Pular para o conteúdo principal

A MODA & O QUE A ROUPA DIZ SOBRE VOCÊ

 Ano 2021. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208

O presente artigo chama a atenção do leit@r a compreender a moda, e o que nós vestimos é o que estamos comunicando ou ocultando ao outro. Ao assistir ao filme The Bold type no Netfliz, onde retrata a estória de três mulheres que trabalham numa revista de moda chamada Scarlet. O filme retrata vários temas, racismo, proibição de namorar no trabalho, transgressão de regras no trabalho, bulliyng oculto no trabalho, assédio sexual no trabalho, traição, fofocas com intenção de prejudicar, poder na rede social por meio de números elevados de seguidores, amor e sexo, fotografia, orientação sexual lgbtqia, amizade, sentimento de pertencimento a um grupo no trabalho, mulheres negras em cargos de liderança, salários altos femininos, poder feminino, assessórios de moda, sapatos femininos, cabelos, processo grupal dentre outros. Foi aí que urge o insight sobre moda, pois a moda está dentro do consultório de psicologia tanto presencial como online e naquele momento o que o cliente deseja comunicar ao psicólogo sobre a forma como está vestido.

A psicologia é uma ciência social que estuda a psique humana e a moda é uma manifestação sociocultural, diretamente ligada a todos nós, indivíduos e membros de uma sociedade. Entende-se então que a moda como expressão individual e coletiva [social] pode ser objeto de estudo da psicologia. Podemos dizer que nossa relação com a moda [mais especificamente com a maneira que nos vestimos] é bidirecional. Isso porque nossas roupas são uma expressão do que estamos sentindo, de nossa personalidade, individualidade, assim como também podem ter um impacto em nossa autoestima e mesmo em como nos comportamos. Em nossa forma de vestir, comunicamos nosso desejo de conforto, de transgressão, de invisibilidade ou de nos destacarmos. [...] Esse medo marcará nossa memória, de forma desprazerosa, e será experimentado como desamparo, “portanto uma situação de perigo é uma situação reconhecida, lembrada e esperada de desamparo” (Freud, 2006, p.162).

O que a roupa mostra, esconde, o que leva escrito, sua atualidade, sua qualidade e especialmente a relação que estabelecemos com ela, mesmo que de forma inconsciente, pode estar pleno de significados. O sujeito cria associações com determinados vestuários, como vestir terno está associado a advogado, pastor, banqueiro. Outro exemplo, vestir jaleco branco, está associado a médico, enfermeiro, dentista, psicólogo, revelando o poder profissional. Ainda encontramos o uso e costumes da moda na religião, como a sai comprida, embora muitas doutrinas já aboliram do vestuário feminino esse tipo de vestido.

Esse exemplo é uma ilustração do impacto que a roupa pode produzir em nossa performance, e mesmo em nossa autoestima e empenho em fazer as coisas.  Por fim, outro aspecto resultante das escolhas de vestuário e que atinge a autoestima indiretamente é a sensação de reconhecimento e pertencimento a uma classe profissional, religiosa. Desde sempre, o que vestimos, ornamentos e outros sinais, comunicam de que grupo ou tribo fazemos parte. Essa identificação com o grupo e, ao mesmo tempo, a expressão da individualidade, é um dos vários paradoxos da moda. É importante destacar que a moda é muito mais do que a maioria das pessoas imagina. O construcionismo social criado sobre moda a desenha como puramente tendências, passarelas, compras e produto em si. Ou seja, desliga a moda de toda a sua multidisciplinaridade, focando em objeto de consumo. Na realidade, moda está altamente relacionada à economia, política, cultura, agronegócio, sociologia, antropologia, dentre tantas outras coisas.

Já a psicologia aplicada à moda trabalha construcionismo social, auto imagem e percepção do self [eu], autoestima, bem-estar, comportamento do consumidor, representatividade, senso de pertencimento, autoexpressão, sustentabilidade, entre outros temas que exigem do profissional de psicologia aplicada à moda alguma formação acadêmica em psicologia. Algumas outras maneiras de se abordar a moda através da psicologia envolvem psicologia da motivação, psicologia da emoção, psicologia da percepção e psicologia da personalidade.

