Pular para o conteúdo principal

Isto é, Justo ou Injusto?


Ano 2021. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06Q147208
O presente artigo convida o leitor(a) a repensar sobre como a vida é injusta em meio a fatos sociais, políticos, econômicos, manifestações contra os líderes do governo, pandemia, culturais, ou religiosos, mercado de trabalho na busca de profissão que fazem parte do presente de um ser humano. A difícil tarefa de compreender o que se trata de justiça e injustiça.
A vida é injusta, mesmo sem querer cometemos injustiças. A injustiça é algo que muitos se deparam todos os dias. Algumas coisas chocam mais, outras menos. Pessoas traumatizados podem sentir muita sensibilidade com injustiças. Aquilo que mais incomoda e machuca costuma ter relação com a história da própria pessoa.
É interessante refletir sobre o sentimento de injustiça:
·        O que isso significa para mim?
·        Será que tem algo meu [da minha vida] nessa
·        indignação? Sinto que também já fui injustiçado?
·       Lembro de algum sofrimento que já vi de perto ou vivi?
Será que determinada injustiça me faz reviver um momento de sofrimento da minha vida? Nem sempre é possível proteger ou mudar o que está errado. Infelizmente o ser humano tende a emitir sua opinião baseado em suas próprias percepções, em sua visão de mundo e na interpretação que tem dele. E não dos fatos como eles realmente são. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram satisfação, mesmo para impulsos instintuais que foram reprimidos.
O sentimento de injustiça ocorre por diversas razões. Seja porque o gestor não reconhece o seu trabalho, em decorrência daquela demissão sumária, por alguém que não lhe dá o merecido valor ou quando foi apanhado por uma daquelas surpresas desagradáveis da vida. Isso foi só para citar alguns exemplos. Quando isso correr é necessário tomar medidas antes que o cérebro se fixe nessa situação. Quando o sujeito se sente injustiçado pode pensar; isso só acontece comigo e porque não com fulano.
O indivíduo reclama da sua condição atual, reclama que não consegue avançar e parece que as coisas simplesmente não andam, que não consegue evoluir na sua carreira. Cursou, um curso técnico ou acadêmico e acaba tendo que trabalhar numa área totalmente diferente da formação técnica/ e ou acadêmica e ainda mais com um salário mínimo e ainda parece que os resultados são imerecidos na vida deste sujeito. Então qual a contribuição desse indivíduo, na sociedade que não consegue exercer a profissão para a qual se preparou? Isto é, justo ou injusto?
Todo o conhecimento dele está engavetado de modo involuntário pelo Outro ou algum ator que o impede de dar a contribuição adequada para a população. Não existem pessoas sendo beneficiadas pela sua profissão, e a consequência da não atuação é a não contribuição para a transformação social do indivíduo e o seu trabalho não é percebido como instrumento de melhorias de vida da população. [...] Freud (1920/1987), busca as bases para que as pessoas encontrem a felicidade pela via do trabalho. Mendes (1995) aponta que a busca do prazer no trabalho e a evitação do desprazer constituem um desejo permanente para o trabalhador diante das exigências nas relações e na organização do trabalho, o que confirma a tese freudiana da evitação do desprazer e a busca do prazer no trabalho, tendo em vista que o trabalho representa, para o sujeito, um fator determinante de tempo de sentido existencial. Esse, muitas vezes, só oferece condições contrárias a esse propósito, gerando desprazer, expresso em uma vivência de sofrimento, com sintomas específicos, transformando o trabalho em necessidade de sobrevivência, no lugar de fonte sublimatória de prazer.
Para esse indivíduo será que ele está sendo mais útil numa área que não exige o mínimo de formação, do que estar na sua própria área e contribuindo de modo eficaz para que outras pessoas evoluam. O sujeito deseja muito que as coisas aconteçam, mas, por alguma razão que não sabe qual, as coisas não acontecem. Mas para este indivíduo o que representa a injustiça: Ação e/ou comportamento que se opõe à justiça. Que viola os direitos de outra pessoa. Neste episódio o indivíduo se apercebe com os direitos violados em relação a carreira profissional.
Neste sentido, a injustiça existe pelo preconceito, pela exclusão, pela intolerância, por não aceitar as distinções existentes entre os seres humanos, ou pior, por pura maldade. A injustiça também pode ser cometida para benefício próprio. Quando escondemos algo que pode ser importante para a vida de alguém cometemos injustiça. A injustiça é uma qualidade relativa à ilegalidade ou resultados imerecidos.
