Pular para o conteúdo principal

SE NÃO ENCONTRAR NADA É PORQUE CHEGOU O MOMENTO DE CRIAR A SUA PRÓPRIA OCASIÃO

 Ano 2021. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do leit@r a compreender o momento que se chega ao fundo do poço. Se você atingiu o limite de sua força, e se esse recente fracasso ou decepção o tocou mais do que nunca, não paralise, não tenha vergonha e não aceite a vida em um abismo pessoal e psicológico. Encontre ou crie suas próprias oportunidades, pois a motivação pessoal é um grande combustível para mover-se de um cenário incômodo. Observe, analise e reflita sobre, onde estão suas chances para evoluir tanto no lado pessoal quanto profissional. E se não encontrar nada, é porque chegou o momento de criar a sua própria ocasião [oportunidade], ou seja, encontrar circunstâncias adequadas para a realização de alguma coisa, como, um projeto, um trabalho autônomo, um novo curso, um novo relacionamento, um novo local para morar.

Não deu certo? aquela vaga de emprego, aquela especialização tão sonhada, aquela prospecção de clientes, aquela venda de marketing, aquela operação de trader, aquele concurso e o que você pensar agora enquanto lê o texto. Nunca é tarde para recomeçar. E não se sinta mal, por sentir saudade daquele emprego, daquela residência, daquelas operações de investimento que ganhava. Com certeza, apesar dos pesares, existiram situações positivas que você gostava. Sinta tudo isso. Mas, se perdoe! O perdão é o passaporte para você mudar. Acredite, novos voos esperam para ser alçados. Assumir responsabilidades e riscos diante de um futuro que pode parecer incerto é essencial para deixar o passado para trás. Se você continua remoendo o que poderia ter acontecido e não aconteceu, pare agora mesmo porque está num beco sem saída.

Ao longo de nossas vidas, nos encontramos em situações ou momentos que nos forçam a questionar a vereda que seguimos se foi certo ou errado, ainda mais quando tudo parece estar errado. Às vezes só temos uma opção; a de partir e começar de novo. Pode ser terminar um relacionamento longo, pode ser lidar com a falta que fazem os seus filhos que saíram de casa, ou, simplesmente, que você tenha que redescobrir a  sua própria estrada na vida e partir para uma nova jornada, uma nova carreira. Não importa que tenha sido o destino, alguém, o governo, o empregador ou você mesmo o responsável pela sua queda, é hora de seguir em frente e não ficar parado.

Seja você o dono do seu próprio percurso. Exemplo, empreendedor nas redes sociais, fotografo de eventos ou freelancer, vendedor de cursos de marketing, mentor, Day trader e outros. Se já, buscou por ajuda profissional e agora está pronto para voltar ao mercado de trabalho ou simplesmente para viver com bem-estar? Então, agarre essa probabilidade. Na hora de olhar para os momentos ruins da sua vida, use da criticidade. Faça a observação sempre lembrando o que lhe fez seguir em frente e como não voltar para aquele período o qual considera ruim que lhe retirou suas energias, expectações e motivações. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.

O Que é Estar Sem Oportunidades? A metáfora da expressão estar sem possibilidades se refere a situações em que a pessoa não consegue ver uma solução, ou seja, não consegue ver algo que pode ou possível de acontecer. Não enxerga uma alternativa para sair do problema. Dessa forma, ela se sente presa no fundo de um poço, uma metáfora que nos lembra da ideia de buraco sem fundo, escuro dificultando assim a que voltemos a ter nosso chão, nosso local seguro, pois a pessoa se encontra em um local que lhe tras desprazer, desconforto, desorientação, com ausência da capacidade de fazer ou realizar algo para mudar o evento.

Assim como aconteceria no sentido literal, sair dessa situação pode ser bastante delicada, pois requer que curemos as feridas e reunamos forças para galgar os desígnios e nos desencarcerar da sensação de estarmos tolhidos as dificuldades. Contudo, está em suas mãos decidir se irá permanecer no escuro ou se sairá em busca da luz e da sua viradela de chave. E aí, o que você escolhe? Como enxergar outras possibilidades e recomeçar? Muitas pessoas precisam chegar ao fundo do poço, para perceberem que precisam agir de modo diferente para conquistar o que desejam. E que há outras possibilidades O fundo do poço para alguns é um lugar, onde a pessoa é desapossada de algumas coisas, como bens materiais, exercício em carreiras, de prestígio e status, poder aquisitivo, saberes acadêmicos e técnicos dentre outros.

