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Estratégia De Enfrentamento

 Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo convoca o leitor a avaliar a sua competência para resolver problemas e para analisar a resolução de dificuldades. O enfrentamento caracteriza-se pela junção de estratégias cognitivas e comportamentais usadas pelos indivíduos, para o controle das demandas internas e externas, avaliadas como sobrecarga ou que excedam a capacidade do organismo.

Segundo a teoria transacional, o enfrentamento é um processo que decorre da interação entre o indivíduo e o ambiente, influenciado pelos traços de personalidade desta pessoa e experiências prévias que possa ter constituído para a aquisição de recursos emocionais, comportamentais, cognitivos e sociais para lidar com situações adversas.

 Tais estratégias de enfrentamento deverão acontecer, portanto no sentido de minimizar a pressão física, emocional e psicológica relacionada a acontecimentos desencadeantes de estresse, resultando no ajustamento psicossocial do indivíduo e consequentemente na melhoria da qualidade de vida e do equilíbrio mental. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram.

Sendo assim, apenas esforços conscientes e intencionais são considerados estratégias de enfrentamento. Há estratégias de enfrentamento utilizadas como práticas religiosas, enfrentamento focado no problema, respaldada na memorização de versículos bíblicos e suporte social. A fé constitui um modo de pensar construtivo. Um sentimento de confiança de que acontecerá o que se deseja. A fé em Deus é um sentimento arraigado em nossa cultura e é tão necessária quanto outros modos de enfrentamento.

Discorrendo sobre este sonho, onde faz 20 anos que o indivíduo não ingeri bebida alcoólica, isto é, pensando a respeito deste devaneio. Fulano entra no bar do japonês no bairro chamado Vila Teixeira em que morou quando era jovem e tinha bastante homens bebendo. Então fulano vai até o balcão que estava acostumado a pedir bebida para o japonês, mas o lado do balcão havia sido reformado. Então procurou ali o Pereira colega de bebedeira, mas ele não está ali. Resolve pedir ao japonês uma pinga com limão e uma cerveja e retira do seu tórax uma blusa de frio, porque está com calor neste momento.

Construindo em análise e interpretando este sonho, não se trata do desejo de voltar a ingerir álcool depois de 20 anos, uma vez que encontrou libertação do vício ao aceitar a Jesus Cristo como seu salvador, mas a comportamentos do mecanismo defesa regressão para aliviar a ansiedade que o sujeito usou no passado como embriagar-se.

Sinalizando que foi época em que trabalhava numa organização. Fazia uso do álcool, juntamente com um amigo num boteco para aliviar-se dos conflitos organizacionais produzido pelo trabalho, como estratégia de enfrentamento.

Ego através do mecanismo defesa regressão, tem desejo de se comportar com atitudes infantis de quando aliviava o desprazer a angustia se alcoolizando no passado, alterando a consciência para enganar-se da angustia fugindo da realidade por meio do mecanismo defesa fuga. Digo, a recaída tenta impedir a busca de resolução de incômodos e motivação para continuar vivendo.

Ego manuseava o alcoolismo no passado como estratégia de enfrentamento desadaptativa para fugir da angustia provocada pelo princípio de realidade, o que pode provocar confusão mental, o que torna o ego incapaz de pensar com clareza e agilidade.

O vício como um mecanismo de fuga emocional visa a obtenção de prazer e extinção da dor emocional. Algumas contrariedades como a falta de emprego, de dinheiro, de moradia, conflitos no trabalho, de autonomia, podem servir como gatilhos emocionais para o alcoolismo, como ansiedade, angústia e insegurança, servindo como grandes facilitadores para alguém começar a beber ou afastamento das contrariedades sem o uso de álcool com a intenção de evitar o confronto.

Este sonho aponta que o indivíduo no aqui-agora enfrenta conflitos que o impulsiona de modo inconsciente a agir regredindo a posturas do passado por falta de estratégia de enfrentamento, como o sujeito não manuseia a ingestão de álcool, percorre por entre o mecanismo defesa fuga.

Quer dizer, ocorre durante um período difícil, uma situação aversiva em que a pessoa sente uma necessidade muito grande de remover, sair do incômodo que causa a situação atual.

