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Urgência Subjetiva: O desespero parece não ter saída

Maio/2020.Escrito por Ayrton Junior - Psicólogo CRP 06/147208
O presente artigo chama a atenção do leitor(a) a olhar para o limite do desespero. A morte de um parente, o desemprego, a perda de um imóvel, catástrofes naturais, o divórcio leva muitos a perder a razão, pois a situação parece não ter saída. Como não ultrapassar essa fronteira e quais os caminhos de volta. O desânimo profundo de alguém que se sente incapaz de qualquer ação. Sofrimento agudo a que se sujeita uma pessoa por excesso de dificuldades. Aflição, angústia, depressão, exasperação. A irritação profunda, cólera, furor, raiva. Assim os mestres da língua portuguesa e da psicologia definem o desespero. [...] O ser humano é esse nada, livre para ser alguma coisa. “Suspendendo-se dentro do nada o ser aí sempre está além do ente em sua totalidade. Este estar além do ente designamos a transcendência. Se o ser-aí, nas raízes de sua essência, não exercesse o ato de transcender, e isto expressamos agora dizendo: se o ser-aí não estivesse suspenso previamente dentro do nada, ele jamais poderia entrar em relação com o ente e, portanto, também não consigo mesmo. Sem a originária revelação do nada não há ser-si-mesmo, nem liberdade. (HEIDEGGER, 1996, p. 41).
Os especialistas esclarecem que o estilo de vida moderno é perverso com os dilemas emocionais. Alguém que demonstra padecimento psicológico, em geral, é tido como fraco. A possibilidade de ser malvisto faz com que o indivíduo esconda sua angústia, pois seu autorretrato destoa do padrão exigido na sociedade. Uma hora, surge a impressão de que não há saída para seu tormento e ocorre uma explosão. A mente se desestrutura e o sofrimento é tão grande que ele é movido a fazer qualquer coisa para se livrar da dor. Às vezes, a angústia se alimenta de um cenário mais amplo. Atualmente, o pensamento está em desespero. Há uma crise no saber e na ética.
Percebemos que os políticos não têm mais compromissos e a sociedade busca o prazer a qualquer custo. Isso não quer dizer que a pessoa vá sucumbir exatamente por causa da política. Mas as crises na vida política e social exercem influência sobre as pessoas. A impunidade dá a impressão de abandono e sentir-se isolado, sem ter a quem recorrer para falar sobre suas angustias, é um dos fatores mais associados ao problema. O desespero geralmente se manifesta em momentos de estresse e pânico extremos. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram satisfação, mesmo para impulsos instintuais que foram reprimidos.
Quando uma situação parece não ter saída, faz com que nos deixamos levar por sentimentos e pensamentos que tiram a nossa paz, autoconfiança e habilidade de pensar com clareza. Sua manifestação está comumente associada às situações enfrentadas pela maioria das pessoas, como estresse no trabalho, desemprego, desentendimentos na família, convívio com amizades tóxicas, relacionamentos abusivos, morte de alguém próximo, e o nosso próprio pessimismo no modo de levar a vida.
Assim que essas passam, no entanto, ele desaparece. A sua permanência é sinal de que existe um problema maior que merece um olhar mais cuidadoso. Exemplo de um cidadão que se encontra a 1095 dias desempregado, tentando se reinserir no mercado de trabalho deveras está no desespero. E quando olhamos ao redor e não encontramos a segurança e o conforto que desejamos para nos manter bem no dia a dia, significa que a desesperança se instalou em nosso íntimo. O desespero é um estado emocional de extrema tensão, ansiedade e medo. [...] “A angústia é, dentre todos os sentimentos e modos da existência humana, aquele que pode reconduzir o homem ao encontro de sua totalidade como ser e juntar os pedaços a que é reduzido pela imersão na monotonia e na indiferenciação da vida cotidiana. A angústia faria o homem elevar-se da traição cometida contra si mesmo, quando se deixa dominar pelas mesquinharias do dia-a-dia, até o autoconhecimento em sua dimensão mais profunda” (CHAUÍ, 1996 p.8-9).
O indivíduo mergulhado neste estado não consegue sair com facilidade, pois sua percepção negativista contribui para que esteja sempre para baixo. Quando recorrente, torna-se clínico e pode assumir o controle das emoções. Uma característica marcante do desespero clínico é a falta de significado do sentimento. Não há ameaças iminentes, sofrimento ou circunstâncias perigosas. Mesmo assim, a pessoa vivencia este estado de novo e de novo.