O desprazer causado por essa sensação pode ser a mola propulsora que estava faltando para que se dê uma alteração na vida. Obviamente, o ideal é não precisar chegar a esse ponto para ter, então, uma atitude, contudo, é importante evitar julgamentos, afinal cada indivíduo tem o seu tempo e os seus motivos, respeitar isso é fundamental. Mas é possível se reestruturar no fundo do poço.

Encontre a Sua Oportunidade: É hora de encontrar a direção, as motivações que irão fazer com que tenha força para recomeçar. As vezes parece que não enxergamos as coisas possíveis de acontecer, ficamos cegos, mas existem muitas oportunidades, só não as percebemos no momento e perdemos a motivação. O motivo inicial para se reerguer é estar vivo, mesmo que se sinta desanimado, o que já é uma grande razão para ser grato e retribuir desfrutando de cada dia com plenitude. Então, é necessário que amplie a sua visão para que encontre outros motivos, pois tenho a certeza que você tem muitos. Permita-se descobrir novos gostos e sonhos, fazer um novo curso, mudar de emprego, fazer uma viagem, ajudar o próximo, passar mais tempo com as pessoas que ama. O mundo nos oferece uma infinidade de opções para sermos felizes, encontre as suas. Descubra qual é o seu objetivo/ e ou projeto e tenha motivação para continuar e ir em busca da sua felicidade autêntica.

Alguém que é capaz de pensar criticamente costuma ter mais ideias e sugestões, o que sempre leva à inovação nos projetos da instituição, na vida pessoal e profissional. Afastar sua opinião pessoal abre espaço para pensar em outras opiniões, e é assim que nascem as melhores ideias. Ser crítico é fazer uma análise a respeito de algo para que seja possível tirar as próprias conclusões. Isso é muito bom nos mais diversos aspectos, pois permite que se forme as próprias opiniões, com base nas suas ideias e convicções. Em se tratando de relações humanas, especificamente, sejam elas pessoais ou profissionais, a criticidade também se faz necessária, para que cada indivíduo possa manter a sua autenticidade e evite por medo basear suas ações em agradar aos outros a qualquer custo. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162).

Claro que ser gentil e educado é importante, mas isso não significa que alguém deve passar por cima das próprias vontades para agradar seus familiares, amigos ou colegas de trabalho. É necessário que haja um equilíbrio entre utilizar o senso crítico e manter positivos os relacionamentos interpessoais. Continue acompanhando e saiba mais a respeito desse assunto. Para deixar claro o conceito de criticidade dentro das relações humanas, cito como exemplo um indivíduo que não a possui. Alguém que não tem o seu senso crítico desenvolvido tem grandes chances de acabar se deixando levar pelas opiniões daqueles com os quais convive, a mídia, a religião, propagandas, novelas, livro de autoajuda, filmes. Desse modo, tomará para si os pensamentos de terceiros sem parar para analisar os fatos e, assim, formar as próprias opiniões gerando desprazer. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram satisfação, mesmo para impulsos instintuais que foram reprimidos.

Ter criticidade é importante sempre, mas principalmente ao se relacionar com outras pessoas. Afinal, esse contato já é passível de influência, contudo é necessário que haja um equilíbrio, para que esse processo seja natural e o indivíduo tenha uma espécie de filtro interno pelo qual as informações passam, porém sem comprometer a sua essência, os seus valores e o que ele acredita. Um ponto importante a ser destacado, diz respeito às opiniões que se forma em relação aos outros.

Já aconteceu alguma situação em que um amigo disse que alguém era uma pessoa desagradável, e você logo comprou essa ideia, sem nem se dar ao trabalho de descobrir por si mesmo e tirar as próprias conclusões? Ou ainda quando um profissional dentista fala mal do outro profissional para você, exatamente no momento em que está avaliando o seu dente para dar orçamento dentário. E se você comprar essa crítica deste profissional, já perdeu a sua criticidade em relação ao profissional que não tem ética.

Isso é bastante comum e é ruim, porque lhe impede de conhecer algo ou alguém que pode vir a gostar, ou não, contudo, é fundamental que se permita ter um contato antes de se deixar levar pelas opiniões alheias. Por mais que tenha afinidades com os seus entes queridos e colegas de trabalho, é fundamental considerar que cada indivíduo é único. Portanto, ouça sim o ponto de vista deles, mas permita-se refletir e buscar maiores informações se necessário, para, então, decidir se compartilha da mesma ideia. Esse exercício irá fazer com que desenvolva o seu senso crítico e expanda a sua mente e os seus horizontes cada vez mais.

