Pular para o conteúdo principal

Descontrua a Si Mesmo Da Baixa Autoconfiança

 Ano 2021. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do leit@r a avaliar a sua autoconfiança neste momento de isolamento social. E procurar entender que a baixa autoconfiança pode levar a doenças psicossomáticas. Algumas pessoas pensam que não há necessidade de ser autoconfiante ou até confunde autoconfiança com presunção, orgulho. Acham que somente a fé basta para se lograr o que deseja. Mas como ter fé senão tem autoconfiança. Autoconfiança é uma postura positiva com relação às próprias capacidades e desempenho. Inclui as convicções de saber e conseguir fazer alguma coisa, de fazê-lo bem, de conseguir alcançar alguma coisa, de suportar [resiliência] as dificuldades e de poder prescindir de algo, ou seja, dispensar, renunciar a alguma coisa que não vale a pena.

A baixa autoconfiança pode surgir depois de experiências mal sucedidas. Muitas vezes nem é necessário um grande malogro para que a autoconfiança vá por água abaixo, pequenas frustrações acumuladas podem minar a confiança. Exemplo, perda de emprego, despejo, várias tentativas de inserção no mercado de trabalho e como resultados frustrações, decepções, não ser capaz de produzir o auto sustento trabalhando, dependência financeira de entes queridos e agora do governo por meio do auxilio emergencial, decepção religiosa em relação a fé no arquétipo e outros.

Para começar a compreender a questão da baixa autoconfiança é preciso ser realista a respeito de quem o indivíduo é. Assim, das duas uma, ou o indivíduo possui habilidades necessárias para chegar onde quer, entretanto mesmo assim não acredita que possa, ou a pessoa não possui habilidades e por isso não consegue se sentir confiante. Se o sujeito não possui as habilidades necessárias para conquistar seus sonhos, é fato que jamais se sentirá confiante para alcançá-los. As pessoas de sucesso, que conseguem realizar seus objetivos de vida, antes, se preparam para isso, elas planejam, estudam, se aperfeiçoam e movem-se atrás do que for preciso e se sentem preparadas para enfrentar cada dificuldade que surgir pela frente.

A autoconfiança é definida como um sentimento de confiança nas competências, habilidades, atitudes, qualidades e julgamentos de uma pessoa. Por tanto ela é importante para a saúde e bem-estar psicológico. Ter um nível saudável de autoconfiança pode ajudá-lo a ter sucesso na vida pessoal e profissional. Pessoas autoconfiantes normalmente são admiradas, determinadas e não têm medo de assumir desafios. Quem possui autoconfiança acredita em si mesmo, fala com propriedade, mostra-se firme, afirmam os psicólogos.

Seja no trabalho, seja na vida pessoal, cultivar este aspecto da personalidade é indispensável para viver com mais prazer e com menos inseguranças. A baixa confiança gera incertezas, duvidas e, eventualmente, pode afetar diretamente a autoestima de cada um. Ser autoconfiante é saber valorizar os seus pontos positivos, ter certeza de suas ações, acreditar em si mesmo e no seu conhecimento e reconhecer os pontos fracos. Na vida pessoal, a autoconfiança transparece em quem é coerente com as próprias ideias e ações, possui percepção de mundo bem definida e, sem ser intolerante, sabe argumentar a favor de si mesmo.

Neste ponto a autoconfiança é uma qualidade que pode ser desenvolvida e trabalhada em qualquer momento da vida, até mesmo agora no período de quarentena, nunca é tarde demais para acreditar em si mesmo.  Procure identificar o que lhe causa insegurança. Para isso é necessário reconhecer aquilo que impede o surgimento dela. Se é a falta de aprofundamento em algum assunto específico no trabalho, nos estudos, na busca de emprego, na conquista de uma namorada(o), por exemplo.

A vida humana em sociedade exige cada vez mais das pessoas. Além disso, há uma infinidade de possibilidades chamando atenção para serem exploradas e vividas, dependendo unicamente de uma boa dose de autoconfiança. Fazendo uma observação mais atenta nas redes sociais [ , , , e outras] e na Internet como um todo, podemos perceber uma série de postagens, dos mais variados tipos, bem-humoradas ou mais depressivas, em que elas evidenciam toda a baixa autoconfiança, a  insegurança, a falta de amor próprio e autoestima. Ao mesmo tempo em que se observa, ainda que isso se mostre indiretamente às vezes, a baixa autoconfiança dos sujeitos, paradoxalmente vemos um dispêndio excessivo de mensagens, páginas e imagens que fazem alguma clemência à importância da autoconfiança.

