Pular para o conteúdo principal

A Lesão Na Academia E O Inconsciente Do Sujeito

 Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um indivíduo que frequenta a academia regularmente, exercitando-se cinco vezes por semana, sofreu uma lesão nas costas enquanto ajustava o encosto do equipamento para realizar exercícios no banco flexor. Apesar da dor, ele insistiu em terminar a sessão, o que o levou a buscar atendimento médico no pronto-socorro para aliviar o desconforto físico.

Essa dor nas costas, intensa e limitante, surge como uma consequência inevitável da exigência que ele impõe a si mesmo, representando um limite que o corpo manifestou, já que o próprio indivíduo não teve coragem suficiente para interromper a rotina exaustiva. A dor física, neste caso, parece também assumir o papel de punição inconsciente, um preço a ser pago por sua falta de flexibilidade e relutância em reconhecer que seu corpo poderia necessitar de uma pausa.

Curiosamente, a lesão aconteceu um dia antes de completar as séries da semana, indicando que o corpo, através da dor, impôs o descanso que a mente não permitiu. Agora, o repouso é inevitável para a recuperação, revelando que até mesmo as melhores intenções e a disciplina podem resultar em consequências adversas se ignorarmos os sinais de exaustão e não exercermos a autonomia de nos afastarmos, quando necessário, sem precisar justificar essa decisão para ninguém.

Vamos olhar para essa situação com a lente da psicanálise, que vê nossos comportamentos e reações como impulsionados por forças inconscientes. Na história que você trouxe, podemos explorar diferentes aspectos do ego, do id e do superego, além dos possíveis mecanismos de defesa.

Primeiro, imagine que o id é a parte de nós que busca prazer imediato e satisfação, querendo continuar os exercícios para sentir-se bem fisicamente ou emocionalmente. O superego, por outro lado, representa a nossa moral e as regras internas, dizendo o que é certo e errado — é como uma “voz da consciência” que quer manter o indivíduo seguro e saudável. Entre esses dois, está o ego, que tenta equilibrar o desejo do id com as normas do superego, enquanto lida com a realidade externa, que aqui é a dor física e a necessidade de repouso.

Possível interpretação

Quando o indivíduo machucou as costas, seu ego percebeu que continuar os exercícios poderia piorar a lesão. O id, no entanto, ainda estava motivado para completar os exercícios, talvez buscando o prazer ou alívio emocional que o exercício proporciona. Esse desejo do id pode ter feito com que ele ignorasse a dor inicial, terminando o treino apesar do desconforto.

Por outro lado, o superego, querendo proteger o corpo, pode ter se manifestado na decisão de procurar ajuda no hospital — foi uma forma de o ego atender a uma necessidade física que o id estava ignorando.

Mecanismo de defesa: negação

Podemos ver aqui um mecanismo de defesa chamado negação. O indivíduo pode ter inicialmente negado a dor ou a gravidade da lesão para continuar o treino, como se dissesse para si mesmo: "Não está tão ruim assim." Essa negação permite que ele siga com sua rotina de exercícios, evitando a ideia de "fracasso" ou interrupção que seu id teme.

Repressão do desejo de parar

Além disso, quando o ego percebeu que a dor era séria, ele teve que "reprimir" o desejo de continuar aceitando a realidade de que era necessário repouso. Esse processo pode ser frustrante, pois o ego precisa sacrificar o prazer imediato para proteger a saúde.

A dor e o repouso podem ser vistos como uma mensagem do inconsciente. O corpo está sinalizando que precisa de cuidado, e o superego reforça essa mensagem. Assim, o ego deve equilibrar o desejo do id por prazer com as necessidades de saúde, aprendendo a aceitar as limitações do corpo.

Na psicanálise, situações como essa mostram como o inconsciente e os desejos reprimidos influenciam nossas escolhas e nossa relação com o corpo. Esse tipo de conflito — querer algo, mas saber que não é o melhor no momento — é uma experiência comum e nos ajuda a entender como funcionam nossas motivações internas.

Na psicanálise, a dor física, especialmente em áreas como a coluna, pode simbolizar tensões e conflitos emocionais que o sujeito talvez não esteja totalmente consciente. A coluna, como sustentação do corpo, representa também a estrutura interna de uma pessoa, tanto física quanto emocional. Quando surge uma dor, ela pode ser vista como uma expressão somática — ou seja, o corpo manifestando o que a mente não conseguiu processar ou expressar de outra forma.