Dentre elas podemos destacar alguns exemplos, como quando falamos de construcionismo social e a discussão de padrões de beleza e o que uma sociedade entende como belo, quais as implicações disso para a formação da auto imagem de jovens mulheres, principalmente levando as mídias sociais em consideração? Também podemos discutir a saúde mental dos trabalhadores na indústria; estilistas e outros profissionais que sofrem pressões imensas para se enquadrarem em padrões comerciais e de comportamento; trabalhadores algodoeiros que cometem suicídio por contas das dívidas geradas através do monopólio de sementes geneticamente modificadas; mulheres exploradas e abusadas verbal e fisicamente em confecções, dentre tantas situações. [...] Freud no seu texto “Recordar repetir e elaborar” (1914), texto esse em que começa a pensar a questão da compulsão à repetição, fala do repetir enquanto transferência do passado esquecido dentro de nós. Agimos o que não pudemos recordar, e agimos tanto mais, quanto maior for a resistência a recordar, quanto maior for a angústia ou o desprazer que esse passado recalcado desperta em nós.

Não é necessário ser um entusiasta da moda para perceber a importância da forma como nos vestimos para a maneira como os outros nos veem. A roupa pertence ao conjunto de elementos que nós analisamos quando, por exemplo, somos apresentados a alguém. A roupa que vestimos permite projetar a imagem de nós mesmos que queremos mostrar aos outros. Tudo isso é englobado pela psicologia da moda. Mesmo quando essa não é a nossa intenção, a forma de se vestir pode dizer muito aos outros sobre nós. Além disso, pode ser que o que nós tentamos transmitir através da nossa roupa não seja o que os outros interpretem.

A crença de que as mulheres são mais conscientes em relação à moda do que os homens estão bastante difundidos. No entanto, as pesquisas mostram que os homens são mais condicionados pela moda do que a maioria de nós imagina.  As roupas podem influenciar, desde o resultado de uma partida esportiva (Hill e Barton, 2005) até a impressão de um entrevistador sobre a sua capacidade de realizar um trabalho de forma eficaz (Forsythe, 2006), mas isso vai muito além de ser homem ou mulher.

Além disso, independentemente de ser homem ou mulher, as escolhas de moda que você fizer podem afetar tanto a sua própria imagem e a impressão que você transmite aos outros, quanto o modo como as pessoas se comportam com você. No começo, o principal objetivo da roupa era nos manter aquecidos e secos, além de nos proteger do sol ou do pó. Era somente uma questão de sobrevivência. Pouco a pouco, ela foi adquirindo, também, uma utilidade prática para facilitar as tarefas cotidianas [vemos isso na inclusão de bolsos nas calças]. Conforme os meios tecnológicos foram avançando, a roupa começou a deixar de ser tão importante em termos de sobrevivência e utilidade.

Em muitas sociedades, o modo de se vestir representa a riqueza e o gosto pessoal. A capacidade de selecionar uma vestimenta também nos oferece uma possibilidade, a de nos diferenciarmos, e de nos tornarmos mais atraentes para aquela pessoa que queremos como nosso companheiro amoroso. Também podemos usar a roupa para nos misturar em uma multidão e esconder a nossa individualidade; por exemplo, ao nos vestirmos com um uniforme, ou adotarmos um estilo mais ou menos homogêneo em um determinado entorno. Também é preciso destacar que a superficialidade das escolhas das roupas raramente é o único fator, com respeito ao vestuário, que condiciona a imagem que nós fazemos dos outros ou que os outros fazem de nós. Dessa forma, não importa apenas a roupa, mas também como nós a vestimos ou a combinamos com outras peças. [...] Fuga – Ocorre durante um período difícil, uma situação aversiva em que a pessoa sente uma necessidade muito grande de remover, sair do incômodo que causa a situação atual. Dormir, devaneios, drogas, hiperatividade, etc. Nota: Muito comum em situações ou fases difíceis, quando estamos insatisfeitos com a vida ou quando acessamos o vazio deixado pela auto alienação de nosso self (Eu verdadeiro), nessas três situações, é muito comum devanear ou fugir. Fazemos isso de diversas formas, dormindo excessivamente, sonhando acordado evitando ação e construção da realidade, drogas, álcool, jogos, internet, trabalhando comendo, comprando, praticando sexo e fazendo exercícios de uma forma exagerada, tudo isso para não entrarmos em contato conosco mesmos e nossos incômodos.

