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Aceitar as mudanças, pois mudar é preciso

Maio/2020.Escrito por Ayrton Junior - Psicólogo CRP 06/147208
O presente artigo chama a atenção do leitor(a) a aprender a aceitar as mudanças que ocorrem na sua vida e encará-las de modo positivo, pois é preciso mudar para sair da compulsão a repetição dos mesmos comportamentos e da mesma situação. Embora mudanças tragam junto consigo o medo do desconhecido quando não se sabe o que se deve mudar e o que mudará sem o consentimento do indivíduo.  O medo profundo de alguém que se sente incapaz de qualquer ação. Sofrimento agudo a que se sujeita uma pessoa por excesso de dificuldades. Aflição, angústia, exasperação. A irritação profunda, cólera, furor, raiva.
As pessoas resistem as mudanças sejam elas conhecidas ou desconhecidas, ou seja, o mecanismo de defesa resistência entra em ação no momento que percebem que chegou a hora de mudar alterar algo em suas vidas seja o comportamento, seja de localidade, seja profissional, seja situacional e outros. Lidar com mudanças nem sempre é fácil. Para quem está acostumado com as coisas de uma determinada forma, qualquer alteração no curso da vida pode ser estressante e desconfortável. Não importa se a mudança é pequena ou grande, motivada ou involuntária. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.
Alguns indivíduos são muito apegados à rotina já estabelecida e sofrem quando algo sai do curso. Por exemplo, tentar enxergar o lado positivo da mudança parece algo difícil pra você? Abrir-se ao novo, com a cara e a coragem, soa como loucura? Buscar tratamento com um psicólogo nunca passou pela sua cabeça? Se você pensa dessa maneira, mas tem interesse em mudar essas questões dentro de você, esse artigo vai certamente lhe chamar a atenção para o tema.
Para aceitar as mudanças é necessário depreender de modo intelectual que a vida não é sempre estável e que mudar, seja o que for ou quando for, é inevitável. Por isso, ajustar o pensamento é essencial para que a ansiedade, o medo e a preocupação não tomem conta. Nenhuma mudança é 100% negativa. Sempre há um lado bom, por mais que seja difícil identificá-lo em um primeiro momento. Exemplo, ser demitido do emprego a princípio é percebido como negativo, pois o sujeito se apercebe faltante de dinheiro, de reconhecimento, de valoração, de autonomia financeira e outros. Contudo ao observar o processo de mudança que este sujeito passará no ciclo de desempregado possibilitará ao mesmo alterar/ e ou mudar varias coisas na sua vida, exemplo, ajustar controlo das emoções em situações de crise, ajustar orçamento gastando o mínimo necessário, priorizar gastos no lar, renunciar a hábitos nocivos e outros que você imaginar enquanto lê o artigo.
Imagine que você foi realocado a uma outra cidade por motivos profissionais, por exemplo. De início, a ideia de recomeçar a vida em um ambiente completamente novo pode parecer assustadora, entretanto também é uma forma de permitir que novas pessoas, com percepções diferentes de mundo, façam parte do seu dia a dia. Outro exemplo, você se encontra desempregado e já participou de diversos processos seletivos e teve como feedback resultados que o perfil destoa das vagas, mas mesmo assim continua a buscar por uma vaga de emprego e não sabe mais em que deve mudar ou que é preciso mudar para obter um trabalho. Compreenda que algumas mudanças estão fora do nosso controle e não nos resta muito o que fazer, a não ser aceitá-las. É o que acontece quando perdemos algum ente querido, um emprego, um imóvel por exemplo.
As mudanças que não queremos estão além do nosso domínio e aceitar que esta é a nova configuração da nossa vida é um passo importante para conseguir manter a calma e evitar crises de estresse, ansiedade. A vida sempre continua e as mudanças vêm em tamanho, proporção e intensidade diferentes. Em alguns momentos, quando tudo parece acontecer ao mesmo tempo e você pensa que nada mais será como antes, é normal que nos sintamos incomodados, tensos, ansiosos ou nervosos. Nessa hora, para te auxiliar a fazer uma transição mais tranquila, é importante procurar ajuda de um profissional da psicologia.