Possível simbolismo da dor na coluna

Cargas e responsabilidades: A coluna pode simbolizar o “peso” que a pessoa carrega, seja ele literal, como trabalho ou obrigações, ou emocional, como culpas, responsabilidades e preocupações. Assim, uma dor nas costas poderia sinalizar que o sujeito está sobrecarregado, carregando um peso excessivo ou se esforçando além dos seus limites.

Repressão de desejos ou sentimentos: No caso do sujeito que se exercitava, a dor pode ser um sinal do inconsciente de que ele está ignorando limites físicos, talvez por um desejo de desempenho ou perfeição (uma demanda do id) que o faz continuar, mesmo quando há desconforto.

Conflito entre ação e descanso: A coluna sustentando o corpo pode representar o apoio interno para seguir em frente. Quando ela dói, isso pode estar sugerindo uma necessidade de repouso e autocuidado — como se o corpo estivesse pedindo uma pausa para processar algo, ou se o ego estivesse tentando comunicar ao id e ao superego que é hora de atender às próprias necessidades de descanso.

Autopunição ou culpa inconsciente: Algumas teorias psicanalíticas sugerem que dores físicas também podem estar relacionadas a uma forma de autopunição. Se a pessoa sente, por exemplo, que "não deveria parar", o superego pode gerar uma autocensura intensa, resultando numa tensão física, como se o corpo estivesse "punindo-se" por desacelerar ou não corresponder às próprias expectativas.

A dor física, portanto, pode ser um sinal para o sujeito refletir sobre o que ele está exigindo de si mesmo, questionando se está carregando responsabilidades demais, reprimindo desejos, ou ignorando o próprio limite. Na visão psicanalítica, dar atenção a essa dor poderia ajudar o sujeito a integrar melhor suas necessidades físicas e emocionais, promovendo um equilíbrio saudável entre desejo, realidade e cuidado consigo mesmo.

Quais possíveis desejos o ego pode estar ao acionar mecanismo de defesa repressão, reprimindo ou somatizando na coluna

Na psicanálise, o ego usa o mecanismo de defesa da repressão para manter certos desejos ou conflitos inconscientes fora da consciência, especialmente aqueles que considera inaceitáveis ou difíceis de lidar. Quando essa repressão é intensa, o corpo pode somatizar esses desejos ou tensões, como ocorre com a dor na coluna. Essa dor pode indicar uma tentativa do ego de lidar com desejos reprimidos sem permitir que eles venham diretamente à tona.

Aqui estão alguns possíveis desejos ou conflitos que o ego pode estar reprimindo e somatizando na coluna:

Desejo de liberdade ou alívio de responsabilidades: A coluna simboliza estrutura e sustentação, então dores nessa área podem sinalizar que o sujeito está reprimindo um desejo de se libertar de cargas e responsabilidades. Ele pode sentir-se “preso” a obrigações que o sobrecarregam, mas não se permite admitir isso abertamente. O ego, então, usa a repressão para manter o desejo de descanso fora da consciência, e o corpo manifesta a sobrecarga por meio da dor.

Desejo de reconhecimento e valorização: Se o sujeito sente que precisa provar seu valor, especialmente em contextos como o trabalho ou relacionamentos, ele pode suprimir o desejo de ser reconhecido para evitar parecer “fraco” ou “dependente”. Esse desejo reprimido de reconhecimento e apreciação pode se somatizar como tensão na coluna, representando o peso de estar sempre tentando “ser forte” e atender às expectativas dos outros.

 

Desejo de mudança ou de fugir de uma situação desconfortável: A dor na coluna também pode ser uma expressão de um desejo reprimido de escapar de uma situação incômoda. Se o sujeito sente que precisa mudar, mas reprime esse desejo (por medo, insegurança ou censura do superego), o corpo pode reagir, como se a coluna estivesse tentando “carregar” essa necessidade de fugir ou mudar, mas sem manifestá-la de forma consciente.

Conflito entre perfeccionismo e autocuidado: Muitas vezes, o superego impõe um alto nível de perfeccionismo. O sujeito pode ter o desejo inconsciente de relaxar ou ser menos exigente consigo, mas reprime esse impulso para continuar cumprindo padrões rígidos de perfeição. A dor na coluna poderia então refletir a luta entre a necessidade de autocuidado e a pressão do superego para manter o desempenho ideal, como se o corpo dissesse: “Você está se sobrecarregando para atender a expectativas muito altas.”

