Pular para o conteúdo principal

PSICÓLOGO ATUANDO COMO BEBÊ

 Ano 2021. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do leit@r a compreender, onde está a sua realidade ou se de algum modo está escapando de manter-se conectado a realidade. A intenção deste artigo é despertar um insight intelectual no leitor. Realidade é uma razão que não se explica, mas se crê. A pandemia trouxe vários desconfortos nas vidas das pessoas. Pessoas que conseguiram sair de suas casas em outros tempos e agora se apercebem regressando de volta ao seio materno por causa de várias contrariedades. Qual é realidade de quem está inserido na pandemia? Será as contrariedades que cada pessoa vivência de modo pessoal, exemplo, desemprego, falta de renda fixa, salário reduzidos, estar em isolamento social, estar contagiado com o vírus, consultórios vazios e o que você pensar enquanto lê o artigo. Em cada situação que promove o desprazer existe a possibilidade da pessoa agir de modo imaturo infantil.

Mas ainda existem indivíduos adultos masculinos e femininos que não saem do seio materno [casa] de modo algum por questões de comodidade. Vivem ainda se alimentando do seio bom e mau materno. Muitos filhos com idade adulta, mesmo possuindo renda mensal que os permitem viver de forma independente, preferem residir com a família de origem. E as razões para essa escolha perpassam por elementos psicológicos. Mais a frente vamos conferir alguns exemplos, para melhor compreensão da leitura. Hoje, observamos que a pandemias trouxe contrariedades aos profissionais que tiveram os laços afetivos rompidos com seus clientes pelos mais variados motivos. Aliança terapêutica rompida. Como você enxerga seu cliente? Adulto ou Criança!

Todo profissional ao iniciar a carreira inconscientemente se porta de modo infantil, onde tem a tendência a agir como criança, por falta de experiência, de autoconfiança e por aí o que você pensar enquanto lê o artigo. Desde a entrada na educação do ensino fundamental até a chegada na universidade, são feitas de transições, de Gestalt e as vezes a pessoa inconsciente tem o desejo de regressar ao estádio de desenvolvimento anterior em algum ponto. Exemplo, o adolescente entra no colégio técnico com a finalidade de se formar em técnico em mecânica, mas depois de formado tem que encarar os desafios de reinserção no mercado de trabalho. Inconscientemente pode fugir não encarando os desafios, porém busca outros cursos ou até ingressar em engenharia, como meio de reviver as atitudes de estudante, escapando das responsabilidades de adulto. O que leva o sujeito ao nível de desenvolvimento educacional novamente.

O adulto saudável, para Winnicott, é aquele que teve, na infância, nas primeiras semanas e meses, estabelecidos os alicerces de sua saúde psíquica. Para o bebê tornar-se sujeito, é imprescindível que o mesmo seja, desde o início, reconhecido como pessoa e não como objeto. Por exemplo, o bebê não se importa tanto que lhe deem a alimentação substancial na hora precisa, mas que seja alimentado por alguém que ama alimentá-lo.

Em relação à função da mãe na adaptação às necessidades do seu bebê, Winnicott (1988/2006) assinala três “tarefas” principais: o holding, o handling e a apresentação de objetos. A função do holding, comumente traduzida como segurar ou sustentar, representa, para o autor, o protótipo de todos os cuidados com o bebê: No início (...) é o ato físico de segurar a estrutura física do bebê que vai resultar em circunstâncias satisfatórias ou desfavoráveis em termos psicológicos (p.54). Diz respeito à segurança, o que é fundamental para que o bebê possa construir se como pessoa, com recursos egóicos estruturados.

Neste caso o psicólogo está susceptível a atuação inconsciente perante seus clientes, perante outros profissionais e até mesmo diante de si mesmo por não ter consciência das ações de autossabotagem, autopunição, desconexão com a realidade Isto me possibilitou remomerar, sobre o que mencionou o professor de psicopatologia, que o aluno precisa tomar cuidado após concluir o curso de psicologia e se atentar se estiver apenas com a intenção de estudar, pois pode estar usando o mecanismo de regressão, escapando de encarar os desafios do mercado de trabalho, na tentativa de buscar segurança, apoio no seio materno.

Deste modo compreendo o desejo de permanecer no seio materno ou no desenvolvimento educacional. Sempre sugando o leite do conhecimento, dos saberes em relação a instituição que estiver integrado. Isto não quer dizer que o psicólogo não deve buscar uma pós graduação ou especialização. Por tanto o psicólogo pode agir como criança perante seu cliente. Por lhe faltar experiência, falta de compreensão sobre as possíveis falhas que está cometendo, não estar em acompanhamento psicológico e outros.

Imagina o psicólogo que atende crianças nos seus mais diversos aspectos cognitivos. Exemplo, a relação do psicólogo bebê-criança. Não seria um pouco complicado uma criança atender outra criança. Este psicólogo sim, deve enxergar seu cliente literalmente como criança. Mas, e quanto a sua carência infantil, é possível não a projetar no cliente criança. Sim, é possível, desde que esteja atuado de modo consciente junto ao paciente e de algum modo já tenha tratado de seus traumas infantis no acompanhamento psicológico. Por isso, os supervisores de estágios de clinicas, solicitam que os alunos de psicologia estejam em acompanhamento psicológico, enquanto estagiarem na clinica nas abordagens que escolheram para atuação. Recordo-me do estágio em psicodiagnóstico, em que se atende crianças e pais das crianças. Observe a relação estagiário infantil atendendo a criança. Depois estagiário infantil atendo os pais adulto da criança. Por isso a importância de o profissional estar em acompanhamento psicológico.