Ao observamos esse indivíduo pela percepção da psicanálise, parece que o mecanismo de defesa da Sublimação está atuando incessantemente na psique deste indivíduo. A sublimação é provavelmente o mais útil e construtivo dos mecanismos de defesa que leva a energia de algo que é potencialmente prejudicial e transforma em algo bom e útil. Freud acreditava que as maiores conquistas da civilização foram feitas devido à sublimação e que nossos impulsos sexuais e agressivos que são originados no Id e depois canalizados pelo Ego, conforme indicado pelo Superego. Por tanto sublimação é parte da energia investida nos impulsos sexuais que é direcionada à consecução de realizações socialmente aceitáveis na sociedade.
Alguns aspectos da sublimação em agindo na psique do indivíduo:
·        Você acredita que seu trabalho lhe traz grande satisfação pessoal, mesmo não tendo reconhecimento profissional.
·        Você sente que emprega grande energia para o trabalho e que o resultado lhe traz paz de espírito e que esse é mais importante que a remuneração que recebe.
·        Você sente que é reconhecido, financeiramente e profissionalmente pela organização.
·        O prazer do seu trabalho está mais na recuperação dos pacientes do que na remuneração percebida.
O que é sublimação: É o mecanismo de defesa mais aprovado pela sociedade. Quando temos um impulso que não podemos expressar diretamente, reprimimos a sua forma original, e o deixamos emergir sob uma feição que não perturbe a outrem ou a nós próprios. Geralmente usamos a sublimação para expressar motivos indesejáveis sendo que, como a maioria dos outros mecanismos de defesa, ela opera inconscientemente mantendo-nos desconhecedores dos motivos indesejáveis. Quando um impulso primitivo é inaceitável para o ego, é modificado de forma a se tornar socialmente aceitável, isso é sublimação.
A sublimação, segundo Freud, é um mecanismo de defesa eminentemente positivo para a sociedade, constituindo um bem social. Pois, pode-se dizer que a maior parte das grandes personalidades e dos grandes feitos ocorridos na história humana só foram possíveis graças à sublimação. Neste sentido, a sublimação reporta-se a uma mudança nos objetivos da pulsão, que abandonaria seus objetos originais de natureza sexual, para se conectar a outras metas, as quais são socialmente apreciadas, como a arte, o esporte, a ciência, engenharia, advocacia, medicina, política, jornalismo, cantores sertanejos e outros, escrever livros ou artigos, a religião, e por aí vai.
A sublimação é essa capacidade que tem o instinto sexual de renunciar ao seu objetivo imediato em troca de outros objetivos não sexuais e mais apreciados pela sociedade. No trabalho, as pessoas não encontram exata correspondência entre seus desejos e as condições objetivas para sua satisfação. O indivíduo espera retribuição e essa é de natureza simbólica e se trata de reconhecimento. Todo trabalho é realizado em uma relação entre o trabalho individual e o trabalho coletivo; nessa interseção está o sofrimento. Para isso trabalhando, o trabalhador espera o reconhecimento da utilidade e da qualidade de seu trabalho. Assim, o reconhecimento do trabalho é o que permite a transformação do sofrimento em prazer.  [...] A sublimação do instinto constitui um aspecto particularmente evidente do desenvolvimento cultural; é ela que torna possíveis às atividades psíquicas superiores, científicas, artísticas ou ideológicas, o desempenho de um papel tão importante na vida civilizada. Essas pessoas se tornam independentes da aquiescência de seu objeto, desviando-se de seus objetivos sexuais e transformando o instinto em um impulso com uma finalidade inibida (FREUD, 1914, p.112)
Segundo Dejours (2009), o reconhecimento da qualidade do trabalho pelos outros fortalece a identidade do trabalhador e também proporciona a ideia de pertencimento a um grupo. Assim, o reconhecimento confere ao trabalhador, em troca do sofrimento, um pertencimento que faz desaparecer a solidão. Então, a realização de um trabalho com qualidade, sendo reconhecida, fortalece a identidade e o sentimento de pertença grupal, o que vai fortalecer ideia do coletivo.
Já o sofrimento criativo é aquele que, via utilização do mecanismo de sublimação, capacita a pessoa a transformar o sofrimento em vivência de prazer. O julgamento de outras pessoas, da família e da comunidade tem como objetivo, para o sujeito, o seu reconhecimento frente às relações sociais que ele estabelece para sua vida. Tal fato é reconhecido por Dejours (1993) como a sublimação. Assim, para o autor, a sublimação desencadeia o reconhecimento social e, consequentemente, interfere na identidade e na saúde mental do sujeito.