O senso comum é aquela opinião que um grande número de pessoas compartilha. Muitos utilizam como argumento o ditado que diz que a voz do povo é a voz de Deus, entretanto, nem sempre ele se aplica. Em grande parte dos casos, essas unanimidades ocorrem exatamente por conta da falta de criticidade, que leva os indivíduos a acreditarem em algo porque alguém também acredita, dando origem a um verdadeiro efeito dominó. O melhor que você pode fazer, por você e por aqueles com quem convive, é refletir e buscar informações antes de tomar para si as opiniões de terceiros e sair do estado de alienação.

Faça isso e incentive as outras pessoas a fazerem o mesmo, afinal, se cada um tem as próprias ideias, gostos e preferências em relação a sabores, por exemplo, imagine em relação a assuntos mais sérios como a política, por exemplo. Para desenvolver a criticidade é importante questionar a si e as outras pessoas para obter todas as informações que julgar necessárias para formar uma opinião. Nesse sentido, se alguém lhe disser que a opção A é a melhor, pergunte a ela as razões para isso e, também, busque outras fontes.

O mesmo vale para as ideias que você já tem, questione-se para identificar a razão para pensar dessa maneira, e, então, poderá se certificar de que realmente pensa dessa forma ou passar por um processo de transformação. Muitas pessoas mantêm as mesmas opiniões por toda a vida por acreditarem que mudar seja um sinal de falta de personalidade, ou seja, negam a si mesmo talvez por medo, vergonha o direito de mudar de opinião. Se você pensa assim, saiba que mudar de ideia é normal e um sinal de maturidade e humildade. Cada dia lhe oferece oportunidades de aprendizado e evolução, por isso é natural que pensamentos que tinha no passado, com o tempo, tenham deixado de fazer sentido. [...] Negação Provavelmente é o mecanismo de defesa mais simples e direto, pois alguém simplesmente recusa a aceitar a existência de uma situação penosa demais para ser tolerada. Ex: Um gerente é rebaixado de cargo e se vê obrigado a prestar os mesmos serviços que exercia outrora.

Portanto, não se envergonhe de voltar atrás ou mudar completamente a sua forma de pensar a respeito de algo, pois significa que está evoluindo. Um problema bastante comum e que compromete o senso crítico das pessoas é quando sentimentos se misturam com os fatos. Antes de achar, que alguém está certo apenas porque você gosta dele, ou achar que alguém está errado porque não gosta, é fundamental que saiba separar as emoções dos acontecimentos.

Afinal, não é porque alguém é seu amigo ou faz parte da sua família que estará sempre certo, assim como aqueles com os quais você não tem afinidade também não estarão sempre errados. A criticidade é importante dentro das relações humanas porque permite que cada um mantenha a sua individualidade e, assim, forme as próprias ideias e convicções. O termo criticidade se refere a característica de ser crítico ou ele pode indicar um juízo de valor. Isso não quer dizer que qualquer tipo de reclamação ou comentário pode ser considerada uma boa crítica. O que não falta é gente querendo dar opinião sobre qualquer assunto sem ter experiência real com o tema ou, no mínimo, estudo para construir bons argumentos.

Você precisa de motivação para recuperar um sentido de controle, sentir que a maré está novamente a seu favor antes de navegar em mar aberto, incerto. Ou seja, chegou o momento de criar a sua própria oportunidade, encontre uma circunstância que lhe pareça adequada para a realização de alguma coisa e use da criticidade sempre.

 

 

Referência Bibliográfica

FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal Popular, 1968

FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.

FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII

Comentários

Postagens mais visitadas

O Que Cabe A Mim No Ambiente, O Qual Estou Inserido

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. O papel que você desempenha no ambiente em que está inserido é extremamente importante, pois suas ações e podem influenciar o comportamento e o bem-estar de outras pessoas e do próprio ambiente. Aplicando e exercitando as competências comportamentais, isto é, as soft skills e hard skills a fim de defrontar-se com a insegurança. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162). Em primeiro lugar, cabe a você respeitar as regras e normas do ambiente, seja ele uma escola, local de trabalho, residência, universidade, comunidade ou outro ambiente social. Isso inclui ser pontual, tratar as outras pessoas com respeito e cortesia, e seguir as normas de conduta estabelecidas para aquele ambiente. Al...