O mecanismo de defesa regressão, é um retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples ou mais infantil. É um modo de aliviar a ansiedade escapando do pensamento realístico para comportamentos que, em anos anteriores, reduziram a ansiedade. Linus, nas estórias em quadrinhos de Charley Brown, sempre volta a um espaço psicológico seguro quando está sob tensão. Ele se sente seguro quando agarra seu cobertor, tal como faria ou fazia quando bebê. A regressão é um modo de defesa bastante primitivo e, embora reduza a tensão, frequentemente deixa sem solução a fonte de ansiedade original. Finalmente, na regressão as pessoas, geralmente em estados patológicos, assumem comportamentos infantis na busca de afeto. Defesa contra uma frustração pelo retorno a uma modalidade de comportamento e de satisfação anterior.

Alguns profissionais se posicionam na figura paterna, autoritária guiando conduzindo a sessão com um superego rígido ao atender clientes. Enxergam seus clientes como crianças, pensando que eles precisam ser cuidados, amparados, orientados e protegidos dando-lhes de mamar sempre no mesmo horário marcado na sessão. Pensam que seus clientes são destituídos de informações, de responsabilidades e etc. Desejam a todo custo assumir a responsabilidades pela vida deles, e se colocar como salvador da pátria. O super-herói deles, ou seja, algumas crianças veem a figura paterna como herói.

Ah, meu pai é meu herói. E através do mecanismo de defesa projeção, projeta o personagem de mulher maravilha, batmam, coringa, Deus, a freira, o padre que exorciza sobre o cliente. O pior de tudo isto, é que o profissional não se deu conta de suas projeções infantis. Talvez você psicólogo deseje ser o herói do seu cliente.

E através, do mecanismo de defesa da negação, negam inconsciente que desejam ser tratados como bebê, querem ser cuidados, amparados e protegidos por um personagem herói. Percebem o cliente, como o personagem tio patinhas e precisam mamar todo o dinheiro, pois estão faltantes de leite ou do seio materno que representa o dinheiro, o amor. Esse profissional se nega na realidade a enxergar o cliente como adulto. Porque deste modo por meio do mecanismo defesa recusa, se recusa a perceber a sua realidade e a lidar com suas dificuldades que a realidade apresenta. [...] Negação, provavelmente é o mecanismo de defesa mais simples e direto, pois alguém simplesmente recusa a aceitar a existência de uma situação penosa demais para ser tolerada. Ex: Um gerente é rebaixado de cargo e se vê obrigado a prestar os mesmos serviços que exercia outrora.

Ou ainda projeta, por meio do mecanismo defesa projeção, seus sentimentos de infantilidade que não sabe lidar, sobre o cliente. A vida não foi feita para ser fácil e quem pensa que é fácil está na atitude infantil. Não existe profissão fácil. Falta a esses profissionais o exercício da empatia, ou seja, se colocar no lugar do cliente, sabendo que não é o cliente e entender que o protagonista na sessão, é simplesmente o cliente e não o psicólogo. Mas inconsciente forçam os clientes a seguir o seu caminho, a sua orientação e não compreendem, onde o cliente está localizado naquele momento. E neste momento esse profissional busca o preenchimento de suas carências infantis.

Quem é o adulto, e quem é a criança na relação psicólogo-cliente. Ações de preencher o vazio; busca a profissão como meio de fuga. Exemplo, eu não vou ser como meu pai foi no passado, um fracassado na minha percepção ou ainda serei igual ao meu pai bem sucedido; não serei igual a ele na questão de falta de educação, mas serei superior a ele com uma a educação acadêmica. Dinâmica doentia dolorosa, busca da falta e fuga das coisas doloridas. Projeta no cliente a própria criança, a figura parental. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.

A fuga da realidade é um mecanismo que muitos costumam usar quando não se sentem fortes o suficiente para enfrentar determinada situação, que pode ser, por exemplo, a perda de um ente querido, uma demissão, a pandemia, a velhice, a não reinserção no mercado de trabalho, o desemprego, a insatisfação com algo ou o fim de um relacionamento. Se você está passando por isso, saiba que o poder para superar os problemas está em seu interior e é perfeitamente possível encontrá-lo e fazer dele seu aliado para vencer seus desprazeres. Em muitos casos, o ato de fugir da realidade se torna um vício e o indivíduo passa a nem analisar o que está acontecendo verdadeiramente. [...] Essa intenção de evitar o desprazer, apresentada como “fuga psíquica do desprazer” (Freud, 1916/2014, p. 101), é identificada como motivação última e eficaz para a produção de atos falhos e sintomas, sendo reconhecida como um dos princípios do funcionamento psíquico (Freud, 1911/2010b)

Muitos indivíduos agem dessa maneira, sem nem ao menos perceber que estão fugindo e mentem para si mesmos dizendo que estão apenas realizando tal atividade para se divertir, assistir filme, excesso de sexo, exagero no álcool, excesso de trabalho e por aí vai. O mecanismo de defesa da regressão ocorre quando uma pessoa reverte para os tipos de comportamento que eles exibiram em uma idade mais precoce. O estresse da vida adulta e a ansiedade associada podem levar a uma pessoa que busca conforto em coisas que associam a momentos mais seguros e felizes. Como quando se sentiam protegidos e amparados pelas figuras parentais. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram satisfação, mesmo para impulsos instintuais que foram reprimidos.

