Pular para o conteúdo principal

Cliente é acolhido pelo preço ou pelo valor no supermercado?

 Introdução

A experiência do consumidor no supermercado começa antes do contato direto com qualquer funcionário. Ela pode iniciar no momento em que o cliente entra na loja, pega um carrinho, percorre os corredores, observa a organização, encontra os produtos e, sobretudo, interpreta os preços. Nesse sentido, o atendimento ao cliente não deve ser compreendido apenas como a relação estabelecida com o operador de caixa, fiscal de caixa, funcionário da padaria, hortifruti ou açougue. O próprio ambiente de consumo comunica ao cliente se ele é, simbolicamente, bem-vindo, respeitado e contemplado em suas possibilidades econômicas.

A psicologia do consumidor permite compreender que o preço não é simplesmente uma informação monetária. Ele participa da formação das percepções de qualidade, valor e justiça da troca. Zeithaml (1988) demonstrou que preço, qualidade percebida e valor percebido são construtos relacionados, sendo o valor uma avaliação que o consumidor constrói a partir daquilo que recebe em relação ao que entrega.

Assim, quando o cliente olha para uma etiqueta, sua experiência psicológica pode assumir diferentes formas. Ele pode pensar: "Eu quero esse produto"; "Está dentro do que posso pagar"; "Está caro"; "Não vale a pena"; ou "Está em promoção, então vou levar". A etiqueta, portanto, pode funcionar como estímulo de aproximação ou afastamento.

A hipótese desenvolvida neste artigo é que o consumidor pode experimentar o supermercado a partir de três orientações predominantes: desejo, preço e valor percebido. Quando o desejo predomina, o consumidor pode aceitar determinado preço porque atribui grande importância ao produto. Quando o preço predomina, a comparação monetária torna-se o principal critério de decisão. Quando predomina o valor percebido, o consumidor procura uma relação considerada justa entre preço, qualidade, quantidade, benefício e necessidade.

1. O atendimento começa diante da prateleira

Tradicionalmente, atendimento é associado ao contato humano: o funcionário recebe, orienta, atende, resolve uma reclamação ou registra a compra. Entretanto, no varejo, essa concepção é limitada. A jornada do consumidor começa muito antes do caixa.

Ao pegar o carrinho e dirigir-se à primeira prateleira, o cliente começa a interpretar uma série de estímulos. A loja apresenta preços, marcas, promoções, embalagens, aromas, organização, iluminação, disponibilidade e disposição dos produtos. Estudos sobre comportamento alimentar mostram que supermercados são ambientes nos quais estímulos contextuais podem influenciar escolhas de maneira automática, inclusive por meio da disposição e promoção dos produtos.

Consequentemente, podemos falar em um atendimento ambiental: a própria organização da loja comunica alguma coisa ao consumidor.

Um preço percebido como justo pode comunicar:

"Este lugar é compatível comigo."

Um preço percebido como excessivo pode comunicar:

"Este lugar não é para mim."

Portanto, antes mesmo de conversar com um funcionário, o consumidor já pode estar construindo uma avaliação emocional da organização.

2. Preço não é necessariamente valor

Um dos pontos centrais da psicologia do marketing é diferenciar preço de valor percebido.

O preço corresponde ao montante monetário solicitado pela empresa. O valor percebido, entretanto, envolve a avaliação subjetiva do consumidor sobre aquilo que recebe em troca desse desembolso. Zeithaml (1988) propôs justamente uma estrutura conceitual relacionando preço, qualidade percebida e valor percebido.

Por isso, o consumidor não necessariamente procura o produto mais barato.

Ele pode procurar:

"Qual produto vale mais a pena?"

Essa diferença é fundamental.

Um consumidor pode rejeitar um produto de R$ 5 porque considera sua qualidade ruim e escolher outro de R$ 8 porque acredita que a diferença de preço é compensada pelo benefício. Nesse caso, o critério não é simplesmente o menor preço, mas a relação custo-benefício percebida.

Desse modo, o cliente pode ser "acolhido" não necessariamente por encontrar o menor preço, mas por perceber que o que paga é compatível com aquilo que recebe.