De início, conversar com amigos e familiares próximos, que tentarão fazer você ver a situação de outra forma. Mas nem sempre apenas a conversa vai surtir o efeito desejado. Uma das maneiras mais eficientes de colocar tudo em perspectiva e aprender a lidar com a situação é procurar a ajuda de um psicólogo capacitado, que irá trazer uma visão profissional ampla do problema e vai fazer com que você encontre o suporte emocional de que precisa dentro de si mesmo.
Em vários momentos da vida, nos deparamos com situações que precisamos mudar, decisões que precisam ser tomadas, que demandam angústia, pois não sabemos qual será o resultado. Mudança de escola, de universidade, de profissão, de instituição, casa, cidade, país, de emprego, posição social, estado civil, de papéis, atitudes, comportamentos, hábitos […] enfim, são várias transformações vivenciadas. Contudo há aquelas pessoas que passam por muitas mudanças na vida e já não sentem medo ou se apavoram ao pensar que terão que mudar outra vez. Existem aqueles que não passaram por muitas mudanças, tendo certa resistência sempre que precisam realizar uma, demoram a se habituar, tendo estranhamento diante das novidades encontradas.
É importante assumirmos responsabilidade por nossas escolhas, nunca culpando pessoas ou situações por algo que não deu certo, mas sermos autores de nossa história, confiando que se alguma coisa ainda não deu certo, quando estivermos prontos, vai dar, ou nos transformaremos a ponto de não precisarmos que aquele desejo antigo dê certo. O medo, a angustia sempre vem na hora da mudança, pareça ela boa ou não, mas não devemos permitir que ele nos pare, não podemos nos autossabotar, jamais desistir, ter sempre uma coragem maior que o medo, ter auto aceitação, autoconfiança, saber que somos capazes de vencer o que for necessário. [...] “A angústia é, dentre todos os sentimentos e modos da existência humana, aquele que pode reconduzir o homem ao encontro de sua totalidade como ser e juntar os pedaços a que é reduzido pela imersão na monotonia e na indiferenciação da vida cotidiana. A angústia faria o homem elevar-se da traição cometida contra si mesmo, quando se deixa dominar pelas mesquinharias do dia-a-dia, até o autoconhecimento em sua dimensão mais profunda” (CHAUÍ, 1996 p.8-9).
A vida é uma viagem que nem sempre é maravilhosa, mas não é estática, estamos em uma mudança constante. Tudo tem um princípio e um fim e as coisas que ontem estavam, pode ser presente. Aceitar essa realidade nos permite viver que amanhã desapareçam do nosso o aqui-e-agora com mais tranquilidade, desfrutar do que temos nas mãos, sem nos preocuparmos em perdê-lo ou não. É muito importante aprender a fechar ciclos, capítulos ou histórias das nossas vidas, pois isso é viver, é mudar, se renovar, e não permanecer na chamada zona de conforto mais tempo do que for necessário.
O ser humano sabe que a mudança constante gera incerteza, e essa incerteza dá medo e desejo de controlar, mas como seres racionais que somos, é preciso aprender que a segurança não existe, exceto no caso da morte. Por mais que procuremos controlar os nossos mundos, haverá certas situações ou eventualidades que acontecerão sem esperar e sem que tenhamos poder algum para modificá-las. Não queira permanecer onde você já não deve mais estar por medo da incerteza [desemprego, emprego que gera desprazer]. Talvez hoje você esteja sofrendo por ter fechado um determinado capítulo, mas amanhã você se alegrará e voltará a abrir outro que provavelmente será muito melhor. Será melhor porque você o fará melhor, terá aprendido com as etapas anteriores, terá tirado conclusões e terá amadurecido como pessoa.
Estamos em uma mudança constante e tudo muda, tudo passa, tudo se reinventa. Também evoluímos como pessoas, não somos estáticos. O sujeito que você era já não é o mesmo de agora. Crescemos, amadurecemos, envelhecemos e ontem morremos; essa é a ordem natural das coisas e não temos que ir contra a corrente, nem tentar modificá-la, e sim aceitá-la com compreensão racional. Deixe de se perguntar o porquê das coisas.
