Pular para o conteúdo principal

Eu Não Sei, Desvele As Respostas

Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do leit@r a obter o esclarecimento do significado quando pronunciamos Não Sei ou Eu Não Sei ao darmos uma resposta diante de uma pergunta. E dificilmente paramos para reflexionar sobre a resposta dada ao outro como eu não sei ou não sei. Ao tentarmos desvelar os significados desta resposta eu não sei, é preciso mudar a atenção seletiva, digo, subtrair de cima do pensamento eu não sei em direção a aprofundarmos na compreensão de alguma resposta satisfatória.

Por trás do [eu não sei], existem alguns mecanismos defesa do ego, como mecanismo defesa raiva; mecanismo defesa medo; mecanismo defesa fuga; mecanismo defesa esquiva, mecanismo defesa projeção; mecanismo defesa regressão. Os mecanismos de defesa do ego são processos inconscientes desenvolvidos pela personalidade, aos quais possibilitam a mente desenvolver uma solução para conflitos ansiedade, hostilidades, impulsos agressivos, dúvidas, indecisão, desorientação, ressentimentos e frustrações não solucionados a nível da consciência.

Os mecanismos de defesa são mecanismos psíquicos inconscientes desenvolvidos para aliviar a tensão realizada por parte de Id e Superego sobre o Ego. Durante este processo realizado por Id e Superego, quando esta tensão é prolongada, surgem as neuroses. Para Freud, a defesa exclui da consciência sentimentos e desejos desagradáveis ao Ego, tornando o conteúdo inconsciente, recalcado; porém, evitando um dano maior ao aparelho psíquico, como um surto psicótico, por exemplo. Dispondo o sujeito a manter-se na compulsão a repetição dos mecanismo de defesa, seja ele qual for. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.

Descubra quando o [eu não sei], traduz na verdade algo. O que acontece, no entanto, quando essas perguntas são respondidas, eu não sei. Talvez o resultado mais frequente depois de um não sei na terapia toma uma direção ligeiramente diferente. Às vezes, isso pode ser uma forma de resistência na terapia, embora nem sempre é esse o caso. Também é possível que a pergunta seja reformulada de modo a provocar uma resposta diferente.

Outro resultado alternativo é explorar o; eu não sei. Que função ele serve nesse momento? Como o conhecimento dessas informações pode auxiliar no curso da terapia ou melhorar o relacionamento terapêutico? Enquanto apenas três palavras, eu não sei, comunicam poderosamente as informações necessárias sobre as experiências cognitivas, afetivas e interpessoais de um cliente.

Primeiro, quando [eu não sei], na verdade é eu realmente não sei. Vou precisar pensar um pouco. Neste caso, os clientes geralmente não pensaram conscientemente em sua resposta. Sua intenção é comunicar que eles vão pensar sobre o assunto e talvez voltar a ele em uma data posterior. Este é um tópico que eles pensaram antes? Eles julgam que é importante ou sem importância? Eles vão gastar algum tempo pensando?

Um psicólogo em sessão diz eu não sei, mais o que fazer para prospectar clientes para o consultório particular, por exemplo. A realidade que consiste na conformidade da afirmação feita através de um dado factual, mostra que ele usou de todos os métodos e recursos disponíveis que aprendeu e realmente não sabe mais o que fazer e precisa pensar um pouco mais sobre o assunto.

Segundo, em que hora [eu não sei], na realidade é eu não sei porque estou indeciso em dúvida. Estar indeciso tem várias implicações importantes na terapia. A indecisão é um padrão contínuo? O que está por trás da incerteza? Talvez o prospecto se beneficie da entrevista motivacional e da resolução da indecisão. Como não está tomando uma decisão que lhe sirva.

Um psicólogo em sessão diz eu não sei, mais o que fazer para prospectar clientes para o consultório particular, por exemplo. A realidade que consiste na conformidade da afirmação feita através de um dado factual, mostra que ele usou de todos os métodos e recursos disponíveis que aprendeu e realmente é capaz de estar em dúvida, que ainda não se resolveu ou que tem dificuldade em tomar uma decisão sobre permanecer insistindo na prospecção ou abdicar-se.

