Pular para o conteúdo principal

Esperando o Encerramento da Jornada para Sair Definitivamente

 Introdução

O episódio do fiscal de caixa que, ao final de sua jornada, desloca-se até o drive para atender um cliente pode ser compreendido como uma pequena cena cotidiana que, quando colocada em sequência com os demais acontecimentos anteriormente analisados, adquire valor simbólico. A proposta deste artigo não é afirmar que o esquecimento da chave tenha necessariamente uma causa inconsciente, mas utilizá-lo como material para uma leitura psicanalítica, considerando a relação entre ato falho, demanda do outro, responsabilidade, repetição, encerramento e desejo de saída.

Na cena, o fiscal está no movimento de encerramento de sua jornada. Ele desce pelo elevador para atender uma demanda no drive. Entretanto, quando chega ao local e entra em contato com o cliente, percebe que esqueceu a chave necessária para abrir a porta. Precisa, então, retornar, buscar a chave, descer novamente, abrir a porta e retirar os itens solicitados. O que inicialmente poderia parecer apenas um esquecimento cotidiano passa a apresentar uma estrutura simbólica particular: o sujeito estava saindo, mas precisa voltar para abrir uma última porta antes de poder sair definitivamente.

A psicanálise freudiana atribuiu importância aos chamados atos falhos (Fehlleistungen), incluindo esquecimentos, lapsos e ações aparentemente acidentais. Em A Psicopatologia da Vida Cotidiana, Freud investigou precisamente situações nas quais o esquecimento ou erro aparentemente banal poderia estar relacionado a processos psíquicos que escapam à intenção consciente. (Cambridge) Entretanto, uma leitura contemporaneamente cuidadosa precisa preservar a diferença entre interpretar simbolicamente um acontecimento e afirmar que todo esquecimento possui necessariamente uma determinação inconsciente. A própria literatura crítica sobre Freud observa que muitos lapsos podem decorrer de mecanismos ordinários de atenção, hábito e carga cognitiva. (Cambridge)

É nesse limite que o episódio do fiscal se torna interessante.


1. O movimento inicial: a jornada já estava terminando

O primeiro elemento fundamental é temporal.

O fiscal não estava iniciando sua jornada. Ele estava no momento de saída.

Esse detalhe modifica a leitura do acontecimento. Se a chave tivesse sido esquecida no início do expediente, o simbolismo construído seria diferente. Aqui, porém, o esquecimento aparece quando o sujeito está envolvido em um movimento de encerramento.

Pode-se representar a cena inicialmente assim:

jornada terminando → deslocamento para sair → encontro com uma demanda → interrupção da saída.

O sujeito já estava orientado para deixar aquele espaço institucional. Portanto, dentro da hipótese simbólica, pode-se pensar que havia uma diferença entre dois tempos:

tempo institucional: ainda existe uma demanda a ser atendida;

tempo subjetivo: a jornada já estava sendo encerrada.

É justamente nessa diferença que surge o conflito da cena.


2. A chave esquecida: o objeto necessário para permanecer

A chave possui uma função concreta: abrir a porta.

Sem ela, o fiscal não consegue acessar o drive e retirar os produtos.

Mas, simbolicamente, a chave também pode representar acesso, autorização, entrada e possibilidade de continuar desempenhando uma função dentro daquele espaço.

Isso produz um paradoxo:

O sujeito está indo embora, mas esquece justamente o objeto que lhe permite continuar entrando e atuando.

O esquecimento pode, portanto, ser interpretado como uma espécie de pequena ruptura entre a intenção de saída e a exigência de continuidade.

Não seria correto afirmar:

“O inconsciente fez o fiscal esquecer a chave porque ele quer sair.”

Seria mais rigoroso dizer:

O esquecimento pode ser lido, retrospectivamente, como compatível com um movimento subjetivo de encerramento que já estava em curso.

Freud considerou o esquecimento de intenções e outros lapsos como material potencialmente significativo para investigação psíquica. (The Library of Congress)


3. O encontro com o cliente modifica a cena

O segundo elemento decisivo é que o fiscal encontra o cliente.