Eles podem regredir comendo refeições que lhes foram dadas quando criança, busca por emprego de carteira assinada porque garante a segurança financeira, buscar ser amparadas por outras pessoas que inconscientemente representam figuras de proteção e essas figuras podem até ser o filho, primos, primas,  voltar para a religião porque se sentem desorientados e precisam ser guiados por Deus ou líderes religiosos; assistindo a filmes ou desenhos animados; buscam cursos online/ e ou webséries realizadas por diversos tipos de profissionais nas redes sociais, inclusive por professores ou psicólogos, na tentativa de encontrar um caminho para seus problemas, agindo sem pensar nas consequências de suas ações. São ganhos infantis que as impedem de avançar, mas pelo contrário elas permanecem na zona de conforto da infantilidade.

O adulto pode agir inconsciente nas fases do desenvolvimento psicossexual como, a fase oral, anal, fálica, latente e o estágio genital. Exemplo, fixação Oral, onde adultos que são oralmente fixados podem comer, fumar ou beber, desejo de chupar vagina/pênis para lidar com a ansiedade, nervosismo. É lógico que não existe nada de errado em buscar conhecimento, saberes, mas sim qual o propósito para isto. Porque as vezes a pessoa não quer fazer a transição, ou seja, sair da condição de estudante para reinserir-se na posição de profissional. Para a psicanálise vontade e desejar são dois conceitos diferentes, ou seja, posso desejar atuar no mercado de trabalho, mas inconscientemente não tenho vontade de trabalhar porque desejo continuar estudando, pois somos sujeitos divididos entre nossa consciência e nosso inconsciente e esse jogo de forças se faz presente em todo ser humano.

Aqui é necessário que morra o estudante para nascer o profissional e inconscientemente o sujeito atua no modo mecanismo de defesa da regressão agindo com atitudes anteriores de estudante, pois se sentia seguro, estável na universidade e não precisava assumir a responsabilidade de conseguir ativos para sustentar-se ou encarar os desafios que a pandemia trouxe ao mercado de trabalho. O medo de correr risco, arriscar-se, avançar o mantem na condição de imaturidade.

Os mecanismos de defesa são determinados pela forma como se dá a organização do ego; quando bem organizado, tende a ter reações mais conscientes e racionais. Todavia, as diversas situações vivenciadas podem desencadear sentimentos inconscientes, provocando reações menos racionais e objetivas e ativando então os diferentes mecanismos de defesa, com a finalidade de proteger o Ego de um possível desprazer psíquico, anunciado por esses sentimentos de ansiedade, medo, culpa, entre outros. Concluindo, os mecanismos de defesa são ações psicológicas que buscam reduzir as manifestações iminentemente perigosas ao Ego. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162).

Todos os mecanismos de defesa exigem certo investimento de energia e podem ser satisfatórios ou não em cessar a ansiedade, o que permite que sejam divididos em dois grupos: Mecanismos de defesa bem-sucedidos e aqueles ineficazes. Os bem-sucedidos são aqueles que conseguem diminuir a ansiedade diante de algo que é perigoso. Os ineficazes são aqueles que não conseguem diminuir a ansiedade e acabam por constituir um ciclo de repetições. O menino responde ao conflito com duas reações simultâneas: por um lado, rejeita a realidade por meio de certos mecanismos e não se deixa proibir nada; por outro lado, reconhece o perigo da realidade, assume a angústia como um sintoma a padecer e a seguir busca defender-se dela.

O sujeito pode estar preso no mecanismo de defesa da regressão por diversas razões atribuídas e a esse fato passam por diversos fatores, como a pressão financeira que advém da insegurança e da instabilidade que se vive até que se construa uma vida econômica estável e segura e as vezes a pessoa até construiu essa vida econômica, mas por motivos desconhecidos ou conscientes o levara a perda desta estabilidade econômica e agora frente a pandemia tem a tendência a regressar as atitudes anteriores, onde se sentia estável economicamente, exemplo, busca por empregos em multinacionais, concursos públicos, isto devido a angustia, a insegurança. A angustia, é então considerada como um intenso afeto de desprazer vinculado estritamente a sexualidade. Segundo FREUD, a angustia é considerada como um sinal de alarme, motivado pela necessidade de o eu se defender diante da eminência de um perigo. Trata-se eminentemente de uma reação á perda, a separação de um objeto fortemente investido.

A pessoa está atrás de segurança, aquela segurança materna, onde se sentia acolhida amparada pelo seio materno. Mas ao olhar para sua realidade e se ver sem a estabilidade econômica a ausência de segurança lhe causa o medo, a insegurança, as incertezas. Portanto acaba buscando segurança nas mais diversas relações, como no casamento, no emprego, na religião, na profissão, na compra de uma residência, na compra de um automóvel. Pode também ocorrer da pessoa encontrar a segurança intelectual na profissão, seja, psicologia, engenharia, empreendedorismo, teologia. Mas, este profissional ainda pode estar com a segurança econômica afetada, por tanto busca a falsa segurança no dinheiro.