Terceiro, em que momento [eu não sei], na sinceridade é eu pensei nisso, mas ainda não percebi. Esse estilo de resposta pode indicar que a pessoa se beneficiaria de uma abordagem baseada na solução de contrariedades, na qual o empoderamento é fundamental. Quando, ser importante, é uma decisão necessária? O que eles acreditam que está ficando no caminho na tomada de decisão? Pode tomar certas medidas ou conversar com alguém em sua vida resolver essa situação? Como o psicólogo pode ajudá-los a chegar a passos de curto e longo prazo para descobrir?

Um psicólogo em sessão diz eu não sei, mais o que fazer para prospectar clientes para o consultório particular, por exemplo. A realidade que consiste na conformidade da afirmação feita através de um dado factual, mostra que ele usou de todos os métodos e recursos disponíveis que aprendeu e realmente é capaz de ter pensado que a prospecção não está dando o resultado esperado, porém ainda não percebeu por agir como alienado frente a prospecção.

Quarto, em que ocasião [eu não sei], na efetividade é eu não quero falar sobre isso agora.  A motivação por trás dessa declaração é estabelecer um limite para as discussões. Especialmente em tempos de construção de confiança, é importante respeitar que os pacientes não querem falar sobre determinados tópicos. Qual é o entendimento deles sobre por que eles não querem falar sobre isso? Isso é muito doloroso? Eles se sentem exaustos ou sobrecarregados? Qualquer resposta do paciente a essa pergunta fornece informações importantes sobre suas experiências e orientações para o restante da sessão. Há algo mais que eles prefeririam discutir? Eles acreditam que o psicólogo saiu do caminho?

Um psicólogo em sessão diz eu não sei, mais o que fazer para prospectar clientes para o consultório particular, por exemplo. A realidade que consiste na conformidade da afirmação feita através de um dado factual, mostra que ele usou de todos os métodos e recursos disponíveis que aprendeu e não anseia em reflexionar sobre o tema, sinalizando estar usitando o mecanismo defesa fuga em direção de escapar da situação desagradável, contudo dá como resposta desviando-se do tema eu não sei, a resposta vou mudar de cidade.

Quinto, em que data [eu não sei], na intenção é eu não quero te dizer. Semelhante ao eu não quero falar sobre isso agora, essa declaração implica um limite. Há algo específico sobre a pessoa do psicólogo ou a relação terapêutica com esse ponto que impede a revelação? O que está atrapalhando? É essa informação que eles conversaram com outras pessoas em sua vida? O que pode acontecer dentro da sessão de terapia para o paciente se sentir confortável e como promover a segurança necessária?

Um psicólogo em sessão diz eu não sei, mais o que fazer para prospectar clientes para o consultório particular, por exemplo. A realidade que consiste na conformidade da afirmação feita através de um dado factual, mostra que ele usou de todos os métodos e recursos disponíveis que aprendeu e não ambiciona compreender a resistência de medo, divulgando que a emoção de medo o impede de deslocar-se do limite imposto pelo medo em relação a tomar uma escolha, por isso não quer falar ao terapeuta o que pensa.

Sexto, toda vez que [eu não sei], na franqueza é estou envergonhada com medo de lhe dizer. Frequentemente, os psicólogos inadvertidamente, podem envergonhar os pacientes, estou envergonhando-os de modo inconsciente. Assim dizendo, se um cliente disser muitas vezes estou envergonhado, os psicólogos são levados a consolar a experiência de se sentir envergonhados. Quando isso ocorre a mensagem passada é, tudo bem em sentir vergonha e assim perpetuar a vergonha. O paciente está preocupado com o que você está pensando ou vai pensar dele? Como as pessoas responderam a elas no passado sobre nessa situação ou nesse tema?

Um psicólogo em sessão diz eu não sei, mais o que fazer para prospectar clientes para o consultório particular, por exemplo. A realidade que consiste na conformidade da afirmação feita através de um dado factual, mostra que ele usou de todos os métodos e recursos disponíveis que aprendeu e se sente envergonhado porque não alcançou o sucesso e está com medo de verbalizar isso ao terapeuta e ser julgado, se sentindo culpado por não atingir o sucesso, pensando que o terapeuta avista o psicólogo como fracassado. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162).

