveis consequências para a qualidade física e mental. A ansiedade realística é o medo do mercado de trabalho representado pelo princípio da realidade que provoca a incerteza no ego influenciando a pensar que o mercado de trabalho não permite que consiga se empregar em alguma instituição como psicólogo e por isso sente que está sendo punido pelo mercado de trabalho. Já a ansiedade moral é aquela que decorre do medo de ser punido [O ego sentira culpa se descobrir que não conseguirá empregar-se em alguma instituição como psicólogo porque Deus não vai realizar o milagre. Na psicanálise, o princípio da realidade e o princípio do prazer são conceitos fundamentais. O princípio do prazer refere-se à busca do prazer imediato e evitação do desconforto. Por outro lado,...

Morte A Aposentar-se Como Operador Caixa

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Ego prefere literalmente a morte física somátizando sintomas emocionais que possa encaminhar a vontade e desejo de morrer dormindo a permanecer trabalhando como operador de caixa e se aposentar na profissão que gera angústia e não como psicólogo. O texto sugere uma situação emocionalmente desafiadora. Na abordagem da psicanálise, podemos analisá-lo da seguinte forma: Ego: O ego é a parte da mente que lida com a realidade e age como um mediador entre os desejos do id e os padrões morais do superego. No seu caso, o ego está enfrentando um conflito entre a vontade de continuar trabalhando como operador de caixa e o desejo de não viver mais, possivelmente devido à angústia gerada por essa profissão. Sintomas emocionais somáticos: Os sintomas emocionais somáticos ocorrem quando o corpo expressa o sofrimento emocional. Nesse contexto, os sintomas podem...

Do investimento libidinal ao redesenho da carreira: luto, identidade profissional e competências construídas após uma década de tentativas na Psicologia

  Introdução A história apresentada pode ser compreendida como a trajetória de um profissional que, durante aproximadamente uma década, tentou transformar a formação em Psicologia em uma identidade profissional socialmente reconhecida , experimentando diferentes possibilidades de inserção: Psicologia Clínica, Social, Hospitalar, Jurídica, Organizacional, Esportiva, orientação educacional, Recursos Humanos, atendimento on-line, produção de conteúdo e projetos institucionais. O ponto central dessa trajetória não parece ser simplesmente uma sucessão de "fracassos profissionais". Há algo psicologicamente mais complexo: o sujeito investiu expectativas, tempo, conhecimento, energia, esperança e desejo em diferentes objetos profissionais . Cada vaga, consultório, projeto, academia, instituição, site, blog ou projeto de conteúdo representava uma possibilidade de responder à pergunta: "Onde posso existir profissionalmente como psicólogo?" A literatura brasileira sobre ...