Pular para o conteúdo principal

A lei institucional interdita o sujeito

 Introdução

O trabalho não constitui apenas uma relação objetiva entre trabalhador e organização. Ele também participa da construção da identidade, do reconhecimento social e da relação do sujeito com suas próprias possibilidades de realização. Na Psicodinâmica do Trabalho, Christophe Dejours enfatiza que trabalhar implica mobilizar corpo, inteligência, subjetividade e capacidade de interpretar e responder às situações concretas que ultrapassam aquilo que está simplesmente prescrito. O reconhecimento dessa contribuição possui importância para a construção da identidade profissional.

É nesse cruzamento entre sujeito, trabalho, lei institucional, reconhecimento e circulação profissional que podem ser compreendidos dois acontecimentos cotidianos vivenciados por um fiscal de caixa que também possui formação em Psicologia: um ato falho relacionado aos cupons da campanha de aniversário do supermercado e outro relacionado à tentativa de abrir os armários 35 e 34, quando seu armário efetivo era o 36.

O objetivo deste artigo não é afirmar que esses acontecimentos provam uma determinação inconsciente única. Freud dedicou Psicopatologia da Vida Cotidiana justamente ao estudo de esquecimentos, erros, atos descuidados e atos falhos, considerando-os fenômenos passíveis de investigação psíquica.

Assim, os episódios serão tomados como material interpretativo, a partir do qual se pode formular uma hipótese: a experiência prolongada de uma posição institucional pode fazer com que a lei da organização seja interiorizada subjetivamente como uma instância que delimita não apenas o que o trabalhador pode fazer dentro da instituição, mas também aquilo que ele imagina estar autorizado a fazer em relação à própria trajetória profissional.

É nesse sentido que se propõe a expressão superego institucional.


1. A lei institucional e a posição do sujeito

Toda organização possui regras, procedimentos, hierarquias, atribuições, critérios de promoção e limites de participação. Essas regras organizam o funcionamento institucional e estabelecem posições diferenciadas para os sujeitos.

O trabalhador não se relaciona apenas com tarefas. Ele se relaciona também com uma ordem simbólica que lhe diz, explicitamente ou implicitamente:

  • o que deve fazer;
  • o que não deve fazer;
  • onde deve estar;
  • qual função ocupa;
  • a quem deve responder;
  • quais oportunidades estão disponíveis;
  • quem pode ocupar determinadas posições;
  • quais benefícios pode utilizar.

A lei institucional, portanto, possui uma dimensão objetiva e outra subjetiva.

Objetivamente, ela aparece nos regulamentos, procedimentos e decisões administrativas.

Subjetivamente, pode ser incorporada como uma referência interna diante da qual o trabalhador passa a perguntar:

“Tenho autorização para fazer isso?”

É nesse segundo nível que surge a hipótese do superego institucional.


2. O ato falho do cupom: quando a lei é momentaneamente esquecida

Durante o atendimento de um caixa, o fiscal estava substituindo uma operadora que havia saído para o almoço. Nesse momento, registrou a compra da esposa do proprietário do supermercado.

Como o supermercado estava realizando uma campanha de aniversário, clientes que realizassem compras acima de R$ 199,00 concorriam a um prêmio de R$ 26 mil para viajar a qualquer lugar do mundo.

A compra da esposa do proprietário totalizou aproximadamente R$ 534,00. Ao finalizar o pagamento, foram impressos dois cupons.

O fiscal, seguindo automaticamente o procedimento da campanha, entregou o cupom e disse:

“Esse aqui você põe na urna.”

A mulher respondeu:

“Ah, eu não posso.”

Somente então o fiscal se lembrou da regra de que proprietários e colaboradores não poderiam participar da campanha:

“Ah, eu me esqueci realmente que você não pode.”

Em seguida, os dois cupons foram rasgados.

O interesse psicanalítico está justamente no intervalo entre saber a regra e aplicá-la naquele momento.

O fiscal aparentemente conhecia a regra. Entretanto, diante da situação concreta, o procedimento automático — compra acima do valor mínimo, emissão do cupom, entrega ao cliente — prevaleceu momentaneamente sobre a interdição específica.