É eficaz que o cliente se faça uma pergunta sim ou não sobre o que ele teme, [por exemplo, que eu sou uma pessoa nojenta ou você vai pensar menos de mim]. O psicólogo pode então dar garantias e criar um espaço seguro para eles revelarem o que quer que tenham se sentido envergonhado em lhe contar [isto é, não, eu não pensarei menos de você, não, não pensarei nada sobre você, pois este espaço não existe julgamento. Dado como as pessoas responderam a você no passado sobre isso, eu entendo por que você pode temer que eu faça o mesmo, mas a resposta é não.]

Trabalhar com essa forma de [eu não sei], é capaz de ser extremamente útil para curar lesões psicológicas passadas em vários tópicos e promover uma forma de aceitação incondicional da experiência psicoterapia. Em suma, explorar o significado de [eu não sei] oferece excelentes oportunidades para o crescimento do paciente e o aprimoramento de relacionamentos. Comunica suavemente a segurança e os limites nas discussões que são conduzidas pelas experiências cognitivas, emocionais e interpessoais do paciente.

Como profissional de saúde mental, desafie-se pessoalmente para explorar suas próprias formas de [eu não sei] e em quais situações você emprega várias formas dele. Pergunte aos clientes sobre suas motivações e intenções em torno de [eu não sei] e novos caminhos terapêuticos serão abertos - aqueles que poderiam ter sido excluídos anteriormente com essas três pequenas palavras poderosas [Eu Não Sei].

Interpretando o [não sei] na perspectiva psicanalítica, interpõe uma distância inconsciente entre a pessoa e a possibilidade de saber/conhecer, isto é, entre o ego e a responsabilidade de refletir e construir um significado/solução. Mas insere também, uma barreira afetiva entre o ego e a possibilidade de sentir. De sentir algo, tantas vezes desprazeroso, em que se receia/recusa imergir no inconsciente.

Ao psicanalista cabe perceber se está perante uma resposta de ofensa, de medo, de vergonha, ou de admiração, face a uma questão que foi percebida como intrusiva, desagradável ou desafiante. Poderá ser uma resposta que exprime um conflito entre o anseio e o receio de saber ou expressar, ou mesmo de tornar consciente o que de certa forma já foi pressentido. Contudo, como sabemos, por vezes [não sei] é apenas [não sei].

Em vez de se olhar o [não sei] exclusivamente como algo que se fecha, podemos percebe-lo como algo que se abre. Primeiro teremos de bater à porta, entreabrindo-a, como que a pedir licença para entrar, sabendo que nos temos que mostrar dignos de confiança e validar esse depósito.

E finalmente utilizar essa vantagem como passagem comunicativa por ambos aceites. Afinal, [não saber] é a primeira condição para a investigação e a aprendizagem. Há que mobilizar o potencial do [não sei] para a vontade de saber. Oferecer hipotéticas interpretações é uma contingência, apesar disto deve ser feita com as devidas cautelas, sendo uma delas a clara admissão de que eu não sou tu. O psicanalista não pode aceder ao inconsciente do cliente se este não lhe facultar, nem se julgar sabedor do que não sabe.

O primeiro, Não Sei, [eu realmente não sei e preciso pensar de novo ou nem quero saber e não estou interessado no tema]. Ou o segundo Não Sei, [mas isso faz-me lembrar, sentir, pensar…]. E quem sabe o terceiro Não Sei, [que curioso nunca tinha pensado nisso, acha mesmo que eu poderei saber]. Talvez o quarto Não Sei quase inaudível [penso que sei, mas ir por aí causa-me dor…]. Possivelmente o quinto Não Sei, [talvez eu saiba, mas se eu ousasse dizer, o que você iria pensar de mim ou dos meus pensamentos, comportamentos....]. De outra maneira o sexto Não Sei, [sei, mas não confio o suficiente para dizer].