Como, dormir, devaneios, drogas, hiperatividade e outros. Nota, muito comum em situações ou fases difíceis, quando estamos insatisfeitos com a vida ou quando acessamos o vazio deixado pela auto alienação de nosso self [eu verdadeiro], nessas três situações, é muito comum devanear ou fugir.

Fazemos isso de diversas formas, dormindo excessivamente, sonhando acordado evitando ação e construção da realidade, drogas, álcool, jogos, internet, trabalhando comendo, comprando, praticando sexo e fazendo exercícios de uma forma exagerada, tudo isso para não entrarmos em contato conosco mesmos e nossos incômodos.

Ego encontrou um substituto para o álcool a 20 anos atras, por meio do mecanismo defesa substitutivo o cristianismo e agora é capaz de não estar percebendo no aqui-agora com clareza, a religião como meio de enfrentamento para a condição a qual se depara.

A estratégia de enfrentamento o treinamento em habilidades sociais ou autocontrole é usado em pacientes que não possuem habilidades interpessoais e intrapessoais adequadas ou que não conseguem controlar o seu estado emocional se não for através do álcool. Foi observado que os viciados consomem menos álcool se, em uma situação social estressante, dispuserem de uma estratégia de enfrentamento alternativa.

Exemplo, eu desejo e consigo abster-me do álcool, mesmo com minhas inseguranças, porque na realidade eu sou autoconfiante. O paciente é orientado a mudar o estilo de vida relacionado ao consumo da substância. Além disso, inclui técnicas como a resolução de problemas, terapia comportamental familiar, aconselhamento social e treinamento para a busca de emprego.

Consiste em fazer com que o consumo de álcool deixe de ser um reforçador para que a abstinência seja a meta. Para isso, é necessário o envolvimento em atividades agradáveis, como atividades físicas, academia, cinema especialmente aquelas que não envolvem beber, juntamente com o companheiro. Um exemplo ensinar aos membros não-alcoólatras maneiras de reduzir os abusos físicos, estimular a sobriedade e procurar tratamento.

O funcionamento de uma pessoa, ou por outra, o modo como o indivíduo age em diversas áreas de sua vida, se embriagando é capaz de trazer prejuízos à saúde, perda de emprego, conflitos familiares, problemas com a justiça, dificuldades financeiras, violência e acidentes são alguns dos problemas provocados pelo uso excessivo do álcool.

Também é comum utilizar o álcool como falso recurso para lidar com situações problemáticas da vida, alimentando expectavas e falsas crenças sobre os bons efeitos do álcool, podendo transformar o uso eventual em dependência. [...]Mecanismo defeso regressão é um retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples ou mais infantil. É um modo de aliviar a ansiedade escapando do pensamento realístico para comportamentos que, em anos anteriores, reduziram a ansiedade.

Além da dependência, o alcoolista também pode desenvolver dependência psicológica ao álcool. A falsa crença de que a bebida acabará com as emoções ruins e as frustrações, reduzirá sensações de ansiedade e ajudará a resolver problemas do cotidiano, como o desemprego, o divórcio, a promoção de cargo que chegou e nutre o desejo do indivíduo de continuar ingerindo quantidades cada vez maiores de álcool. A família é o principal alicerce na vida de alguém e não é diferente no tratamento do alcoolismo.

Muitos familiares acreditam que não podem ajudar ou que já fizeram o bastante para que seu ente querido saia do alcoolismo. Sentimentos de medo, raiva, culpa ou rejeição são comuns em familiares que desconhecem o aborrecimento. Por essa razão, informar, orientar e apoiar também os familiares do alcoolista é de suma importância e deve fazer parte do tratamento. Não se pode negar que existe uma herança ancestral para o alcoólico.

O dependente de um alcoolista, é capaz de apresentar tendencia a seguir o hábito doentio. Embora não se pode dizer diretamente que o alcoolismo seja uma hereditariedade genética. Do ponto de vista psicológico, podem ser assinalados como causas, os conflitos de qualquer natureza, especialmente os sexuais. Onde o alcoolista redireciona a raiva para o desejo sexual na intenção de ter relação sexual.

