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Fotos, Selfies PQ Tiramos

 Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo tem a intenção de encaminhar o leitor a uma compreensão e reflexão sobre motivos que o direciona a apoderar-se de fotos/ e ou selfies travestindo-se com a máscara social de fotógrafo profissional de si mesmo nas redes sociais. O que é selfie para a psicanálise? O termo self foi conceptualizado como a imagem de si mesmo, sendo composto de estruturas, entre as quais consta não somente o ego, mas também o id, o superego e, inclusive, a imagem do corpo, ou seja, a personalidade total. Para a psicologia Sel é o eu constituído por aspectos consciente e inconsciente de uma pessoa, sua personalidade, cognições, pensamentos e sentimentos. Todas essas características ou aspectos se combinam na identidade central da pessoa.

Como vivemos na era das redes sociais, deparamo-nos com elas a todo o momento no Facebook, no Instagram, no WhatsApp ou até por e-mail. Será este um sinal de narcisismo? Afinal, o que leva tantas pessoas a tirarem autorretratos e a divulgá-los? Pode até parecer que este é um fenómeno novo, ligado à excessiva valorização da imagem e à sobre valorização das redes sociais, mas, na verdade, um olhar atento sobre a questão mostra que foi quase sempre assim.

O ser humano tem uma preocupação natural com a imagem que transmite e tenta desde sempre controlar essa imagem. A principal razão por detrás de tantas selfies está relacionada com o fato de a forma como nos vemos ter menos a ver com aquilo que realmente somos e mais com a forma como os outros nos veem. Tirar selfies de determinada maneira eficácia que os outros nos vejam como gostaríamos que nos percebessem.

Qualquer um de nós pode tirar fotografias em que mostre sobretudo uma imagem divertida. Ou sensual. Ou aventureira. Ou autoconfiante. Ou pura e simplesmente melhorada. Tanto que a maior parte das pessoas que publicam selfies revelam que esse comportamento aumenta a sua autoestima e a sua autoconfiança.

Isto é particularmente evidente entre adolescentes. E o adulto por meio do mecanismo defesa regressão, consegue regredir a atitudes infantis e até adolescentes com a intenção de exibir a autoimagem.

Associando o tema a um sonho é possível dissertar que fulano se acha num local, onde há várias pessoas e se reúnem para tirar fotografia para recordação e resolve se colocar perto delas para sair na fotografia.

Aclarando e interpretando o sonho, depreendemos de modo intelectual que o ego tem desejo de deixar marcado a sua imagem na sua própria memória para que se aperceba de como está bem consigo mesmo e com a sua autoconfiança e autoestima neste momento.

Esse impulso de salvar nossas memórias afetivas gravadas é uma força muito importante, que nos diz muito sobre o papel da fotografia em nossas vidas. É sobre nosso desejo constante de manter nossos momentos mais valiosos em imagens.

Em primeiro lugar, há estudos que mostram que um número elevado de selfies tende a prejudicar as relações menos íntimas. O que é que isto quer dizer? Que quando alguém publica muitos autorretratos tende a ser visto como alguém mais narcisista e distante incorrendo na compulsão a repetição do narcisismo. É preciso que ela conte uma história ou revele um pormenor interessante. Senão são apenas vistas como narcísicas. A mensagem não deve ser apenas olhem para mim. Claro que o que é interessante para uns pode não ser para outros. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.

Os autorretratos digitais, uma nova forma de expressão social, além de marcar um momento ou registrar um acontecimento, sabe-se que uma das forças motrizes mais significativas por trás desse comportamento é a promoção pessoal.

A primeira e mais forte função, creio eu, seria a de transmitir a sensação [falsa, diga-se de passagem] de intimidade e amizade com o fotografado, isto é, a própria pessoa se fantasia de fotógrafo e desempenha o papel para a documentação visual que é criada pelo autor revela-se, muitas vezes, mais poderosa que a memória que se dilui, uma vez que ocorre dentro de um lapso, perdendo-se no tempo.

Além disso, a imagem que hoje é postada na forma digital pode ser compartilhada e aperfeiçoada em uma riqueza infinita de detalhes, constituindo aquilo que se denomina de exuberância do momento. É como se cada um, atualmente, celebridade ou não, não importa, pudesse assegurar momentos de glamour e de singularidade pessoal no palco da vida.

Se, antes da criação da internet e das redes sociais, uma fotografia podesse ser exposta apenas a um pequeno grupo, hoje essa marca sequer pode ser estimada. As fotos que vão para a web, tornam-se eternas nas memórias da rede mundial. Existem opiniões diversas a esse respeito.

Há quem fique satisfeito ao saber que suas experiências podem permanecer, de fato, como que eternizadas, muito embora existam posições contrárias. Isso nos sugere então que o limite entre o sensato e o imprudente, quando o assunto é autopromoção visual, possa ser algo bastante frequente.