Qual a identidade que estamos construindo através da roupa que vestimos? Qual a relação da nossa roupa com a autoestima? E com o grupo que nos cerca? O que a nossa roupa tem a ver com as demandas da sociedade? A seguir, farei uma análise de como a moda está diretamente ligada com a psicologia e com o comportamento dos grupos. As emoções, pensamentos e comportamentos levam as pessoas a se vestirem da forma como se vestem. As experiências que temos a partir das roupas e dos elementos que compõem nosso visual estruturam a nossa imagem pessoal, o que está diretamente ligado à formação da autoestima e autoconceito. A autoestima é o que sentimos a respeito de nós mesmos, os sentimentos e as emoções. mesmos, mas também interfere em como as pessoas pensam e sentem a nosso respeito.

Antigamente, a adoção de calças pelas mulheres representava um importante reajuste da definição de feminilidade, mas não necessariamente uma mudança no equilíbrio de poder existente (Paoletti e Kregloh, 1989). Contribuindo assim, nessa via de mão dupla, para a construção do nosso autoconceito, da nossa identidade. Desta forma, as roupas e acessórios são o elo entre os aspectos mais profundos do eu e a imagem externa que estamos produzindo. A mídia nos invade com imagens do que é belo de acordo com cada grupo ou sociedade. Assim, a influência do que vemos na internet, na TV e nas revistas direcionam o que deveria seria um visual ideal para a aceitação dentro de um grupo. Essa imagem que produzimos de nós mesmos determinam a relação de cada um consigo mesmo e com a sociedade.

 Mas a moda não é apenas a expressão das tendências, ela representa a relação profunda de si mesmo e com os outros, com a pessoa que somos [eu real], com o que gostaríamos de ser [eu ideal] e com o que pensamos que devemos ser. Para isso, buscam se distanciar do núcleo familiar e se identificar com o seu grupo para depois formar casais, famílias e unidades autônomas. Essas identificações acontecem através da música, dos interesses comuns e muito através da roupa. Cada turma ou tribo tem a sua vestimenta específica. Segundo Solomon e Schopler (1982) demostraram que os homens são, com frequência, mais influenciados do que as mulheres com respeito ao seu modo de se vestir e a forma como eles são avaliados.

Com isso, são identificados entre eles e pela sociedade, buscando o senso de pertencimento e importância. Cada roupa ou acessório, cada marca, só faz sentido em relação a um grupo de referência. Com a moda sonhamos acordados e construímos em nossa mente as imagens que satisfazem nossos desejos, compensando nossas ansiedades com roupas, bolsas, sapatos e joias que nos ajudam a enfrentar a realidade, a resolver conflitos e medos pessoais e perseguir algumas metas sociais para sentir-se integrado a um grupo.

Portanto, precisamos entender o significado das escolhas das roupas, independentemente do gênero. As escolhas das vestimentas podem afetar tanto a sua autoimagem, a impressão que você transmite aos outros e, por sua vez, a maneira como as pessoas se comportam em relação a você. Naturalmente, muitas das descobertas das pesquisas sobre a psicologia das escolhas de moda e vestuário estão sujeitas aos valores culturais da sociedade em que a pessoa vive. As diferenças culturais na interpretação da moda é uma variável importante que precisa ser compreendida dependendo de cada país.

Um estilista pode ajudar você a se vestir de acordo com o seu tipo físico, com o que está na moda, enquanto um psicólogo da moda o ajuda a estar de acordo com a sua personalidade, pensando no porquê de você se vestir de determinada maneira e como isso impacta no seu modo de ser. As roupas refletem o seu estado de espírito e as pessoas escolhem as roupas para se sentirem bem. [...] Em sua obra “Além do Princípio do Prazer” (1920, p.34), Freud afirma: a compulsão a repetição também rememora do passado experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram satisfação, mesmo para impulsos instintuais que foram reprimidos.

Com relação ao consumo, assistimos frequentemente alguns grupos que gastam compulsivamente. Eles buscam o luxo, precisando mostrar que podem, que querem, que tem, que tem empoderamento. Agem como se, sozinhos, não fossem ninguém, por isso precisam de uma marca que os defina. Por tanto a modo revela o seu poder pessoal. Reforma visual proporciona conhecimento e autonomia para você escolher, quem quer ser e estar pronta e bem vestida para todas as oportunidades que a vida oferecer. Viva, o Empoderamento!