A timidez, a instabilidade de sentimentos, o ciúme, o complexo de inferioridade, os transtornos masoquistas propelem para a ingestão de álcool como fuga dos contextos embaraçosos, desemprego, divórcio, conflitos conjugais, desprazer ante o emprego, por exemplo. Algumas vezes, para servirem de encorajamento e outras com a finalidade de apagar lembranças ou situações desagradáveis. A resolução de problemas consiste no uso de métodos, de uma forma ordenada, para encontrar soluções de problemas específicos.

O ciclo da resolução para resolver dificuldades, como, primeiro de reconhecer ou identificar a existência de um problema; segundo é necessário definir e representar mentalmente qual é o problema; terceiro é preciso desenvolver uma estratégia ou plano de solução; quarto é essencial organizar o conhecimento sobre o problema; quinto é indispensável destinar recursos mentais e físicos à resolução. Exemplo, na busca de emprego citado logo abaixo na página 10.

As estratégias adaptativas podem envolver um misto de estratégias consideradas como controle sobre o ambiente externo, esquiva e religiosidade. O homem trabalha para receber o pagamento e complementar ou até mesmo ter o maior salário da família e, em outras situações, ser o único salário que o grupo familiar pode contar e ainda é responsável por algumas das tarefas de casa e pelo cuidado com os filhos, tal situação se revela agravada, como apontam que, ainda em nosso contexto social, há realidades, em que o homem se transforma em dupla mercadoria, seja na esfera doméstica, pertencendo a esposa e no emprego, pertencendo ao capitalismo.

Um dos resultados gerados por esse descompasso é o da insatisfação masculina com relação à divisão do trabalho doméstico. O enfretamento é considerado uma resposta cujo objetivo é aumentar a percepção de controle pessoal e a tendência a escolher determinada estratégia de enfretamento depende do repertório individual, como habilidades sociais e valores, e de experiências anteriormente reforçadas de maneira diferencial. Exemplo, eu tenho controle sobre muitas coisas.

Estratégias de coping são classificadas em dois tipos, a focalizada na emoção e a orientada no problema. O coping dirigido na emoção visa alterar o estado emocional do indivíduo, ou melhor dizendo, buscando reduzir sensações físicas desagradáveis oriundas do estado de estresse. O controle do estado emocional impede que as emoções negativas atrapalhem a elaboração e execução de ações que objetivem a solução de seus inconvenientes. Exemplo, eu tenho controlo sobre minhas emoções, seja agradáveis ou desagradáveis.

Sem detença o segundo, o coping canalizado no incomodo objetiva alterar dificuldades existentes na relação entre o indivíduo e o ambiente, direcionando sua ação interna ou externamente e inclui estratégias de definição deste, geração de saídas alternativas, comparação em termos de custos e benefícios, seleção e execução da alternativa eleita.

O uso tanto de um tipo de estratégia quanto de outra depende de uma avaliação da situação estressora na qual o sujeito encontra-se envolvido. Geralmente, a estratégia direcionada no contratempo é escolhida quando a circunstância é passível de ser modificada e a outra é utilizada quando não há a possibilidade de mudança.

As estratégias de enfrentamento utilizadas dependem ainda dos recursos culturais, materiais, valores, crenças, habilidades sociais e apoio social de cada indivíduo. De acordo com Beresford as estratégias de enfrentamento devem ser compreendidas como independentes do seu resultado positivo ou negativo.

As pessoas têm uma certa tendência a utilizar determinadas estratégias para enfrentar os problemas. Estes esforços de confronto são conhecidos como recursos de enfrentamento.  Além disso, contará com diferentes estratégias, as quais utilizará para superar com sucesso os obstáculos que forem aparecendo.

Já se perguntou se suas estratégias manuseadas no meio familiar perante um conflito, surtem o efeito esperado perante o objeto estressor, seja seu filho, seu esposo? Exemplo, o filho que fica exposto muito tempo no vídeo game; a filha que não deseja cooperar nas tarefas domésticas e outros.

Exemplo, o marido aumenta o tom de voz com a esposa. Então a esposa como resposta de enfrentamento aumenta o seu tom de voz na intenção de silenciar o marido. E todas as vezes que o marido aumentar a voz, de pronto a esposa em resposta manuseará a estratégia de aumento de voz porque funcionou da primeira vez para silenciar a voz do marido. Estratégia de enfrentamento desadaptativa porque surtirá efeito por pouco tempo. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.