E com isso não percebe conscientemente que está agindo como criança na busca de algo impossível. As vezes o próprio indivíduo acaba se autossabotando ou ainda se autopunindo inconscientemente ao agir no modo infantil sem que perceba, pois acaba agindo na compulsão a repetição da infantilidade por não saber lidar com os sentimentos de impotência, carências infantis advindas da representação do dinheiro e corre para outras abordagens de psicologia, corre atrás de profissionais para realizar diversos cursos. Acaba entrando na relação de Codependência, ou seja, torna-se dependente de outros profissionais. Com isto, ocorre o desrespeito do profissional consigo mesmo.

O sentimento de impotência ou onipotência. Na impotência ele é escravo de técnicas, abordagens, cursos milagrosos, e neste ponto ele valoriza o que vem de fora e se sente inferior, sentimento de menos valia. A técnica a abordagem também perde o valor. Já na onipotência, ele age como se estivesse por cima do cliente, ou seja, superioridade, onde ele pensa, eu faço o que quiser com cliente, eu mando e ele obedece. Isto faz com que o cliente se afaste no futuro. É um desrespeito para com o cliente. Qual objetivo de ter um cliente online? Vou tirar do cliente tudo que ele tem de bom para mim, exemplo, o dinheiro, amor, atenção, reconhecimento. Isto é uma relação de abuso, então no fundo o objetivo, não é ajudar o cliente a resolver a sua queixa. Mas mamar no seio do cliente, ou seja, sugar o ativo do cliente. [...] Klein (1996d) localiza a posição esquizo-paranóide entre o nascimento e o terceiro ou quarto mês de vida do bebê, período em que os processos de cisão do seio em seio bom (gratificador) e seio mau (frustrador) estão em seu ponto máximo, assim como os impulsos destrutivos. Conforme Couto (2014), os impulsos amorosos projetados pelo bebê dão origem ao seio bom e os impulsos destrutivos dão origem ao seio mau. Há o objeto amado e o objeto odiado, que o bebê imagina serem separados. Como o ego se identifica com os objetos bons internalizados, a ansiedade persecutória está intimamente ligada à sua preservação, já que há o perigo de que os impulsos destrutivos do bebê ataquem os objetos bons e, consequentemente, o ego, provocando a desintegração deste.

Assim como existe a mãe suficientemente boa para o bebê, existe a mãe não suficiente para o bebê. Aqui se aplica ao psicólogo suficientemente bom para o cliente que não precisa ser perfeito, mas auxilia o cliente a adaptar-se, a ser resiliente perante as contrariedades, percebe o cliente como adulto que é responsável pelas ações. E o psicólogo suficiente mau, ou seja, tem o seio mau. Só pensa em sugar do cliente para compensar as carências infantis, enxerga o cliente como bebê que ainda não é responsável pelas ações. A típica relação abusiva, onde o psicólogo seio mau exercer poder, domínio, sedução sobre o cliente. É o chamado sadomasoquismo.

O cliente está nesta relação para preencher a falta, pois o sujeito é faltante das qualidades que deseja pegar do cliente. E no caso o profissional que age deste modo teve relações abusivas no passado, exemplo, na família, na escola, na organização, no namoro, no casamento e outros. Então inconscientemente ele deseja abusar do cliente também, é a relação sadomasoquista inconsciente. Esse profissional ainda está alienado e não atua de modo consciente. Lhe falta acompanhamento psicológico.

Também existe a falta de relação consigo mesmo, onde o profissional não tem cliente e menciona; eu não consigo viver, preciso ter um certo número de cliente para que me sinta seguro economicamente, me sinta valorado, me sinta reconhecido, e esse cliente precisa depositar o seu dinheiro em mim que represento a sua poupança, onde pego essa energia libidinal que representa o ativo e posso colocar a energia em movimento no mundo em, cursos, alimentação, recarga de celular, pagar aluguel e outros. O cliente é o seio materno, onde o profissional precisa mamar no seio para satisfazer-se, por se sentir faltante do cuidado das figuras parentais.

Esta é a relação de sobrevivência, onde o profissional parece um bebê que precisa mamar no seio bom, e o cliente é o seio bom com o leite e se, ele não tem o leite que representa o dinheiro para pagar o valor justo da sessão ele vai embora. Então o profissional abaixa o valor da sessão para não perder o leite, usa de encantamento para convencer o cliente e até manipulação, ou seja, chora, faz birra como criança para que o cliente estabeleça uma relação materna, ou seja, mãe-bebê para conseguir o tão sonhado seio materno para ser amamentado. Este profissional está reproduzindo na relação com o cliente os traumas que sofreu na infância, na adolescência.

Agora quanto ao mecanismo de defesa da projeção, o profissional projeta no cliente à sua própria criança. E no caso projetar a própria criança, é transferir para o cliente as carências infantis que o profissional carrega em si e não sabe como lidar, e neste ponto o cliente vem com suas queixas, mas o analista acaba inconsciente transferindo suas queixas infantis no cliente. E quando a realidade aparece ao cliente a relação não tem futuro e acaba. Neste ponto o cliente se sente abusado, enganado, traído, frustração, desconfiança, medo em relação ao profissional, e será um ponto negativo para o marketing de divulgação.