3. Desejo, preço e valor

Podemos representar o comportamento de compra em três possibilidades analíticas.

Compra orientada pelo desejo

O consumidor pensa:

"Eu quero este produto."

O desejo, a preferência, a marca, o prazer ou o significado simbólico possuem maior peso. O preço continua presente, mas pode assumir uma posição secundária dentro dos limites que o consumidor considera aceitáveis.

Compra orientada pelo preço

O consumidor pensa:

"Quero gastar o mínimo possível."

Nesse caso, a comparação de preços torna-se central. O produto desejado pode ser substituído por uma alternativa mais barata.

Compra orientada pelo valor

O consumidor pensa:

"Quero que meu dinheiro renda da melhor maneira."

Aqui entram simultaneamente preço, qualidade, quantidade, necessidade, confiança e benefício percebido.

Essa terceira posição é particularmente relevante no supermercado porque permite compreender que menor preço e maior valor não são necessariamente a mesma coisa.

4. Quando o preço produz acolhimento ou afastamento

A precificação pode participar da experiência emocional do consumidor.

Quando o preço é percebido como adequado, o cliente pode experimentar:

  • segurança;
  • previsibilidade;
  • sensação de controle;
  • percepção de justiça;
  • possibilidade de realizar a compra.

Quando o preço é percebido como excessivo ou injusto, podem aparecer:

  • frustração;
  • preocupação financeira;
  • sensação de perda;
  • indignação;
  • desconfiança;
  • rejeição da loja.

Nesse sentido, a precificação pode funcionar como uma espécie de fronteira psicológica de pertencimento ao consumo.

O consumidor não pergunta apenas:

"Quanto custa?"

Ele pode estar perguntando:

"Eu consigo comprar isso?"

E, em uma camada ainda mais profunda:

"Este supermercado considera alguém como eu quando estabelece seus preços?"

A resposta subjetiva a essa última pergunta pode influenciar a percepção de acolhimento.

5. Da prateleira ao caixa: o acúmulo emocional

Essa perspectiva permite compreender melhor o que acontece no final da jornada de compra.

O cliente não chega necessariamente ao caixa emocionalmente neutro. Durante a passagem pelos corredores, ele pode ter acumulado diversas experiências:

preço elevado → comparação → renúncia de produtos → frustração → escolha → promoção → nova decisão → espera → caixa.

Por isso, uma situação aparentemente pequena no caixa pode receber uma reação emocional maior do que o acontecimento isolado justificaria.

O operador de caixa e o fiscal podem tornar-se, nesse momento, representantes concretos da organização.

O funcionário não definiu necessariamente o preço, a promoção ou a política comercial. Entretanto, é ele quem está diante do consumidor quando surge o conflito.

Pode ocorrer, portanto, um processo de deslocamento ou direcionamento da frustração para um objeto mais acessível: o profissional que representa a instituição naquele momento.

É importante não afirmar que isso acontece com todos os consumidores nem que necessariamente ocorre de forma inconsciente. Trata-se de uma possibilidade psicossocial: uma frustração cuja origem é econômica, estrutural ou organizacional pode ser direcionada à pessoa que se encontra disponível para receber a reclamação.

Assim, o trabalhador pode acabar recebendo uma carga emocional que foi produzida ao longo de toda a jornada de consumo.

6. Padaria, hortifruti, açougue e caixa como pontos de contato

Essa lógica pode aparecer em diferentes setores.

Na padaria, o cliente pode experimentar frustração com preço, quantidade, qualidade ou espera.

No hortifruti, pode reagir à relação entre preço e qualidade percebida.

No açougue, pode haver tensão relacionada a preço, peso, corte, qualidade ou tempo de espera.

No caixa, podem surgir conflitos envolvendo preço registrado, promoções, pagamento, fila ou divergência entre expectativa e cobrança.

No fiscal de caixa, a situação pode adquirir uma dimensão adicional, pois esse profissional costuma ocupar uma posição de autoridade e resolução de problemas.

Dessa maneira, os profissionais tornam-se pontos de contato entre o consumidor e a organização. O cliente pode não conseguir dialogar diretamente com a estrutura responsável por uma política de preços, mas consegue falar com o funcionário que está diante dele.