Desejo reprimido de autonomia e autoafirmação: A coluna representa também a capacidade de se manter firme e “se sustentar”. Se o sujeito sente que está suprimindo sua própria vontade ou se submetendo à vontade de outros para evitar conflitos, pode haver um desejo inconsciente de expressar sua autonomia e reafirmar seus próprios limites. A repressão desse desejo pode resultar em tensões na coluna, como uma forma de resistência inconsciente.

Na somatização, o corpo expressa aquilo que a mente reprime. A dor na coluna, nesse caso, pode ser um sinal do inconsciente de que o sujeito está ignorando certas necessidades internas, seja por medo, culpa, autocobrança ou mesmo a pressão social e moral do superego. Dar atenção a esses desejos reprimidos e buscar compreendê-los pode ajudar o ego a encontrar formas mais saudáveis de lidar com esses conflitos, promovendo tanto alívio emocional quanto físico.

Será possível que o ego desejasse afastar se das atividades físicas temporariamente de modo inconsciente e a dor na coluna foi o modo que encontrou para punir se e afastar se da academia.

Sim, é possível interpretar dessa forma, especialmente pela ótica da psicanálise, onde o inconsciente pode expressar desejos e conflitos através do corpo. A dor na coluna, nesse caso, poderia funcionar como um "mensageiro" do inconsciente, sinalizando uma necessidade de pausa que o ego não admite conscientemente.

Explicação do desejo inconsciente de afastamento

O ego pode, inconscientemente, desejar afastar-se temporariamente das atividades físicas por diversos motivos: cansaço, falta de motivação, ou mesmo uma sobrecarga mental e emocional que exige descanso. No entanto, se o sujeito sente que "deve" manter o ritmo por questões de disciplina ou por uma demanda do superego, ele pode acabar ignorando esses sinais de exaustão. Assim, o inconsciente pode usar a dor física como uma forma de manifestar o desejo de afastamento de maneira indireta, que o ego poderia aceitar mais facilmente.

Mecanismo de autopunição

A dor na coluna, além de permitir o afastamento, pode também servir como uma forma de autopunição inconsciente. Na psicanálise, a autopunição pode ocorrer quando o superego censura o ego, fazendo-o sentir que está falhando em atender a certos padrões (por exemplo, não seguir adiante com os treinos). Nesse caso, a dor seria uma "penalidade" inconsciente por esse desejo de parar, como se o ego estivesse dizendo: "Se eu preciso de uma pausa, ela virá com uma consequência."

Portanto, sim, a dor na coluna poderia representar tanto o desejo de afastamento quanto uma punição autoimposta, resultante do conflito entre a necessidade de descanso e a pressão por desempenho e disciplina. Na psicanálise, isso demonstra como o corpo pode revelar tensões e desejos inconscientes, ajudando o sujeito a atender, ainda que de forma indireta, suas necessidades de equilíbrio físico e emocional.

A resistência secundária do ego é um conceito psicanalítico que explica como o ego pode, inconscientemente, bloquear o acesso a certos conteúdos reprimidos para proteger a mente de dores emocionais intensas. Esse mecanismo pode, paradoxalmente, fazer com que o corpo se torne um canal para expressar conflitos reprimidos, como se o ego preferisse um “sofrimento físico” para evitar lidar com o sofrimento emocional associado a esses conflitos.

Quando falamos em resistência secundária do ego no adoecimento do corpo, como no caso da dor na coluna, estamos considerando que o ego cria uma “barreira” para não confrontar certos desejos, medos, ou conflitos internos. Ao fazer isso, ele acaba somatizando, ou seja, manifestando esses conflitos através de sintomas físicos.

Como a resistência secundária do ego atua na somatização da dor na coluna

Proteção contra o sofrimento emocional: Se o ego percebe que lidar com certos desejos reprimidos (como o desejo de afastar-se temporariamente das atividades físicas) pode trazer sofrimento, culpa ou outros desconfortos emocionais, ele resiste a enfrentar esses sentimentos diretamente. No entanto, essa resistência cria uma tensão que o corpo, de forma indireta, absorve e expressa como dor.

Deslocamento do conflito para o corpo: O ego, ao resistir à conscientização dos conflitos internos, desloca esse conteúdo reprimido para o corpo. A dor na coluna surge, então, como um substituto físico para o conflito emocional. Esse deslocamento é inconsciente, mas eficaz para o ego, pois permite que o conflito exista em um “nível tolerável”, ou seja, como um desconforto físico, em vez de uma angústia emocional que poderia ser mais difícil de suportar.