Freud inclui esquecimentos, erros e atos falhos entre os fenômenos da vida cotidiana que podem ser investigados psicologicamente.

Uma hipótese interpretativa poderia ser formulada assim:

Por um instante, a lei institucional deixou de operar no nível consciente; depois, retornou imediatamente quando a própria interlocutora a recolocou em cena.

O episódio não demonstra que houve intenção consciente de favorecer a proprietária. Essa conclusão não poderia ser extraída do ato falho.

O que ele permite investigar é a relação entre automatismo funcional e lei institucional.


3. O cupom como metáfora da circulação

O cupom possui uma característica simbólica interessante: ele representa uma possibilidade de participação em um sorteio cujo prêmio permitiria uma viagem.

O fiscal, entretanto, não pode utilizar aquele cupom naquela situação. Quando a regra é lembrada, o cupom é destruído.

Na leitura metafórica construída a partir do episódio, aparece uma formulação:

Há um recurso produzido pela própria instituição, mas nem todos os sujeitos estão autorizados a transformá-lo em possibilidade de circulação.

Essa formulação pode ser deslocada para a situação profissional do fiscal.

Ao longo dos anos no supermercado, ele acumulou experiências sobre:

  • trabalhadores;
  • liderança;
  • conflitos;
  • atendimento;
  • pressão;
  • adaptação;
  • mudanças de função;
  • reconhecimento;
  • organização do trabalho;
  • relações interpessoais;
  • processos de trabalho;
  • sofrimento e estratégias de enfrentamento.

Na perspectiva da Psicodinâmica do Trabalho, trabalhar envolve justamente uma contribuição subjetiva que ultrapassa a execução mecânica da tarefa prescrita.

O paradoxo surge quando aquilo que foi construído dentro da organização é percebido pelo sujeito como se ainda dependesse da autorização da própria organização para poder circular fora dela.

O cupom, então, pode ser tomado como uma metáfora:

“Aquilo que construí aqui dentro pode ter valor, mas não precisa necessariamente permanecer aqui dentro.”


4. O armário 36: o lugar institucionalmente designado

O segundo episódio apresenta outra formação.

O fiscal comprou um refrigerante durante seu horário de almoço e foi guardá-lo no armário. Seu armário era o número 36.

Segurando o refrigerante com uma mão e a chave com a outra, aproximou-se do armário 35 e tentou abri-lo.

Então percebeu:

“Pô, não é meu. É 36.”

Em seguida, dirigiu-se ao armário 34, percebeu novamente que não era o seu e finalmente foi até o 36.

A sequência concreta foi:

35 → 34 → 36.

O sujeito sabe objetivamente que seu armário é o 36. Entretanto, sua ação inicialmente procura outros lugares.

Como ato falho ou ato equivocado, essa sequência permite uma leitura semelhante àquela do cupom: existe uma distância momentânea entre aquilo que o sujeito sabe e aquilo que seu comportamento realiza.

O armário possui uma diferença fundamental em relação ao cupom.

O cupom envolve a questão:

“Posso participar?”

O armário envolve:

“Qual é o meu lugar?”

Dessa forma, os dois episódios podem ser articulados:

cupom → lei/interdição;

armário → lugar/posição.


5. Do armário 36 à posição de fiscal

A sequência 35–34–36 pode ser utilizada como uma metáfora da posição profissional institucional.

O fiscal de caixa ocupa concretamente uma função determinada.

Ele também já tentou buscar uma posição diferente dentro da organização, relacionada à área de Recursos Humanos, tendo se candidatado a uma vaga de Assistente de RH Generalista.

A oportunidade, entretanto, foi ocupada por outra pessoa.

Esse acontecimento concreto precisa ser distinguido da interpretação psicanalítica.

O fato demonstra que uma determinada promoção ou mudança de função não ocorreu.

Ele não demonstra, por si só, que a instituição tenha estabelecido uma regra definitiva segundo a qual o trabalhador jamais poderá exercer qualquer outra função.

Entretanto, subjetivamente, uma experiência desse tipo pode adquirir outro significado:

“Eu tentei sair da posição que me foi atribuída, mas outro sujeito ocupou o lugar.”

Nesse ponto, o armário 36 torna-se uma metáfora poderosa:

“Este é o lugar que me foi designado.”