O primeiro [não sei] é um acesso que se desorganiza, com alguma raiva, ressentimento, magoa. É claramente uma defesa, motivada pelo mecanismo defesa medo e da raiva ou de negação da situação. Indica que é cedo para ir por este caminho, a questão é sentida como intrusiva. Opera neste momento o mecanismo de defesa projeção, onde projeta no psicanalista os sentimentos que não lograr defrontar-se como, medo de confrontar-se, insegurança, raiva, ansiedade, culpa e diante destas emoções aciona inconsciente o mecanismo de defesa da negação, no qual nega se entrar em contato consigo mesmo para descortinar a realidade

O segundo [não sei] está repleto de potencial, e é uma entrada entreaberta que suscita a curiosidade epistemológica e não a curiosidade ingênua, [embora possam não estar isentos de receio] o, [não sei], sendo mais introspetivo, convida a um silêncio do psicanalista, que ao criar espaço, permite a reflexão do paciente. O que leva a entrar em contato consigo mesmo e conhecer suas emoções.

O Terceiro [não sei] talvez necessite de um ligeiro encorajamento por parte do psicanalista, por exemplo, um sorriso de assentimento, permitindo depois que o silêncio se instale e possibilite a reflexão e elaboração do cliente. Permite o cliente compreender que não sabe de fato e pode perceber o ponto de vista do psicanalista e é possível saber agora.

O quarto [não sei], assimila extremamente vulnerável e necessita de validação empática pelo receio da dor que possa causar o que se venha a desvelar. O cliente por entre o mecanismo de defesa projeção, projeta a certeza, convicção que não sabe, mas aceitar o caminho disponibilizado pelo psicanalista lhe causará angustia, sinalizando estar manuseando inconscientemente o mecanismo defesa fuga, ou seja, tenta escapar de sentir angustia fugindo da realidade. Neste ponto, é fundamental que o psicanalista mostre reconhecer e valide as partes do Ego em conflito com o Id ou Superego e o princípio de realidade.

O quinto [não sei] recorda apontando um conflito entre a vontade de expor o tema e o receio de o fazer. Por meio do mecanismo defesa projeção, afasta-se da realidade projetando sentimentos que não sabe defrontar-se como incerteza, indecisão quanto ao saber, gerando preocupação com o que o psicanalista pensará a seu respeito. Sinalizando para o psicanalista de que a relação terapêutica ainda não é sentida como verdadeiramente segura pelo cliente. Apontando para a necessidade de trabalhar e aprofundar a aliança terapêutica antes de prosseguir.

O sexto [não sei] aparenta um conflito entre o desejo de abordar e o receio de o fazer. Pelo mecanismo defesa projeção, projeta a baixa autoconfiança em si mesmo por não defender aquilo que sabe na presença do psicanalista. Com isso aciona o mecanismo defesa medo para não lidar com a realidade atual. O que leva a reação aproximação-afastamento, no qual tem desejo de explanar o tema, mas o medo o contraria, afastando o de confiar no psicanalista. Um sinal de que a relação terapêutica ainda não é sentida como segura, ausente de preconceitos, julgamentos pelo paciente. Registra a carência de trabalhar e aprofundar a aliança terapêutica antes de prosseguir.

A confirmar este apalpar e sentir do psicanalista, e a importância da sua responsividade mediante o que avalia, temos o fato de a neurociência nos mostrar que a visão de soluções para as contrariedades ou incômodos coincide dar-se quando a parte direita do cérebro trabalha ativamente e o lado esquerdo fica mais em repouso, deixando de prestar demasiada atenção seletiva aos estímulos externos, sobretudo aos visuais.

Assim, quando presenciamos um [não sei], qualquer que ele seja, a nossa atenção seletiva deve evidenciar se na entoação e nas pistas não-verbais. Se o [não sei] é acompanhado de um olhar vago, que se afasta do nosso e paira no vazio, podemos ver aí uma oportunidade de não dizermos nada e de deixar que o cliente entre no seu mundo emocional.

Se esse encontro for produtivo, poderemos observar uma reação emocional, ou, pode acontecer que o hemisfério esquerdo se ative indo em socorro do direito, tentando dar sentido à recente sensação. Aqui, o contato visual e a comunicação verbal serão então restabelecidas e é provável que assistamos a um momento de descoberta, ou, pelo menos, ao abrir claro da admissão. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram.

