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A lei teológica oculta: quando a instituição passa a ocupar o lugar do Outro que autoriza a saída

  Introdução A experiência prolongada de um sujeito dentro de uma instituição pode produzir um fenômeno que ultrapassa a dimensão administrativa do vínculo de trabalho. A instituição deixa de ser apenas o lugar onde se exerce uma função, recebe-se um salário e cumprem-se determinadas regras e passa a ocupar, no campo subjetivo, uma posição de referência para o reconhecimento, o pertencimento e a autorização. É nesse ponto que a hipótese de uma “lei teológica oculta” pode ser formulada. O termo “teológica” não será empregado aqui para afirmar a existência de uma intervenção divina específica, mas para nomear uma estrutura de crença e autoridade: há um Outro que supostamente sabe, decide, reconhece, permite ou interdita o lugar que o sujeito pode ocupar . No caso analisado, o supermercado constitui o lugar concreto de permanência do fiscal psicólogo. Ao longo de aproximadamente quatro anos nessa função, a instituição tornou-se simultaneamente fonte de salário, estabilidade, re...

OLHAR DO FISCAL NO MUNDO REAL INTERDITA QUE O SUJEITO ENXERGUE POSSIBILIDADES NA PSICOLOGIA

  Introdução A experiência profissional não se encerra necessariamente quando o trabalhador deixa o ambiente físico em que exerceu determinada função. Os hábitos de atenção, as formas de interpretar acontecimentos, as expectativas construídas e os modos de responder às dificuldades podem permanecer ativos mesmo fora da instituição. Na Psicologia Organizacional e do Trabalho, essa questão pode ser investigada a partir das relações entre identidade profissional, transições de papéis, experiências ocupacionais e construção de projetos de carreira. Este artigo desenvolve a hipótese de que um indivíduo que exerceu durante anos a função de fiscal de caixa em um supermercado pode continuar interpretando o mundo externo a partir do olhar construído nessa posição profissional. Embora também seja formado em Psicologia, o sujeito pode ter vivenciado uma organização cotidiana na qual as exigências do cargo de fiscal ocupavam a posição prioritária, enquanto o olhar psicológico permanecia em...