A Fila como Sintoma Organizacional: Defesa Institucional, Ruptura do Contrato Psicológico e Falha na Proposta de Valor ao Empregado

  Resumo Este artigo analisa, à luz da Psicologia Organizacional e da Psicodinâmica do Trabalho, uma cena cotidiana: um cliente questiona a escassez de operadores de caixa; a fiscal responde que “as pessoas não querem trabalhar”. Argumenta-se que a fila constitui um sintoma organizacional, cuja etiologia reside menos na “falta de vontade” individual e mais na ruptura do contrato psicológico, na fragilidade da proposta de valor ao empregado (EVP) e em mecanismos defensivos institucionais. A análise integra aportes de Denise Rousseau, Christophe Dejours, Edgar Schein, Frederick Herzberg e John W. Meyer & Brian Rowan, articulando níveis manifesto e latente do discurso organizacional. 1. Introdução: do evento banal ao fenômeno estrutural A cena é simples: fila extensa; poucos caixas abertos; cliente insatisfeito; resposta defensiva da fiscal. Contudo, como em toda formação sintomática, o que aparece (escassez operacional) remete a determinantes estruturais (políticas de...

O luto da forma antiga de existir profissionalmente

  Psicanálise, desejo, função e travessia subjetiva entre sobrevivência e inscrição institucional Introdução Na experiência contemporânea do trabalho, não é raro que o sujeito se encontre dividido entre a sobrevivência material e o desejo de uma função simbólica que dê consistência à sua existência. A psicanálise permite compreender que o sofrimento ligado ao trabalho não se reduz à precariedade econômica, mas toca diretamente a questão do lugar subjetivo: aquilo que nomeia o sujeito no laço social. O caso aqui articulado é o de um sujeito que exerce há anos a função de fiscal de caixa em um supermercado, mas cujo desejo se orienta para uma inscrição como psicólogo institucional. Entretanto, esse lugar desejado não se encontra acessível no presente, e a clínica exercida nas folgas surge como um resto marginal e sacrificial. O sonho relatado — uma mensagem sobre como atravessar o luto, sem nomear o objeto perdido — aparece como forma privilegiada de expressão do inconsci...

Recrutamento & Seleção Teste Avaliação Perfil Profissional

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a tenção do para um excelente tópico. Existem diversas ferramentas e testes psicológicos que podem ser utilizados para avaliar o perfil de um operador de caixa de supermercado. Algumas das possibilidades exemplo, Inventário de Personalidade NEO-FFI: este teste avalia cinco grandes dimensões da personalidade [neuroticismo, extroversão, abertura, amabilidade e conscienciosidade] e pode ser útil para verificar quais traços são mais comuns em candidatos a operadores de caixa. Teste Palográfico: este teste avalia a personalidade a partir da interpretação de desenhos feitos pelo candidato. Ele pode ajudar a entender aspectos como dinamismo, estabilidade emocional, concentração e outros traços relevantes para a função. Teste H.T.P – [CASA, ÁRVORE, PESSOA] Buck (2003), define o H.T.P, como um teste projetivo que serve para obter informações de como uma pessoa experiência a sua individualidade em rel...

Adaptação De Emprego A Psicólogo

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Como um psicólogo na faixa etária adapta sua candidatura a emprego no mercado de trabalho para atuar em instituições na atuação de psicólogo da saúde. Como psicólogo na faixa etária adaptar sua candidatura a empregos no mercado de trabalho para atuar em instituições na área da psicologia da saúde requer a compreensão de diferentes abordagens teóricas e práticas. Vou explicar a seguir como você poderia adaptar sua candidatura, primeiro pela abordagem da psicologia social e depois pela abordagem da psicanálise. Abordagem da Psicologia Social: Na abordagem da psicologia social, é importante destacar a sua compreensão dos aspectos sociais e culturais que influenciam a saúde mental das pessoas. Aqui estão algumas dicas para adaptar sua candidatura: a) Educação e experiência: Destaque a sua formação acadêmica em psicologia social, enfatizando os curs...