Quando o indivíduo não consegue beneficiar-se do trabalho para dominar seu sofrimento e transformá-lo em trabalho criativo, há a desestabilização do sujeito, levando-o à doença, tratado pelo autor como “sofrimento patogênico” (Dejours, 1993). O sofrimento passa a ser criativo, quando o trabalho é reconhecido e todo o investimento pessoal demandado e que, de certa forma, está carregado de sofrimento, adquire um sentido; é criativo, porque contribui com algo novo para a organização. É nesse momento que o trabalho faz a passagem do sofrimento para o prazer.
Essa passagem denomina-se sublimação (Dejours, 1998). Sublimação como processo de ressignificação do sofrimento em prazer: sublimação, fator constituinte do reconhecimento social. Dejours (1987c) compreende que, frente a uma situação de agressão ao Ego, o indivíduo defende-se, primeiramente, pela produção de fantasmas, que lhe permitem construir uma ligação entre a realidade difícil de suportar, o desejo e a possibilidade de sublimação.
Neste momento a sublimação desencadeia o reconhecimento social e, consequentemente, interfere na identidade e na saúde mental do sujeito. Tão logo o sujeito assimile o reconhecimento subjetivo de seus esforços para conseguir controlar a angústia e o sofrimento, em seguida vai procurar outras formas de superar o ressurgimento do sofrimento, desenvolvendo novos projetos ou aceitando trabalhar em ocupações das quais não se exige nenhuma formação igual a sua.
O trabalho pode utilizar o processo criativo como estratégia para lidar com o sofrimento, e que possibilita a superação [ainda que parcial] da alienação; o reconhecimento e a identificação do trabalhador no resultado de seu trabalho ou sua criação. Ainda possibilita a emancipação e autonomia, sendo que o quando o trabalhador se identifica com seu trabalho/e ou sua obra, isso também é fator de constituição de sua identidade enquanto trabalhador e sujeito de ação transformadora da realidade externa e interna. Mas quando não há identificação com seu trabalho o efeito é devastador sobre ele.
Toda situação pode ter perspectivas diferentes. O problema está na interpretação do ocorrido, e sua imagem pode ficar ofuscada. A vida cotidiana está cheia de situações cheias de injustiça que podem levar a conflitos. Exemplo, a pessoa está aguardando na fila e de repente alguém dissimuladamente pula três pessoas na frente dela; ou o lojista tenta cobrar mais por algo que o sujeito sabe que custa menos. Ou então o seu supervisor lhe dá uma ordem impossível de cumprir, porque se levantou de mau humor.
Todos nós temos a liberdade de escolher a qual ou a quais destas situações conflitantes reagiremos. As consequências podem ser graves, não só porque o indivíduo aceitou um ato ofensivo, mas também porque isso tem um impacto sobre o seu equilíbrio emocional. Mesmo que a pessoa pretenda seguir o seu caminho, sem dar importância à injustiça cometida contra ela, algo no seu interior irá reclamar. Isto irá resultar em frustração, mal-estar, intolerância, angústia ou talvez até uma doença psicossomática. [...] “A angústia é, dentre todos os sentimentos e modos da existência humana, aquele que pode reconduzir o homem ao encontro de sua totalidade como ser e juntar os pedaços a que é reduzido pela imersão na monotonia e na indiferenciação da vida cotidiana. A angústia faria o homem elevar-se da traição cometida contra si mesmo, quando se deixa dominar pelas mesquinharias do dia-a-dia, até o autoconhecimento em sua dimensão mais profunda” (CHAUÍ, 1996 p.8-9).
Evitar, fugir, deixar passar. São comportamentos que, na maioria vezes, aprendemos utilizando inconscientemente os mecanismos de defesa do ego. A sociedade ensina que, acreditar que se conter, se reprimir ou se calar são respostas válidas e até mesmo desejáveis diante dos outros. Quando o sujeito se cala diante das injustiças consegue, em primeiro lugar, destruir a sua autoestima. Sem perceber, ele alimenta a ideia de que é indefeso diante de todas as circunstâncias. E a cada dia se sente menos capaz de qualquer coisa. Além disso, a pessoa também prejudica o seu corpo. As pessoas que são muito contidas são mais propensas a desenvolver gastrites, úlceras, problemas musculares e doenças autoimunes. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162)
A justiça é a qualidade de uma conduta humana específica, de uma conduta que consiste no tratamento dado a outros homens. O juízo segundo o qual uma tal conduta é justa ou injusta representa uma apreciação, uma valoração da conduta. Na sua opinião diante de acontecimentos que ocorreram na sua vida, acha isto, justo ou injusto? Como você os compreende e percebe-os? Primeiramente, é importante avaliar se essa situação está fora do controle ou se há algo que o sujeito possa fazer sobre isso. Mesmo que seja mudar a forma como se sente com relação a isso. Se puder fazer algo sobre a situação, faça. Não reforce essa crença limitante de ver o mundo como mal ou injusto. Caso, contrário, a ansiedade e a amargura tomarão conta da sua vida.
