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CAPITAL SOCIAL, A VISIBILIDADE

 Ano 2021. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do leit@r a compreender o desejo de obter a Visibilidade e Reputação na rede social. Tornar-se popular entre as milhões de pessoas que usam a web por meio de um vídeo ou post. Esse é o Capital Social que todos buscam nas redes sociais. As pessoas entendem capital social, como sendo a parte monetária de uma empresa. Mas na rede social trata-se de visibilidade, reputação, valores, reconhecimento, pertencimento, identidade do ator. A Psicologia comportamental, estuda e trabalha as interações entre as emoções, pensamentos, comportamento e estados fisiológicos. O comportamento tende a se repetir, se for recompensado [reforço positivo] ou se for capaz de eliminar um estímulo aversivo [reforço negativo] assim que emitir o comportamento.

Por outro lado, o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for castigado [punição] após sua ocorrência. Pela lei do reforço irá associar essas situações com outras semelhantes, generalizando essa aprendizagem para um contexto mais amplo. O conceito comportamentalista defende que todos os comportamentos são aprendidos, sendo possível até mesmo prever certas atitudes em determinadas condições. Ao acreditar que o comportamento pode ser condicionado a partir de estímulos exteriores, é possível trabalhar para conhecer o cliente e direcioná-lo a tomada de determinadas decisões, como a compra de um produto específico. A partir desses conceitos, são utilizadas estratégias para influenciar os desejos dos consumidores. Além disso, esse conhecimento auxilia o profissional a ter maior autoconhecimento e trabalhar para melhorar comportamentos prejudiciais. Também amplia a visão sobre os acontecimentos e permite novas interpretações sobre as situações.

Surge, na rede social a Psicologia das Curtidas, onde hoje constatamos pessoas adquirindo visibilidade nas redes sociais, ou seja, tentam ganhar reputação através de likes ou curtidas que recebem de outros. Para se tornarem visíveis precisam de legitimação, reconhecimento do outro. O outro passa a ser seu condicionamento positivo para permanecer na rede social, se o outro não a legitimar ela não existe. Ou seja, tem perfil na rede social, contudo não é visível e não tem reputação. Deste modo, torna-se Co dependente emocionalmente e passa a reproduzir comportamento, seja pelo condicionamento positivo ou negativo.

O ator age deste modo na esperança de tornar-se visível e construir a reputação. Parece que todo ser humano deseja ser visto de algum modo na vida, contudo uns sentem maior necessidade que outros. Agem inconsciente reproduzindo comportamentos aprendidos nas redes sociais, estimulado pelo reforço positivo ou negativo do outro, como autômatos, alienados. Enxergam apenas a morte do capital social do outro, mas não param ter um insight sobre sua visibilidade e reputação. Como o ser humano não consegue ser visível no mundo real e ter uma reputação em alguma instituição, o virtual lhe abre a oportunidade para que possa ser quem ele deseja ser, e até realizar maravilhosos feitos de ilusionismo perante o outro. Imagina seu vídeo imortalizado nas redes sociais, você leitor morreu literalmente, mas deixou um vídeo que viralizou. Bacana, não é! [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram satisfação, mesmo para impulsos instintuais que foram reprimidos.

Urge, a competição é outra dinâmica associada às redes sociais que faz parte do processo grupal. A competição observada é, muitas vezes, por visibilidade. Quando um usuário é identificado como propagador de uma determinada informação, outros incluindo, muitas vezes, o produtor original de outro conteúdo acaba deixando de ser creditado numa típica competição por atenção.

E assim, alguns buscam, incorporar transmissões ao vivo no seu feed com a intenção de garantir mais curtidas que representam visibilidade. Porém, os motivos para curtirmos publicações nem sempre são tão óbvios. É importante compreender isso, afinal, as curtidas na rede social não têm valor monetário algum, mas somente capital social. E todos gostamos de alguma coisa, mesmo quando não curtimos elas. Mas quando uma postagem consegue menos de 100, o sujeito sente que fracassou. Da mesma forma que se sente desanimado, inseguro quando uma publicação não atinge o alcance esperado. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162).

De acordo com a psicologia, a quantidade de informações pessoais que se compartilha sobre si mesmo alimenta o narcisismo. Nem todos têm esta oportunidade para estender seu alcance, então a única forma de mostrar ao mundo quem ela é, é através das redes sociais. Encontramos nas redes sociais curandeiros, ilusionistas, mágicos, profetas, nada contra essas pessoas. Mas se estão ali é porque lhes é permitido estar neste espaço virtual e devemos respeitar seus pontos de vistas. E de algum modo estão marcando a sua presença e se tornando reconhecido e visível a outros pelos seus atos.