Até então, seu movimento era de saída.

Quando aparece o cliente, aparece a demanda do outro.

O sujeito passa, então, de:

“Minha jornada está terminando”

para:

“Há alguém que precisa que eu faça alguma coisa.”

Esse deslocamento pode ser compreendido como uma suspensão temporária do movimento de saída.

A empatia, nesse contexto, pode ser entendida como a capacidade de reconhecer a necessidade do outro e responder a ela. O fiscal não simplesmente abandona o cliente porque seu horário está terminando; ele reorganiza temporariamente sua prioridade.

Assim, a cena pode ser formulada:

“Eu estava indo embora, mas encontrei alguém que precisa de atendimento; portanto, antes de sair, vou resolver essa necessidade.”


4. A instituição e a demanda do outro

Aqui aparece uma distinção importante.

Não é necessário escolher entre:

“a instituição obrigou o fiscal a ficar”

e

“o fiscal quis continuar trabalhando”.

As duas dimensões podem coexistir.

A instituição produz uma demanda objetiva.

O cliente apresenta uma necessidade concreta.

O fiscal, por sua vez, responde subjetivamente a essa situação.

Portanto:

instituição → demanda → cliente → empatia → suspensão da saída → atendimento.

O sujeito não está necessariamente escolhendo permanecer no supermercado como projeto de continuidade. Ele pode estar apenas adiando a saída para concluir aquilo que considera sua responsabilidade naquele momento.


5. O retorno como última permanência

Quando percebe que está sem a chave, o fiscal precisa voltar.

Esse retorno é particularmente significativo:

ele já estava saindo, mas retorna ao espaço institucional.

A cena pode ser lida como uma representação daquilo que foi discutido anteriormente:

“Sempre existe mais uma coisa para resolver antes de poder ir embora.”

A pergunta deixa de ser apenas operacional e passa a ser subjetiva:

O que significa, para esse sujeito, precisar resolver mais uma coisa antes de se autorizar a sair?

Essa pergunta abre várias possibilidades.

Pode significar:

  • dificuldade em considerar encerrado algo que ainda possui uma pendência;
  • forte sentimento de responsabilidade;
  • tendência a priorizar a necessidade do outro;
  • necessidade de concluir tarefas antes de sair;
  • culpa diante da possibilidade de abandonar alguém ainda necessitado;
  • identificação com a função de solucionador de problemas;
  • dificuldade em estabelecer o limite entre responsabilidade e disponibilidade;
  • ou simplesmente uma circunstância objetiva de trabalho que não possui maior significado psíquico.

A interpretação precisa permanecer aberta.


6. “Eu posso ir embora depois que resolver”

Uma das formulações mais importantes que emerge da cena é:

“Eu posso sair, mas primeiro preciso resolver isso.”

Essa frase estabelece uma condição para o encerramento.

O problema não é necessariamente querer permanecer.

O problema pode ser não conseguir se autorizar a sair enquanto uma demanda permanece aberta.

Nesse sentido, o sujeito pode estar submetido a uma lógica subjetiva:

“Enquanto houver algo para resolver, ainda não posso ir.”

Essa lógica pode ser funcional em determinadas situações profissionais. Entretanto, quando se torna permanente, pode gerar dificuldade de delimitar o próprio tempo e assumir que nem todos os problemas precisam ser solucionados pelo sujeito antes que ele possa partir.


7. O drive como espaço de transição

O drive também pode ser interpretado simbolicamente como um espaço liminar, isto é, um lugar de passagem.

Ele não é simplesmente o salão de vendas.

É um espaço associado à retirada, entrega e passagem dos produtos.

Nesse cenário específico, ele se torna o lugar entre:

permanecer no trabalho ↔ sair do trabalho.

O fiscal retorna ao drive, resolve a demanda e pode novamente seguir seu movimento de saída.

Por isso, o drive pode representar:

o espaço da última demanda antes do encerramento.

Ele é o lugar onde a jornada ainda permanece aberta por alguns minutos.


8. Abrir para poder fechar

Talvez esteja aqui o simbolismo mais forte de toda a cena.