Quanto á questão transferencial positiva, o cliente percebe o psicólogo como figura parental e transfere amor, carinho, atenção. Pode até investir energia sexual no psicólogo se casamento estiver em conflito. A transferência negativa é onde muitos clientes processam profissionais, exemplo, na medicina ocorre muito isto. O cliente sente raiva do profissional por que falou algo que não gostou, não enxerga o profissional como bonzinho ou como aquele que cometeu um erro, mas por ser médico ou psicólogo não poderia cometer a falha que causou mal a ele. Exemplo, uma mulher busca no médico esteticista, realizar a cirurgia para aumentar os seios. Neste ponto projeta sentimentos de confiança, carinho, atenção sobre o profissional, ocorrendo a transferência positiva.

Mas ao sair da cirurgia e enxergar que o médico cometeu uma falha no seu ponto de vista, ou seja, o seio não ficou como gostaria que ficasse na sua percepção, mas na percepção médica está perfeito. Surge a transferência negativa, onde a paciente movida pela raiva decide processar o médico. Percebe que o profissional não cuidou da maneira como ela gostaria, ou não cuidou do seu seio de modo correto. Diversos clientes percebem o profissional como: você não me ouve, não me enxerga, não concorda comigo, não faz o que eu desejo, você me prejudicou, você me roubou, você não me ama.

E a contratransferência é descrita como uma resposta emocional do analista aos estímulos provenientes do paciente, como resultado de sua influência sobre os sentimentos inconscientes do analista. Nesse sentido, a contratransferência pode ser um obstáculo se praticada pelo analista. Se deixar-se levar por aqueles afetos que começa a sentir pelo paciente – amor, ódio, rejeição, raiva –, quebra a lei da abstinência e da neutralidade pela qual deve ser governado. Assim, longe de beneficiar o trabalho analítico, o prejudica. Exemplo, o psicólogo enxerga o cliente como uma das figuras parentais, exemplo a mãe, então deseja tratar cuidar do cliente como gostaria de cuidar da mãe que estava enferma.

Ou ainda olha para o cliente que sofre de esquizofrenia, depressão, transtorno obsessivo toque, síndrome de pânico e deseja ser seu salvador, o libertador, o cuidador, o paizão, o super-herói, porque a enxerga como a criança que precisa ser pega pelas mãos para caminhar juntos, pois é incapaz de andar sozinha. Pode transferir para o cliente, raiva, afeto, atenção. O que traz consequências para a relação se o profissional não estiver atento a estes sentimentos. Essas defesas estão em todas as profissões. Imagine agora você que foi estudante de psicologia, a relação professor-estudante foi permeada por esses mecanismos de defesa o que fez com que você discutisse, brigasse, desrespeitasse o professor em sala de aula. O estudante agiu como criança, embora tivesse a idade acima de 18 anos e ainda desejava ser percebido pelo professor como um adulto. Os professores de psicologia cada um de acordo com sua abordagem reconheciam as dinâmicas relacionais que os estudantes expressavam em sala de aula.

No caso à questão financeira, relação de pouco dinheiro, onde o profissional está sempre buscando uma boia salva vida, ou o tio patinhas e coloca atenção seletiva de que o ativo deve vir de algum lugar, esquecendo-se de olhar para outros estímulos e passa a atentar para a prospecção de clientes, auxilio emergencial, projetos para atrair clientes, realização de outros cursos, post de conteúdos, ou seja, começa a criar novas ilusões na tentativa de que a falta econômica seja preenchida. Está investindo a energia libidinal no externo para tentar sobreviver com pouco dinheiro. É lógico que isto não é errado, mas é preciso analisar as ações. Mas, e quanto a sua atuação como bebê, que ainda resiste a não percebeu por estar tão envolvido emocionalmente no ganho econômico para honrar seus compromissos.

Observa-se que a resistência é um mecanismo inconsciente ligado à parte do eu regida pelo princípio de realidade, que procura saídas contra a invasão dos elementos indesejáveis provenientes do próprio inconsciente e dos conteúdos recalcados. Quanto mais pressionado o eu se encontrar, mais fortemente se apega a resistência. Alguns aspectos de uma resistência podem ser conscientes e outra parte fundamental é realizada pelo ego inconsciente. As resistências são repetições das produções defensivas realizadas pelo paciente em sua vida. As diversificações dos fenômenos psíquicos podem ser objetivadas na resistência, mas, qualquer que seja sua fonte, a resistência age através do ego do paciente.

Neste caso compreendemos a resistência de ganho secundário. Esses ganhos secundários oriundos dos sintomas são bem conhecidos sob a forma de vantagens e gratificações obtidas da condição de estar agindo como bebê e de ser cuidado, ou ainda sob a gratificação do dinheiro que precisa agir como adulto diante do cliente

O dinheiro é fonte de satisfação, mas também de ansiedade e preocupação. Compreender a sua relação com ele pode significar fazer as pazes consigo mesmo, caminho para ter uma vida mais próspera e feliz. Existem muitas outras frases negativas sobre o dinheiro, com a ideia de que o dinheiro é sujo, de que para alguém ganhar, alguém tem que perder. Concepções religiosas também interferem, como a crença de que ter dinheiro não permite o desenvolvimento da espiritualidade, ou que para ser religioso é necessário abandonar tudo. A educação financeira tem a ver com a gestão e o cuidado com os recursos financeiros que a pessoa tem. Então, a partir do momento em que o sujeito conhece bem suas necessidades, suas carências e pontos de fragilidade, é possível saber as razões pelas quais se descuida neste aspecto da vida. É exatamente isso que a psicologia financeira estuda.