Por que tal pessoa morreu? Por que me deixou por outra pessoa? Por que acabou? Por que fui despedido ou estou ainda desempregado? Eu lhe pergunto: Por que você ainda está se perguntando isto? Por acaso você crê que irá solucionar o seu problema? Deixe isso pra lá. Não vale a pena arrumar outro problema. O passado, passado é, deixe-o ir embora; frustração desnecessária por querer saber o porquê. Talvez você nunca saiba o porquê de nada e se souber, também de nada irá servir a não ser para matar a curiosidade ingênua.
Não diga coisas como não é justo que isso acabe assim, exemplo, ainda estou desempregado, ainda estou sozinha e outros. Minha vida não tem sentido depois do fim do meu relacionamento, depois da demissão, depois da perda do imóvel etc. São ideias falsas, exageradas e pouco práticas. Você se adaptará à mudança cedo ou tarde, mas conseguirá isso muito mais cedo se aprender a administrar bem as suas ideias e pensamentos. Assuma, abrace e aceite as mudanças, faça delas parte de você, da sua vida, do seu mundo. Na nossa vida ocorrem mudanças a todo momento.
Desde muito cedo aprendemos a nos adaptar a novos ambientes e situações: escola nova, empresas, novos amiguinhos, a chegada de um irmão, a morte de um ente querido, a descoberta da paixão e também da desilusão amorosa. Enfim, no decorrer de nossa trajetória muitas alterações de objetivos acontecem e todas elas são necessárias para o nosso crescimento. Sabemos, porém, que todo movimento inesperado gera desconforto. Alguns indivíduos não sabem como lidar com as mudanças e isso acaba se tornando um transtorno, necessitando da ajuda de um psicólogo.
Muitas vezes estamos de tal forma presos a uma zona de conforto que, mesmo se a situação que nos encontramos não seja satisfatória, temos medo de nos movermos em direção à uma mudança, seja ela no trabalho, seja de renúncia de hábitos nocivos, seja nas tarefas domésticas em casa, na escola ou num relacionamento. [...] O mal de tudo isso é que buscam as agitações da vida como se a posse das coisas que buscam devesse torná-los verdadeiramente felizes. O problema é que não os tornam, nunca estão satisfeitos com nada. A grande consequência disso é que abandonam seu projeto essencial. As preocupações da vida constantemente os distraem e o perturbam. “O ser-humano, em sua vida cotidiana, seria promiscuamente público e reduziria sua vida à vida com os outros e para os outros, alienando-se totalmente da principal tarefa que seria o tornar-se si mesmo” (CHAUÍ, 1996 p.8).
O medo do novo nos paralisa e faz com que continuemos na mesmice. Todavia é necessário reconhecer que muitas mudanças nos são impostas e não temos como fugir delas. Por isso, o melhor é saber como lidar com as alterações e tirar, de cada situação, o melhor proveito possível. O ideal é enxergar a mudança como uma oportunidade de crescimento e autoconhecimento. Perceba os sinais de uma mudança eminente, exemplo, um cidadão participa de vários processos seletivos num período de 1095 dias e sempre recebe o feedback que seu perfil destoa das vagas que está se candidatando, existe por trás disto um sinal de que algo deve ser mudado, ou seja, parar de participar dos processos seletivos das vagas que se candidata ou mudar seu perfil?.
De nada adianta fingir que não enxerga o que está acontecendo diante de você. Problemas de saúde de algum familiar, buscar outro tipo de trabalho, reestruturação na empresa onde trabalha e comentários sobre a necessidade de mudar algo em si mesmo. Todos são sinais de que algo pode acontecer e alterar a sua rotina. Se estiver atento aos sinais poderá se preparar para reagir melhor à mudança e pensar em maneiras de como administrá-las com o menor sofrimento possível. Lembre-se que não temos controle sobre tudo na vida, todavia podemos controlar as emoções em nós mesmos. A mudança pode virar a nossa vida do avesso, contudo como reagimos e lidamos com ela é que faz a diferença. Colocar a culpa nos outros ou tentar controlar aquilo que está fora de nosso alcance não ajudará em nada.