Indivíduos dialogam como a importância da autoconfiança é fundamental. E há uma quantidade enorme de livros de autoajuda, e afins que pretendem ensinar o sujeito a se tornar autoconfiante. Não generalizando, porém o cuidado com esses conteúdos é prudente perceber, pois que existem muitos vídeos no Yotube e até mesmo cursos, presenciais ou virtuais, que mostram o impacto que a autoconfiança tem na vida do ser humano e alguns prometem até milagres.

Então confiança implica em ter fé, entregar-se em um ato de fé, de crença firme e forte em algo ou alguém. Por fé não se entende e atribui aqui um sentido religioso. A fé tem um sentido mais amplo, além do religioso. É a crença, é o ato de acreditar em alguma coisa com mais intensidade e consistência. Sendo assim, a autoconfiança é ter fé em si mesmo, é acreditar em si. Autoconfiança é nutrir uma crença forte, sólida, firme e profunda em si mesmo. É crer em você mesmo. Um contingente desmedido de pessoas tem pouca ou nenhuma confiança em si. Elas são espantosamente inseguras, temerosas, receosas. Essas pessoas têm muitas dúvidas quanto as suas capacidades, ao seu potencial, a sua competência, habilidade e atitudes de ser e realizar no mundo.

Exemplo, um colega que desqualifica aquilo que você faz, um namorado(a) que lhe trai e abandona por outra pessoa, o desemprego, o covid-19, enfim, uma infinidade de contextos em que nossas ações são menosprezadas e desvalorizadas, todas elas nos fazem perder a autoconfiança, nos fazem temer pelo nosso futuro, nos paralisam diante da vida. O indivíduo com baixa autoconfiança é alguém cujo sentimento de medo toma conta a todo instante. É medo do fracasso, medo da reação dos outros, medo de não atingir um objetivo, medo de ser rejeitado, medo de passar dificuldades, medo de não conquistar a mulher desejada, enfim, é medo de tudo e de todos. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162)

A autoconfiança é um dos pilares da autoestima, é uma das bases dela. Quando as bases são fracas, a autoestima é reduzida. Elas se enxergam como alguém sem qualidades, uma pessoa desprezível, desinteressantes, não gostam de si, não se acham merecedoras de coisas boas. Comece agora a pensar fora da caixinha, fora do padrão ou da compulsão a repetição. Pense discordante, seja diferente. Procure não ter medo de pensar e sentir de forma distinta dos demais indivíduos. Busque métodos descoincidente de pensar, ser e agir, que escapam ao senso comum, ou seja, que vão além daquilo que conhecemos, que saiam do pensamento medíocre. Invista em você. E com investir em você oriento em todos os sentidos possíveis. Faça cursos, participe de palestras e workshops, vá a congressos, aprenda aquele instrumento musical que sempre quis, leia artigos sobre diversos temas, exercite-te, enfim, estabeleça algo que possa agregar a você de alguma maneira. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.

Descubra-se por meio do autoconhecimento. Fica a dica de ouro. O autoconhecimento é fundamental para a construção e fortalecimento da autoconfiança. Costumamos confiar naquilo que conhecemos melhor, não é mesmo? Tire um tempo para pensar e refletir de modo profundo sobre você mesmo. Destrinche os seus pensamentos, crença, atitudes, ações, sentimentos, emoções. Observe e perceba como você age diante das situações da vida e como se sente. Estude os seus pontos fracos, seus limites e defeitos. Reconheça o seu lado bom, saiba quais são seus talentos e qualidades, procure saber no que você é ou pode ser bom.

Agora faço uma ressalva neste ponto importante que é promover um constante processo de desconstrução em relação a pensamentos e crenças. Tem-se comumente a desconstrução como algo negativo, ruim, maléfico. E às vezes é mesmo. No entanto, é algo necessário e pode ser concebido sob uma ótica positiva. Para que algo mais sensato surja e seja construído, é preciso desmitificar e ou descontruir antigos padrões. Isto vale para pensamentos, sentimentos, crenças e atitudes. Desconstrua a si mesmo, dos outros e do mundo que lhe cerca. Passe a dar valor àquilo que sente. Dar valor significa dar importância em algo, no caso, naquilo que se pensa e sente.