 Vamos procurar entender a função social do profissional. Por função social, entendem-se os efeitos que a atuação do profissional produz na sociedade. Esse efeito é identificado em termos da abrangência e do significado social da atuação do profissional. Por abrangência da função social entende-se o número de pessoas beneficiadas pelo trabalho do profissional e a natureza social delas. Por significado social da profissão entende-se a natureza do efeito produzido pelo profissional na sociedade, por exemplo, se ele contribui para a transformação social ou se seu trabalho é instrumento de manutenção das condições adversas de vida da população.
Podemos entender através da função social que se o profissional não atuar na área a qual se formou não conseguirá efeitos na sociedade. E esse efeito não tem abrangência da função social. Pois não existe pessoas sendo beneficiadas pelo seu trabalho e em consequência da não atuação profissional da qual se preparou não há contribuição para a transformação social e o seu trabalho não é percebido como instrumento de melhoria de vida da população.
Examine atentamente as características da atuação de dois profissionais diferentes, apresentadas a seguir:
O profissional técnico: Atua em uma multinacional. Sua atividade é a de executar manutenção em equipamentos, melhorar os equipamentos para produzirem mais, orientar e treinar operadores. Nessas atividades, junto aos operadores, ele utiliza elementos da realidade de manutenção e a partir delas procuram atingir os objetivos operacionais. Os equipamentos geram produtos para movimentar a economia e a sociedade e orientar, treinar operadores produz transformação no indivíduo dentro da organização.
O profissional técnico atuando fora da área técnica como telemarketing: Atualmente trabalha em ambiente organizacional com espaço restringido. Sua atividade é relacionada a vendas de produtos de internet de uma única marca de tal operadora para clientes físicos e jurídicos. Nessa atividade, junto aos clientes, ele não utiliza nenhum conhecimento técnico de sua formação, apenas o conhecimento de informática e o treinamento que a empresa oferece de vendas sobre o produto em questão e a partir disto procura atingir a meta de vendas. A internet produz transformação na vida do indivíduo que está adquirindo o produto.
A função social do profissional técnico é mais abrangente do que a do profissional telemarketing porque está voltada para máquinas, economia do país, indivíduo e a coletividade. Observe que as alternativas oferecidas pela questão apresentam diferentes combinações entre a abrangência da função social e dois fatores que afetam essa abrangência: (1) a atividade do técnico está voltada para maquinas, economia do país, indivíduo e ainda para a coletividade e (2) o caráter da atividade pode ser remediativo ou preventivo.
Se voltarmos ao texto para entender como se estabelece relações entre o profissional técnico e o telemarketing percebe-se que:
I. A atividade técnica abrange mais pessoas dentro da organização e de vários segmentos sociais fora da organização e tem como foco a economia do país, o indivíduo e a coletividade.
II. Já a atividade telemarketing atingirá menos pessoas [será menos abrangente, pois atinge apenas os segmentos de pessoas física e jurídica referente a uma única marca de produto internet de determinada operadora] e é focada apenas no indivíduo que está na sociedade.
Compreendemos que o mecanismo de defesa da sublimação age no ego do indivíduo levando-o a atuar em campos de atuação ao qual não se exige formação técnica ou acadêmica. Por tanto nem o sujeito e nem as pessoas conseguem se beneficiar dos efeitos que produz o seu trabalho para o qual escolheu cursar e atuar na sociedade. Com isso existe extrema dificuldade em dominar a angustia e transformá-la em energia libidinal criativa, gerando a desestabilização da pessoa, levando-a doenças psicossomáticas. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.
E neste caso a angustia não é criativa, pois o trabalho não é reconhecido pelo sujeito como algo que lhe proporciona prazer, satisfação, reconhecimento e sentimento de pertença ao grupo e todo o investimento pessoal demandado e que, de certo modo, está carregado de ansiedade não adquire sentido; e não é criativo, porque não contribui com algo novo para que seja aplicado na organização. Por tanto neste interim o trabalho não faz a passagem da angustia para o prazer, mas sim continua a deixar o profissional no desprazer/ e ou na angustia. Por tanto trabalhar em funções as quais não se tem identificação com elas. Isto é, justo ou injusto na sua opinião?