O Que Representa O Esquecimento Do Guarda-Chuva Na Vida Do Fiscal De Caixa

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. O fiscal de caixa foi trabalhar e estava chovendo então abriu o guarda-chuvas para não se molhar e no trabalho deixou dentro de um saco plástico nó armário junto da mochila. E terminando a jornada pegou o guarda-chuvas e colocou na mochila com a intenção dê chegar em casa e abrir o guarda-chuvas para secar, mas esqueceu o guarda-chuvas molhado dentro do saco plástico na mochila e agora de manhã para sair para trabalhar ao abrir a mochila viu ó guarda-chuvas. Na psicanálise, um ato falho é uma ação ou comportamento que parece ser um erro, mas que, na verdade, revela algo oculto no inconsciente da pessoa. Vamos interpretar a situação com base nessa ideia: O contexto: O fiscal de caixa colocou o guarda-chuva molhado dentro do saco plástico para evitar molhar os outros itens na mochila, mostrando uma atitude cuidadosa e prática. Contudo, ao chegar em...

Não Dá Mais: uma leitura psicanalítica da permanência no sofrimento

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, a permanência de um sujeito em um contexto laboral exaustivo e insustentável. A partir das contribuições de Freud, Winnicott e Lacan, discute-se como a compulsão à repetição, a ორგანიზ ação do falso self e a dimensão do gozo sustentam a manutenção do sofrimento, mesmo diante da consciência de seus efeitos devastadores. 1. Introdução A frase “não dá mais” marca um ponto de ruptura. No entanto, paradoxalmente, nem sempre ela conduz à saída. Em muitos casos, o sujeito permanece exatamente onde já reconheceu ser insuportável. O caso do fiscal psicólogo ilustra essa condição: jornadas extensas, sobrecarga física, privação de sono e ausência de perspectiva de mudança. Ainda assim, há permanência. A psicanálise permite compreender que essa permanência não é simplesmente racional — ela é estruturada. 2. A compulsão à repetição Segundo Sigmund Freud (1920/2010), o sujeito é levado a repetir experiências que não fo...

Modelo integrado do bloqueio da trajetória profissional

  Da sobrevivência ao desgaste do ideal vocacional Podemos organizar tudo o que discutimos em um encadeamento progressivo de processos psíquicos e institucionais . Em vez de eventos isolados, trata-se de um ciclo estruturado que se instala ao longo do tempo. Esse modelo ajuda a entender que o sofrimento atual não surge de um único fator, mas de uma sequência de efeitos acumulativos . 1. Formação e construção do ideal profissional Durante a graduação, o sujeito constrói: identidade profissional ideal vocacional narrativa de futuro A profissão passa a representar: sentido de vida pertencimento social valor pessoal Nesse momento, o investimento psíquico na profissão é alto. 2. Entrada no trabalho de sobrevivência Por necessidade econômica, o sujeito assume um trabalho que não corresponde ao projeto profissional. Inicialmente ele interpreta isso como algo: provisório estratégico temporário A ideia dominante costuma ser: “Enq...

Quando o Campo Fora do Mapa Escolhe: o Espelhamento Estrutural para o Psicólogo

  Resumo Este artigo analisa, à luz da psicanálise, um episódio aparentemente simples do mundo do trabalho — a contratação por uma instituição fora do circuito conhecido — como operador de um espelhamento estrutural para o psicólogo em transição profissional. Sustenta-se que o sofrimento repetido não decorre de incapacidade subjetiva, mas da insistência em acessar apenas campos simbólicos já nomeados e reconhecidos. O texto discute como a ruptura com o “campo conhecido” desvela limites da percepção, desmonta a compulsão à repetição e possibilita uma leitura mais lúcida da relação entre sujeito, saber e instituição, sem produzir novas ilusões. 1. Introdução: quando o fracasso não é pessoal Na experiência do trabalho e da inserção institucional, muitos sujeitos interpretam a ausência de reconhecimento como falha individual. A repetição de recusas tende a ser vivida como prova de inadequação ou insuficiência. Contudo, do ponto de vista psicanalítico, é preciso interrogar n...

Facilite O Reconhecimento Das Projeções

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Um psicólogo trabalha num supermercado na ocupação de operador de caixa e observa que os colaboradores têm comportamentos de bullying. O psicólogo pensa em fazer uma intervenção no comportamento dos colaboradores, mas não faz nada porquê os colaboradores não sabem que além de operador de caixa ele tem formação em psicologia. E talvez se der a conhecer para os colaboradores que é psicólogo corre o risco de não ser levado a sério no momento de propor as intervenções. A psicanálise sugere que os comportamentos têm raízes inconscientes e que a compreensão dessas dinâmicas pode levar a mudanças significativas. No entanto, a abordagem psicanalítica também valoriza a importância da transferência e da relação terapêutica, o que pode complicar a situação do operador de caixa que é psicólogo oculto. Dado que os colaboradores do supermercado não estão cientes da f...