Manutenção da rotina e evitação da culpa: A dor física imposta pela resistência secundária permite que o sujeito continue “obedecendo” a expectativas inconscientes do superego, como a necessidade de manter a disciplina ou a ideia de que não deve “desistir” dos treinos. A dor na coluna obriga o sujeito a fazer uma pausa, mas a resistência do ego impede que ele se sinta diretamente responsável ou culpado por esse afastamento, já que o motivo é uma dor física, e não uma escolha consciente.

Autopunição e controle: A resistência secundária do ego também pode incluir uma forma de autopunição, em que o sujeito inconscientemente aceita a dor como uma forma de “pagamento” ou “compensação” pelo desejo reprimido de descansar ou de se afastar das atividades físicas. A dor, então, atua como um substituto de um possível sentimento de culpa, mantendo o controle sobre o desejo de afastamento.

 

A resistência secundária do ego faz com que o corpo adoeça, apresentando sintomas físicos como a dor na coluna, que permitem ao sujeito atender a um desejo reprimido sem confrontar diretamente o conflito emocional. A dor cumpre o papel de manifestar o conteúdo inconsciente de forma indireta, mantendo o sujeito protegido do sofrimento emocional, mas, ao mesmo tempo, revelando a tensão reprimida. É um mecanismo que ilustra como o corpo e a mente podem atuar juntos para proteger a psique, mesmo que isso resulte em desconforto físico.

É possível que o ego deseje adoecer psicossomaticamente, de forma inconsciente, como uma forma de expressar a necessidade de pausa sem confrontar diretamente esse desejo. Na psicanálise, o adoecimento psicossomático pode ser uma “saída” inconsciente para que o ego evite tomar decisões ou se impor frente a expectativas externas e internas que ele acredita que não conseguirá cumprir. Esse adoecimento pode ser visto como uma forma de o corpo dizer aquilo que a pessoa não consegue admitir de forma consciente.

Por que o ego usaria o adoecimento psicossomático para uma pausa?

Medo de desagradar ou desapontar: O ego pode sentir que admitir a necessidade de uma pausa sem justificativas pode ser visto pelos outros (ou até por si mesmo) como um sinal de fraqueza ou falta de comprometimento. Ao adoecer psicossomaticamente, o sujeito se protege dessa possível desaprovação, já que a dor física fornece uma “justificativa” objetiva para a pausa, evitando julgamentos ou explicações.

Evitar confronto com o próprio superego: O superego, que internaliza normas e exigências sociais e morais, pode censurar o ego quando ele deseja se afastar de responsabilidades. Para evitar esse confronto interno, o ego utiliza o adoecimento físico como uma desculpa, pois assim não precisa justificar ao superego que está “descumprindo” expectativas — ele adoece, permitindo que a pausa seja “necessária” e não uma escolha.

Evitar o peso da culpa ou autocrítica: Quando o ego reprime o desejo de descanso, ele pode estar tentando evitar a sensação de culpa por “não estar à altura” das exigências que acredita que precisa cumprir. Ao somatizar essa tensão e adoecer, o ego diminui a culpa, pois ele se sente “forçado” a parar, o que torna a pausa mais aceitável.

Adoecer como uma forma de expressão de limite: A dor ou a doença psicossomática podem ser uma maneira do ego manifestar um limite que, por outras vias, ele não consegue impor. Ao adoecer, o corpo sinaliza que chegou ao limite, dispensando a necessidade de verbalizar ou enfrentar diretamente as demandas externas ou internas.

Nesse contexto, o adoecimento psicossomático funciona como um mecanismo de defesa que permite ao ego manifestar, sem precisar admitir conscientemente, que precisa de uma pausa e que não deve satisfação a ninguém. A dor física então cumpre o papel de colocar limites, ao mesmo tempo em que protege o ego da necessidade de explicar suas escolhas ou de enfrentar conflitos com o superego e as expectativas dos outros. Essa é uma forma indireta de o ego se preservar, ainda que seja à custa de um desconforto físico.

Comentários

Postagens mais visitadas

O Que Cabe A Mim No Ambiente, O Qual Estou Inserido

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. O papel que você desempenha no ambiente em que está inserido é extremamente importante, pois suas ações e podem influenciar o comportamento e o bem-estar de outras pessoas e do próprio ambiente. Aplicando e exercitando as competências comportamentais, isto é, as soft skills e hard skills a fim de defrontar-se com a insegurança. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162). Em primeiro lugar, cabe a você respeitar as regras e normas do ambiente, seja ele uma escola, local de trabalho, residência, universidade, comunidade ou outro ambiente social. Isso inclui ser pontual, tratar as outras pessoas com respeito e cortesia, e seguir as normas de conduta estabelecidas para aquele ambiente. Al...