Seja honesto e verdadeiro consigo mesmo. E compreenda que autoconfiança é totalmente diferente de orgulho e arrogância e procure sempre a sua verdade. Nada de querer se auto enganar, fingir/ e ou fantasiar que uma coisa é o que não é, pare de arrumar desculpas. [...] Mecanismo defesa Fantasia, é um processo psíquico em que o indivíduo concebe uma situação em sua mente, que satisfaz uma necessidade ou desejo, que não pode ser, na vida real, satisfeito. É um roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em última análise, de um desejo inconsciente.

Procure não ter medo de errar, porque errar é um processo natural e comum na vida de todo ser humano. Não há nada de mal ou errado em errar. O sujeito faz aquilo que sabe fazer naquele momento, com as condições que tem, com as informações que tem, com o conhecimento que tem e com a experiência que tem sobre o tema. Se aquilo depois se mostrou inapropriado, procure aceitar compreendo que fez que tudo que estava ao seu alcance! Não há erros, apenas resultados que não se encaixam naquele contexto. Tudo muda e a pessoa pode aprender a fazer melhor, a saber o que é mais funcional, e perceber aquilo que tem resultados mais positivos para aquela situação. Encare os erros como ensinamento e aprendizado, reconhecendo e nomeando a angusta e verá como sua vida muda. [...] “A angústia é, dentre todos os sentimentos e modos da existência humana, aquele que pode reconduzir o homem ao encontro de sua totalidade como ser e juntar os pedaços a que é reduzido pela imersão na monotonia e na indiferenciação da vida cotidiana. A angústia faria o homem elevar-se da traição cometida contra si mesmo, quando se deixa dominar pelas mesquinharias do dia-a-dia, até o autoconhecimento em sua dimensão mais profunda” (CHAUÍ, 1996 p.8-9).

A falta de persistência pode ser o pior problema da baixa autoconfiança. Quando o sujeito passar a não acreditar em si mesmo, pode se tornar um desistente sem antes mesmo de tentar uma única vez. Já a auto estima se refere ao quanto uma pessoa aprecia a si mesmo. A autoconfiança se refere à percepção de ser capaz na realização das mais diversas atividades.

O autoconfiante costuma ter ótima auto estima, embora nem toda pessoa com boa auto estima é autoconfiante porque a auto estima pode se tornar em cobrança interna, ou seja, para que um indivíduo continue gostando dele mesmo é necessário não errar nunca o que poderia ser impossível. O autoconfiante compreende e sabe que fracassos pequenos ou grandes fazem parte da realidade, com isso insiste e sabe que uma hora será bem sucedido.

Entretanto auto estima não significa comportamento positivo, entendo que pode haver muito traficante, político e ladrão com excelente auto estima. Basta olhar para o cenário político de nosso país. O indivíduo deve promover atitudes bem sucedidas para si. Agir com persistência, porém sabendo a hora de trocar de objetivo para não se tornar cabeça dura. Caso a pessoa perceba que não está conseguindo sozinha um psicólogo irá ajudá-la. Imagine agora um indivíduo que foi demitido do trabalho devido a pandemia Corona Vírus e já estava com a autoconfiança abalada e não tem consciência disto. Penso que a baixa autoconfiança pode ser um dos elementos dentre outros a contribuir para a depressão, pois está conscientemente ligada à falta de esperança, falta de perspectiva de que algo bom possa acontecer. A baixa autoconfiança pode contribuir para quadros de doenças psicossomáticas.

Quando o sujeito acredita em si mesmo, ele estará mais disposto a tentar coisas novas. Se a pessoa se candidatar a uma vaga de emprego ou se inscrever para um novo curso, e acreditar em si mesmo que é o alicerce para se colocar nas situações sem medo se defrontará com as contrariedades de modo autoconfiante independente do resultado positivo ou negativo.  Ao se sentir confiante, poderá dedicar seus recursos internos e externos à tarefa que tem em mãos. Em vez de perder tempo e energia se preocupando com o pensamento que não é bom o suficiente, então o sujeito pode dedicar sua energia libidinal aos seus esforços.

A autoconfiança requer prática e precisa vir de dentro. A sociedade às vezes dá ao indivíduo uma confiança compreensível graças ao trabalho árduo. Contudo, se ele não tiver uma base sólida de confiança dentro de si, qualquer sentimento de orgulho ou realização será de curta duração. Oriento a pessoa a praticar e enfrentar alguns dos seus medos que resultam da baixa autoconfiança. Se o sujeito tem medo de se envergonhar num processo seletivo, numa palestra ou acha que vai se pertubar, experimente assim mesmo esse sentimento de vergonha, reconhecendo-o e nomeando-o. Isso não significa que a pessoa não deve se preparar ou praticar, é claro. Se o indivíduo tem intenção de postar vídeos nas redes sociais, por exemplo, pratique na frente da câmera do celular, de um espelho, de seus amigos e familiares para ganhar alguma confiança. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram satisfação, mesmo para impulsos instintuais que foram reprimidos.