O fiscal quer encerrar.

Mas, para encerrar, precisa abrir.

Precisa abrir a porta do drive.

Isso cria uma estrutura simbólica:

Para fechar o ciclo, é necessário abrir uma última vez.

O fechamento não ocorre pelo simples abandono do espaço. O sujeito precisa retornar, recuperar a chave, abrir a porta, atender o cliente, concluir a demanda e somente então pode sair.

A cena, portanto, não representa necessariamente uma permanência indefinida.

Representa uma última abertura antes do fechamento.


9. A empatia como suspensão temporária do próprio encerramento

Outro aspecto importante é que o fiscal parece colocar-se no lugar do cliente.

Sua jornada está terminando, mas ele reconhece que o cliente possui uma necessidade imediata.

Nesse momento, ocorre uma inversão temporária de prioridades:

a necessidade do outro vem antes da própria saída.

Isso pode ser compreendido como uma manifestação de responsabilidade e empatia.

Mas existe um limite que precisa ser preservado:

empatia não significa disponibilidade ilimitada.

O fiscal pode ajudar e, depois, sair.

Essa distinção é fundamental porque permite pensar uma forma mais saudável de encerramento:

“Eu posso cuidar da demanda do outro sem transformar a demanda do outro em uma obrigação de permanecer indefinidamente.”


10. O problema de sempre existir “mais uma coisa”

A pergunta que emerge do conjunto dos acontecimentos é:

“Por que sempre parece existir mais uma coisa para resolver antes de poder ir embora?”

Há várias respostas possíveis.

Talvez o sujeito tenha aprendido a considerar algo encerrado somente quando todas as pendências estão solucionadas.

Talvez exista uma identificação profunda com a posição daquele que resolve problemas.

Talvez exista uma tendência a colocar a necessidade do outro antes da própria.

Talvez exista culpa associada a sair enquanto alguém ainda necessita de ajuda.

Ou talvez o ambiente institucional produza concretamente uma sucessão interminável de demandas.

Essas possibilidades não precisam ser excludentes.

Mas uma formulação se destaca:

O encerramento de uma jornada não exige que o mundo esteja sem problemas.

O supermercado continuará tendo clientes depois que o fiscal for embora.

Continuará existindo falta de funcionários.

Continuarão existindo problemas operacionais.

Continuarão existindo demandas.

Portanto, o verdadeiro limite talvez não seja:

“Só posso sair quando tudo estiver resolvido.”

Mas:

“Posso sair quando aquilo que me cabia fazer naquele momento estiver suficientemente concluído.”


11. O “tempo adequado” de saída

Essa questão conduz diretamente à ideia de tempo adequado.

O fiscal não precisa sair antes de cumprir uma responsabilidade legítima. Mas também não precisa transformar cada demanda residual em motivo para permanecer indefinidamente.

O episódio do drive apresenta uma espécie de negociação:

a jornada terminou → aparece uma última demanda → o sujeito atende → a demanda é concluída → o encerramento pode acontecer.

Portanto, não se trata de simplesmente “abandonar” o trabalho.

Trata-se de concluir e sair.

Essa diferença é fundamental.


12. Encerramento de ciclo e elaboração psíquica

A ideia de encerramento também pode ser relacionada, com cautela, ao conceito psicanalítico de elaboração de perdas e separações.

Freud, em Luto e Melancolia, desenvolveu uma concepção na qual o trabalho de luto envolve a relação do sujeito com aquilo que foi perdido e com o desligamento progressivo do investimento no objeto. A literatura posterior ressalta justamente a importância desse texto para a compreensão psicanalítica da perda e do encerramento. (PubMed)

Aplicado metaforicamente ao cenário profissional, isso não significa diagnosticar um processo de luto, mas permite formular uma pergunta:

O que precisa ser elaborado para que o sujeito consiga sair de uma posição sem sentir que está abandonando algo que ainda depende dele?

Essa pergunta é particularmente pertinente quando o sujeito sente que precisa resolver “mais uma coisa” antes de partir.