A Fila como Sintoma Organizacional: Defesa Institucional, Ruptura do Contrato Psicológico e Falha na Proposta de Valor ao Empregado

  Resumo Este artigo analisa, à luz da Psicologia Organizacional e da Psicodinâmica do Trabalho, uma cena cotidiana: um cliente questiona a escassez de operadores de caixa; a fiscal responde que “as pessoas não querem trabalhar”. Argumenta-se que a fila constitui um sintoma organizacional, cuja etiologia reside menos na “falta de vontade” individual e mais na ruptura do contrato psicológico, na fragilidade da proposta de valor ao empregado (EVP) e em mecanismos defensivos institucionais. A análise integra aportes de Denise Rousseau, Christophe Dejours, Edgar Schein, Frederick Herzberg e John W. Meyer & Brian Rowan, articulando níveis manifesto e latente do discurso organizacional. 1. Introdução: do evento banal ao fenômeno estrutural A cena é simples: fila extensa; poucos caixas abertos; cliente insatisfeito; resposta defensiva da fiscal. Contudo, como em toda formação sintomática, o que aparece (escassez operacional) remete a determinantes estruturais (políticas de...

O luto da forma antiga de existir profissionalmente

  Psicanálise, desejo, função e travessia subjetiva entre sobrevivência e inscrição institucional Introdução Na experiência contemporânea do trabalho, não é raro que o sujeito se encontre dividido entre a sobrevivência material e o desejo de uma função simbólica que dê consistência à sua existência. A psicanálise permite compreender que o sofrimento ligado ao trabalho não se reduz à precariedade econômica, mas toca diretamente a questão do lugar subjetivo: aquilo que nomeia o sujeito no laço social. O caso aqui articulado é o de um sujeito que exerce há anos a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas cujo desejo se orienta para uma inscrição como psicólogo institucional. Entretanto, esse lugar desejado não se encontra acessível no presente, e a clínica exercida nas folgas surge como um resto marginal e sacrificial. O sonho relatado — uma mensagem sobre como atravessar o luto, sem nomear o objeto perdido — aparece como forma privilegiada de expressão do inconsci...

Recrutamento & Seleção Teste Avaliação Perfil Profissional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. Existem diversas ferramentas e testes psicológicos que podem ser utilizados para avaliar o perfil de um operador de caixa de supermercado. Algumas das possibilidades exemplo, Inventário de Personalidade NEO-FFI: este teste avalia cinco grandes dimensões da personalidade [neuroticismo, extroversão, abertura, amabilidade e conscienciosidade] e pode ser útil para verificar quais traços são mais comuns em candidatos a operadores de caixa. Teste Palográfico: este teste avalia a personalidade a partir da interpretação de desenhos feitos pelo candidato. Ele pode ajudar a entender aspectos como dinamismo, estabilidade emocional, concentração e outros traços relevantes para a função. Teste H.T.P – [CASA, ÁRVORE, PESSOA] Buck (2003), define o H.T.P, como um teste projetivo que serve para obter informações de como uma pessoa experiência a sua individualidade em rel...

Adaptação De Emprego A Psicólogo

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Como um psicólogo na faixa etária adapta sua candidatura a emprego no mercado de trabalho para atuar em instituições na atuação de psicólogo da saúde. Como psicólogo na faixa etária adaptar sua candidatura a empregos no mercado de trabalho para atuar em instituições na área da psicologia da saúde requer a compreensão de diferentes abordagens teóricas e práticas. Vou explicar a seguir como você poderia adaptar sua candidatura, primeiro pela abordagem da psicologia social e depois pela abordagem da psicanálise. Abordagem da Psicologia Social: Na abordagem da psicologia social, é importante destacar a sua compreensão dos aspectos sociais e culturais que influenciam a saúde mental das pessoas. Aqui estão algumas dicas para adaptar sua candidatura: a) Educação e experiência: Destaque a sua formação acadêmica em psicologia social, enfatizando os curs...