Portanto, a Psicologia nesse campo tem como foco o estudo e tratativa das cores, noção de beleza, estilo, imagem, formas, e outros, e seus efeitos no comportamento e na mente humana. Dessa maneira atua-se diretamente com as pessoas desenvolvendo sua percepção de si mesmas, dos seus comportamentos e hábitos em relação ao vestir e apresentar-se para o mundo.

Fashion Psychologist, como é chamado no exterior, é o profissional que atua aplicando os conhecimentos da Psicologia à Moda e Imagem Pessoal. O trabalho leva a uma mudança visual, mas a grande transformação começa por dentro. É importante examinar emoções e processos mentais que levam as pessoas a se vestirem da forma como se vestem. Identificar como elas se sentem, como gostariam de se sentir, como gostariam de ser vistas. Quais experiências e resultados gostariam de ter a partir das roupas e outros elementos que compõem a nossa imagem pessoal.

O ponto importante aqui é que a nossa Imagem Pessoal não só influencia a forma como as pessoas pensam a nosso respeito, mas, também, na forma como pensamos a respeito de nós mesmos [autoconceito]. Contribuindo assim, nessa via de mão dupla, para a construção da nossa realidade. É como eu costumo pensar, não adianta você ser a pessoa mais competente se você não parecer competente. De nada adianta você ser super inteligente, se você não parecer inteligente. Não adianta você ser uma pessoa honesta e leal se você não transmite confiabilidade. O que você deseja comunicar e transmitir ao outro com sua vestimenta?

De maneira resumida podemos dizer que a personalidade, a auto percepção, as pessoas com quem nos relacionamos e como nos relacionamos com elas são os principais fatores que impactam nossa relação com a moda, nossas decisões de compra e a forma como nos apresentamos para o mundo. Os benefícios dessa prática podem ser relacionados a diversas áreas da vida pessoal e profissional. Aumentando, por exemplo, a autoestima, a autoconfiança, o desempenho e, consequentemente, os resultados profissionais. Além de ajudar a desenvolver noções de beleza e imagem corporal mais saudáveis e construtivas.

 


Referência Bibliográfica

FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Rio de Janeiro: Biblioteca Universal Popular, 1968

FREUD, S. (1920), "Além do princípio do prazer” In: FREUD. S. Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XVIII.

FREUD, S. (1996). Obras completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. (1914). "Recordar, repetir e elaborar ", v. XII

FONTENELLE, Isleide Arruda. Psicologia e marketing: da parceria à crítica. Arq. bras. psicol., Rio de Janeiro , v. 60, n. 2, p. 143-157, jun. 2008. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S1809-52672008000200014&lng=pt&nrm=iso>.

JUSTO, Carmen Silvia Porto Brunialti; MASSIMI, Marina. Contribuições da psicologia para área do marketing e do conceito de consumidor: uma perspectiva histórica. Rev. Psicol. Saúde, Campo Grande , v. 9, n. 2, p. 107-120, ago. 2017 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S2177-093X2017000200008&lng=pt&nrm=iso> .

Comentários

Postagens mais visitadas

Psicólogo Organizacional Supermercado Não-Escolha

  Ano 2023. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do para um excelente tópico. Vamos compreender o desejo do psicólogo através das abordagens psicanálise, psicologia social e psicologia organizacional. Em se tratando do ambiente o psicólogo tem medo e desejo ao mesmo tempo de atuar como psicólogo organizacional, pois se esquece que agora é uma figura de autoridade. E neste caso surge a reação de aproximação-afastamento, é quando sentimos atração e repulsa pelo mesmo objeto [Ser Psicólogo Organizacional] temos uma situação de aproximação-afastamento. Um exemplo seria o de um operador de caixa que é psicólogo num supermercado e tem o desejo inconsciente de atuar como psicólogo organizacional no supermercado [aproximação], mas o medo de mal interpretado pela supervisão através de punição [afastamento], porque no ato da contratação, ao lhe perguntar se tinha outra formação além de técnico em mecânica, omitiu dizendo que não; e por isso ...