Ao escutarmos [não sei], teremos muitas vezes que tomar decisões rápidas sobre o que fazer [ou não fazer]. Se estiverem reunidas as condições para que a melhor ação seja o silêncio, o psicanalista deve respeitá-lo, permitindo ao cliente encontrar-se com ele próprio e descortinar-se sentindo-se acompanhado e seguro nessa jornada.

Exemplo, um cliente diz em sessão: [não sei], mais aonde procurar por emprego. Discorrendo e descortinado por entre os [eu não sei]. Construímos e interpretamos o pensamento e reflexionar sobre o assunto. O primeiro, Não Sei, [eu realmente não sei e preciso pensar de novo ou nem quero saber e não estou interessado no tema]. Ou o segundo Não Sei, [mas isso faz-me lembrar, sentir, pensar…]. E quem sabe o terceiro Não Sei, [que curioso nunca tinha pensado nisso, acha mesmo que eu poderei saber]. Talvez o quarto Não Sei quase inaudível [penso que sei, mas ir por aí causa-me dor…]. Possivelmente o quinto Não Sei, [talvez eu saiba, mas se eu ousasse dizer, o que você iria pensar de mim ou dos meus pensamentos, comportamentos....]. De outra maneira o sexto Não Sei, [sei, mas não confio o suficiente para dizer].

Respostas: O primeiro não sei, [se ele já fez de tudo, então não sabe realmente onde buscar por trabalho e também é capaz de não ansiar por pensar novamente no tema ou a partir deste momento não deseja saber porque não logra emprego e não está mais interessado em procurar emprego]. O segundo não sei [o fato de não saber, mais aonde procurar por emprego o faz recordar das outras épocas que ficou desempregado, sentiu raiva, decepções, frustrações, ansiedade, angustias e pensou mesmo por um tempo desempregado ainda assim logrou emprego com tantas dificuldades].

O terceiro não sei, [que curioso nunca havia pensado nisso, existe alguma possibilidade de eu saber como fazer para lograr um emprego]. O quarto não sei, [pensa que sabe que não consegue emprego, porque tem a idade de 60 anos, falta experiência para algumas vagas, contudo pensar nisto lhe causa angustia].

O quinto não sei, [estou com dúvida do porque não consigo arrumar emprego, entretanto se eu ousar dizer os motivos, o que você terapeuta via pensar sobre a minha pessoa]. O sexto não sei, [sei os motivos do porque não logro arrumar emprego, entretanto não confio o suficiente para relatar a você terapeuta].

 

 

 

 

 

Referência Bibliográfica

FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal Popular, 1968

FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.

FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII

FINN, S. Understanding and working with shame in psychological assessment.

NEWMAN, C. F. Understanding client resistance: Methods for enhancing motivation to change.


Comentários

Postagens mais visitadas

O Que Cabe A Mim No Ambiente, O Qual Estou Inserido

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. O papel que você desempenha no ambiente em que está inserido é extremamente importante, pois suas ações e podem influenciar o comportamento e o bem-estar de outras pessoas e do próprio ambiente. Aplicando e exercitando as competências comportamentais, isto é, as soft skills e hard skills a fim de defrontar-se com a insegurança. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162). Em primeiro lugar, cabe a você respeitar as regras e normas do ambiente, seja ele uma escola, local de trabalho, residência, universidade, comunidade ou outro ambiente social. Isso inclui ser pontual, tratar as outras pessoas com respeito e cortesia, e seguir as normas de conduta estabelecidas para aquele ambiente. Al...