Assim sendo, a forma como alguém se apresenta ao mundo se tornou um elemento chave, onde, na superfície, a tendência comum do fenômeno poderia ser compreendida como uma espécie de autoafirmação que tem o poder de carregar características inegavelmente egocentradas.

Por outro lado, é possível que as selfies tenham se tornado uma manifestação social que evidencia a obsessão pela aparência, somado à exibição da vida privada na forma de reality-shows-pessoais, arquitetando, como resultado final, um senso auto inflado que permite às pessoas acreditarem que seus amigos ou seguidores estariam, de fato, interessados em vê-los deitados na cama, almoçando, contando dinheiro, saltando de paraquedas, andando de avião, abraçando alguém ou ainda, saberem que roupa intima estão usando, por exemplo.

Muitas vezes ficamos tão ocupados controlando a imagem, que iremos revelar ao mundo que acabamos perdendo o verdadeiro contato com os momentos que constituem a singularidade da vida concreta e não nos avaliamos em relação a autoestima e autoconfiança, pois subtrair selfies passou a ser um hábito normal e corriqueiro. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram.

As pessoas passaram a subtrair de si mesmas as melhores imagens para exibirem aos demais e ocultam as imagens ruins de serem mostradas, como as tristezas, as frustrações, os momentos de raiva com a intenção de não serem julgadas, censuradas pelo Outro. Estão comercializando de modo inconsciente as autoimagens e recebem como pagamento a gratificação dos likes, mas não lidam bem com as críticas oriundas de outros sujeitos.

Ao mesmo tempo, as selfies ganharam má reputação por serem algo que os narcisistas fazem. Tirar uma autofotografia nem sempre é um exercício de amor-próprio. Às vezes, é simplesmente uma maneira conveniente de tirar uma foto quando ninguém está por perto para tirá-la.

Publicar muitas selfies no Facebook e no Instagram não está apenas relacionado ao narcisismo, pode se tornar um vício. Alguns viciados até tentaram suicídio quando não conseguiam obter a selfie perfeita. Selfies saudáveis são tiradas com pouca frequência, embora não haja uma regra rígida e rápida sobre o quanto é demais, as selfies definitivamente se tornam problemáticas se forem postados com muita frequência.

Postar no Facebook uma vez a cada poucos meses é muito diferente de postar uma nova selfie a cada poucas horas ou mesmo a cada poucos dias. Selfies saudáveis costumam ter um propósito, como para um proprietário de uma empresa que está tentando ensinar ou compartilhar algo útil ou positivo, tirar selfies pode fazer parte do negócio.

Porém, há uma linha tênue, onde algumas empresas consistem de pessoas postando fotos instantâneas no Instagram e ganhando dinheiro com seus grandes seguidores. Selfies podem se tornar um vício, selfies podem se tornar viciantes se as pessoas pensarem que a quantidade de curtidas é uma medida de autoestima.

Cada vez que um novo curtir é acionado, pode ser como uma dose de cocaína para uma pessoa desesperada por atenção positiva. A ironia é que as selfies, na verdade, tornam as pessoas menos agradáveis e relacionáveis, especialmente no que diz respeito a familiares próximos e amigos que podem conhecer uma pessoa diferente daquela das redes sociais.

Pode prejudicar relacionamentos, o viciado em selfies precisa saber que pesquisas mostram que postar selfies demais faz com que as pessoas gostem menos das postagens sobre selfies. Pode prejudicar conquista de um emprego ou ascensão em uma carreira da mesma forma, muitas selfies podem colocar um ponto de interrogação na mente de um empregador sobre a contratação de um indivíduo.

Podem até mesmo fazer com que um autorretratado sem discernimento perca seu emprego atual. Muitas selfies podem criar uma impressão de narcisismo, o estereótipo é que as pessoas que postam selfies estão cheias de si mesmas ou são narcisistas declaradas. Frequentemente, no entanto, alguém que posta selfies em excesso pode ter baixa autoestima.

De acordo com um estudo, os homens que postam muitas selfies podem estar sofrendo de narcisismo, mas isso não é verdade para as mulheres. De qualquer forma, a ironia é esta, uma pessoa postando selfies porque deseja desesperadamente que gostem dela está, na verdade, prejudicando suas chances.

Frequentemente discutido em fóruns de relacionamento, o conceito de um perfil de alto valor e status no Facebook se refere à criação de conteúdo intrigante e interessante, que atrai as pessoas sem que pareça ser motivado por uma necessidade de atenção. Em outras palavras, se você deseja um relacionamento de alto valor, deve aparecer como de alto valor em seus perfis de mídia social. Geralmente, as pessoas que postam muitas selfies são consideradas como tendo um perfil de baixo valor.