Referência Bibliográfica
CHAUÍ, MARILENA. HEIDEGGER, vida e obra. In: Prefácio. Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1996.
DEJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. Tradução de Ana Isabel Paraguay e Lúcia Leal Ferreira. 5. ed. ampliada. SãoPaulo: Cortez Oboré, 1992.
FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.
FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII
FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal
Popular, 1968

Comentários

Postagens mais visitadas

O Jogo De Esconder Objetos

  Ano 2022. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leit@r a notabilizar o conceito de brincadeira, é a ação de brincar, divertir, entreter, distrair. Geralmente são jogos livres que têm a finalidade de encenar e utilizar objetos lúdicos. A principal diferença entre a brincadeira para outras atividades diárias é a sua natureza divertida e criativa. A brincadeira de esconder e achar objetos promove a memória e a percepção de que as coisas, que lhe pertence podem permanecer nos lugares mesmo que a criança, o adolescente ou até o adulto não consiga as ver, o que é uma conquista extremamente importante nessa faixa etária. Além disso, dando um comando verbal com o nome de elementos que já lhes são familiares, acaba-se estimulando uma comunicação que envolve a linguagem e uma apropriação de palavras que vão acabar compondo o seu vocabulário. Esconde-esconde objetos é o jeito de brincar: Uma das crianças é escolhida para esconder um objet...

Fases Da Sexualidade Na Escolha Da Carreira

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. A teoria das fases da sexualidade, proposta por Sigmund Freud, inclui as seguintes fases: fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital. Cada fase está associada a diferentes aspectos do desenvolvimento psicossexual. Lembre-se de que essa teoria é apenas uma perspectiva e foi criticada por muitos estudiosos ao longo dos anos. Claro, vou explicar cada uma das fases da sexualidade de acordo com a abordagem da psicanálise de forma simplificada: Fase Oral: Na primeira fase, que ocorre durante os primeiros anos de vida, o foco está na boca. As crianças exploram o mundo principalmente através da boca, chupando objetos e experimentando tudo com a boca. A satisfação vem da alimentação e da sensação de conforto oral. Fase Anal: A fase anal acontece por volta dos 2 aos 3 anos de idade. Aqui, o foco se volta para o controle dos esfínctere...