Mas em contra partida a relação com buscar muito ativo, onde encontra um nicho e começa a ganhar muito dinheiro, isto pode sinalizar um problema. E se a pessoa está em falta das representações do dinheiro. O que vai acontecer na hora que estiver em excesso de dinheiro.  Ela pode começar a preencher a falta, aliviando o mal-estar com sexo, álcool, gastar em coisa fúteis. Exemplos, profissionais do futebol com más condutas.

O sujeito adulto agindo na infantilidade de modo inconsciente está com pouca ou nenhuma percepção da realidade, e se não captar bem a própria realidade e a do entorno, cairá facilmente numa falta de harmonia consigo mesmo e com aqueles que o cerca. Devemos aprender a medir bem as distâncias e as proximidades, valorizando cada ponto e cada situação, que é o que devemos e o que queremos fazer.

A compulsão à repetição é o processo de reviver interminavelmente determinada neurose que é caracterizado por perturbações afetivas e emocionais [angustia, autopunição, depressão, obsessão, fobia, raiva, rebeldia] que a pessoa não pode controlar, mas de que tem consciência e que não afetam a integridade das suas funções mentais; assim sendo, quando o sujeito repetia a insatisfação, seria uma tentativa de descarregar a energia acumulada ou represada até conseguir o êxito de sua missão.  

Exemplo, certo profissional que trabalhava em uma multinacional, se demitiu da empresa ou do seio materno para ir para outra empresa na função de técnico de mecânica, mas por infelicidade a empresa sofreu falência, gerando medo, insegurança e instabilidade econômica no indivíduo. Este mesmo profissional atuou no mecanismo de defesa da regressão e regressou à multinacional anterior, pois lá encontrou de novo a segurança econômica promovida pela hierarquia paternalista, onde o pai cuida do filho. Observamos aqui a compulsão a repetição do seio bom. Já ouviu está expressão, está empresa é uma mãe [seio bom].

Já neste exemplo, um indivíduo na ocupação de técnico em mecânica tenta a transição para a carreira de empreendedor consultor técnico, mas não tem experiência alguma em empreendedorismo, levando ao fracasso. Mesmo tendo feito um curso de consultoria e empreendedorismo. Esse sujeito sofre a transição do fracasso de carreira que gera insegurança na área financeira. Em consequência faz diversas tentativas de buscar novamente a segurança econômica em empresas multinacionais. Novamente o mecanismo de regressão se faz presente na tentativa de voltar a obter o prazer do seio materno, a proteção, o amparo, o mamar no seio e ter o dinheiro, mas não tem sucessos. [...] Para Freud (1917[1915]), esse trabalho de luto (reação à perda) que obedece ao imperativo do teste de realidade – o objeto amado não existe mais – consiste num desligamento gradual da libido do objeto ou dos ideais perdidos, para que no final desse processo o “eu” possa se ver livre, desinibido e apto para realizar outros investimentos em novos objetos e situações.

Se esse processo de elaboração da perda não ocorrer satisfatoriamente, teremos a manutenção dos sofrimentos, dos conflitos e provavelmente a ocorrência de um luto interminável, geralmente patológico, que governará a vida deste profissional.  No trabalho do luto, o processo de desligamento de um objeto amado [ser empreendedor consultor], seja por morte ou separação, é uma tarefa dolorosa e difícil que põe à prova, pois obriga o sujeito á se reconstituir.

Agora surge a oportunidade em uma nova profissão para empreender por conta própria, mas parece que o sujeito se apercebe travado, bloqueado pelo passado fracassado de empreender em consultoria técnica. Pode se mencionar que, a heurística afetiva deste profissional está no fracasso e em consequência não consegue analisar as tentativas, os esforços que faz no aqui-agora. Heurística em psicologia é uma regra em que o inconsciente reformula um problema e o transforma em um mais simples, que pode ser resolvido facilmente, ou quase que automaticamente, ou seja, é uma espécie de truque que a mente usa para facilitar as tomadas de decisões sem passar pelo crivo do raciocínio lógico.

Podemos mencionar também que a atenção seletiva desta pessoa, está voltada ao fracasso de empreender e se esquece de avaliar os possíveis estímulos oriundos do mercado de trabalho como excelente oportunidade para se tornar empreendedor. Ou seja, neste caso o sujeito não quer regressar ao estado anterior do passado quando tentou se tornar empreendedor, está tentando escapar da compulsão a repetição do fracassado empreendedor. Este profissional pode não ter elaborado bem, o luto perda da identidade profissional empreendedor consultor.

O medo de empreender por ter o trauma do fracasso, o conduz a não ação consciente do empreendedorismo, mas sim a agir na resistência de não desejar empreender, entretanto ainda permanece na compulsão a repetição de realizar movimentos de empreender nas redes sociais, mesmo com fracassos. Contudo, ainda investi energia libidinal na busca de submeter-se a instituição, organização com o interesse e motivação da estabilidade econômica, advinda de uma hierarquia empresarial para ser cuidado, amparado e poder mamar no seio organizacional. O chamado mamar na teta da empresa.