O Que Representa O Esquecimento Do Guarda-Chuva Na Vida Do Fiscal De Caixa

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. O fiscal de caixa foi trabalhar e estava chovendo então abriu o guarda-chuvas para não se molhar e no trabalho deixou dentro de um saco plástico nó armário junto da mochila. E terminando a jornada pegou o guarda-chuvas e colocou na mochila com a intenção dê chegar em casa e abrir o guarda-chuvas para secar, mas esqueceu o guarda-chuvas molhado dentro do saco plástico na mochila e agora de manhã para sair para trabalhar ao abrir a mochila viu ó guarda-chuvas. Na psicanálise, um ato falho é uma ação ou comportamento que parece ser um erro, mas que, na verdade, revela algo oculto no inconsciente da pessoa. Vamos interpretar a situação com base nessa ideia: O contexto: O fiscal de caixa colocou o guarda-chuva molhado dentro do saco plástico para evitar molhar os outros itens na mochila, mostrando uma atitude cuidadosa e prática. Contudo, ao chegar em...

Não Dá Mais: uma leitura psicanalítica da permanência no sofrimento

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a permanência de um sujeito em um contexto laboral exaustivo e insustentável. A partir das contribuições de Freud, Winnicott e Lacan, discute-se como a compulsão à repetição, a ორგანიზ ação do falso self e a dimensão do gozo sustentam a manutenção do sofrimento, mesmo diante da consciência de seus efeitos devastadores. 1. Introdução A frase “não dá mais” marca um ponto de ruptura. No entanto, paradoxalmente, nem sempre ela conduz à saída. Em muitos casos, o sujeito permanece exatamente onde já reconheceu ser insuportável. O caso do fiscal psicólogo ilustra essa condição: jornadas extensas, sobrecarga física, privação de sono e ausência de perspectiva de mudança. Ainda assim, há permanência. A psicanálise permite compreender que essa permanência não é simplesmente racional — ela é estruturada. 2. A compulsão à repetição Segundo Sigmund Freud (1920/2010), o sujeito é levado a repetir experiências que não fo...

Modelo integrado do bloqueio da trajetória profissional

  Da sobrevivência ao desgaste do ideal vocacional Podemos organizar tudo o que discutimos em um encadeamento progressivo de processos psíquicos e institucionais . Em vez de eventos isolados, trata-se de um ciclo estruturado que se instala ao longo do tempo. Esse modelo ajuda a entender que o sofrimento atual não surge de um único fator, mas de uma sequência de efeitos acumulativos . 1. Formação e construção do ideal profissional Durante a graduação, o sujeito constrói: identidade profissional ideal vocacional narrativa de futuro A profissão passa a representar: sentido de vida pertencimento social valor pessoal Nesse momento, o investimento psíquico na profissão é alto. 2. Entrada no trabalho de sobrevivência Por necessidade econômica, o sujeito assume um trabalho que não corresponde ao projeto profissional. Inicialmente ele interpreta isso como algo: provisório estratégico temporário A ideia dominante costuma ser: “Enq...

Quando o Campo Fora do Mapa Escolhe: o Espelhamento Estrutural para o Psicólogo

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, um episódio aparentemente simples do mundo do trabalho — a contratação por uma instituição fora do circuito conhecido — como operador de um espelhamento estrutural para o psicólogo em transição profissional. Sustenta-se que o sofrimento repetido não decorre de incapacidade subjetiva, mas da insistência em acessar apenas campos simbólicos já nomeados e reconhecidos. O texto discute como a ruptura com o “campo conhecido” desvela limites da percepção, desmonta a compulsão à repetição e possibilita uma leitura mais lúcida da relação entre sujeito, saber e instituição, sem produzir novas ilusões. 1. Introdução: quando o fracasso não é pessoal Na experiência do trabalho e da inserção institucional, muitos sujeitos interpretam a ausência de reconhecimento como falha individual. A repetição de recusas tende a ser vivida como prova de inadequação ou insuficiência. Contudo, do ponto de vista psicanalítico, é preciso interrogar n...

Facilite O Reconhecimento Das Projeções

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um psicólogo trabalha num supermercado na ocupação de operador de caixa e observa que os colaboradores têm comportamentos de bullying. O psicólogo pensa em fazer uma intervenção no comportamento dos colaboradores, mas não faz nada porquê os colaboradores não sabem que além de operador de caixa ele tem formação em psicologia. E talvez se der a conhecer para os colaboradores que é psicólogo corre o risco de não ser levado a sério no momento de propor as intervenções. A psicanálise sugere que os comportamentos têm raízes inconscientes e que a compreensão dessas dinâmicas pode levar a mudanças significativas. No entanto, a abordagem psicanalítica também valoriza a importância da transferência e da relação terapêutica, o que pode complicar a situação do operador de caixa que é psicólogo oculto. Dado que os colaboradores do supermercado não estão cientes da f...