7. O supermercado como ambiente de estímulos emocionais

A experiência supermercadista também precisa ser analisada pela dimensão emocional.

Alimentos não possuem apenas valor nutricional. Eles podem estar associados a prazer, recompensa, conforto, memória, hábito e regulação emocional. Uma revisão sistemática de 111 artigos identificou, na literatura de marketing, temas como alimentação emocional enquanto mecanismo de enfrentamento, alimento como recompensa e influência de estímulos sensoriais sobre o consumo.

Pesquisas mais recentes também apontam que estados afetivos negativos podem interagir com processos de recompensa, atenção a estímulos alimentares e controle da decisão alimentar.

Isso permite compreender uma situação específica: o cliente pode entrar no supermercado já cansado, frustrado ou estressado e encontrar um ambiente repleto de estímulos alimentares potencialmente recompensadores.

O cheiro do pão, a aparência dos alimentos, uma promoção ou uma embalagem podem funcionar como estímulos que aumentam o desejo de compra. Pesquisas sobre comportamento alimentar mostram que supermercados são ambientes particularmente relevantes para esse tipo de influência contextual.

Isso não significa que o supermercado "cause" fome emocional. Significa que o ambiente pode facilitar determinados comportamentos em pessoas que já estejam emocionalmente vulneráveis.

8. A fome emocional e a lógica do "eu mereço"

A fome emocional é particularmente interessante porque o alimento pode deixar de funcionar apenas como resposta à fome fisiológica e passar a funcionar como instrumento momentâneo de regulação emocional.

Uma pessoa pode pensar:

"Estou cansada."

"Tive um dia ruim."

"Vou comprar alguma coisa para mim."

Nesse momento, o alimento pode adquirir função de recompensa.

A literatura recente descreve a alimentação emocional diante de estados afetivos negativos justamente em termos de regulação emocional e processos de recompensa, embora ressalte que isso não constitui, por si só, um diagnóstico clínico.

O marketing pode encontrar nesse processo uma oportunidade de comunicação:

"Você merece."

"Aproveite."

"Permita-se."

Essas mensagens podem associar o consumo à autogratificação.

Quando uma promoção reduz o custo percebido, ela pode ainda fornecer uma justificativa racional para uma decisão inicialmente motivada pelo desejo:

"Eu queria, e ainda está em promoção."

Dessa forma, desejo emocional e justificativa econômica podem convergir na mesma decisão de compra.

9. Preço, desejo e valor como experiência de acolhimento

A partir dessas considerações, podemos ampliar a própria noção de acolhimento.

Acolher o cliente não significa apenas tratá-lo educadamente no caixa. Significa também proporcionar uma experiência na qual ele perceba:

"Consigo comprar."

"Entendo quanto estou pagando."

"O preço é coerente com o que recebo."

"Não estou sendo enganado."

"Tenho alternativas."

"Minha condição econômica foi considerada."

Isso transforma a precificação em um componente da experiência de atendimento.

O cliente pode sentir-se acolhido pelo preço, quando encontra condições econômicas compatíveis com suas expectativas e possibilidades.

Mas pode sentir-se ainda mais acolhido pelo valor, quando percebe que existe justiça e coerência entre o que entrega e aquilo que recebe.

Conclusão

A experiência do cliente no supermercado começa antes do contato com os funcionários. Ela se inicia na entrada, no carrinho, nos corredores, diante das prateleiras e das etiquetas de preço. Cada estímulo participa da construção de uma experiência de consumo que pode produzir aproximação ou afastamento.

O preço possui papel central nessa experiência, mas não deve ser confundido com valor. O consumidor pode comprar pelo desejo, pelo preço ou pela avaliação de valor. Quando o desejo predomina, o preço pode tornar-se relativamente secundário; quando o preço predomina, a comparação monetária passa a orientar a decisão; quando o valor predomina, o consumidor procura uma relação justa entre preço, qualidade, benefício e necessidade.