O desespero toma conta em cenários comuns da vida cotidiana, aumentando a proporção dos sentimentos e pensamentos negativos. Assim, o sujeito acredita que a situação é mais problemática do que realmente é. Esta maneira de pensar acaba alimentando o seu estado emocional delicado. Comumente, também é provocado por eventos negativos na vida da pessoa, como traumas, divórcio, demissão, morte de alguém querido, abuso, uso de substâncias químicas, entre outros. Quando existe muita raiva, ressentimento e culpa reprimida em nosso interior, em algum momento de nossas vidas esses sentimentos terão que sair. [...] O mal de tudo isso é que buscam as agitações da vida como se a posse das coisas que buscam devesse torná-los verdadeiramente felizes. O problema é que não os tornam, nunca estão satisfeitos com nada. A grande consequência disso é que abandonam seu projeto essencial. As preocupações da vida constantemente os distraem e o perturbam. “O ser-humano, em sua vida cotidiana, seria promiscuamente público e reduziria sua vida à vida com os outros e para os outros, alienando-se totalmente da principal tarefa que seria o tornar-se si mesmo” (CHAUÍ, 1996 p.8).
Não necessariamente através de acessos de raiva ou de choro, mas por meio de transtornos mentais, pensamentos ruins podendo até mesmo chegar a ser suicidas e instabilidade emocional. A repressão de paixões, sonhos, desejos e emoções positivas no geral também podem resultar em um cenário semelhante. Por isso, não devemos deixar as nossas vontades em segundo plano. Possivelmente, você terá que deixar a zona de conforto para encontrar um caminho além do desespero.
Tudo em sua vida deve ser feito ou pensado ou sentido para ser benéfico para você. Se não está sendo bom, então, tem algo errado. Por mais que pensamentos ruins tentem nos dizer o contrário, o bem-estar é a verdade absoluta. Toda vez que perceber a repetição do padrão de comportamento nocivo, lembre-se disso para ajudar a combatê-lo. Ainda mais se o indivíduo já experienciou e vivenciou as crises pelas quais está passando novamente, exemplo, desemprego, separação amorosa, mudança de moradia.[...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.
Observo que alguns recorrem aos amigos, a alguém de sua igreja ou grupo religioso, outros recorrem à família, mas alguns preferem ficar só. Entretanto buscar por um profissional da psicologia é muito difícil, pois existe ainda preconceito. Já no caso do valor monetário, sinaliza que buscar conselhos em amigos, na família ou até no pastor da igreja não é necessário investir dinheiro, sai de graça o conselho, e leva-se em consideração apenas o tempo de deslocamento até o local para obter o conselho.
Em minha experiência percebo que momentos como este podem ser superados com um pouco mais de facilidade quando compartilhados com alguém em quem se possa confiar, embora é possível que haja pessoas que ao invés de ajudar acabam por piorar o problema quando tentamos compartilhar nosso momento de desespero, pois ou não sabem como reagir ao que estão ouvindo ou podem utilizar o momento para contar seus próprios problemas, para falar de como sempre conseguem fazer tudo certo e não entram em situações parecidas ou para julgar e condenar. Esses tipos de argumentos são muito utilizados entre os cristãos.
Por isso pode ser interessante uma certa análise sobre a pessoa com quem partilharemos situações delicadas que causam sentimentos tão fortes como o desespero. Podemos ocasionalmente sentir desespero relacionado ao nosso trabalho, ao desemprego, ao local de moradia, ao casamento ou vida amorosa, família, finanças, tragédias e outros. Mas normalmente ele se dissipa com o tempo, e a vida continua. Pelo menos até a próxima crise/ e ou ciclo. Quando o desespero não passa, mas sim se aprofunda, infiltrando-se no íntimo, e acaba assumindo o controle das emoções e se torna crônico. É hora de prestarmos atenção em nosso pensamento, sentimento e comportamento.
Ao diminuir a qualidade de vida, danificar a produtividade e impedir de ir em frente e perseguir os objetivos, sonhos e desejos, o desespero se torna clínico ou patológico e é necessária intervenção profissional. O desespero clínico é conceituado por psicólogos como uma profunda e existencial desesperança, desamparo, impotência e pessimismo sobre a vida e o futuro. Ainda, é um desânimo profundo e perda de fé sobre a capacidade de encontrar significado, realização e felicidade, para criar um futuro satisfatório para si. [...] O homem é projeto. A necessidade de viver é uma necessidade de preencher esse vazio, de projetar-se no futuro. É o anseio de ser o que não somos, é o anseio de continuar sendo. O homem só pode transcender se for capaz de projetar-se. Assim, ele sempre busca um sentido para sua vida. “A angústia contém na sua unidade emocional, sentimental, essas duas notas ontológicas características; de um lado, a afirmação do anseio de ser, e de outro lado, a radical temeridade diante do nada. O nada amedronta ao homem; e então a angústia de poder não ser o atenaza, e sobre ela se levanta a preocupação, e sobre a preocupação a ação para ser, para continuar sendo, para existir (MORENTE, 1980, p.316)
O desespero, que muitas vezes também carrega uma grande dose de amargura, tipicamente decorre da raiva reprimida, ou da raiva sobre como a vida nos tem tratado injustamente, e como impotente e indefeso estamos para fazer algo construtivo a respeito. Existem aqueles que dizem ter ações baseada no amor, mas que na verdade, mostram ser atos desesperados, resultante de uma extrema aflição, advinda de algum motivo ou evidência. Exemplo, uma pessoa desesperada pode cometer crimes, isso se dá em casos em que o ser humano não aceita um fato. Um exemplo disso é quando um homem é traído e por indignação, angústia e ódio, decide flagelar a esposa ou tirar sua vida.