A mudança desestabiliza a nossa vida, nos tira do eixo e, por isso, ela pode ser considerada um choque. Todos os hábitos podem vir a ser questionados diante da interferência de uma rotina diferente. Por isso, é necessário calma e coragem para enfrentar o medo do desconhecido e aprender a lidar com as alterações do nosso cotidiano, incorporando novos padrões de vida. Toda mudança traz uma oportunidade, seja de rever padrões que não servem mais para sua vida, para perceber que as escolhas que faz não são as melhores ou para reexaminar o seu estilo de vida. Embora seja difícil, a mudança pode trazer um bem, que é a chance de você se conhecer melhor e descobrir a sua capacidade de lidar com obstáculos que pareciam intransponíveis e se tornar resiliente.
Pensar nas mudanças psicológicas, nas mudanças internas, como graduais pode nos trazer o julgamento de lentidão, de esforço. De fato, mudar assim é como subir uma escada demanda certo esforço, embora não tanto se considerarmos o esforço envolvido na passagem de uma escada para a seguinte. Pensar nas mudanças como eventos graduais pode também trazer uma perspectiva mais compassiva, não precisamos nos criticar no processo, exigindo mudanças radicais de uma hora para outra como na passagem de um ano velho para um ano novo.
As mudanças externas, os eventos e pessoas significativas, parecem escapar desta lógica, como se a mudança em vez de ponto a ponto fosse repentina e inesperada. Todavia, em análises psicológicas mais aprofundadas, descobrimos que o que acontece fora de nós já estava previsto dentro. O receio da mudança vem do medo que as pessoas sentem de tudo que é desconhecido ou incerto. Em fases de transições profissionais, início ou fim de relacionamentos, mudanças de cidade ou alterações na rotina, é normal que o medo da mudança tome conta de nós. Mas o que fazer nesses momentos? [...] O ser humano é esse nada, livre para ser alguma coisa. “Suspendendo-se dentro do nada o ser aí sempre está além do ente em sua totalidade. Este estar além do ente designamos a transcendência. Se o ser-aí, nas raízes de sua essência, não exercesse o ato de transcender, e isto expressamos agora dizendo: se o ser-aí não estivesse suspenso previamente dentro do nada, ele jamais poderia entrar em relação com o ente e, portanto, também não consigo mesmo. Sem a originária revelação do nada não há ser-si-mesmo, nem liberdade. (HEIDEGGER, 1996, p. 41).
Tudo começa adotando uma postura de coragem, de enfrentamento. As mudanças nos ensinam que nada nas nossas vidas é definitivo. Através delas, é possível aprender, crescer, conhecer coisas novas e, o mais importante, aprender a lidar com as adversidades, as dificuldades, as imperfeições. São também uma chance de autoconhecimento e descoberta, pois com as alterações no nosso entorno, conseguimos perceber o que de fato forma o que somos, a nossa personalidade e objetivos. Ao recebermos a notícia de uma grande mudança, é comum que tenhamos dificuldade em assimilar. Afinal, adaptar-se ao novo exige certo tempo. Nesse momento, faz parte a resistência emocional, insegurança e dificuldades de ação.
As mudanças fazem parte da vida. Ir para uma nova cidade, decidir por uma carreira internacional, mudar de profissão, de estado civil, de emprego, de orientação sexual, de religião, de casa, de vida. Existem as mudanças desejadas e também as imprevistas. Independentemente do jeito que for, as novas situações nos levam a buscar diferentes formas de adaptação e nos dá a oportunidade de ampliar nossas experiências e amadurecer.
Às vezes a vontade de mudar existe, é legítima, contudo, o indivíduo se percebe paralisado frente às transformações que deseja realizar. Isso é muito comum ocorrer ao longo do processo terapêutico. À medida que o sujeito começa a se aperceber e se conhecer melhor, ganha autonomia e tem vontade de reformular para melhor algumas áreas da vida. No entanto, deixar um estado conhecido para atingir um novo traz consigo aspectos desafiadores. Junto com a vontade da mudança surgem também as sensações de medo e insegurança. Será que vale a pena? [...] O homem é projeto. A necessidade de viver é uma necessidade de preencher esse vazio, de projetar-se no futuro. É o anseio de ser o que não somos, é o anseio de continuar sendo. O homem só pode transcender se for capaz de projetar-se. Assim, ele sempre busca um sentido para sua vida. “A angústia contém na sua unidade emocional, sentimental, essas duas notas ontológicas características; de um lado, a afirmação do anseio de ser, e de outro lado, a radical temeridade diante do nada. O nada amedronta ao homem; e então a angústia de poder não ser o atenaza, e sobre ela se levanta a preocupação, e sobre a preocupação a ação para ser, para continuar sendo, para existir (MORENTE, 1980, p.316)
Será que eu consigo? Essas indagações são naturais e é importante estar atento, para evitar possíveis boicotes e, assim, conseguir realizar as mudanças desejadas. Toda mudança leva a algum tipo de perda, exemplo, renunciar a candidatar-se a vagas ao qual recebe o feedback de que o perfil destoa da vaga, sinaliza a perda das vagas, ou seja, o candidato não pode mais se candidatar a essas vagas, depois de ter feito uma avalição dos processos seletivos, é preciso colocar isso em perspectiva e aceitar as mudanças, pois é preciso mudar, ou seja, buscar por outras vagas que nem se quer imagina.