A questão é que os autorretratos publicados na web nos ajudam controlar melhor a forma como os outros nos veem e isso pode ser visto de uma forma positiva, na melhora da autoconfiança e na autoestima. Vivemos em uma sociedade onde a vida torna-se cada vez mais privada.

O individualismo marcante de nossa sociedade tem levado os jovens a se fecharem em seu mundo, embora o ser humano tenha a tendência de interagir com outros indivíduos. A internet acaba sendo uma espécie de válvula de escape para essa individualidade que o perturba. Perturba porque o que somos, só somos a partir do outro, o qual é o nosso parâmetro.

Buscamos ser muita coisa só porque do outro [não teria porque usar roupas novas e caras sem que as pessoas soubessem; ser bonito sem ser visto]. Vivemos o momento do apareço, logo existo. Mesmo em um mundo tão tendencioso à privacidade, essa parece ser a realidade.

A saída tem sido a interação social por meio das redes virtuais de relacionamento. Há profissionais da psicologia com o discurso nas redes socias de que se o psicólogo não se mostrar nas redes socias ele não existe para os demais, até que ponto esse discurso está certo e errado. Onde você se acha agora interagindo mais, no real social ou no virtual?

Por meio de tais redes o jovem consegue manter sua individualidade de forma pública. Como assim? Simples, se mantendo em meu mundo real individualizado e, ao mesmo tempo, participando de um outro mundo mais social, porém mais seguro que aquele. Mais seguro porque sua publicidade, de certa forma, é controlável. Pode escolher quem e o que quer compartilhar, ser visto.

Isso nas relações sociais cara-a-cara não é tal fácil. Pode ter centenas de amigos e deixar de ter tais amigos em poucos cliques. Mas, qual a relação disso com fotos em espelhos e banheiros? O individualismo fez com que o jovem se sinta mais seguro quando está só. Estando só, no banheiro ou no quarto, cria-se um cenário propício para uma auto fotografia sem constrangimentos; sem ninguém para avaliá-lo. Isto é válido também para os adultos que agem com este comportamento.

Assim, em seu mundinho individual, se sente seguro para fazer tantas poses quanto for necessária para uma foto classificável como boa [que ao meu ver são sempre horríveis, principalmente aquelas acompanhadas de biquinhos]. Não tendo nenhum parâmetro não precisará se preocupar com micos.

Feitas as poses terá a possibilidade de publicizar no Facebook a foto escolhida, tida como a melhor. Essa publicização ocorre de modo controlado e a qualquer e qualquer comentário indesejado a foto poderá ser retirada do compartilhamento.

Essa postura aponta que a coletividade só é realizável devido a possibilidade de, ao menor sinal de perigo, retornar a individualidade segura. Assim, aparece para existir, mas se necessário desaparece em instantes, por causa do constrangimento e insegurança. É um comportamento que não se restringe à internet, é mais um problema fundamental com autoestima e vai se manifestar em relacionamentos e comportamento offline.  [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162).

A maneira como nós lidamos com estas formas de exposição online, diz que é forma de contato e comunicação. Preferimos resgatar fotografias em vez de joias valiosas, mesmo em momentos de pânico. Esse impulso de salvar nossas memórias afetivas gravadas é uma força muito importante, que nos diz muito sobre o papel da fotografia em nossas vidas que as vezes nos motiva intrinsicamente a mover em nossos objetivos.

É sobre nosso desejo constante de manter nossos momentos mais valiosos em imagens. Em um estudo, pesquisadores concluíram que pessoas que postam muitas selfies são vistas como mais inseguras e menos agradáveis por outros usuários da rede, encaminhando a sentir desgosto, raiva por ver repetidas vezes o mesmo rosto. [...] Deslocamento, este mecanismo está relacionado à sublimação e consiste em desviar o impulso de sua expressão direta. Nesse caso, o impulso não muda de forma, mas é deslocado de seu alvo original para outro. Exemplo, ao ser despedido de uma empresa, um funcionário leal sente raiva e hostilidade pela forma como foi tratado, mas usualmente tem dificuldade de expressar seus sentimentos de forma direta.

Porque postamos fotos nas redes sociais? Como todos postam fotos de momentos felizes, quem olha de fora passa a acreditar que estão todos mais felizes que você. E quanto mais pessoas felizes você tem em sua rede social, mais quer mostrar o quanto é feliz também. Mais que isso, você quer mostrar que também é digno de amor e admiração.

Fotos de objetos luxuosos, se forem fotos verdadeiras indica que você quer mostrar seu sucesso e ostentação. No entanto, se a foto for falsa, do tipo onde você exibe algo que não é seu, esse tipo de registro costuma mostrar o desejo de vencer na vida e também vários tipos de inseguranças ligadas a sua vida financeira. Uma das formas de captarmos esses registros é por meio da selfie tipo de fotografia que consiste em tirar foto de si mesmo.