A Fila como Sintoma Organizacional: Defesa Institucional, Ruptura do Contrato Psicológico e Falha na Proposta de Valor ao Empregado

  Resumo Este artigo analisa, à luz da Psicologia Organizacional e da Psicodinâmica do Trabalho, uma cena cotidiana: um cliente questiona a escassez de operadores de caixa; a fiscal responde que “as pessoas não querem trabalhar”. Argumenta-se que a fila constitui um sintoma organizacional, cuja etiologia reside menos na “falta de vontade” individual e mais na ruptura do contrato psicológico, na fragilidade da proposta de valor ao empregado (EVP) e em mecanismos defensivos institucionais. A análise integra aportes de Denise Rousseau, Christophe Dejours, Edgar Schein, Frederick Herzberg e John W. Meyer & Brian Rowan, articulando níveis manifesto e latente do discurso organizacional. 1. Introdução: do evento banal ao fenômeno estrutural A cena é simples: fila extensa; poucos caixas abertos; cliente insatisfeito; resposta defensiva da fiscal. Contudo, como em toda formação sintomática, o que aparece (escassez operacional) remete a determinantes estruturais (políticas de...

O luto da forma antiga de existir profissionalmente

  Psicanálise, desejo, função e travessia subjetiva entre sobrevivência e inscrição institucional Introdução Na experiência contemporânea do trabalho, não é raro que o sujeito se encontre dividido entre a sobrevivência material e o desejo de uma função simbólica que dê consistência à sua existência. A psicanálise permite compreender que o sofrimento ligado ao trabalho não se reduz à precariedade econômica, mas toca diretamente a questão do lugar subjetivo: aquilo que nomeia o sujeito no laço social. O caso aqui articulado é o de um sujeito que exerce há anos a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas cujo desejo se orienta para uma inscrição como psicólogo institucional. Entretanto, esse lugar desejado não se encontra acessível no presente, e a clínica exercida nas folgas surge como um resto marginal e sacrificial. O sonho relatado — uma mensagem sobre como atravessar o luto, sem nomear o objeto perdido — aparece como forma privilegiada de expressão do inconsci...

Recrutamento & Seleção Teste Avaliação Perfil Profissional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. Existem diversas ferramentas e testes psicológicos que podem ser utilizados para avaliar o perfil de um operador de caixa de supermercado. Algumas das possibilidades exemplo, Inventário de Personalidade NEO-FFI: este teste avalia cinco grandes dimensões da personalidade [neuroticismo, extroversão, abertura, amabilidade e conscienciosidade] e pode ser útil para verificar quais traços são mais comuns em candidatos a operadores de caixa. Teste Palográfico: este teste avalia a personalidade a partir da interpretação de desenhos feitos pelo candidato. Ele pode ajudar a entender aspectos como dinamismo, estabilidade emocional, concentração e outros traços relevantes para a função. Teste H.T.P – [CASA, ÁRVORE, PESSOA] Buck (2003), define o H.T.P, como um teste projetivo que serve para obter informações de como uma pessoa experiência a sua individualidade em rel...

Adaptação De Emprego A Psicólogo

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Como um psicólogo na faixa etária adapta sua candidatura a emprego no mercado de trabalho para atuar em instituições na atuação de psicólogo da saúde. Como psicólogo na faixa etária adaptar sua candidatura a empregos no mercado de trabalho para atuar em instituições na área da psicologia da saúde requer a compreensão de diferentes abordagens teóricas e práticas. Vou explicar a seguir como você poderia adaptar sua candidatura, primeiro pela abordagem da psicologia social e depois pela abordagem da psicanálise. Abordagem da Psicologia Social: Na abordagem da psicologia social, é importante destacar a sua compreensão dos aspectos sociais e culturais que influenciam a saúde mental das pessoas. Aqui estão algumas dicas para adaptar sua candidatura: a) Educação e experiência: Destaque a sua formação acadêmica em psicologia social, enfatizando os curs...

O Que Representa O Esquecimento Do Guarda-Chuva Na Vida Do Fiscal De Caixa

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. O fiscal de caixa foi trabalhar e estava chovendo então abriu o guarda-chuvas para não se molhar e no trabalho deixou dentro de um saco plástico nó armário junto da mochila. E terminando a jornada pegou o guarda-chuvas e colocou na mochila com a intenção dê chegar em casa e abrir o guarda-chuvas para secar, mas esqueceu o guarda-chuvas molhado dentro do saco plástico na mochila e agora de manhã para sair para trabalhar ao abrir a mochila viu ó guarda-chuvas. Na psicanálise, um ato falho é uma ação ou comportamento que parece ser um erro, mas que, na verdade, revela algo oculto no inconsciente da pessoa. Vamos interpretar a situação com base nessa ideia: O contexto: O fiscal de caixa colocou o guarda-chuva molhado dentro do saco plástico para evitar molhar os outros itens na mochila, mostrando uma atitude cuidadosa e prática. Contudo, ao chegar em...