13. Winnicott e o limite entre cuidar e separar-se

Uma aproximação winnicottiana também pode enriquecer a discussão, desde que utilizada como referência teórica e não como explicação causal do episódio.

Winnicott enfatizou a importância do ambiente facilitador, do holding e do desenvolvimento progressivo da capacidade de estabelecer diferenciação entre o self e o ambiente. (PubMed Central (PMC))

A partir dessa perspectiva, pode-se pensar simbolicamente o movimento do fiscal como uma negociação entre:

estar disponível ao outro
e
preservar a própria capacidade de retirar-se.

A maturidade não estaria em deixar de cuidar, mas em conseguir sustentar simultaneamente duas posições:

“Eu posso responder à necessidade do outro.”

e:

“Eu também posso reconhecer quando minha participação terminou.”

Essa segunda frase é particularmente importante para o encerramento.


14. A chave não estava perdida

Outro detalhe precisa ser preservado: a chave não foi perdida.

Ela foi esquecida.

Isso produz uma diferença simbólica importante.

O recurso continuava existindo.

O fiscal sabia onde encontrá-lo.

Precisou apenas voltar.

Assim, a cena não precisa ser interpretada como ausência definitiva de recursos.

Pode ser compreendida como:

o instrumento necessário para concluir a tarefa estava disponível, mas não estava presente no primeiro momento da saída.

Ele retorna, recupera a chave e consegue cumprir a demanda.

Portanto, existe uma capacidade de reorganização e reparação da falha.


15. O ato falho como cena de compromisso

Se quisermos aproximar a situação da teoria freudiana, poderíamos formular o episódio como uma possível formação de compromisso.

De um lado:

“Quero encerrar minha jornada.”

De outro:

“Ainda existe uma demanda que precisa ser atendida.”

O esquecimento da chave produz uma interrupção.

Mas a realidade exige correção.

O sujeito retorna, recupera a chave e conclui a tarefa.

Assim, o resultado final não é nem abandono da demanda nem permanência indefinida.

É:

atendimento + conclusão + saída.

Essa interpretação é compatível com a tradição freudiana de investigar os lapsos cotidianos como possíveis manifestações de conflitos ou tendências psíquicas, sem esquecer que o próprio fenômeno do esquecimento possui explicações ordinárias e multifatoriais. (Cambridge)


16. A cena como metáfora de um ciclo profissional

Quando essa cena é colocada ao lado das reflexões anteriores sobre a experiência do fiscal psicólogo, ela pode adquirir uma dimensão mais ampla.

O supermercado aparece como um espaço no qual o sujeito:

  • atende demandas;
  • resolve problemas;
  • intermedeia relações;
  • responde aos clientes;
  • administra conflitos;
  • permanece disponível;
  • volta quando necessário;
  • e frequentemente encontra novas demandas antes de conseguir concluir.

A questão deixa de ser apenas:

“Quando termina meu expediente?”

e passa a ser:

“Quando eu consigo considerar encerrada minha participação nesse lugar?”

Essa é uma pergunta diferente.

O encerramento cronológico depende do relógio.

O encerramento subjetivo depende também da possibilidade de reconhecer:

“Já fiz o que me cabia fazer.”


Conclusão

O episódio do fiscal que, no final da jornada, desce ao drive para atender um cliente, percebe que esqueceu a chave, retorna para buscá-la, desce novamente, abre a porta e resolve a demanda pode ser compreendido, em uma leitura psicanalítica, como uma cena condensada sobre saída, permanência, responsabilidade, empatia e encerramento.

O elemento central não parece ser simplesmente o esquecimento da chave. É a sequência inteira:

o sujeito estava saindo → encontra uma demanda → interrompe a saída → percebe que falta a chave → retorna → recupera o instrumento → abre a porta → atende → conclui → pode novamente sair.

Dentro dessa leitura, o drive simboliza um espaço de passagem; a chave, o acesso necessário para concluir a tarefa; a porta, o limite entre permanecer e sair; o cliente, a demanda do outro; e o retorno, a suspensão temporária do movimento de encerramento.