O problema aparece quando o lugar atualmente designado passa a ser confundido com o único lugar possível.


6. O superego institucional

É aqui que a noção de superego institucional pode ser introduzida.

Em Freud, o superego é uma instância relacionada às exigências, proibições, ideais e julgamentos internalizados pelo sujeito. A organização institucional, evidentemente, não possui literalmente um superego. A expressão utilizada neste artigo é uma extensão metafórica do conceito para pensar como determinadas exigências e limites organizacionais podem ser subjetivamente incorporados.

O superego institucional poderia ser formulado como uma voz interna que pergunta:

“Você tem autorização?”

“Autorização para quê?”

Para mudar de função.

Para candidatar-se a outra vaga.

Para sair da organização.

Para utilizar sua experiência em outro contexto.

Para reconhecer-se como psicólogo.

Para construir uma identidade profissional diferente daquela associada ao cargo atual.

Para imaginar-se ocupando outro lugar.

A instituição deixa, então, de ser apenas o espaço externo em que o trabalhador exerce uma função. Ela passa a funcionar como uma referência interna de autorização e interdição.


7. A dupla interdição

A hipótese central deste artigo é que essa experiência pode produzir uma dupla interdição subjetiva.

Primeira interdição: sair da função de fiscal

O trabalhador tenta movimentar-se dentro da própria organização.

Ele procura uma posição diferente, relacionada ao RH.

Entretanto, não consegue a vaga.

A experiência pode ser subjetivamente registrada como:

“Não fui autorizado a sair do 36.”

O fiscal permanece no lugar institucional que já ocupa.

Segunda interdição: sair do supermercado

Existe ainda outra possibilidade de circulação: não mudar apenas de função, mas mudar de organização.

Nesse caso, a questão deixa de ser:

“Como sair do 36 dentro desta empresa?”

e passa a ser:

“Como sair deste prédio e levar comigo aquilo que construí aqui?”

É nesse ponto que a interdição pode tornar-se ainda mais profunda.

O sujeito pode começar a experimentar a própria instituição como se ela dissesse:

“Seu lugar é aqui.”

Não necessariamente porque alguém tenha pronunciado essas palavras, mas porque a longa permanência, as necessidades materiais, a rotina, os vínculos, as regras e as experiências de não reconhecimento podem produzir uma espécie de internalização da posição institucional.


8. A questão do reconhecimento

A Psicodinâmica do Trabalho permite aprofundar essa interpretação.

O reconhecimento é relevante porque o trabalho não produz apenas bens ou serviços: ele participa da construção da identidade. Estudos baseados em Dejours destacam a relação entre reconhecimento, sentido do trabalho e construção identitária.

Quando o sujeito oferece sua inteligência, experiência e subjetividade à organização, pode esperar alguma forma de retribuição simbólica.

No caso aqui analisado, surge uma contradição:

o sujeito acumulou experiência dentro da organização, mas não necessariamente recebeu da organização o lugar profissional que imaginava poder ocupar.

Ele conhece o trabalho por dentro.

Conhece trabalhadores.

Conhece conflitos.

Conhece pressão.

Conhece processos de adaptação.

Conhece relações de poder.

Conhece dificuldades de liderança.

Conhece o funcionamento cotidiano de uma organização.

Entretanto, essa experiência não se transformou automaticamente em uma nova posição institucional.

A falta de reconhecimento ou a ausência de determinadas oportunidades pode afetar a maneira como o trabalhador atribui sentido àquilo que construiu. A literatura de Psicodinâmica do Trabalho relaciona reconhecimento, identidade e possibilidade de transformar o sofrimento do trabalho em uma experiência dotada de sentido.


9. O paradoxo do fiscal psicólogo

O caso apresenta uma situação particularmente complexa.

O trabalhador é fiscal de caixa, mas também possui formação em Psicologia.

Assim, existe uma diferença entre:

a posição ocupacional atual

e

a identidade profissional que deseja desenvolver.

O supermercado reconhece formalmente o trabalhador como fiscal.

Mas o sujeito também se reconhece — ou procura reconhecer-se — como psicólogo.

Daí emerge um conflito:

“Sou aquilo que a instituição diz que sou profissionalmente ou também posso ser aquilo que construí para além dela?”