O Psicólogo E O Mecanismo Defesa Fuga Da Realidade

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um sujeito que é psicólogo empreende esforços para empregar se em alguma instituição e alavancar a clínica, porém não obtém sucesso em nenhum dos campos empreendidos. Só restou empregado se em uma função de fiscal de caixa totalmente não homologado com seus valores para poder sustentar se e pagar suas contas. Descreva o mecanismo de defesa que o sujeito acionou inconsciente para lidar com a situação como se eu fosse um iniciado pela abordagem da psicanálise. Na situação descrita, o sujeito está lidando com uma realidade frustrante: não conseguiu emprego como psicólogo, que é uma área em que ele realmente deseja trabalhar e que está alinhado com seus valores. Para enfrentar essa situação, ele aciona alguns mecanismos de defesa deliberadamente. Vamos ver alguns dos principais: Racionalização : Esse mecanismo envolve uma situação com explicação que ...

Relato Autobiográfico Stranger Things: o Espelhamento do Meu Self Verdadeiro como Psicólogo

  Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208] Introdução Este livro é um relato autobiográfico simbólico. Utilizo a série Stranger Things como espelho para narrar minha própria travessia subjetiva enquanto psicólogo formado que, por contingências da vida, passou a ocupar uma função adaptativa distante de sua identidade profissional. Não se trata de uma análise da série, mas de uma escrita de si, onde cada elemento narrativo funciona como metáfora para conflitos internos, escolhas éticas, períodos de latência e o desejo persistente de existir publicamente como psicólogo. Escrevo a partir do lugar de quem sobreviveu institucionalmente, mas nunca abandonou o self verdadeiro. Sumário 1.       Quando o Estranho Começou a Me Habitar 2.       A Cidade Onde Eu Ainda Não Existia 3.       O Tempo em que Precisei Me Esconder 4.       As Luzes que Piscara...

01 Stranger Things: O Espelhamento do Self Verdadeiro na Trajetória de um Psicólogo

  Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208] Documento de Apresentação Institucional Apresentação Geral Este documento foi adaptado para fins de apresentação institucional , podendo ser utilizado em processos de seleção, bancas avaliativas, projetos sociais, instituições de saúde, educação ou assistência social. Trata-se de um relato reflexivo fundamentado na psicanálise, que articula trajetória profissional, experiência institucional e ética clínica. A série Stranger Things é utilizada como recurso metafórico para traduzir, de forma acessível e simbólica, os efeitos subjetivos do não reconhecimento profissional e o processo de preservação do self verdadeiro ao longo do tempo. O objetivo deste material é apresentar não apenas uma formação acadêmica, mas uma posição subjetiva e ética diante do trabalho clínico e institucional. Estrutura do Documento 1.       Contexto de Formação e Percurso Profissional 2.  ...

Pedir Denise Em Namoro

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. eu sonhei que um rapaz ia pedir uma garota em namoro porém ele não fazia o pedido pelas formas convencionais e de buscavam um outro meio totalmente desconhecido para fazer o pedido para ela em para pedir ela em namoro. Na abordagem da psicanálise, os sonhos são vistos como manifestações do inconsciente, onde desejos, conflitos e sentimentos reprimidos aparecem de forma simbólica. Vamos interpretar o seu sonho considerando isso. Elementos do sonho: O rapaz que quer pedir a garota em namoro: Pode representar um aspecto do ego, que é responsável por equilibrar os desejos (id), as regras sociais (superego) e a realidade. Não fazer o pedido pelas formas convencionais: Simboliza uma tentativa de fugir de normas ou expectativas impostas pelo superego (regras sociais, tradições ou medo do julgamento). Buscar um meio desconhecido: Representa o desej...

Desorientação Espacial No ambiente Supermercado

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Excelente observação — e muito pertinente para uma análise pela psicologia social , pois o ambiente do supermercado é um espaço profundamente planejado para influenciar comportamentos de consumo , inclusive por meio da desorientação espacial que você descreve. Vamos detalhar o fenômeno passo a passo: 🧭 1. Desorientação espacial como estratégia de controle do comportamento Na psicologia social, entende-se que o comportamento humano é fortemente influenciado pelo ambiente físico e social . Quando os repositores mudam a disposição dos produtos, ocorre uma quebra do mapa cognitivo que o cliente havia construído. Mapa cognitivo é o termo usado por Tolman (1948) para descrever a representação mental que fazemos de um espaço conhecido. Quando o cliente vai ao supermercado regularmente, ele cria um mapa mental da locali...