 

 

 

Referência Bibliográfica

FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal Popular, 1968

FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.

FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII

FREUD, S. "Inibições, sintomas e angustia" (1926), in Obras completas, v XX. Buenos Aires: Amorrortu, 1996

FREUD, SIGMUND, Luto e melancolia. A história do movimento psicanalítico e outros trabalhos. ESB. Rio de Janeiro: Imago, 1974, v XIV.

KLEIN, M. (1980). A técnica analítica através do brinquedo: sua história

e significado. In: Klein 1980.

________. (1996d). Uma contribuição à psicogênese dos estados maníaco depressivos. In: Amor, culpa e reparação e outros trabalhos. Obras Completas

Vol. I. Rio de Janeiro: Imago.

WINNICOTT, D.W. (2006). Os bebês e suas mães. São Paulo: Martins Fontes.

(Obra original publicada em 1987)

WINNOCOTT, D.W “A criança e o seu mundo”, Rio de Janeiro: LTC, 1982.

_ “Tudo começa em casa”, São Paulo: Martins Fontes, 2016.

Comentários

Postagens mais visitadas

Psicólogo Organizacional Supermercado Não-Escolha

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Vamos compreender o desejo do psicólogo através das abordagens psicanálise, psicologia social e psicologia organizacional. Em se tratando do ambiente o psicólogo tem medo e desejo ao mesmo tempo de atuar como psicólogo organizacional, pois se esquece que agora é uma figura de autoridade. E neste caso surge a reação de aproximação-afastamento, é quando sentimos atração e repulsa pelo mesmo objeto [Ser Psicólogo Organizacional] temos uma situação de aproximação-afastamento. Um exemplo seria o de um operador de caixa que é psicólogo num supermercado e tem o desejo inconsciente de atuar como psicólogo organizacional no supermercado [aproximação], mas o medo de mal interpretado pela supervisão através de punição [afastamento], porque no ato da contratação, ao lhe perguntar se tinha outra formação além de técnico em mecânica, omitiu dizendo que não; e por isso ...

O Psicólogo E O Mecanismo Defesa Fuga Da Realidade

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um sujeito que é psicólogo empreende esforços para empregar se em alguma instituição e alavancar a clínica, porém não obtém sucesso em nenhum dos campos empreendidos. Só restou empregado se em uma função de fiscal de caixa totalmente não homologado com seus valores para poder sustentar se e pagar suas contas. Descreva o mecanismo de defesa que o sujeito acionou inconsciente para lidar com a situação como se eu fosse um iniciado pela abordagem da psicanálise. Na situação descrita, o sujeito está lidando com uma realidade frustrante: não conseguiu emprego como psicólogo, que é uma área em que ele realmente deseja trabalhar e que está alinhado com seus valores. Para enfrentar essa situação, ele aciona alguns mecanismos de defesa deliberadamente. Vamos ver alguns dos principais: Racionalização : Esse mecanismo envolve uma situação com explicação que ...

Relato Autobiográfico Stranger Things: o Espelhamento do Meu Self Verdadeiro como Psicólogo

  Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208] Introdução Este livro é um relato autobiográfico simbólico. Utilizo a série Stranger Things como espelho para narrar minha própria travessia subjetiva enquanto psicólogo formado que, por contingências da vida, passou a ocupar uma função adaptativa distante de sua identidade profissional. Não se trata de uma análise da série, mas de uma escrita de si, onde cada elemento narrativo funciona como metáfora para conflitos internos, escolhas éticas, períodos de latência e o desejo persistente de existir publicamente como psicólogo. Escrevo a partir do lugar de quem sobreviveu institucionalmente, mas nunca abandonou o self verdadeiro. Sumário 1.       Quando o Estranho Começou a Me Habitar 2.       A Cidade Onde Eu Ainda Não Existia 3.       O Tempo em que Precisei Me Esconder 4.       As Luzes que Piscara...

01 Stranger Things: O Espelhamento do Self Verdadeiro na Trajetória de um Psicólogo

  Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208] Documento de Apresentação Institucional Apresentação Geral Este documento foi adaptado para fins de apresentação institucional , podendo ser utilizado em processos de seleção, bancas avaliativas, projetos sociais, instituições de saúde, educação ou assistência social. Trata-se de um relato reflexivo fundamentado na psicanálise, que articula trajetória profissional, experiência institucional e ética clínica. A série Stranger Things é utilizada como recurso metafórico para traduzir, de forma acessível e simbólica, os efeitos subjetivos do não reconhecimento profissional e o processo de preservação do self verdadeiro ao longo do tempo. O objetivo deste material é apresentar não apenas uma formação acadêmica, mas uma posição subjetiva e ética diante do trabalho clínico e institucional. Estrutura do Documento 1.       Contexto de Formação e Percurso Profissional 2.  ...