O armário 36 pode representar a primeira resposta:

“Você é o ocupante do 36.”

A Psicologia pode representar uma segunda pergunta:

“Mas o que você pode construir fora do 36?”

A questão não precisa ser resolvida imediatamente pela demissão. Antes disso, é necessário separar posição atual de destino profissional.


10. A lei institucional não possui necessariamente poder sobre a carreira inteira do sujeito

Aqui está o limite necessário da interpretação.

A instituição pode determinar que determinado trabalhador ocupa determinada função dentro daquela organização.

Ela pode estabelecer critérios de promoção.

Pode selecionar outra pessoa para uma vaga.

Pode estabelecer regras para participação em uma campanha.

Mas isso não significa que possua autoridade sobre toda a trajetória profissional do sujeito.

O trabalhador pode procurar outras organizações, desenvolver competências, enviar currículos, produzir projetos, construir portfólio, estabelecer contatos profissionais e procurar oportunidades na Psicologia.

Portanto, talvez o ponto mais profundo dos dois atos falhos não seja:

“A instituição realmente me impede de sair.”

Mas:

“A experiência institucional tornou-se tão forte que preciso investigar se continuo esperando dela uma autorização para ocupar outro lugar.”

Essa formulação desloca o problema.

A pergunta deixa de ser somente:

“Quando o supermercado vai me liberar?”

e passa a ser:

“Quando eu poderei reconhecer que minha trajetória profissional não precisa ser inteiramente autorizada pelo supermercado?”


11. O 36 não é necessariamente o destino

O armário 36 é um lugar concreto.

Enquanto funcionário daquela organização, é correto que o fiscal utilize o armário que lhe foi atribuído.

Mas uma coisa é dizer:

“Meu armário é o 36.”

Outra, completamente diferente, seria concluir:

“Minha vida profissional é o 36.”

A primeira afirmação é institucional.

A segunda seria uma generalização subjetiva.

O mesmo vale para o cargo:

“Hoje sou fiscal de caixa.”

não significa necessariamente:

“Só posso ser fiscal de caixa.”

E:

“Não fui escolhido para aquela vaga.”

não significa:

“Nunca poderei ocupar uma posição relacionada à Psicologia Organizacional ou ao mundo do trabalho.”

A experiência concreta precisa ser respeitada, mas não deve ser convertida automaticamente em destino.


12. A mensagem central dos dois atos

Os dois episódios podem ser condensados em uma mesma estrutura:

Cupom

Existe uma possibilidade → a lei determina que não pode → a possibilidade é retirada.

Armário

Existe uma tentativa de ocupar outro lugar → o sujeito percebe que aquele não é seu → retorna ao lugar designado.

Quando os dois acontecimentos são colocados juntos, aparece uma formulação simbólica:

A lei institucional delimita aquilo que pode ser utilizado e o lugar que pode ser ocupado.

A partir daí, a hipótese do superego institucional pode ser formulada:

“Você pode trabalhar aqui, mas não necessariamente pode transformar o que construiu aqui em autorização para ocupar outro lugar.”

Essa seria a experiência subjetiva da interdição.


Conclusão

Os atos falhos do cupom e do armário não constituem provas de uma determinação inconsciente única, tampouco demonstram objetivamente que o supermercado esteja impedindo o trabalhador de construir outra carreira. Seu valor está na possibilidade de serem tomados como formações simbólicas que permitem pensar uma experiência subjetiva de interdição.

No primeiro episódio, a lei institucional é momentaneamente esquecida e imediatamente recuperada. No segundo, o sujeito procura outros lugares — 35 e 34 — mas retorna ao 36, o lugar que lhe foi concretamente atribuído.

A articulação dos dois episódios permite pensar uma forma de superego institucional: não uma instância pertencente à empresa, mas a interiorização subjetiva de regras, posições, limites e experiências de autorização que podem fazer o trabalhador sentir que precisa da instituição para legitimar sua circulação profissional.

Nesse sentido, a interdição possui duas faces.

A primeira diz respeito à dificuldade de sair da função de fiscal e ocupar outra posição dentro da própria organização.

A segunda diz respeito à dificuldade de sair da própria organização e buscar, fora dela, uma posição profissional relacionada à Psicologia.