Pode ser um pouco difícil para algumas pessoas, contudo a melhor maneira de construir a autoconfiança e ter sucesso na vida também é focar completamente o momento atual em que se está vivendo no caso a pandemia Corona Vírus, o desemprego, o divórcio, o despejo da residência e o que você pensar enquanto lê o artigo. No meu ponto de vista, não existe muita literatura que orienta sobre a prática de autoconfiança, pois cada pessoa é um ser singular. O que funciona para uma, não funciona para outra. Pode-se ensinar, demonstrar várias técnicas que funcionou para um sujeito, porém para outras não fará a menor diferença. O indivíduo é único, cada um leva consigo experiências e crenças que mesmo que se afiguram demasiada, são totalmente pessoais.

Ainda que o problema seja a dificuldade de colocar em prática as habilidades que a pessoa possui; distingo o que limita um sujeito são as crenças que tem a respeito de si mesmo. Se um candidato tem a habilidade necessária para trabalhar e sonha em ser enfermeiro, por exemplo, e porém não se enxerga capaz de alcançar esse projeto, o que o limita são as crenças que possui a respeito de si mesmo, portanto se possui crenças negativas como a de ser fracassado, rejeitado ou inútil, não conseguirá avançar em direção aos seus propósitos ainda que todos a sua volta digam que é muito talentoso.

Isto sinaliza que ao longo da vida as pessoas vão se construindo, de acordo com suas experiências, crenças a respeito de quem é. As crenças moldam a forma como o sujeito faz a leitura mental e interpreta as circunstâncias da vida e, o que acontece, é que muitas dessas crenças confundem e impedem a pessoa de agir da forma como deseja. Por isso, o autoconhecimento é muito importante para quem quer adquirir autoconfiança, é preciso se conhecer, de forma mais profunda, o que pensa a respeito de si mesmo, quais são os medos e inseguranças e trabalhar para que essas crenças sejam alteradas.

Nesse sentido, a psicoterapia é um processo que leva ao autoconhecimento, com a ajuda de um psicólogo a pessoa vai compreender a sua forma de enxergar o mundo e a si mesmo, pois trata-se, sem dúvida, de um processo libertador e de descoberta de potenciais que não tem noção de que existam dentro de cada um.  Percebo e compreendo que, muitas vezes, as circunstâncias são extremamente difíceis e o caminho até os projetos são realmente cheios de contrariedades, embora por pior que sejam as situações, elas não conseguem impedir as pessoas que acreditam que são capazes de chegar onde desejam ou esperam.

Percebo que certos indivíduos não se permitem que os outros articulem quem são ou ditem até onde podem ir, pois tem convicção de quem são e sabem exatamente onde esperam chegar. E as vezes parece que o mercado de trabalho impactado pelo Covid-19, junto com a meia-idade do indivíduo, a crise econômica que enfrenta o país, a pobreza e os indivíduos contratantes do mercado de trabalho decidem que o sujeito não pode ser mais telemarketing, retificador plano, técnico em mecânica, teólogo, educador social, professor substituto, psicólogo social, repositor em supermercado, advogado, engenheiro, psicólogo em outras instituições, ou seja, decidiram até onde o sujeito pode ir. Então como será que está a autoconfiança destes profissionais?

O indivíduo independente da crença deve ter autoconfiança, ser autoconfiante. Comece agora mesmo a trabalhar para ser autoconfiante, desconstrua-se e construa-se a si mesmo. Não permaneça esperando as coisas melhorarem ou as outras pessoas mudarem para começar a ter mais autoconfiança. Sua convicção e certeza é sempre em você, não no mundo exterior.

 

 

Referência Bibliográfica

CHAUÍ, MARILENA. HEIDEGGER, vida e obra. In: Prefácio. Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.

FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII

FREUD, S. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal

Popular, 1968

Comentários

Postagens mais visitadas

O Jogo De Esconder Objetos

  Ano 2022. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leit@r a notabilizar o conceito de brincadeira, é a ação de brincar, divertir, entreter, distrair. Geralmente são jogos livres que têm a finalidade de encenar e utilizar objetos lúdicos. A principal diferença entre a brincadeira para outras atividades diárias é a sua natureza divertida e criativa. A brincadeira de esconder e achar objetos promove a memória e a percepção de que as coisas, que lhe pertence podem permanecer nos lugares mesmo que a criança, o adolescente ou até o adulto não consiga as ver, o que é uma conquista extremamente importante nessa faixa etária. Além disso, dando um comando verbal com o nome de elementos que já lhes são familiares, acaba-se estimulando uma comunicação que envolve a linguagem e uma apropriação de palavras que vão acabar compondo o seu vocabulário. Esconde-esconde objetos é o jeito de brincar: Uma das crianças é escolhida para esconder um objet...

O sujeito não existe fora do laço social: não há sujeito sem Outro, nem desejo sem algum tipo de amarração simbólica

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 Introdução A psicanálise, desde Freud e radicalmente com Lacan, sustenta que o sujeito não é uma entidade autônoma, transparente a si mesma, nem um indivíduo isolado que decide livremente sua posição no mundo. O sujeito do inconsciente emerge apenas no interior de uma rede de significantes, isto é, no campo do Outro. Assim, não há sujeito fora do laço social, nem desejo que possa se sustentar sem alguma forma de amarração simbólica. Este artigo tem como objetivo articular essa tese fundamental a partir de uma situação clínica cotidiana: o caso do sujeito que ocupa a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas que não se reconhece nessa posição. A análise do ato falho, do sintoma corporal, do não-cuidado e da permanência forçada no laço social permitirá demonstrar como o inconsciente já sabe do não-desejo, enquanto o ato de ruptura ainda não pode ocorrer por ausência de outro laço que sustente o sujeito....

Fases Da Sexualidade Na Escolha Da Carreira

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A teoria das fases da sexualidade, proposta por Sigmund Freud, inclui as seguintes fases: fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital. Cada fase está associada a diferentes aspectos do desenvolvimento psicossexual. Lembre-se de que essa teoria é apenas uma perspectiva e foi criticada por muitos estudiosos ao longo dos anos. Claro, vou explicar cada uma das fases da sexualidade de acordo com a abordagem da psicanálise de forma simplificada: Fase Oral: Na primeira fase, que ocorre durante os primeiros anos de vida, o foco está na boca. As crianças exploram o mundo principalmente através da boca, chupando objetos e experimentando tudo com a boca. A satisfação vem da alimentação e da sensação de conforto oral. Fase Anal: A fase anal acontece por volta dos 2 aos 3 anos de idade. Aqui, o foco se volta para o controle dos esfínctere...

Música Volume Alto

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um sujeito quando está com raiva aparente de algo aumenta o volume da música no ritmo de academia no máximo. Claro, vou tentar explicar isso pela perspectiva da psicanálise de uma maneira acessível para iniciantes. Raiva aparente: Quando alguém está com raiva aparente, significa que essa pessoa está demonstrando sua raiva de maneira visível, como aumentar o volume da música ao máximo. A raiva é uma emoção que pode surgir quando nos sentimos frustrados, irritados ou contrariados. Estímulos inconscientes e conscientes: Na psicanálise, a mente é dividida em três partes: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. O consciente é onde estamos cientes de nossos pensamentos e ações. O pré-consciente é onde pensamentos que não estão no momento presente podem ser trazidos à consciência. O inconsciente contém pensamentos e sentimentos que não estamos ...

PLANO DE AÇÃO PARA MELHORIA DO AMBIENTE DE TRABALHO NO SUPERMERCADO

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. ### **1. Objetivo Geral** Reduzir os riscos psicossociais no ambiente de trabalho do supermercado, promovendo bem-estar, engajamento e qualidade de vida para os colaboradores. ### **2. Diagnóstico Inicial** - Aplicar uma pesquisa de clima organizacional para identificar principais dificuldades e insatisfações. - Realizar entrevistas com colaboradores de diferentes setores para entender suas necessidades e desafios. - Avaliar os índices de rotatividade, absenteísmo e conflitos internos. ### **3. Ações Preventivas e Corretivas** #### **3.1. Melhoria das Relações Interpessoais** - Implementar treinamentos sobre inteligência emocional e resolução de conflitos. - Criar espaços para comunicação aberta entre liderança e equipe, como reuniões quinzenais. - Estabelecer um canal anônimo para feedbacks e sugestões dos colaboradores. ####...