A pergunta fundamental passa então a ser:

“O que significa para mim sempre existir mais uma coisa para resolver antes de poder ir embora?”

Uma possível resposta é que o sujeito tenha aprendido a associar encerramento à ausência de pendências. Outra é que sua empatia e seu senso de responsabilidade o levem a priorizar a necessidade do outro. Uma terceira é que a própria instituição produza continuamente novas demandas que prolongam o momento da saída.

Mas a formulação mais significativa talvez seja outra:

Não é necessário que tudo esteja resolvido para que uma jornada possa terminar.

O cliente pode precisar de alguma coisa depois que o fiscal for embora. O supermercado continuará apresentando problemas. A instituição continuará produzindo demandas. O mundo não ficará completamente organizado pela saída do trabalhador.

Portanto, encerrar não significa solucionar tudo.

Encerrar significa reconhecer o limite da própria participação.

Nesse sentido, a cena do drive pode ser compreendida como uma metáfora de um último movimento: abrir uma última porta, resolver aquilo que efetivamente cabe ao sujeito e, depois, permitir-se sair.

A saída definitiva não ocorre quando deixam de existir problemas. Ela ocorre quando o sujeito consegue dizer, sem culpa:

“Eu fiz o que me cabia. O que permanece depois de mim já não precisa impedir minha saída.”

Essa talvez seja a passagem mais importante entre permanecer por responsabilidade e permanecer por impossibilidade de encerrar.

E é justamente nessa diferença que o ato falho da chave, tomado como material simbólico e não como prova de uma determinação inconsciente, ganha seu maior valor interpretativo.


Referências bibliográficas

FREUD, Sigmund. A psicopatologia da vida cotidiana. 1901/1904. Obra dedicada, entre outros fenômenos, ao esquecimento, lapsos, ações equivocadas e atos aparentemente acidentais. (Google Livros)

FREUD, Sigmund. Luto e melancolia. 1917. Texto fundamental para a discussão psicanalítica da perda, do desligamento e da elaboração. (PubMed)

WINNICOTT, Donald W. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artmed. A obra reúne formulações fundamentais sobre verdadeiro e falso self, amadurecimento e ambiente. Referências bibliográficas brasileiras sobre Winnicott registram trabalhos relacionados ao tema. (Revistas)

WINNICOTT, Donald W. Holding e interpretação. São Paulo: Martins Fontes. Obra relacionada ao conceito de holding e ao ambiente facilitador. (Revistas)

GELLER, Jay. “The psychopathology of everyday Vienna: psychoanalysis and Freud's familiars.” International Journal of Psychoanalysis, 2004, 85(5), 1209–1223. Discussão acadêmica sobre os atos falhos e sua interpretação na obra freudiana. (PubMed)

AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. APA Dictionary of Psychology — Holding environment. Definição do conceito winnicottiano de holding environment. (Dicionário APA de Psicologia)

 

Comentários

Postagens mais visitadas

O Jogo De Esconder Objetos

  Ano 2022. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leit@r a notabilizar o conceito de brincadeira, é a ação de brincar, divertir, entreter, distrair. Geralmente são jogos livres que têm a finalidade de encenar e utilizar objetos lúdicos. A principal diferença entre a brincadeira para outras atividades diárias é a sua natureza divertida e criativa. A brincadeira de esconder e achar objetos promove a memória e a percepção de que as coisas, que lhe pertence podem permanecer nos lugares mesmo que a criança, o adolescente ou até o adulto não consiga as ver, o que é uma conquista extremamente importante nessa faixa etária. Além disso, dando um comando verbal com o nome de elementos que já lhes são familiares, acaba-se estimulando uma comunicação que envolve a linguagem e uma apropriação de palavras que vão acabar compondo o seu vocabulário. Esconde-esconde objetos é o jeito de brincar: Uma das crianças é escolhida para esconder um objet...