O paradoxo é que a mesma instituição que proporcionou ao trabalhador uma experiência concreta do mundo do trabalho pode passar a ser experimentada como aquela que limita a circulação daquilo que foi construído durante essa experiência.

A Psicodinâmica do Trabalho ajuda a compreender por que essa questão não é apenas administrativa. Trabalho, reconhecimento, sofrimento e identidade estão articulados. O reconhecimento do fazer participa da construção identitária, enquanto a ausência ou insuficiência de reconhecimento pode produzir dificuldades na atribuição de sentido à experiência laboral.

Assim, a questão fundamental não é simplesmente abandonar o armário 36.

É distinguir:

o lugar que a instituição atualmente atribui ao sujeito do lugar profissional que o sujeito pode construir para si.

O 36 pode continuar sendo o armário do trabalhador enquanto ele estiver naquela organização.

Mas não precisa transformar-se no limite de sua identidade profissional.

A passagem decisiva ocorre quando o sujeito consegue formular:

“A instituição pode definir o lugar que ocupo dentro dela; não precisa definir todos os lugares que posso ocupar na minha vida profissional.”

Nesse ponto, a lei institucional deixa de ser confundida com uma lei absoluta sobre a existência profissional do sujeito.

O problema deixa de ser exclusivamente “quando a instituição vai me autorizar a sair?” e passa a incluir uma questão de agência:

“Que recursos construí aqui que agora posso colocar em circulação fora daqui?”

Essa talvez seja a elaboração mais importante produzida pelos dois atos falhos: não necessariamente uma ordem para sair, mas a abertura de uma pergunta sobre quem tem autoridade para definir o próximo lugar profissional do sujeito.

Referências bibliográficas

DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez, 1992.

DEJOURS, Christophe. A banalização da injustiça social. Rio de Janeiro: FGV, 1999.

DEJOURS, Christophe. Addendum: da psicopatologia à psicodinâmica do trabalho. In: LANCMAN, Selma; SZNELWAR, Laerte Idal (org.). Christophe Dejours: da psicopatologia à psicodinâmica do trabalho. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2004.

FREUD, Sigmund. Psicopatologia da vida cotidiana (1901). Obra dedicada aos esquecimentos, lapsos, atos descuidados, erros e atos falhos.

FREUD, Sigmund. O eu e o id (1923). In: Obras completas. São Paulo: Companhia das Letras.

FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização (1930). In: Obras completas. São Paulo: Companhia das Letras.

MENDES, Ana Magnólia. Psicodinâmica do trabalho: teoria, método e pesquisas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

 

Comentários

Postagens mais visitadas

Lutos Necessários para a Transformação: Uma Leitura Psicanalítica do Desencontro Amoroso e da Repetição

  Introdução O percurso do desejo humano e suas percalços frequentemente conduzem o indivíduo a cenários de repetição nos quais a dor e a frustração se reencenam sob diferentes disfarces. O presente estudo analisa a trajetória de um sujeito marcado pelo término traumático de um casamento de nove anos — marcado pela traição de sua ex-esposa, uma mulher negra, dez anos mais jovem. Após um período de isolamento afetivo, o indivíduo iniciou uma busca incessante por um novo relacionamento amoroso, deparando-se sistematicamente com a rejeição e o desencontro. A singularidade desse caso reside na diversidade de cenários e recortes nos quais o sujeito tentou viabilizar sua busca: Sites de relacionamento: onde enfrentou a rejeição decorrente da incompatibilidade entre sua rotina de trabalho inflexível aos finais de semana e a idealização das usuárias por um parceiro voltado ao lazer tradicional; O ambiente de trabalho (supermercado): na tentativa pragmática de enc...