Essa experiência também possui uma dimensão emocional. Frustrações acumuladas durante a compra podem posteriormente ser direcionadas aos profissionais que representam concretamente a organização, especialmente aqueles que estão no final da jornada, como operadores e fiscais de caixa. O trabalhador pode, assim, tornar-se receptor de uma tensão cuja origem não está necessariamente nele.

Paralelamente, o supermercado constitui um ambiente rico em estímulos alimentares. Em determinadas condições, especialmente diante de estados emocionais negativos, esses estímulos podem favorecer desejos alimentares e comportamentos de recompensa, sem que isso permita concluir que o ambiente, isoladamente, provoque fome emocional. A relação entre emoção, estímulos, preço, desejo e decisão alimentar é complexa e depende de características individuais e contextuais.

Portanto, a pergunta "o cliente é acolhido pelo preço ou pelo valor?" pode ser respondida da seguinte maneira: o preço abre ou fecha a possibilidade de compra, mas é o valor percebido que ajuda a determinar se o consumidor considera essa relação justa, satisfatória e digna de repetição.

Nesse sentido, o verdadeiro atendimento começa muito antes do caixa. Começa quando o consumidor olha para a primeira etiqueta e interpreta, consciente ou automaticamente:

"Este lugar reconhece o que eu posso pagar e aquilo que eu considero que vale a pena receber?"

A resposta psicológica a essa pergunta pode determinar não apenas a compra, mas também a satisfação, a confiança, a lealdade à loja e a maneira como o consumidor vivenciará os profissionais que encontrará ao longo de sua jornada.

Referências bibliográficas

COHEN, D. A.; FARLEY, T. A. Eating as an automatic behavior: contextual influences on eating behaviours. Obesity Reviews, v. 13, p. 766–779, 2012.

FU, S.; CHEN, J.; WANG, X. Emotional Eating Under Negative Affect: A Narrative Review from the Perspectives of Emotion Regulation and Reward Processes in Food Choice. Nutrients, v. 18, n. 11, 1830, 2026. DOI: 10.3390/nu18111830.

KHOSHGHADAM, L.; RAJABI, R. The role of emotions in food consumption choice: Systematic review and directions for future studies. International Journal of Consumer Studies, v. 48, n. 1, e13006, 2024. DOI: 10.1111/ijcs.13006.

SHIELDS, G. S.; MALONE, T. A narrative review of stress, food choices, and eating behavior: Integrating psychoneuroendocrinology and economic decision-making. Journal of Socio-Economics, 2025. DOI: 10.1016/j.socec.2025.102438.

ZEITHAML, V. A. Consumer perceptions of price, quality, and value: A means-end model and synthesis of evidence. Journal of Marketing, v. 52, n. 3, p. 2–22, 1988. DOI: 10.1177/002224298805200302.

 

Comentários

Postagens mais visitadas

O Jogo De Esconder Objetos

  Ano 2022. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leit@r a notabilizar o conceito de brincadeira, é a ação de brincar, divertir, entreter, distrair. Geralmente são jogos livres que têm a finalidade de encenar e utilizar objetos lúdicos. A principal diferença entre a brincadeira para outras atividades diárias é a sua natureza divertida e criativa. A brincadeira de esconder e achar objetos promove a memória e a percepção de que as coisas, que lhe pertence podem permanecer nos lugares mesmo que a criança, o adolescente ou até o adulto não consiga as ver, o que é uma conquista extremamente importante nessa faixa etária. Além disso, dando um comando verbal com o nome de elementos que já lhes são familiares, acaba-se estimulando uma comunicação que envolve a linguagem e uma apropriação de palavras que vão acabar compondo o seu vocabulário. Esconde-esconde objetos é o jeito de brincar: Uma das crianças é escolhida para esconder um objet...