O sujeito não existe fora do laço social: não há sujeito sem Outro, nem desejo sem algum tipo de amarração simbólica

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 Introdução A psicanálise, desde Freud e radicalmente com Lacan, sustenta que o sujeito não é uma entidade autônoma, transparente a si mesma, nem um indivíduo isolado que decide livremente sua posição no mundo. O sujeito do inconsciente emerge apenas no interior de uma rede de significantes, isto é, no campo do Outro. Assim, não há sujeito fora do laço social, nem desejo que possa se sustentar sem alguma forma de amarração simbólica. Este artigo tem como objetivo articular essa tese fundamental a partir de uma situação clínica cotidiana: o caso do sujeito que ocupa a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas que não se reconhece nessa posição. A análise do ato falho, do sintoma corporal, do não-cuidado e da permanência forçada no laço social permitirá demonstrar como o inconsciente já sabe do não-desejo, enquanto o ato de ruptura ainda não pode ocorrer por ausência de outro laço que sustente o sujeito....

Fases Da Sexualidade Na Escolha Da Carreira

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A teoria das fases da sexualidade, proposta por Sigmund Freud, inclui as seguintes fases: fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital. Cada fase está associada a diferentes aspectos do desenvolvimento psicossexual. Lembre-se de que essa teoria é apenas uma perspectiva e foi criticada por muitos estudiosos ao longo dos anos. Claro, vou explicar cada uma das fases da sexualidade de acordo com a abordagem da psicanálise de forma simplificada: Fase Oral: Na primeira fase, que ocorre durante os primeiros anos de vida, o foco está na boca. As crianças exploram o mundo principalmente através da boca, chupando objetos e experimentando tudo com a boca. A satisfação vem da alimentação e da sensação de conforto oral. Fase Anal: A fase anal acontece por volta dos 2 aos 3 anos de idade. Aqui, o foco se volta para o controle dos esfínctere...

Pensar Incitando A Psicologia No Cotidiano

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo convida o leitor a tornar-se consciente e manejar a psicologia a seu favor no cotidiano frente as contrariedades. E fazer uso do processo psicológico básico todos os dias que possível no momento em que perceber estar consciente no meio ambiente, seja natureza ou construído. Pensar é uma atividade fundamental para a vida humana. É por meio do pensamento que construímos nossas ideias, solucionamos problemas, tomamos decisões e elaboramos planos para o futuro. A psicologia tem muito a dizer sobre o processo de pensamento humano e como ele ocorre em nosso cérebro. Para a psicologia, pensar é um processo psicológico básico que envolve várias etapas. Cito a percepção, em potras palavras, a captação dos estímulos presentes no ambiente. É a partir desses estímulos que construímos nossas representações mentais do mundo. Em seguida, vem a atenção, que é a capacidade de selecionar e focalizar determinados es...

Dinâmica De Poder Nas Instituições – Psicologia Organizacional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A dinâmica de poder em uma organização refere-se à distribuição e ao exercício do poder entre os membros e diferentes níveis hierárquicos dentro da empresa. O poder é uma influência que permite que um indivíduo ou grupo afete o comportamento ou as decisões dos outros. Existem diferentes teorias e abordagens para entender a dinâmica de poder em uma organização. Vou apresentar alguns dos principais através da psicologia organizacional. Teoria das bases de poder: Essa teoria, proposta por French e Raven, identifica cinco bases de poder que uma pessoa pode ter na organização. São elas: Poder coercitivo: baseia-se no medo de punição ou consequências negativas. Poder de recompensa: baseia-se na capacidade de recompensar ou oferecer incentivos. Poder legítimo: baseia-se na autoridade formal concedida pela posição hierárquica. Poder de especialista: bas...

PLANO DE AÇÃO PARA MELHORIA DO AMBIENTE DE TRABALHO NO SUPERMERCADO

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. ### **1. Objetivo Geral** Reduzir os riscos psicossociais no ambiente de trabalho do supermercado, promovendo bem-estar, engajamento e qualidade de vida para os colaboradores. ### **2. Diagnóstico Inicial** - Aplicar uma pesquisa de clima organizacional para identificar principais dificuldades e insatisfações. - Realizar entrevistas com colaboradores de diferentes setores para entender suas necessidades e desafios. - Avaliar os índices de rotatividade, absenteísmo e conflitos internos. ### **3. Ações Preventivas e Corretivas** #### **3.1. Melhoria das Relações Interpessoais** - Implementar treinamentos sobre inteligência emocional e resolução de conflitos. - Criar espaços para comunicação aberta entre liderança e equipe, como reuniões quinzenais. - Estabelecer um canal anônimo para feedbacks e sugestões dos colaboradores. ####...