Cultura Da Substituição E Silenciamento: O Custo Invisível Da Não Implementação Da NR1 Nos Supermercados

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Durante sua atuação como fiscal de caixa em um supermercado, o profissional que também é psicólogo encontrou uma oportunidade singular: transformar o ambiente de trabalho em um verdadeiro laboratório de observação comportamental. Em meio à rotina operacional, ele utilizou seu olhar clínico e sensibilidade psicológica para analisar, de forma ética e consciente, os comportamentos, interações e dinâmicas sociais presentes no cotidiano da loja. Esse espaço, por sua diversidade de pessoas, tornou-se um campo fértil para compreender as relações humanas em múltiplos níveis: desde as expressões sutis de emoções nos rostos dos clientes, passando pelas reações impulsivas diante de situações de estresse, até os vínculos interpessoais estabelecidos entre os colaboradores. A convivência com pessoas de diferentes classes sociais, idades e culturas proporcionou a...

Comportamento consciente e inconsciente, dentro do referencial da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT).

  Ano 2025. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 1. Comportamentos Conscientes Esses são os comportamentos que a técnica em enfermagem percebe em si mesma, consegue nomear e reconhece como parte do seu dia a dia no supermercado. 1.1. Ajuste às tarefas operacionais Executa atividades como registro de compras, conferência de valores e atendimento ao cliente. Adapta sua postura profissional às rotinas do varejo. Esforça-se para manter rapidez, precisão e atenção. 1.2. Controle emocional deliberado Mantém cordialidade diante de clientes hostis. Segura impulsos de resposta, ainda que esteja frustrada ou cansada. Aplica conscientemente técnicas de autocontrole aprendidas na enfermagem. 1.3. Comparações racionais entre profissões Reflete sobre diferença de status, complexidade e reconhecimento entre enfermagem e operação de caixa. Identifica racionalmente sentimentos de desvalorização ou de "subutiliza...

Psicólogo Força E Aparência Valorizados Na Academia

  Ano 2024. Escrito por Ayrton Junior Psicólogo CRP 06/147208 O presente artigo chama a atenção do leitor para um excelente tópico. Um psicólogo está treinando na academia e um dia o personal lhe disse posso gravar um vídeo em que você está exercitando. O psicólogo disse pode. Aí o personal disse me fala seu Instagram para eu adicionar. O psicólogo lhe disse ayrton psicólogo. O personal disse você é psicólogo. O psicólogo respondeu sim. Hoje o personal estava falando com uma garota que estava se exercitando e de repente e chamou o Ayrton ela está falando sobre sentimentos eu lhe disse não sou psicólogo, o psicólogo é você. Deste momento em diante qualquer assunto o personal fala ele é o psicólogo. Na abordagem da psicanálise, podemos explorar a situação levando em conta o inconsciente, a transferência, e o papel dos mecanismos de defesa. Primeiro, é importante notar que o personal teve uma reação intensa ao descobrir que Ayrton é psicólogo. Ele passa a fazer referências frequen...

O Fiscal Morto: A Escuta Psicanalítica de um Ego Dividido entre o Dever e o Desejo

  Ano 2025. Autor [Ayrton Junior Psicólogo] Introdução Este livro nasce da escuta de um conflito silencioso: o de um sujeito que, formado em Psicologia, atua como fiscal de caixa em um supermercado — um espaço de intensa dinâmica social, mas carente de reconhecimento subjetivo. O personagem central, o fiscal psicólogo , simboliza o homem moderno dividido entre o trabalho que sustenta o corpo e o desejo que alimenta a alma . No entanto, o ambiente organizacional, regido por normas e metas, torna-se o espelho de uma estrutura psíquica aprisionada: o superego institucional, que reprime o desejo de ser, em nome do dever de parecer produtivo. Pela lente da psicanálise , este livro propõe uma escuta — ou, como diria Lacan, uma escanálise — da dor de um sujeito que, sem perceber, retirou a libido de sua própria função. A análise busca compreender o processo inconsciente que o levou a se perceber como um “fiscal morto” , sem prazer, sem reconhecimento e sem o brilho do desejo que...