As respostas de enfrentamento na literatura, diferentes categorias de enfrentamento foram atribuídas às estratégias de enfrentamento. Segundo Lazarus (1984), estas se subdividem em dois grupos, segundo a sua função que exercem: o coping apontado na emoção e o coping voltado na contrariedade.

O primeiro refere-se ao esforço para reduzir as sensações físicas desagradáveis e resultantes de uma situação estressora. Por exemplo, na perda de uma pessoa querida ou uma doença grave, situação nas quais a pessoa pode sentir taquicardia, falta de ar, dores de cabeça. De pronto as estratégias de coping inclinadas no impedimento caracterizam-se pelo esforço em modificar a situação causadora do estresse.

Neste caso, a ação de enfrentamento pode ser dirigida para uma fonte interna de estresse incluindo uma reestruturação cognitiva ou para uma fonte externa, utilizando estratégias como a negociação para sanar um conflito interpessoal ou pedir ajuda de outras pessoas. O mecanismo de estratégias de enfrentamento são, confronto, afastamento, autocontrole, suporte social, aceitação de responsabilidade, fuga e esquiva, resolução de problemas e reavaliação positiva.

O enfrentamento emana da necessidade de adaptação da pessoa ao contexto em que vive e trabalha. estresse laboral crônico ou síndrome de Burnout, caracteriza-se pelo desgaste emocional, a despersonalização e a falta de realização profissional do trabalhador, decorrentes da carência de adequadas estratégias de enfrentamento das situações de estresse.

A exaustão física e a esquiva aparecem na fala dos trabalhadores e desempregados esgotados [..] estou em depressão, sinto muito cansaço por causa das oito horas do trabalho (...) estou tentado esquecer, deletar os incômodos do meu desemprego, comecei a tomar medicação e comecei a deletar as coisas, eu tinha muita dor de cabeça, dor na nuca [Trabalhador esgotado].

Os sujeitos esgotados relatam, em diversos momentos, que a falta de apoio social familiar, de parentes, de amigos e até de programas da prefeitura e do Estado e as contrariedades de relacionamento interpessoal os levam, muitas vezes, a acionar inconscientemente mecanismos de enfretamento individuais, entre os quais destacam aqueles dirigidos à emoção, como o ato de chorar, socar travesseiro para extravasar a raiva que pode representar uma forma de descarga emocional ou de exaustão.

O mecanismo de enfrentamento desadaptativo de perfil acusador é aquele que sempre transfere a culpa do problema para os outros. Se tem dificuldades no relacionamento, a culpa é do cônjuge. Se passa por inconvenientes financeiros, a culpa é da empresa que oferece um salário baixo. Existem muitos conflitos com os pais? Só acontecem porque eles que são incompreensíveis.

Se uma situação ou assunto não tem solução, então, por definição, não é um problema. É provável que estejamos diante de uma realidade.  A vida com frequência nos surpreende com situações inesperadas, as quais não precisam solução, já que apenas requerem a aceitação de que a vida é assim, e temos que saber viver com estas situações.

Quando as estratégias de enfrentamento psicológico [coping] forem eficazes, consequentemente, ocorrerá uma diminuição da emoção e a superação do evento estressor. Caso contrário, haverá a instalação de uma crise e uma continuidade do processo de estresse, sendo necessária uma nova avaliação do estressor, de acordo com Guido (2003).

Mengel (1982, citado por Guido, 2003) define o enfrentamento psicológico como um grupo de comportamentos, sejam estes conscientes ou não, que um indivíduo manifesta quando está diante de uma situação que não deseja estar passando, ou que almeja modificar, para que assim possa ressignificar as emoções deste estímulo que lhe causa estresse.

Exemplo, o desemprego é um evento estressor que redireciona o desempregado a estratégias desadaptativas, porque é um cenário em que o indivíduo não deseja estar atravessando e que remodela o comportamento e as emoções de modo disfuncional e não promove o alívio da angustia por causa do medo. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162).