O sujeito não existe fora do laço social: não há sujeito sem Outro, nem desejo sem algum tipo de amarração simbólica

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 Introdução A psicanálise, desde Freud e radicalmente com Lacan, sustenta que o sujeito não é uma entidade autônoma, transparente a si mesma, nem um indivíduo isolado que decide livremente sua posição no mundo. O sujeito do inconsciente emerge apenas no interior de uma rede de significantes, isto é, no campo do Outro. Assim, não há sujeito fora do laço social, nem desejo que possa se sustentar sem alguma forma de amarração simbólica. Este artigo tem como objetivo articular essa tese fundamental a partir de uma situação clínica cotidiana: o caso do sujeito que ocupa a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas que não se reconhece nessa posição. A análise do ato falho, do sintoma corporal, do não-cuidado e da permanência forçada no laço social permitirá demonstrar como o inconsciente já sabe do não-desejo, enquanto o ato de ruptura ainda não pode ocorrer por ausência de outro laço que sustente o sujeito....

Fases Da Sexualidade Na Escolha Da Carreira

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A teoria das fases da sexualidade, proposta por Sigmund Freud, inclui as seguintes fases: fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital. Cada fase está associada a diferentes aspectos do desenvolvimento psicossexual. Lembre-se de que essa teoria é apenas uma perspectiva e foi criticada por muitos estudiosos ao longo dos anos. Claro, vou explicar cada uma das fases da sexualidade de acordo com a abordagem da psicanálise de forma simplificada: Fase Oral: Na primeira fase, que ocorre durante os primeiros anos de vida, o foco está na boca. As crianças exploram o mundo principalmente através da boca, chupando objetos e experimentando tudo com a boca. A satisfação vem da alimentação e da sensação de conforto oral. Fase Anal: A fase anal acontece por volta dos 2 aos 3 anos de idade. Aqui, o foco se volta para o controle dos esfínctere...

Pensar Incitando A Psicologia No Cotidiano

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo convida o leitor a tornar-se consciente e manejar a psicologia a seu favor no cotidiano frente as contrariedades. E fazer uso do processo psicológico básico todos os dias que possível no momento em que perceber estar consciente no meio ambiente, seja natureza ou construído. Pensar é uma atividade fundamental para a vida humana. É por meio do pensamento que construímos nossas ideias, solucionamos problemas, tomamos decisões e elaboramos planos para o futuro. A psicologia tem muito a dizer sobre o processo de pensamento humano e como ele ocorre em nosso cérebro. Para a psicologia, pensar é um processo psicológico básico que envolve várias etapas. Cito a percepção, em potras palavras, a captação dos estímulos presentes no ambiente. É a partir desses estímulos que construímos nossas representações mentais do mundo. Em seguida, vem a atenção, que é a capacidade de selecionar e focalizar determinados es...

Dinâmica De Poder Nas Instituições – Psicologia Organizacional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A dinâmica de poder em uma organização refere-se à distribuição e ao exercício do poder entre os membros e diferentes níveis hierárquicos dentro da empresa. O poder é uma influência que permite que um indivíduo ou grupo afete o comportamento ou as decisões dos outros. Existem diferentes teorias e abordagens para entender a dinâmica de poder em uma organização. Vou apresentar alguns dos principais através da psicologia organizacional. Teoria das bases de poder: Essa teoria, proposta por French e Raven, identifica cinco bases de poder que uma pessoa pode ter na organização. São elas: Poder coercitivo: baseia-se no medo de punição ou consequências negativas. Poder de recompensa: baseia-se na capacidade de recompensar ou oferecer incentivos. Poder legítimo: baseia-se na autoridade formal concedida pela posição hierárquica. Poder de especialista: bas...

PLANO DE AÇÃO PARA MELHORIA DO AMBIENTE DE TRABALHO NO SUPERMERCADO

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. ### **1. Objetivo Geral** Reduzir os riscos psicossociais no ambiente de trabalho do supermercado, promovendo bem-estar, engajamento e qualidade de vida para os colaboradores. ### **2. Diagnóstico Inicial** - Aplicar uma pesquisa de clima organizacional para identificar principais dificuldades e insatisfações. - Realizar entrevistas com colaboradores de diferentes setores para entender suas necessidades e desafios. - Avaliar os índices de rotatividade, absenteísmo e conflitos internos. ### **3. Ações Preventivas e Corretivas** #### **3.1. Melhoria das Relações Interpessoais** - Implementar treinamentos sobre inteligência emocional e resolução de conflitos. - Criar espaços para comunicação aberta entre liderança e equipe, como reuniões quinzenais. - Estabelecer um canal anônimo para feedbacks e sugestões dos colaboradores. ####...