Crise De Asma E Psicossomática

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico que descrê a crise de asma e a psicossomática. Doenças psicossomática, são doenças causadas ou agravadas pela instabilidade emocional. Diferentemente da somatização, que é diagnosticada por médicos quando os sintomas de uma doença se manifestam, mas não são observados efeitos físicos no corpo, as psicossomáticas têm efeitos verificáveis no organismo. As situações de vida estressantes como medo de “não cor responder às expectativas”, dificuldades no trabalho ou econômicas, perdas, desavenças, doença ou morte, podem ser fatores desencadeantes. Frequentemente a somatização é considerada expressão de “dor psíquica”, sob a forma de queixas corporais, em pessoas que não têm vocabulário para apresentar seu sofrimento de outra forma. Os sintomas têm origem nas sensações corporais amplificadas interpretadas erroneamente ou nas manifestações somáticas das e...

Medo De Não Conseguir Emprego

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leito para um excelente tópico, que fala descreve a insegurança quanto a empregabilidade no mercado de trabalho e suas prováveis consequências para a qualidade física e mental. A ansiedade realística é o medo do mercado de trabalho representado pelo princípio da realidade que provoca a incerteza no ego influenciando a pensar que o mercado de trabalho não permite que consiga se empregar em alguma instituição como psicólogo e por isso sente que está sendo punido pelo mercado de trabalho. Já a ansiedade moral é aquela que decorre do medo de ser punido [O ego sentira culpa se descobrir que não conseguirá empregar-se em alguma instituição como psicólogo porque Deus não vai realizar o milagre. Na psicanálise, o princípio da realidade e o princípio do prazer são conceitos fundamentais. O princípio do prazer refere-se à busca do prazer imediato e evitação do desconforto. Por outro lado,...

Morte A Aposentar-se Como Operador Caixa

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Ego prefere literalmente a morte física somátizando sintomas emocionais que possa encaminhar a vontade e desejo de morrer dormindo a permanecer trabalhando como operador de caixa e se aposentar na profissão que gera angústia e não como psicólogo. O texto sugere uma situação emocionalmente desafiadora. Na abordagem da psicanálise, podemos analisá-lo da seguinte forma: Ego: O ego é a parte da mente que lida com a realidade e age como um mediador entre os desejos do id e os padrões morais do superego. No seu caso, o ego está enfrentando um conflito entre a vontade de continuar trabalhando como operador de caixa e o desejo de não viver mais, possivelmente devido à angústia gerada por essa profissão. Sintomas emocionais somáticos: Os sintomas emocionais somáticos ocorrem quando o corpo expressa o sofrimento emocional. Nesse contexto, os sintomas podem...

Do investimento libidinal ao redesenho da carreira: luto, identidade profissional e competências construídas após uma década de tentativas na Psicologia

  Introdução A história apresentada pode ser compreendida como a trajetória de um profissional que, durante aproximadamente uma década, tentou transformar a formação em Psicologia em uma identidade profissional socialmente reconhecida , experimentando diferentes possibilidades de inserção: Psicologia Clínica, Social, Hospitalar, Jurídica, Organizacional, Esportiva, orientação educacional, Recursos Humanos, atendimento on-line, produção de conteúdo e projetos institucionais. O ponto central dessa trajetória não parece ser simplesmente uma sucessão de "fracassos profissionais". Há algo psicologicamente mais complexo: o sujeito investiu expectativas, tempo, conhecimento, energia, esperança e desejo em diferentes objetos profissionais . Cada vaga, consultório, projeto, academia, instituição, site, blog ou projeto de conteúdo representava uma possibilidade de responder à pergunta: "Onde posso existir profissionalmente como psicólogo?" A literatura brasileira sobre ...

Não conseguiu construir caminho de sucesso: O Luto da Trajetória Profissional na Psicologia

  Introdução O término da graduação marca, para muitos profissionais, o ponto de partida de um projeto de vida focado na consolidação de uma carreira funcional, sustentável e reconhecida. No entanto, o percurso acadêmico e o esforço individual nem sempre garantem a inserção ou o êxito nos variados campos de atuação que a profissão promete. Entre o momento da formação, em 2018, e a maturidade profissional projetada para 2026, a vivência contínua de insucessos em múltiplos eixos pode conduzir o indivíduo a uma profunda reavaliação sobre a viabilidade de permanecer em determinada área. Quando todos os caminhos desenhados e executados culminam na ausência de retorno prático, o reconhecimento do encerramento de um ciclo e a elaboração do luto profissional emergem não como fraqueza, mas como um processo fundamental de reorganização existencial e ocupacional. A Articulação dos Caminhos Tentados (2018–2026) Ao longo de oito anos, foram empreendidos esforços deliberados em praticament...