Operadora E O Ato Falho

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do Leitor para um excelente tópico. Uma operadora era pra abrir a caixa 10, mas ela abriu a caixa 11 e foi anunciada pelo Fiscal e tentou culpar o Fiscal pelo alto falho. Vamos analisar essa situação pela abordagem psicanalítica como se fosse para um iniciante: O fato : A operadora cometeu um erro (abriu a caixa errada) e foi anunciada pelo Fiscal. Em resposta, ela tentou culpar o Fiscal. Perspectiva psicanalítica : Esse comportamento pode ser entendido como uma manifestação de mecanismos de defesa. nterpretação psicanalítica: Ação da operadora : Abrir a caixa errada pode ser resultado de um momento de distração ou de um ato falho. Na psicanálise, um ato falho é quando o inconsciente interfere nas ações conscientes. Isso pode acontecer, por exemplo, se a operadora tivesse uma preocupação ou desejo inconsciente que a desconcentrava. Advertência do Fiscal : Ao ser anunciada, ...

Estímulos Intrínsecos Trabalhar Instituição Idosos – Psicologia Social

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Qual pode ser a motivação de um psicólogo para desejar trabalhar em instituições de longa permanecia para idosos. Vamos compreender o comportamento do psicólogo por meio da abordagem psicologia social. A psicologia social se preocupa em entender como os indivíduos são influenciados pelo contexto social em que vivem, incluindo as instituições. Ao trabalhar em uma instituição de longa permanência para idosos, um psicólogo pode ser motivado por diversos fatores relacionados a essa abordagem. Influências externas e tendências dominantes: Os psicólogos também estão sujeitos a influências externas, como a cultura profissional predominante, as demandas do sistema de saúde ou as preferências dos clientes. Se a abordagem psicanalítica, terapia comportamental cognitiva, psicologia humanista e outras não for valorizada ou for menos solicitada em determinado contex...

Dinheiro objeto de cobiça na pandemia

Ano 2020.Escrito por Ayrton Junior O presente artigo chama a atenção do leitor(a) a olhar para si mesmo e perceber como está se enxergando na pandemia em relação ao dinheiro e as partes não resolvidas que espelha o dinheiro na sua vida. Nossos hábitos financeiros não são apenas produtos do condicionamento e de lições aprendidas de como manejar o dinheiro que aprendemos [ou não] quando crianças. Existem sujeitos gastadores e poupadores nas famílias, crianças que cresceram na pobreza e conseguem riqueza, herdeiros que gastam toda a fortuna da família. Nas relações que temos com nossas finanças está ligado ao auto controle da ação por impulso [prazer / e ou desprazer e a ansiedade]. Um dos instrumentos de aferição da saúde psíquica é exatamente a relação da pessoa com o dinheiro. O leitor já chegou à conclusão óbvia de que o dinheiro ou poder cobrem ilusoriamente todas as carências pessoais, pois a pessoa que o detém será objeto do comentário, cobiça e interesse dos demais a sua vo...

LUTO DA PERMANÊNCIA PROLONGADA NO SUPERMERCADO: UMA LEITURA PSICANALÍTICA DO FISCAL PSICÓLOGO

  Resumo Este artigo propõe uma reflexão psicanalítica sobre a experiência de um profissional formado em Psicologia que ingressa em uma função de fiscal de caixa em um supermercado imaginando que essa ocupação será temporária, mas permanece nela durante quatro anos sem conseguir visualizar concretamente sua saída. A formulação de “luto da permanência prolongada” é utilizada para compreender não apenas o sofrimento provocado pela permanência em uma função não planejada, mas principalmente a perda de um projeto profissional imaginado, de expectativas relacionadas ao futuro e de determinada representação de si mesmo como psicólogo. A partir de Freud, especialmente de Luto e melancolia (1917), discute-se o luto como processo relacionado também à perda de ideais e abstrações. A reflexão é ampliada por contribuições de Winnicott acerca da adaptação, do falso self e da preservação de uma experiência de autenticidade. Argumenta-se que elaborar esse luto não significa resignar-se ao supe...

Entretenimento Vs Saúde Mental

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Na psicanálise, o comportamento humano é frequentemente dividido em duas partes: o consciente e o inconsciente. O consciente é o que estamos cientes e percebemos, enquanto o inconsciente é o que está escondido em nossas mentes e nos influencia sem que estejamos conscientes disso. Quando se trata de preferências de entretenimento, como o que as pessoas escolhem assistir em plataformas online, tanto o consciente quanto o inconsciente desempenham papéis importantes. Estímulos Conscientes: As pessoas geralmente escolhem assistir a vídeos que as fazem sentir-se bem, entretidas ou informadas. Elas podem estar conscientemente evitando assuntos relacionados à saúde mental porque acham esses temas desconfortáveis, perturbadores ou simplesmente não têm interesse neles. Escolhem coisas que se alinham com seus interesses pessoais, hobbies ou valores co...