Taylor (1992, citado por Guido, 2003) ressalta que estratégia de enfrentamento psicológico corresponde a um mecanismo mental que protege o indivíduo de aspectos considerados ameaçadores, originários do ambiente ou de pensamentos. Devido a nossas experiências e aprendizados, cada um de nós tem diferentes capacidades de enfrentamento diante de diferentes desafios ou situações.

Além disso, contará com diferentes estratégias, as quais utilizará para superar com sucesso os obstáculos que forem aparecendo. Quando aparece um conjunto de demandas ambientais ou do entorno [por exemplo, um pico de trabalho que vai durar semanas], a pessoa deve dar uma reposta que lhe permita se adaptar a essa situação.

Isto é, ela tem que se adaptar a essas demandas colocando em prática os seus recursos de enfrentamento. Exemplo, em realidade eu sou autoconfiante, porque eu confio nas minhas próprias habilidades e tenho potencial para alcançar os meus desejos e sonhos.

Assim, por exemplo, quando enfrentamos uma situação que pode nos causar estresse ou ansiedade, nós mobilizamos os nossos recursos de enfrentamento para opor resistência a isso. Por isso, que o estresse é um processo amplo de adaptação ao ambiente, sem o qual não poderíamos viver. Neste caso, acontece essa adaptação e, portanto, nós poderíamos continuar fazendo uso de nossos recursos normalmente. Mas também pode acontecer o segundo caso: o que o ambiente demanda de nós é excessivo.

As [estratégias de sobrevivência e de reinserção] e subjetiva [coping] configura-se como uma pesquisa exploratória, sem, portanto, assumir hipóteses a priori. Estratégias objetivas de sobrevivência e reinserção.

A supressão de atividades concomitantes, o coping moderado, a busca de suporte social por razões instrumentais, a busca de suporte social por razões emocionais, a reinterpretação positiva, a aceitação, o retorno para a religiosidade, o foco na expressão das emoções, a negação, o comportamento descomprometido, o desengajamento mental, o humor e o uso de substâncias.

Estratégias focadas no problema [planejamento, supressão de atividades concomitantes, busca de suporte social por razões instrumentais e reinterpretação positiva]; E estratégias focadas na emoção [aceitação, negação, comportamento descomprometido e religiosidade]. Esse recorte toma como base a literatura sobre formas mais comumente utilizadas pelo trabalhador para lidar com a situação de desemprego.

Estratégias de sobrevivência relatadas por desempregados, exemplo, ajuda de meu/minha companheiro/companheira; tenho realizado bicos esporádicos; ajuda dos pais; Seguro-desemprego; programas de políticas públicas do governo como auxílio emergencial e auxílio Brasil; uso de economias privadas; trabalho informalmente; ajuda de outros parentes.

Estratégias de reinserção utilizadas pelos candidatos à vaga de emprego, exemplo, deixar o currículo diretamente na empresa; enviar currículo por e-mail; pedir indicação a amigos e familiares; buscar em classificados on-line ou em sites especializados; ir ao Sine; ir ao Centro Público de Emprego; anunciar currículo em sites especializados; buscar em classificados de jornais impressos; receber convite de empresa; rede de contato Network com poucas pessoas.

O fator comportamento descompromissado, que consiste no abandono das tentativas para atingir metas nas quais o estressor [desemprego] interfira o fator aceitação, que corresponde, em um primeiro momento, à percepção do estressor como real e, em um segundo, à aceitação do estressor como um fenômeno natural. Exemplo, a meia-idade ou pré idoso é considerado um fenômeno natural e real que impede a reinserção no mercado de trabalho, levando a aceitação do agente estressor.

Basicamente, esse fator refere-se à percepção do sujeito de que o desemprego aconteceu e não há nada a fazer, o que o leva a desistir de tentar superar a situação. O fator, religiosidade, trata da tendência de a pessoa voltar-se para a religião como forma de defrontar-se com a situação de estresse ou de tensão provocada pelo agente estressor desemprego.

A reinterpretação positiva, que consiste em reinterpretar uma situação negativa [desemprego] ou tensa em termos positivos, e o fator planejamento, que representa a atividade de pensar sobre alternativas para lidar com um estressor por meio de estratégias de ação.