Para buscar outras vagas até inferiores ou vagas as quais possa encaixar a formação acadêmica e técnica do cidadão, e ou competência, habilidades e atitudes por exemplo, é necessário perder a gratificação salarial, carga horária, benefícios como convenio médico, passagem do transporte coletivo, status da vaga, segurança empregatícia na instituição e outros. Para morar em uma nova cidade, por exemplo, é preciso perder o conforto do ambiente conhecido. As perdas são naturais e positivas em certa medida, fazem parte do movimento da vida e são necessárias para que novas situações possam de fato acontecer.
Coragem, a capacidade de enfrentamento dos desafios é essencial para abrir o caminho e chegar onde é preciso. A coragem junto à fé, não falo da fé religiosa, mas da fé que o indivíduo tem em si mesmo de que a mudança é o melhor objetivo a seguir, é o que sustenta a travessia. Quando abrimos mão da situação segura/ e ou zona de conforto [desemprego, emprego que gera desprazer, relacionamento abusivo] e estamos construindo uma nova, as dúvidas tendem a surgir intensamente. Será que fiz certo? Será que vou dar conta? O sentimento de culpa está presente e isso acontece porque a situação nova ainda está se formando, não é possível colher frutos ainda, é preciso investir tempo, energia e esperar com coragem e fé.
Mudar deve atender o anseio de levar o sujeito para uma realidade mais condizente com aquilo que traz sentido para a sua vida e consequentemente mais satisfação e alegria, embora isso não queira dizer que não haverá dificuldades. Problemas existirão sempre, o que muda é a condição emocional do sujeito. Quando se faz uma escolha em direção a uma nova situação e a mudança é concretizada, a sensação de realização traz contentamento e o indivíduo tende a se tornar mais tolerante perante as adversidades e mais capaz de superar os próprios desafios. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram satisfação, mesmo para impulsos instintuais que foram reprimidos.
O medo de mudança é comum, porém é necessário saber lidar com ele. A imaginação do ser humano é capaz de criar inúmeros fatos e situações que poderão ou não acontecer na realidade. Com base nisso, podemos dizer que essa imaginação pode trazer reações positivas ou negativas para a pessoa que está criando todas essas questões. Nesse sentido, as pessoas acabam desenvolvendo o sentimento de medo em relação ao que esteve criando em sua mente, principalmente quando está diante de grandes mudanças em sua vida. Posso dizer com propriedade que todo esse ciclo não é algo favorável para o desenvolvimento pessoal e profissional de qualquer tipo de indivíduo.
Procure não ter medo da mudança, pois além do pensamento positivo, outras estratégias também podem ser usadas para ajudar neste processo de aceitação das mudanças, já que pequenas ações positivas, quando colocadas em prática, são capazes de fortalecer a mente e as emoções das pessoas que têm medo de mudança. Exemplo, confesse a si mesmo que tem medo de mudanças. Assume que tem receio de alguma coisa é o primeiro passo para que esse caminho tome uma direção certa. Mudar de opinião não é um erro, errado é ser inflexível, ter uma rigidez mental que impede a capacidade de ouvir outra opinião. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162)
De tempos em tempos é preciso mudar. Mudar é revigorante, é revitalizador é instigante. Também pode ser angustiante, pode trazer um frio na barriga, ansiedade e seus sintomas, mas quando a mudança é positiva, a ansiedade é boa, faz bem, renova. Muitas vezes é mais fácil ficar na zona de conforto [desemprego, relacionamento abusivo, mesma localidade, manter as mesmas práticas, os mesmos costumes, a mesma velha opinião]. Sim, pode ser mais fácil, pois, mudar, recomeçar, reconstruir exigem coragem, ousadia, persistência e fé em si mesmo.