Não Dá Mais: uma leitura psicanalítica da permanência no sofrimento

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a permanência de um sujeito em um contexto laboral exaustivo e insustentável. A partir das contribuições de Freud, Winnicott e Lacan, discute-se como a compulsão à repetição, a ორგანიზ ação do falso self e a dimensão do gozo sustentam a manutenção do sofrimento, mesmo diante da consciência de seus efeitos devastadores. 1. Introdução A frase “não dá mais” marca um ponto de ruptura. No entanto, paradoxalmente, nem sempre ela conduz à saída. Em muitos casos, o sujeito permanece exatamente onde já reconheceu ser insuportável. O caso do fiscal psicólogo ilustra essa condição: jornadas extensas, sobrecarga física, privação de sono e ausência de perspectiva de mudança. Ainda assim, há permanência. A psicanálise permite compreender que essa permanência não é simplesmente racional — ela é estruturada. 2. A compulsão à repetição Segundo Sigmund Freud (1920/2010), o sujeito é levado a repetir experiências que não fo...

Modelo integrado do bloqueio da trajetória profissional

  Da sobrevivência ao desgaste do ideal vocacional Podemos organizar tudo o que discutimos em um encadeamento progressivo de processos psíquicos e institucionais . Em vez de eventos isolados, trata-se de um ciclo estruturado que se instala ao longo do tempo. Esse modelo ajuda a entender que o sofrimento atual não surge de um único fator, mas de uma sequência de efeitos acumulativos . 1. Formação e construção do ideal profissional Durante a graduação, o sujeito constrói: identidade profissional ideal vocacional narrativa de futuro A profissão passa a representar: sentido de vida pertencimento social valor pessoal Nesse momento, o investimento psíquico na profissão é alto. 2. Entrada no trabalho de sobrevivência Por necessidade econômica, o sujeito assume um trabalho que não corresponde ao projeto profissional. Inicialmente ele interpreta isso como algo: provisório estratégico temporário A ideia dominante costuma ser: “Enq...

Quando o Campo Fora do Mapa Escolhe: o Espelhamento Estrutural para o Psicólogo

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, um episódio aparentemente simples do mundo do trabalho — a contratação por uma instituição fora do circuito conhecido — como operador de um espelhamento estrutural para o psicólogo em transição profissional. Sustenta-se que o sofrimento repetido não decorre de incapacidade subjetiva, mas da insistência em acessar apenas campos simbólicos já nomeados e reconhecidos. O texto discute como a ruptura com o “campo conhecido” desvela limites da percepção, desmonta a compulsão à repetição e possibilita uma leitura mais lúcida da relação entre sujeito, saber e instituição, sem produzir novas ilusões. 1. Introdução: quando o fracasso não é pessoal Na experiência do trabalho e da inserção institucional, muitos sujeitos interpretam a ausência de reconhecimento como falha individual. A repetição de recusas tende a ser vivida como prova de inadequação ou insuficiência. Contudo, do ponto de vista psicanalítico, é preciso interrogar n...

Facilite O Reconhecimento Das Projeções

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um psicólogo trabalha num supermercado na ocupação de operador de caixa e observa que os colaboradores têm comportamentos de bullying. O psicólogo pensa em fazer uma intervenção no comportamento dos colaboradores, mas não faz nada porquê os colaboradores não sabem que além de operador de caixa ele tem formação em psicologia. E talvez se der a conhecer para os colaboradores que é psicólogo corre o risco de não ser levado a sério no momento de propor as intervenções. A psicanálise sugere que os comportamentos têm raízes inconscientes e que a compreensão dessas dinâmicas pode levar a mudanças significativas. No entanto, a abordagem psicanalítica também valoriza a importância da transferência e da relação terapêutica, o que pode complicar a situação do operador de caixa que é psicólogo oculto. Dado que os colaboradores do supermercado não estão cientes da f...