Crise De Asma E Psicossomática

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico que descrê a crise de asma e a psicossomática. Doenças psicossomática, são doenças causadas ou agravadas pela instabilidade emocional. Diferentemente da somatização, que é diagnosticada por médicos quando os sintomas de uma doença se manifestam, mas não são observados efeitos físicos no corpo, as psicossomáticas têm efeitos verificáveis no organismo. As situações de vida estressantes como medo de “não cor responder às expectativas”, dificuldades no trabalho ou econômicas, perdas, desavenças, doença ou morte, podem ser fatores desencadeantes. Frequentemente a somatização é considerada expressão de “dor psíquica”, sob a forma de queixas corporais, em pessoas que não têm vocabulário para apresentar seu sofrimento de outra forma. Os sintomas têm origem nas sensações corporais amplificadas interpretadas erroneamente ou nas manifestações somáticas das e...

Colapso Organizacional em Ambientes de Alta Rotatividade: Uma Análise Psicossocial da Frente de Caixa no Varejo

  Resumo O presente artigo analisa o fenômeno do colapso organizacional em contextos de alta rotatividade e sobrecarga laboral, com foco na frente de caixa do varejo supermercadista. A partir de referenciais da psicologia organizacional, discute-se a interação entre exaustão ocupacional, falhas estruturais de gestão e estratégias defensivas coletivas. O estudo articula conceitos como burnout, contrato psicológico, justiça organizacional e desengajamento, evidenciando como intervenções pontuais — como a retenção forçada de lideranças — tendem a agravar dinâmicas disfuncionais. Por fim, propõe-se uma leitura estratégica do comportamento individual em sistemas organizacionais em deterioração. 1. Introdução Ambientes organizacionais caracterizados por alta rotatividade, sobrecarga crônica e pressão operacional contínua constituem terreno fértil para processos de degradação sistêmica. No setor supermercadista, especialmente na frente de caixa, tais condições se intensificam ...

O Caixão do Fiscal Psicólogo: uma leitura psicanalítica da série Mortos S.A. como metáfora do luto pela identidade profissional

  Introdução A série Mortos S.A. utiliza o humor para retratar o cotidiano de uma funerária, onde a morte deixa de ser apenas um acontecimento biológico para tornar-se parte da rotina organizacional. Caixões, velórios, preparação dos corpos, conflitos administrativos, relações de poder e disputas familiares compõem um cenário que, para além da comédia, pode ser compreendido como uma rica metáfora dos processos psíquicos de perda, transformação e reconstrução da identidade. Na perspectiva da Psicologia Organizacional, a série evidencia temas como cultura organizacional, conflitos de papéis, liderança, resistência à mudança, identidade ocupacional e sofrimento no trabalho (Schein, 2017; Zanelli, Borges-Andrade & Bastos, 2014). Já sob a ótica da psicanálise, esses elementos podem adquirir um significado simbólico, representando os processos de luto vividos pelo ego diante da ameaça de perder objetos de investimento afetivo e identitário (Freud, 1917/2010). É nesse contexto ...

Experiência Como Operador De Caixa

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 RESUMO Este texto refere-se a um relato de experiência da observação prática de um profissional da Psicologia que atuou literalmente na função de operador de caixa num supermercado renomado na cidade de Campinas. Reservo-me, no direito e por questões éticas não mencionar o nome o estabelecimento comercial. Uma vez formado em psicologia, percebo que para o psicólogo é difícil regressar o olhar para as eventualidades por meio do senso comum e ser conivente com as situações. Ou seja, espectar os eventos desobrigando-se do conhecimento adquirido ao longo de cinco anos. Principalmente da ética moral e ética profissional, é como ser cúmplice do caos e do adoecimento dos colaboradores no ambiente organizacional. O olhar do profissional se deu mediante a Psicologia e suas extensões. Trago neste artigo dificuldades pelas quais convivo, enfrento e visualizei durante o exercício da função de operador de caixa. A loja tem si...