Pensamentos que funcionam com estratégias adaptativas e desadaptativas, como Desisto de tentar conseguir o que quero. Simplesmente abandono a tentativa de alcançar meu objetivo. Admito para mim mesmo que não posso lidar com a situação e deixo de tentar. Acostumo-me com a ideia de que a situação aconteceu. Aceito que a situação aconteceu e que isso não pode ser mudado. Aprendo a viver com a situação. Peço a ajuda de Deus. Deposito minha fé em Deus. 

Tento encontrar conforto na religião. Rezo mais que o habitual. Aprendo algo com a experiência. Penso sobre como poderia lidar melhor com o problema. Busco algo positivo no que está acontecendo.  Tento encontrar uma estratégia sobre o que fazer. Tento ver a situação de uma forma diferente para fazê-la parecer mais positiva. Procuro falar com alguém que poderia fazer algo concreto sobre o problema.

Pergunto a pessoas que tiveram experiências parecidas a minha, o que elas fizeram. Busco alguém para saber mais sobre a situação. Procuro conselhos de outras pessoas a respeito do que fazer. Funciono como se nunca tivesse acontecido. Comporto-me realmente como se o inconveniente não tivesse acontecido.

Estratégia concentrada no problema, estes tipos de recursos estão destinados a encarar a situação, dando-lhe sentido e atribuindo um determinado significado à problemática ocorrida. Eles estão baseados na busca de soluções, em restaurar o desequilíbrio cognitivo causado e resolver ou modificar o problema. Fazem referência ao enfrentamento e à busca de apoio social e de soluções.

Normalmente, são empregados quando se percebe o evento estressante como algo controlável. Por exemplo, temos que realizar muitas tarefas durante o dia, isso nos causa inquietude e, inclusive, mal-estar. Como nos adaptamos a esta situação? Mobilizando este tipo de estratégia, com as quais pensaríamos que, nos esforçando muito, poderíamos fazer todas essas tarefas.

As estratégias concentradas nas emoções, ao contrário das anteriores, estas estratégias costumam ser usadas quando a situação que gera estresse é percebida como incontrolável. O que se busca, portanto, já não é se concentrar no problema, senão nas emoções que esse evento provoca e na sua liberação.

Só assim o indivíduo poderá relaxar. Elas serão orientadas a conseguir reestabelecer o equilíbrio afetivo. Exemplo, eu tenho controle sobre minhas emoções de raiva e medo, pois na realidade eu sou autoconfiante quando estou sozinho ou na presença de qualquer pessoa.

Elas são o autocontrole, o distanciamento, a reavaliação positiva, a autoacusação e a escapada/evitação. Com respeito a este último tipo de conduta, os recursos de enfrentamento baseados na evitação procuram se distanciar da complicação temporariamente. Então, a pessoa vai tentar se evadir realizando outras atividades, tomando distância daquilo que está lhe causando tanto estresse. Quando ela tiver conseguido minimizar o impacto emocional, voltará a enfrentar essa situação.

 

  

Referência Bibliográfica

FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal Popular, 1968

FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.

FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII

GUIDO, L. A. (2003). Stress e coping entre enfermeiros de centro cirúrgico e recuperação anestésica. 2003.199f. Tese (Doutorado em Enfermagem). São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo.

LAZARUS A, FOLKMAN S. Estrés y procesos cognitivos. Barcelona: Martinez Roca; 1986.

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  Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo] Introdução Este livro nasce da escuta de um conflito silencioso: o de um sujeito que, formado em Psicologia, atua como fiscal de caixa em um supermercado — um espaço de intensa dinâmica social, mas carente de reconhecimento subjetivo. O personagem central, o fiscal psicólogo , simboliza o homem moderno dividido entre o trabalho que sustenta o corpo e o desejo que alimenta a alma . No entanto, o ambiente organizacional, regido por normas e metas, torna-se o espelho de uma estrutura psíquica aprisionada: o superego institucional, que reprime o desejo de ser, em nome do dever de parecer produtivo. Pela lente da psicanálise , este livro propõe uma escuta — ou, como diria Lacan, uma escanálise — da dor de um sujeito que, sem perceber, retirou a libido de sua própria função. A análise busca compreender o processo inconsciente que o levou a se perceber como um “fiscal morto” , sem prazer, sem reconhecimento e sem o brilho do desejo que...