Música Volume Alto

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um sujeito quando está com raiva aparente de algo aumenta o volume da música no ritmo de academia no máximo. Claro, vou tentar explicar isso pela perspectiva da psicanálise de uma maneira acessível para iniciantes. Raiva aparente: Quando alguém está com raiva aparente, significa que essa pessoa está demonstrando sua raiva de maneira visível, como aumentar o volume da música ao máximo. A raiva é uma emoção que pode surgir quando nos sentimos frustrados, irritados ou contrariados. Estímulos inconscientes e conscientes: Na psicanálise, a mente é dividida em três partes: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. O consciente é onde estamos cientes de nossos pensamentos e ações. O pré-consciente é onde pensamentos que não estão no momento presente podem ser trazidos à consciência. O inconsciente contém pensamentos e sentimentos que não estamos ...

Chicago P.D. como espelho psicossocial do fiscal de caixa psicólogo: identidade profissional, pertencimento, autoridade e reconhecimento no supermercado

  Introdução A série Chicago P.D. , produzida como drama policial, acompanha a Unidade de Inteligência do Departamento de Polícia de Chicago, responsável por investigações de crimes graves e liderada pelo sargento Hank Voight. A própria descrição institucional da série enfatiza a atuação coletiva da unidade, a busca pela justiça, a proteção da cidade e, simultaneamente, os conflitos produzidos pelas mudanças no sistema de justiça e pelas formas de liderança e atuação da equipe. Embora o universo policial esteja muito distante do cotidiano de um supermercado, a série pode ser utilizada como objeto cultural para uma leitura pela Psicologia Social e pela Psicologia das Organizações , especialmente quando se observa a relação entre indivíduo, grupo, papel profissional, autoridade, reconhecimento, hierarquia e instituição. Nesse sentido, Chicago P.D. torna-se um espelho simbólico particularmente interessante para compreender a experiência de um trabalhador que ocupa a função de f...

O sujeito não existe fora do laço social: não há sujeito sem Outro, nem desejo sem algum tipo de amarração simbólica

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 Introdução A psicanálise, desde Freud e radicalmente com Lacan, sustenta que o sujeito não é uma entidade autônoma, transparente a si mesma, nem um indivíduo isolado que decide livremente sua posição no mundo. O sujeito do inconsciente emerge apenas no interior de uma rede de significantes, isto é, no campo do Outro. Assim, não há sujeito fora do laço social, nem desejo que possa se sustentar sem alguma forma de amarração simbólica. Este artigo tem como objetivo articular essa tese fundamental a partir de uma situação clínica cotidiana: o caso do sujeito que ocupa a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas que não se reconhece nessa posição. A análise do ato falho, do sintoma corporal, do não-cuidado e da permanência forçada no laço social permitirá demonstrar como o inconsciente já sabe do não-desejo, enquanto o ato de ruptura ainda não pode ocorrer por ausência de outro laço que sustente o sujeito....

Crise De Asma E Psicossomática

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico que descrê a crise de asma e a psicossomática. Doenças psicossomática, são doenças causadas ou agravadas pela instabilidade emocional. Diferentemente da somatização, que é diagnosticada por médicos quando os sintomas de uma doença se manifestam, mas não são observados efeitos físicos no corpo, as psicossomáticas têm efeitos verificáveis no organismo. As situações de vida estressantes como medo de “não cor responder às expectativas”, dificuldades no trabalho ou econômicas, perdas, desavenças, doença ou morte, podem ser fatores desencadeantes. Frequentemente a somatização é considerada expressão de “dor psíquica”, sob a forma de queixas corporais, em pessoas que não têm vocabulário para apresentar seu sofrimento de outra forma. Os sintomas têm origem nas sensações corporais amplificadas interpretadas erroneamente ou nas manifestações somáticas das e...