Pedir Denise Em Namoro

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. eu sonhei que um rapaz ia pedir uma garota em namoro porém ele não fazia o pedido pelas formas convencionais e de buscavam um outro meio totalmente desconhecido para fazer o pedido para ela em para pedir ela em namoro. Na abordagem da psicanálise, os sonhos são vistos como manifestações do inconsciente, onde desejos, conflitos e sentimentos reprimidos aparecem de forma simbólica. Vamos interpretar o seu sonho considerando isso. Elementos do sonho: O rapaz que quer pedir a garota em namoro: Pode representar um aspecto do ego, que é responsável por equilibrar os desejos (id), as regras sociais (superego) e a realidade. Não fazer o pedido pelas formas convencionais: Simboliza uma tentativa de fugir de normas ou expectativas impostas pelo superego (regras sociais, tradições ou medo do julgamento). Buscar um meio desconhecido: Representa o desej...

Desorientação Espacial No ambiente Supermercado

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Excelente observação — e muito pertinente para uma análise pela psicologia social , pois o ambiente do supermercado é um espaço profundamente planejado para influenciar comportamentos de consumo , inclusive por meio da desorientação espacial que você descreve. Vamos detalhar o fenômeno passo a passo: 🧭 1. Desorientação espacial como estratégia de controle do comportamento Na psicologia social, entende-se que o comportamento humano é fortemente influenciado pelo ambiente físico e social . Quando os repositores mudam a disposição dos produtos, ocorre uma quebra do mapa cognitivo que o cliente havia construído. Mapa cognitivo é o termo usado por Tolman (1948) para descrever a representação mental que fazemos de um espaço conhecido. Quando o cliente vai ao supermercado regularmente, ele cria um mapa mental da locali...

Cultura Da Substituição E Silenciamento: O Custo Invisível Da Não Implementação Da NR1 Nos Supermercados

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Durante sua atuação como fiscal de caixa em um supermercado, o profissional que também é psicólogo encontrou uma oportunidade singular: transformar o ambiente de trabalho em um verdadeiro laboratório de observação comportamental. Em meio à rotina operacional, ele utilizou seu olhar clínico e sensibilidade psicológica para analisar, de forma ética e consciente, os comportamentos, interações e dinâmicas sociais presentes no cotidiano da loja. Esse espaço, por sua diversidade de pessoas, tornou-se um campo fértil para compreender as relações humanas em múltiplos níveis: desde as expressões sutis de emoções nos rostos dos clientes, passando pelas reações impulsivas diante de situações de estresse, até os vínculos interpessoais estabelecidos entre os colaboradores. A convivência com pessoas de diferentes classes sociais, idades e culturas proporcionou a...

Comportamento consciente e inconsciente, dentro do referencial da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT).

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 1. Comportamentos Conscientes Esses são os comportamentos que a técnica em enfermagem percebe em si mesma, consegue nomear e reconhece como parte do seu dia a dia no supermercado. 1.1. Ajuste às tarefas operacionais Executa atividades como registro de compras, conferência de valores e atendimento ao cliente. Adapta sua postura profissional às rotinas do varejo. Esforça-se para manter rapidez, precisão e atenção. 1.2. Controle emocional deliberado Mantém cordialidade diante de clientes hostis. Segura impulsos de resposta, ainda que esteja frustrada ou cansada. Aplica conscientemente técnicas de autocontrole aprendidas na enfermagem. 1.3. Comparações racionais entre profissões Reflete sobre diferença de status, complexidade e reconhecimento entre enfermagem e operação de caixa. Identifica racionalmente sentimentos de desvalorização ou de "subutiliza...

Psicólogo Força E Aparência Valorizados Na Academia

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um psicólogo está treinando na academia e um dia o personal lhe disse posso gravar um vídeo em que você está exercitando. O psicólogo disse pode. Aí o personal disse me fala seu Instagram para eu adicionar. O psicólogo lhe disse ayrton psicólogo. O personal disse você é psicólogo. O psicólogo respondeu sim. Hoje o personal estava falando com uma garota que estava se exercitando e de repente e chamou o Ayrton ela está falando sobre sentimentos eu lhe disse não sou psicólogo, o psicólogo é você. Deste momento em diante qualquer assunto o personal fala ele é o psicólogo. Na abordagem da psicanálise, podemos explorar a situação levando em conta o inconsciente, a transferência, e o papel dos mecanismos de defesa. Primeiro, é importante notar que o personal teve uma reação intensa ao descobrir que Ayrton é psicólogo. Ele passa a fazer referências frequen...

O Fiscal Morto: A Escuta Psicanalítica de um Ego Dividido entre o Dever e o Desejo

  Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo] Introdução Este livro nasce da escuta de um conflito silencioso: o de um sujeito que, formado em Psicologia, atua como fiscal de caixa em um supermercado — um espaço de intensa dinâmica social, mas carente de reconhecimento subjetivo. O personagem central, o fiscal psicólogo , simboliza o homem moderno dividido entre o trabalho que sustenta o corpo e o desejo que alimenta a alma . No entanto, o ambiente organizacional, regido por normas e metas, torna-se o espelho de uma estrutura psíquica aprisionada: o superego institucional, que reprime o desejo de ser, em nome do dever de parecer produtivo. Pela lente da psicanálise , este livro propõe uma escuta — ou, como diria Lacan, uma escanálise — da dor de um sujeito que, sem perceber, retirou a libido de sua própria função. A análise busca compreender o processo inconsciente que o levou a se perceber como um “fiscal morto” , sem prazer, sem reconhecimento e sem o brilho do desejo que...