As justificativas para tirar selfies são as mais variadas e podem ir desde querer registrar um local bonito que foi visitado, até guardar um autorretrato. Na verdade, por trás de todas as motivações para tirar uma selfie, existe uma vontade maior, a de mostrar algo.

E isso também não é um problema. Afinal, vivemos em uma sociedade que valoriza a imagem e disponibiliza ferramentas para que fotos como selfies sejam divulgadas, como os aplicativos e as redes sociais. O hábito de tirar muitas fotos de si demonstra, entre muitos aspectos, um sentimento de insegurança em relação à própria aparência.

Pode parecer um paradoxo atrelar incômodos de autoaceitação com um excesso de autorretratos, mas os especialistas explicam que o hábito é justamente para tentar buscar, por meios externos, uma aprovação que não se tem de si mesmo. Quanto mais inseguro ou com incertezas se sentir o indivíduo, mais será necessário o hábito de tornar-se público, direcionando a acionar o mecanismo defesa regressão, o qual regride a atitudes infantis do passado na finalidade de aliviar a ansiedade. [...]Mecanismo defeso regressão é um retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples ou mais infantil. É um modo de aliviar a ansiedade escapando do pensamento realístico para comportamentos que, em anos anteriores, reduziram a ansiedade.

Isso porque esse indivíduo sente a necessidade de ser constantemente apreciado por quem o enxerga. E no momento em que uma pessoa que não tem uma boa autoestima publica uma foto e recebe elogios, é como se ela adquirisse durante algum tempo uma autoestima adequada. Isso pode gerar uma dependência comportamental, pois o indivíduo sempre estará atrás de mais aprovação.

A sensação química do selfie, como experiências prazerosas que fazem com o cérebro libere dopamina. No caso das selfies o raciocínio é semelhante. O indivíduo publica uma foto e rapidamente recebe um elogio, um emoji ou uma interação que mostre que ele acertou na escolha da foto e é admirado por isso.

Logo na sequência tem-se a sensação de prazer. No entanto, assim como um medicamento, uma bebida alcoólica, ou um cigarro em um certo momento a sensação de prazer irá passar, e aí será necessário postar uma nova foto. É possível entender as motivações que levam às pessoas a publicar selfies nas redes sociais. São elas, prestígio, autopromoção e validação da autoestima.

Além disso, desenvolver e aprimorar competências que não tenham relação apenas com a estética, fazer um curso, se dedicar a um projeto pessoal, fazer um projeto voluntário, enfim, ocupar a consciência com elementos que possam fortalecer a autoestima de forma que não seja por um autorretrato, isto é válido.

Selfies é, entre muitos aspectos, o prestígio que recebem de seus seguidores depois que a foto é publicada. Os jovens explicaram que quando divulgavam as fotos nas redes sociais ficavam felizes com o reconhecimento das outras pessoas. Alguns disseram que sentiam que sua vaidade era legitimada a partir dos elogios que recebiam.

Outros gostavam da competição que criavam com os outros amigos. As curtidas e comentários postados nas fotos proporcionam uma sensação de inclusão social, enquanto as pessoas que não recebem nada sentem-se como se estivessem em um tipo de ostracismo.

Vale ressaltar que grande parte das fotos publicadas nas redes sociais conta com recursos de edição e embelezamento que possibilitam corrigir de forma rápida pequenas imperfeições, afinar o rosto, aumentar os olhos, deixar o sorriso mais atraente e até rejuvenescer a pele. Dessa forma a pessoa que posta a selfie mostra aos outros uma versão editada de si. Digo, comercializa uma autoimagem falsa de si.

Tirar selfies não tem problema, desde que não cause problema a própria pessoa ou a outros. Em suma, se estivermos bem conosco, o autorretrato será uma forma de lembrança de um momento que ficará registrado e comemorado na memória e não apenas nas redes sociais. E você que acabou de ler o artigo se sente capaz de dizer a si mesmo o que o estimula a tirar selfies?

Quando uma pessoa entra numa rede social ela não vai ver duas ou três pessoas que se destacam na multidão, todos os perfis estão tentando se destacar na multidão. Daí surge a necessidade de tentar se destacar mais do que o outro. E para você é importante o fato de se destacar ser notado na multidão das redes sociais?

O ser humano age de modo tão alienado e autômato que não para sequer para refletir sobre as próprias selfies,  e voltar o olhar para dentro de si e se perguntar como está sua autoestima e autoconfiança, mas isso não importa, o que realmente importa é postar e postar autoimagens falsas ou verdadeiras para se autopromover a todo custo.

 

 

Referência Bibliográfica

FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal Popular, 1968

FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.

FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII

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