Medo De Não Conseguir Emprego

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leito para um excelente tópico, que fala descreve a insegurança quanto a empregabilidade no mercado de trabalho e suas prováveis consequências para a qualidade física e mental. A ansiedade realística é o medo do mercado de trabalho representado pelo princípio da realidade que provoca a incerteza no ego influenciando a pensar que o mercado de trabalho não permite que consiga se empregar em alguma instituição como psicólogo e por isso sente que está sendo punido pelo mercado de trabalho. Já a ansiedade moral é aquela que decorre do medo de ser punido [O ego sentira culpa se descobrir que não conseguirá empregar-se em alguma instituição como psicólogo porque Deus não vai realizar o milagre. Na psicanálise, o princípio da realidade e o princípio do prazer são conceitos fundamentais. O princípio do prazer refere-se à busca do prazer imediato e evitação do desconforto. Por outro lado,...

Morte A Aposentar-se Como Operador Caixa

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Ego prefere literalmente a morte física somátizando sintomas emocionais que possa encaminhar a vontade e desejo de morrer dormindo a permanecer trabalhando como operador de caixa e se aposentar na profissão que gera angústia e não como psicólogo. O texto sugere uma situação emocionalmente desafiadora. Na abordagem da psicanálise, podemos analisá-lo da seguinte forma: Ego: O ego é a parte da mente que lida com a realidade e age como um mediador entre os desejos do id e os padrões morais do superego. No seu caso, o ego está enfrentando um conflito entre a vontade de continuar trabalhando como operador de caixa e o desejo de não viver mais, possivelmente devido à angústia gerada por essa profissão. Sintomas emocionais somáticos: Os sintomas emocionais somáticos ocorrem quando o corpo expressa o sofrimento emocional. Nesse contexto, os sintomas podem...

Do investimento libidinal ao redesenho da carreira: luto, identidade profissional e competências construídas após uma década de tentativas na Psicologia

  Introdução A história apresentada pode ser compreendida como a trajetória de um profissional que, durante aproximadamente uma década, tentou transformar a formação em Psicologia em uma identidade profissional socialmente reconhecida , experimentando diferentes possibilidades de inserção: Psicologia Clínica, Social, Hospitalar, Jurídica, Organizacional, Esportiva, orientação educacional, Recursos Humanos, atendimento on-line, produção de conteúdo e projetos institucionais. O ponto central dessa trajetória não parece ser simplesmente uma sucessão de "fracassos profissionais". Há algo psicologicamente mais complexo: o sujeito investiu expectativas, tempo, conhecimento, energia, esperança e desejo em diferentes objetos profissionais . Cada vaga, consultório, projeto, academia, instituição, site, blog ou projeto de conteúdo representava uma possibilidade de responder à pergunta: "Onde posso existir profissionalmente como psicólogo?" A literatura brasileira sobre ...

Não conseguiu construir caminho de sucesso: O Luto da Trajetória Profissional na Psicologia

  Introdução O término da graduação marca, para muitos profissionais, o ponto de partida de um projeto de vida focado na consolidação de uma carreira funcional, sustentável e reconhecida. No entanto, o percurso acadêmico e o esforço individual nem sempre garantem a inserção ou o êxito nos variados campos de atuação que a profissão promete. Entre o momento da formação, em 2018, e a maturidade profissional projetada para 2026, a vivência contínua de insucessos em múltiplos eixos pode conduzir o indivíduo a uma profunda reavaliação sobre a viabilidade de permanecer em determinada área. Quando todos os caminhos desenhados e executados culminam na ausência de retorno prático, o reconhecimento do encerramento de um ciclo e a elaboração do luto profissional emergem não como fraqueza, mas como um processo fundamental de reorganização existencial e ocupacional. A Articulação dos Caminhos Tentados (2018–2026) Ao longo de oito anos, foram empreendidos esforços deliberados em praticament...