Uma pessoa desesperada também pode fazer mal a si mesma, tentando minimizar um fardo ou dor, pode cometer autoflagelamento e automutilação. Isso geralmente acontece em indivíduos que se encontram com alguma desordem psicológica, podendo ser causada ou não, por medicações ou transtornos mentais. É preciso ter cuidado com o desespero, pois ele pode prejudicar e colocar em risco muitas vidas. Ao mesmo tempo que ao ser movido por desespero a pessoa deseja salvar uma vida, pode prejudicar a resolução do problema, quando movido pelo ato impulsivo.
Quando o desespero e a carência são os norteadores para ter um relacionamento. Pois bem, uma vez que uma pessoa enxerga num relacionamento a senha de acesso para a própria dignidade, ela tornar-se-á alguém extremamente vulnerável a meter os pés pelas mãos. Por estar desesperadamente focada em ter uma aliança no dedo, ela fará vistas grossas para qualquer fator negativo no pretendente, ela terá uma justificativa para toda e qualquer evidência preocupante que apareça, chegando a acreditar piamente que nada do que a pessoa fez de grave em relacionamentos anteriores acontecerá com ela e não adianta o mundo inteiro tentar alertá-la. O que uma pessoa assim quer é mostrar ao mundo que ela também tem dignidade e valor, uma vez que ela cristalizou a crença de que uma pessoa se torna desqualificada por estar sem uma companhia.
Então, ela entrará num relacionamento ofertando apenas a sua carência como contribuição, sinalizando, que estará disposta a sujeitar-se a absolutamente tudo para manter-se como uma integrante do sagrado universo das pessoas dignas, ou seja, o universo daqueles que possuem um parceiro. Ser feliz, ser respeitado, ser valorizado e receber afeto, definitivamente, serão detalhes dispensáveis para um carente terminal, para ele, importa o status de relacionamento sério nas redes sociais e comparecer com alguém a tiracolo nos eventos familiares e sociais.
O mesmo posso concluir, o desespero e falta de dinheiro são norteadores para a busca de emprego no mercado de trabalho. Por tanto, uma vez que um indivíduo enxerga que está no desemprego e a sua senha de acesso para a dignidade é a busca por trabalho, ele tornar-se-á alguém extremamente desvalorizado, vulnerável a meter os pés pelas mãos por ter medo, se ver obrigado a agir como inadimplente diante da instituição que financiou o seu curso acadêmico, se sentir injustiçado por estar na meia-idade e o que vier a sua imaginação enquanto termina de ler o artigo.
Por estar desesperadamente focado em ter um emprego, ele fará vistas grossas para qualquer fator negativo que surja através dos trabalhos inferiores, ele terá uma justificativa a falta de dinheiro para toda e qualquer evidência preocupante que apareça, chegando a acreditar cegamente que nada do que os cargos inferiores mostrem.  Exemplo, jornadas desgastantes de horários, salário mínimo, poucos benefícios, não aplicação das competências e saber acadêmico e outros podem provocar insatisfação, nada disto acontecerá com ele e não adianta o mundo inteiro tentar alertá-lo.
O que um sujeito assim quer é mostrar ao mundo que ele também tem dignidade é um sofredor desesperado e quer mostrar ao outro o seu sofrimento e pseudo valor se rebaixando a cargos inferiores apenas na intenção de sair do desemprego, uma vez que ele cristalizou a crença de que um indivíduo se torna desqualificado por estar sem emprego. Então, ele entrará num trabalho ofertando apenas a suas carências como contribuição, sinalizando, que estará disposto a sujeitar-se a absolutamente ao desprazer originado por este trabalho, para manter-se como um integrante da empresa e dos indivíduos dignos, ou seja, o ambiente organizacional daqueles que possuem um emprego. Ser feliz, ser respeitado, ser valorizado e receber afeto, ganhar o salário merecido definitivamente, serão detalhes dispensáveis para um carente desempregado, para ele, importa o [status de trabalhador] nas redes sociais e comparecer a eventos sociais para dizer que está empregado inserido no mercado de trabalho não importando quanto sofrimento esteja passando. Ele usou o desespero para atrair mais angustia para si, além das que já possui. Ou seja, não parou para refletir sobre seu desespero, agiu de modo alienado para sair da condição de desempregado ou no caso citado do relacionamento apenas para não encarar por um tempo a solidão.



Referência Bibliográfica
CHAUÍ, MARILENA. HEIDEGGER, vida e obra. In: Prefácio. Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1996.
FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.
FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII
HEIDEGGER, M. Que é Metafísica? Os pensadores. São Paulo: Nova Cultura, 1996

MORENTE, MANUEL G. Fundamentos da filosofia: lições preliminares. 8 edição. São Paulo: Mestre Jou, 1980.

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