Existem bilhões de pessoas utilizando a Internet no mundo, então, se destacar no meio dessa multidão pode ser uma tarefa difícil. Bem, dentre as redes sociais, existe a rede social que é a mais popular, ou seja, ser alguém popular nela significa muito para esses indivíduos. As pessoas gostam de estar associadas com coisas populares.

Ter um grande número de seguidores nas redes sociais é um status que lhe faz sentir-se mais poderoso e estimado, seja você um indivíduo ou uma empresa. As pessoas não gostam de pessoas que compartilham coisas demais ou que utilizam conteúdo pessoal, assim como têm diversas preocupações acerca de privacidade. Elas gostam de diversidade em relação a conteúdos, exclusividades. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.

Agora podemos curtir, amar e rir, assim como também podemos ficar surpresos, tristes ou irritados com as postagens. Ou seja, existe uma grande chance de que as redes sociais sejam prejudiciais para o ser humano. No entanto, também é algo inevitável, e dentre as redes sociais, apenas uma é o rei das redes sociais. E certamente nesta rede inconscientemente desejamos ser rei ou rainha. Lembra-se do ditado que, o Leão é o rei da selva. A rede social é uma selva, onde está cheio de leões tentando ser rei.

A curtida é uma forma de reconhecimento. A curtida é um exemplo do que se pode chamar de empatia virtual. Nós sabemos o que significa ter empatia para com alguém; ter a habilidade de compreender e compartilhar o estado emocional ou o contexto de outra pessoa. Quando você clica no botão de curtir, você está se comunicando com outro ser humano. O que você está comunicando? Você está reconhecendo-o de alguma forma. Não significa necessariamente que você está curtindo no sentido de gostar. Ao invés disso, você está reconhecendo. Você está dizendo a ele, Estou vendo. Eu compreendo. Estou aqui.

O ato de curtir é uma forma de tentar conseguir capital social. Quando nós curtimos, o que na verdade estamos tentando fazer é conseguir capital social. E o que é capital social? O capital social, definido por sua função, seria uma estrutura social que facilitaria determinadas ações por parte dos atores dentro dessa estrutura. Pode ser compreendido como os valores que podem ser obtidos pelos indivíduos ao fazer parte de uma rede social, como reputação e visibilidade, dentre outros. Esses valores dependem não só da apropriação pelos usuários, mas igualmente dos recursos fornecidos pelas próprias ferramentas. 

Essas vantagens, produzidas pelo indivíduo, podem ser apropriadas pelo grupo. As vezes o indivíduo se sente faltante de visibilidade por não receber as curtidas no post ou ainda por não pertencer a um grupo. O sentimento de pertencimento está fraco na rede social a qual o indivíduo está inserido. [...] Como socialmente o pertencer a um grupo não é um fato dado, mas algo que requer investimento de recursos pessoais (tais como tempo, sentimentos e etc.), podemos dizer também que o capital social está também relacionado com o investimento de cada ator na rede social que está, por sua vez, relacionado as expectativas que o ator tem de retorno (Lin, 2001).

No mundo da internet, um mundo tecnológico, plugado e online, as conexões sociais ocorrem no ambiente virtual. A conclusão que se segue é a de que as transações de capital social vão acontecer online, também. E, portanto, é possível deduzir que a cooperação social mutuamente benéfica ocorre quando você clica em curtir.

Essa não é uma conclusão forçada. Quando você se dá conta de que as interações sociais ocorrem online, e que uma das principais ferramentas dessa interação é a curtida, isso passa a fazer sentido. Curtir ajuda as pessoas a gerarem capital social nas suas interações online. A curtida serve para afirmarmos quem nós somos. Seria fácil perceber o ato de curtir como algo que afeta apenas a pessoa que está sendo curtida. Mas, há algo mais aí. Neste momento o melhor é que você saiba realmente quem você é, tendo certeza de seu valor e atribuindo a si mesmo o reconhecimento.