Deslocamento Libidinal e Frustração Profissional: Uma Leitura Psicanalítica da Intensificação do Investimento Erótico na Vida Adulta

  Resumo Este artigo propõe uma análise psicanalítica da intensificação da excitação sexual em um homem adulto que, diante de frustrações profissionais persistentes, investe maciçamente sua libido em uma relação virtual marcada por troca de nudez e erotização recíproca. A partir da metapsicologia de Sigmund Freud, articulam-se os conceitos de libido, deslocamento, catexia, sublimação e economia psíquica para compreender o fenômeno. Dialoga-se também com contribuições de Jacques Lacan acerca do desejo e da falta, ampliando a interpretação estrutural do caso. Palavras-chave: libido; deslocamento; frustração profissional; sublimação; desejo; psicanálise. 1. Introdução A psicanálise concebe o psiquismo como uma economia de forças, na qual a energia pulsional — particularmente a libido — busca constantemente vias de investimento e descarga. Quando determinadas áreas da vida encontram-se bloqueadas ou frustradas, essa energia pode ser redirecionada para outros objetos disp...

Academia E O Cerebro

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Na neuropsicologia, estudamos como o cérebro e o sistema nervoso influenciam o comportamento e os processos mentais. A atividade física é um exemplo claro de como esses elementos estão interligados, pois o exercício não só afeta o corpo, mas também causa efeitos positivos e significativos no cérebro. 1. Aumento de neurotransmissores Durante o exercício, o cérebro libera substâncias chamadas neurotransmissores, como a dopamina, serotonina e endorfina. Cada uma dessas substâncias tem um papel específico no humor e na motivação: Dopamina: Está associada à sensação de prazer e recompensa. Quando fazemos exercício, os níveis de dopamina aumentam, o que ajuda a melhorar o humor e dá uma sensação de satisfação. Serotonina: Esse neurotransmissor ajuda a regular o humor, o sono e o apetite. O exercício aumenta a serotonina, promovendo uma sensação de ...

Fugindo De Perseguidores

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Sonho que estou sendo perseguido por homens e me escondo deles. Sonhos de perseguição são bastante comuns e podem ter diferentes significados, dependendo do contexto específico do sonho e da vida do sonhador. No entanto, de modo geral, esse tipo de sonho pode refletir uma sensação de medo, ansiedade ou estresse em relação a uma situação específica da vida do sonhador, na qual ele se sente perseguido ou ameaçado por alguém ou algo. No seu caso, o sonho parece indicar que você está enfrentando algum tipo de pressão ou ameaça em sua vida, que pode ser representada pelos homens que o perseguem. O fato de você se esconder deles pode indicar que você está tentando evitar ou evitar essa situação de alguma forma. Pode ser útil pensar em sua vida atual e ver se há alguma situação estressante ou conflituosa que possa estar contribuindo para esses sentimentos. O...

O Corpo do Fiscal-Psicólogo Fala: Uma Análise Psicossomática da Sobrecarga, Estrutura e Somatização na Região Lombar

  Resumo Este artigo analisa os processos de somatização sob a perspectiva da psicossomática psicanalítica e sistêmica, tomando como estudo de caso a dor lombar aguda (L4-L5) manifestada por um fiscal de supermercado e psicólogo durante seu período de férias. A partir de um evento estressor multifatorial — que envolve a prisão do filho por inadimplência de pensão alimentícia, a perda do descanso laboral, o endividamento imprevisto com honorários advocatícios e o esforço físico na academia —, investiga-se como o corpo atua como via de descarga de conflitos psíquicos não elaborados, revelando o colapso da sustentação física e narcísica do indivíduo. Introdução A psicossomática contemporânea compreende o ser humano como uma unidade inseparável entre mente e corpo ( psyche e soma ), na qual manifestações orgânicas muitas vezes atuam como a linguagem última de conflitos psíquicos imobilizados ou insuficientemente simbolizados. Quando a capacidade de processamento emocional do ego...