Colapso Organizacional em Ambientes de Alta Rotatividade: Uma Análise Psicossocial da Frente de Caixa no Varejo

  Resumo O presente artigo analisa o fenômeno do colapso organizacional em contextos de alta rotatividade e sobrecarga laboral, com foco na frente de caixa do varejo supermercadista. A partir de referenciais da psicologia organizacional, discute-se a interação entre exaustão ocupacional, falhas estruturais de gestão e estratégias defensivas coletivas. O estudo articula conceitos como burnout, contrato psicológico, justiça organizacional e desengajamento, evidenciando como intervenções pontuais — como a retenção forçada de lideranças — tendem a agravar dinâmicas disfuncionais. Por fim, propõe-se uma leitura estratégica do comportamento individual em sistemas organizacionais em deterioração. 1. Introdução Ambientes organizacionais caracterizados por alta rotatividade, sobrecarga crônica e pressão operacional contínua constituem terreno fértil para processos de degradação sistêmica. No setor supermercadista, especialmente na frente de caixa, tais condições se intensificam ...

Medo De Não Conseguir Emprego

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leito para um excelente tópico, que fala descreve a insegurança quanto a empregabilidade no mercado de trabalho e suas prováveis consequências para a qualidade física e mental. A ansiedade realística é o medo do mercado de trabalho representado pelo princípio da realidade que provoca a incerteza no ego influenciando a pensar que o mercado de trabalho não permite que consiga se empregar em alguma instituição como psicólogo e por isso sente que está sendo punido pelo mercado de trabalho. Já a ansiedade moral é aquela que decorre do medo de ser punido [O ego sentira culpa se descobrir que não conseguirá empregar-se em alguma instituição como psicólogo porque Deus não vai realizar o milagre. Na psicanálise, o princípio da realidade e o princípio do prazer são conceitos fundamentais. O princípio do prazer refere-se à busca do prazer imediato e evitação do desconforto. Por outro lado,...

Ego Realidade Emprego

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. O que pode estar acontecendo com o ego que procura por vagas de psicólogo nos sites de vagas na Internet, embora envia currículos para as vagas ofertadas raramente recebe feedback para participar de processos seletivos. Ego está lidando com o principio de realidade que é o mercado de trabalho e outros percalços da profissão e de repente ao olhar para o princípio de realidade não consegue mais perceber alguma probabilidade de empregar se no mercado de trabalho. O ego já procurou se candidatar a vagas de psicólogo até aonde sua percepção de localização de instituições alcançaram no princípio da realidade, inclusive em trabalhos voluntários. Como o princípio da realidade está influenciando a percepção do ego em relação ao princípio do prazer??? Como o princípio da realidade pode limitar a percepção do ego não permitindo enxergar a instituição que poderá contra...

Experiência Como Operador De Caixa

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 RESUMO Este texto refere-se a um relato de experiência da observação prática de um profissional da Psicologia que atuou literalmente na função de operador de caixa num supermercado renomado na cidade de Campinas. Reservo-me, no direito e por questões éticas não mencionar o nome o estabelecimento comercial. Uma vez formado em psicologia, percebo que para o psicólogo é difícil regressar o olhar para as eventualidades por meio do senso comum e ser conivente com as situações. Ou seja, espectar os eventos desobrigando-se do conhecimento adquirido ao longo de cinco anos. Principalmente da ética moral e ética profissional, é como ser cúmplice do caos e do adoecimento dos colaboradores no ambiente organizacional. O olhar do profissional se deu mediante a Psicologia e suas extensões. Trago neste artigo dificuldades pelas quais convivo, enfrento e visualizei durante o exercício da função de operador de caixa. A loja tem si...