A curtida se tornou muito mais do que uma simples reação positiva em relação a um post ou a uma atualização; ela evoluiu para se tornar também um comentário sobre a pessoa que a realiza. Se você curte um status com o qual você concorda, você está publicamente admitindo e expressando essa concordância pelo simples clicar de um botão. É uma mensagem para nós mesmos de que isso é o que nós somos, isso é a coisa com a qual concordamos. O mesmo acontece agora enquanto você está lendo este artigo, sobre o tema Capital Social. Você tem o direito de concordar ou discordar. Curtir ou não curtir o texto. E o escritor do artigo não ficará sabendo.

Você é o que você curte. Isso não é apenas uma especulação psicológica arbitrária. O ato de curtir é um esforço para se obter um feedback psicológico. Ser ignorado na rede social é o inferno psicológico. Você não vai a rede social para ver como as pessoas estão, vai? Você vai lá para obter algo crucial para o seu bem-estar. Que é a satisfação de ser reconhecido, ter convicção que é visível. Nós curtimos pelo mesmo motivo pelo qual nós vamos para a balada, para a igreja, pra festas e saímos com os amigos. Prazer! É pelo feedback psicológico. Nós queremos ser apreciados, confirmados e reconhecidos por quem nós somos, no ambiente ao qual estamos inseridos.

A curtida muitas vezes é um substituto para níveis mais profundos de interação. A curtida tem muitos aspectos positivos, mas possui alguns negativos, também. Um desses aspectos negativos é o desgaste dos níveis mais profundos de interação, as mídias sociais tomaram o mundo de assalto como a fuga da conversação. Conversar é mais difícil. O ato envolve escrever, falar, contato visual e uma quantidade substancial de tempo. Ter relacionamentos e manter conversas dá trabalho. [...] Enquanto no mundo offline, manter uma conexão social, seja forte ou fraca, necessita investimento de atenção, sentimento e etc. tanto para a sua criação quanto para a sua manutenção, nos sites de rede social as conexões são inicialmente mantidas pela própria ferramenta (Elison, Steinfeld & Lampe, 2007). Mesmo que nenhuma interação ocorra, a menos que um dos atores delete a conexão, esta, uma vez estabelecida, permanece.

Com todos esses amigos na rede social que você possui, é difícil ter tempo para cultivar essas relações mais profundas. E o que faremos com esses reluzentes insights psicológicos? Não se deixe afundar na depressão. Não saia da rede social. Não acuse as pessoas de serem patéticas. Apenas reconheça como são as coisas e tire o melhor proveito disso. Avalie o seu capital social e o senso de afirmação. O like atua como uma espécie de recompensa que pode direcionar o usuário para comportamentos cada vez mais extremos de exposição. Ou seja, é um reforço positivo que traz prazer e estimula o indivíduo a postar novos conteúdos para continuar a obter recompensa.

Uma vida medida em likes, na rede social faz com que você se sinta como um palestrante sendo aplaudido por sua plateia. Você tem uma série de seguidores, prontos para ouvir aquilo que você tem a dizer. [hoje live Capital Social]. Diferente do que acontece na vida real, a internet te dá mais tempo para pensar em dizer algo mais apropriado para seu público. Assim, você tem mais chances de agradar.

De acordo com a psicologia, podemos concluir que muitos indivíduos enxergam a internet e as redes sociais como válvulas de escape para os seus problemas. Alguns estudos afirmam que o uso patológico da web pode causar transtornos emocionais ainda não classificados nos manuais da área.  

O uso abusivo da internet pode causar um impacto negativo em nossas relações e pode levar, por exemplo, a perder parte de nosso círculo social.  Na web, as pessoas ficam mais desinibidas por pensarem que estão próximas das pessoas, mas sem a necessidade de se mostrar pessoalmente. Essas interações são uma força para o ego de cada pessoa e podem trazer danos interpessoais. É comum os indivíduos se privarem de contato físico e se viciarem em checar a vida alheia para terem certeza da visibilidade e reputação do outro e entrar numa comparação consigo mesmo gerando complexo de inferioridade.



Referência Bibliográfica

ELLISON, N. B., Steinfield, C., & Lampe, C. (2007). The benefits of Facebook “friends:” Social capital and college students’ use of online social network sites. Journal of Computer-Mediated Communication, 12(4), article 1. Disponível em: <http://jcmc.indiana.edu/vol12/issue4/ellison. html> Acesso em junho de 2012.

FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal Popular, 1968

FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.

FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII

LIN, N. (2001). Social Capital. A Theory of Social Structure and Action. Cambridge: Cambridge University Press.

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