Coragem e ousadia para transcender, para atingir objetivos mais altos, para sair da zona de conforto, para abrir as asas e voar, sem ter medo de cair e, se vier a cair, levantar ainda mais forte. Persistência e fé para confiar na própria capacidade de vencer, para confiar que se é capaz e que se consegue ir além do horizonte. Parte da sociedade critica quem muda com facilidade de opinião, são taxados de fracos e inconstantes, todavia manter-se rígido em crenças e pensamentos retrógrados impede a evolução.
Mudar de opinião não é um erro, errado é ser inflexível, ter uma rigidez mental que impede a capacidade de ouvir outra opinião. É bom que os valores e princípios sejam mantidos, desde que eles não nos impeçam de crescer, de evoluir, de aprender e que não venham a causar sofrimento, pois muitas pessoas se mantêm em uma situação negativa por não conseguir mudar a forma de pensar, sentir e agir; por estar com a mente engessada e não perceber outras possibilidades. Por isto as mudanças nos instigam, nos dão energia, pois são oportunidades de crescermos, de evoluirmos e vislumbrarmos novas possibilidades, novos horizontes, novas formas de viver, que podem ter suas dificuldades [sempre as teremos], embora estas dificuldades servem de impulso, servem de aprendizado e nos levam além do que podíamos ver, que nos mostram que somos muito mais fortes do que acreditávamos ser.
Observo que algumas mudanças são mesmo demasiadamente difíceis e você pode não conseguir enfrentá-las sozinho. Seja porque não possui estrutura psicológica para isso, seja porque não sabe quais ferramentas usar em seu favor. Como dissemos, o medo do desconhecido pode paralisar. A procura por um psicólogo num momento de mudança profunda pode ajudá-lo a lidar com o processo de modo mais fácil. Através do diálogo, o psicólogo poderá identificar o que está causando a dificuldade em lidar com as alterações na sua rotina e procurar desenvolver em você habilidades de enfrentamento e aceitação com o diferente. Lembre-se que em todas as mudanças [incluindo as que ocorrem no processo terapêutico] você é o principal agente de mudança.



Referência Bibliográfica
CHAUÍ, MARILENA. HEIDEGGER, vida e obra. In: Prefácio. Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1996.
FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.
FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII
FREUD, S. Inibições, Sintomas e Ansiedade (1826). In: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Comentários e notas de James Strachey; Colaboração de Anna Freud; Tradução de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996, vol. XX
HEIDEGGER, M. Que é Metafísica? Os pensadores. São Paulo: Nova Cultura, 1996

MORENTE, MANUEL G. Fundamentos da filosofia: lições preliminares. 8 edição. São Paulo: Mestre Jou, 1980.

Comentários

  1. Boa tarde tudo bem? Sou carioca e procuro novos seguidores para o meu blog. Novos amigos também são bem vindos.

    https://viagenspelobrasilerio.blogspot.com/?m=1

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  Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo] Introdução Este livro nasce da escuta de um conflito silencioso: o de um sujeito que, formado em Psicologia, atua como fiscal de caixa em um supermercado — um espaço de intensa dinâmica social, mas carente de reconhecimento subjetivo. O personagem central, o fiscal psicólogo , simboliza o homem moderno dividido entre o trabalho que sustenta o corpo e o desejo que alimenta a alma . No entanto, o ambiente organizacional, regido por normas e metas, torna-se o espelho de uma estrutura psíquica aprisionada: o superego institucional, que reprime o desejo de ser, em nome do dever de parecer produtivo. Pela lente da psicanálise , este livro propõe uma escuta — ou, como diria Lacan, uma escanálise — da dor de um sujeito que, sem perceber, retirou a libido de sua própria função. A análise busca compreender o processo inconsciente que o levou a se perceber como um “fiscal morto” , sem prazer, sem reconhecimento e sem o brilho do desejo que...